18 abr 2013 – O novo Papa quis se chamar Francisco, mas quem foi Francisco? Vamos conhecê-lo melhor: S. Francisco de Assis

S Francisco em Extase – Giovanni Belli

A oração de São Francisco continua a ser rezada por homens de todos os credos no mundo inteiro:  (4 de outubro é comemorado o dia de São Francisco de Assis)

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor;

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;

Onde houver discórdia, que eu leve a união;

Onde houver dúvida, que eu leve a fé;

Onde houver erro, que eu leve a verdade;

Onde houver desespero, que eu leve a esperança;

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais

Consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois, é dando que se recebe,

é perdoando que se é perdoado,

e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Um breve biografia de Francisco:

Seu nome de batismo era inicialmente Giovanni Bernardone (João Bernardone), dado pela mãe provavelmente em homenagem a João Batista. Seu pai, Pedro Bernardone, o altera para Francesco Bernardone. Por razões ainda controversas, acredita-se que o nome seria uma homenagem à França, país com quem o pai mantinha relações comerciais. Outra possibilidde é que talvez sua mãe fosse de origem francesa. Em Assis o menino ficou conhecido como Francisco, ou seja o “pequeno francês”.

Certa vez, antes de sua final conversão, teve a visão de um esplêndido palácio, em que encontrou toda sorte de armas e uma noiva belíssima.

No sonho, foi chamado pelo nome de Francisco e seduzido pela promessa de possuir todas aquelas coisas. Tentou, por isso, ir à Apúlia para entrar no exército e, tendo preparado com muita largueza tudo que era preciso, apressou-se para receber o grau da honra militar.

Seu espírito carnal sugeria-lhe uma interpretação carnal da visão que tivera, quando nos tesouros da sabedoria de Deus ocultava-se algo muito mais preclaro. Foi assim que, uma noite, estando a dormir, alguém lhe falou pela segunda vez em sonhos, interessado em saber para onde estava indo. Contou-lhe seus planos e disse que ia combater na Apúlia, mas foi solicitamente interrogado por ele:

“Quem lhe pode ser mais útil: o senhor ou o servo?”

“O senhor”, respondeu Francisco.

E ele: “Então, por que preferes o servo ao senhor?”

“Que queres que eu faça, Senhor (cfr. At 9,6)?” perguntou Francisco.

E o Senhor responde:

“Volta para a terra em que nasceste (cfr. Gn 32,9), porque é espiritualmente que vou fazer cumprir a visão que tivestes”.

Refeito da grave doença e em período de transição que mudará sua vida, encontrava-se caminhando fora da cidade, quando viu um leproso vindo na sua direção, ficou apavorado, pois tinha horror desta doença, quis fugir, mas manteve-se firme, dirigiu-se ao doente, beijou-lhe as mãos e o rosto, em demonstração de afeto e encheu-lhe a bolsa de moedas, com generosidade.

Ao retirar-se sentiu-se vitorioso e voltou-se para ver uma vez mais o estranho, não logrou perceber figura alguma na estrada, o homem desaparecera misteriosamente.

Após este fato sente o chamado de Deus, mas não muito, ainda viria o Segundo chamado Divino. São Francisco costumava orar numa velha e abandonada capela, São Damião, frente a um crucifixo repetia fervorosamente:

“Concedei-me Senhor, que Vos conheça, para poder agir sempre segundo a vossa luz e de acordo à vossa Santíssima vontade”.

Terceiro chamado Divino

Orando nas ruínas da Igreja de São Damião, um dia, pareceu-lhe ouvir claramente:

“Francisco, não vês que a minha casa está em ruínas? Restaura-a para mim!”.

Pensando tratar-se do velho templo onde se achava, agiu de pronto, contando para a reforma com o dinheiro de seu pai, que tinha em suas mãos.

Comparece ante o Bispo Dom Guido III acusado pelo pai de furto, devolve ao genitor o que lhe pertence, até as roupas e se declara servo de Deus. Pede ao Bispo sua bênção e abandona a cidade em busca dos caminhos do Senhor. É o começo da sua vida religiosa. O Bispo vê nesse gesto o chamado do Altíssimo e se torna seu protetor pelo resto da vida.

São Francisco renuncia à todos os bens que o prendiam neste mundo, veste-se como eremita e começa a restaurar a Capela de São Damião e a cuidar dos leprosos.

Sofre e luta da forma mais intensa; ele, que teve de tudo, abraça a pobreza, deve primeiramente vencer-se a si mesmo, para logo pedir esmolas. Ora e trabalha incessantemente.

São Francisco dizia: “O trabalho, embora humilde e simples, confere honra e respeito e sempre será um mérito ante Nosso Senhor”.

Seis anos mais tarde, a capela restaurada será o lar das Damas Pobres de Santa Clara.

Ano de 1208

Restaura a igreja de Sta. Maria de Anjos (porciúncula). (A pequena igreja ainda é preservada até os dias de hoje no interior da grande Basílica de São Francisco em Assis, erigida posteriormente por frei Elias.)

Restaura também a igreja de São Pedro.

Persuadido de que sua missão principal era a de restaurar e construir igrejas zelava ardentemente pelos lugares em que se celebravam os Santos Mistérios.

Um dia, na missa de São Matias, escuta o Evangelho sobre a Missão Apostólica. Se sente tocado e passa então a caminhar pelos povoados pregando a palavra de Deus de maneira simples e passa a viver de esmolas.

Ano de 1209

Fundou em 16 de Abril de 1209, com doze discípulos, a família dos doze irmãos menores, que viria a ser conhecida como a Ordem dos Frades Menores.

Os primeiros irmãos que recebe são:

  • Frei Bernardo de Quintavalle, que será mais tarde seu sucessor, homem de grande fortuna que abandona tudo para seguir São Francisco.
  • Frei Pedro Cattani, cônego e conselheiro legal de Assis, homem de esmerada cultura, instrução e dotado de grande inteligência.
  • E o irmão Leão, que será sempre e em todas as horas fiel companheiro.

Com 11 irmãos vai a Roma, levando uma breve Regra (que se perdeu). O Papa Inocêncio III admirado, ouve sua exposição do programa de vida, mas com regras tão severas fica indeciso e decide esperar para aprová-las oficialmente. Assim, aprova as regras apenas verbalmente.

Conta-se que dias mais tarde, em sonhos, o Papa teve uma iluminação sobre a missão destinada por Deus à Francisco (e diz-se que este Papa foi enterrado com vestes Franciscanas).

Francisco instala-se com seus irmãos em Rivotorto, perto de Assis, num rancho abandonado, próximo de um leprosário. Esta mísera residência foi a primeira casa dos irmãos Franciscanos. Tiveram lá uma vida difícil, assinalada por duras provas.

Apesar do espírito de renúncia e sacrifício que deveria existir na vida de seus filhos espirituais, São Francisco pregava que um servo de Deus não podia manifestar tristeza, desânimo ou impaciência. Na alegria da vida, o Santo via a fortaleza da alma cristã, força que devia levar aos desamparados e todos àqueles que sofriam provações.

Irradia a luz Franciscana para toda a Itália. São enviados missionários a todo o Continente Europeu. Em muitos lugares são maltratados e sofrem todos os tipos de dificuldades, muitas vezes não sabem falar o idioma local.

São Francisco orava e trabalhava sem cessar, assistia as viúvas, às crianças famintas e a todos os excluídos, fosse ao campo, nas cidades ou nos mosteiros. Orava intensamente pela conversão dos pecadores, proclamava a paz, pregando a salvação e a penitência para remissão dos pecados, resolvia conflitos, desavenças, estabelecendo sempre a harmonia em nome do Senhor.

Compreendia a dor e o sofrimento, pelo amor a Deus. Considerava-se um pecador, o mais miserável dos homens, vivia em penitência e jejum, renunciava às todas as comodidades. Era severíssimo consigo mesmo, mas aos seus filhos espirituais não permitia que fizessem demasiada penitência nem jejum, pedia sempre que imperasse a virtude da moderação, para assim poder melhor servirem a Deus.

S Francisco em Extase – Carravaggio-1595

 

 

 

 

 

Falar de Francisco de Assis, é necessário também falarmos de Clara:

Em 1212, a jovem Clara de Assis seguiu o atraente exemplo de Francisco e viveu, dentro da clausura e na contemplação, o ideal de pobreza evangélica. Surgiu, assim, a Ordem das Clarissas, ou a Segunda Ordem Franciscana.

Santa Clara nasceu em Assis, Itália, por volta de 1194, numa família rica e nobre. Seus pais chamavam-se Favarone e Hortolana, sendo Clara a filha primogênita. Com Inês e Beatriz, suas irmãs menores, que mais tarde também entrariam no Mosteiro de São Damião, Clara esforçava-se no amor a Jesus e sentia em seu coração o chamado para segui-lo.

Clara sonhava com uma vida mais cheia de sentido, que lhe trouxesse uma verdadeira felicidade e realização. O estilo de vida dos frades a atraía cada vez mais.
Depois de muitas conversas com Francisco, aos 18 de março de 1212, (Domingo de Ramos), saiu de casa sorrateiramente em plena noite, acompanhada apenas de sua prima Pacífica e de outra fiel amiga, e foi procurar Francisco na Igrejinha de Santa Maria dos Anjos, onde ele e seus companheiros já a aguardavam.
Frente ao altar, Francisco cortou-lhe os longos e dourados cabelos, cobrindo-lhe a cabeça com um véu, sinal de que a donzela Clara fizera a sua consagração como Esposa de Cristo. Nem a ira dos seus parentes, nem as lágrimas de seus pais conseguiram fazê-la retroceder em seu propósito. Poucos dias depois, sua irmã, Inês, veio lhe fazer companhia, imbuída do mesmo ideal. Alguns anos após, sua mãe, Ortulana, juntamente com sua terceira filha Beatriz, seguiu Clara, indo morar com ela no conventinho de São Damião, que foi a primeira moradia das seguidoras de São Francisco.
Com o correr dos anos, rainhas e princesas, juntamente com humildes camponesas, ingressaram naquele convento para viver, à luz do Evangelho, a fascinante aventura das Damas Pobres, seguidoras de São Francisco, muitas das quais se tornaram grandes exemplos de santidade para toda a Igreja.
As Irmãs Clarissas vivem um estilo de vida contemplativa, sendo enclausuradas. Quer dizer que não têm, normalmente, uma atividade pública no meio do povo, dedicando-se mais à oração, à meditação e aos trabalhos internos dos mosteiros.

Textos Católicos sobre Sta. Clara:

Pela utopia de Francisco se fez Clara
Estamos em pleno Ano Clariano e na oportuna comemoração dos 750 anos da Morte de Santa Clara de Assis. Comemorar a morte de uma santa é comemorar o modo como sua presença permanece em plena vitalidade. A pessoa santa vive na perenidade da obra que deixou. Clara de Assis está vivendo! Mesmo que nós frades não estejamos atentos a esta verdade, a presença de Clara é muito forte para a humanidade e para a igreja.

O que sabemos da mãe do nosso movimento? Ela não é a sombra de Francisco, mas brilha com ele na primavera da sociedade e da igreja medieval até os tempos atuais. Cidadãos de Assis e cidadãos do mundo, os dois são portadores de uma personalidade forte e original. Há 800 anos o Movimento de Assis sacode o mundo com valores profundamente humanos e divinos, nele o Evangelho faz estrada. E desde então temos esta Mulher Nova que nos legou um modo de amar e um modo de abraçar a revolução que vem da altíssima pobreza.

O título acima é de uma obra coletiva italiana publicada pela Cittadella Editrice e remete à escolha comum do Evangelho. Clara não é fotocópia de Francisco mas é o lado feminino do projeto sonhado por ele. Ela viveu o discipulado como uma mestra autônoma e responsável do mesmo projeto de vida evangélica.

Por séculos Clara ficou desconhecida por que culturalmente achamos que experiências, escritos, mística, espiritualidade, carisma fundacional, capacidade de conduzir grupo religioso é atribuição apenas de homem; aliás, descobrir o potencial feminino é o que falta ainda no processo de conversão da própria eclesialidade.

Quem de nós conhece as fontes clarianas? Os escritos de Santa Clara e os textos ligados à sua vida são as fontes para o conhecimento primário da experiência religiosa e mística da mãe do Movimento de Assis. Clara é nossa primeira mística e primeira escritora, contudo as suas Cartas à Inês de Praga foram publicadas e divulgadas em 1953 por Fausta Casolini, por ocasião do VII Centenário da Morte da Santa. A Legenda de Santa Clara, atribuída à Tomas de Celano, foi traduzida para o italiano e daí para outras línguas a partir de 1962. O Processo de Canonização de Clara foi descoberto apenas em 1920. A partir do estudo e conhecimento destas obras podemos saber muito sobre Clara. E o que devemos saber?

Ela é fundamental para a nossa família religiosa. É fundadora com Francisco e mestra da nossa rica espiritualidade. Ela tem muito a dizer. Ela nos ensinou a pensar a realidade sob a ótica da contemplação; com ela temos que aprender a transformar o nosso tempo em templo. Nós falamos de um modo conceitual sobre a pobreza, Clara casou-se com ela. Nós seguimos o Senhor, Clara se enamorou por Ele. Nós estudamos a pobreza, Clara pediu ao Papa o “Privilegium Paupertatis” , o privilégio de viver sem nenhum privilégio, a renúncia a qualquer status, a coragem de ter tudo em comum.

Clara é um ícone da vivência radical do Evangelho: vivê-lo e nada mais! Transformou a essência do cristianismo num modo cotidiano, simples e fraterno. Uma Dama Nobre que escolheu viver a sobriedade longe do barulho escandaloso das colunas sociais.

Clara é uma Mulher Nova a viver seus dons naturais aperfeiçoados pelas virtudes do Evangelho: inteligente, bela, corajosa, bondosa, segura, compreensível, acolhedora e contemplativa. Viveu 40 anos reclusa em São Damião e fez do mosteiro não uma prisão mas um útero onde cada dia gerou o Reino de Deus. De São Damião ajudou a resolver as inquietudes de seu tempo, salvou Assis da invasão e da guerra, como mulher olhou muito no Espelho para ver o melhor de si mesma: a beleza e a graça do Amado. De São Damião passou para a história como uma mulher e santa universal.

 escrito por Frei Vitório Mazzuco Filho

Ainda sobre Clara e Francisco do mesmo autor

Podemos dizer que sem Clara a experiência de Francisco é incompleta; ela é um testemunho excepcional da herança do ideal evangélico que nasce em Assis e incendeia o mundo há 800 anos. Ela é a versão feminina do ideal franciscano.

Clara e Francisco são arquétipos humanos e protótipos da encarnação do evangelho; uma rigorosa mudança pessoal, uma cordial vivência fraterna, uma conversão de ternura e cuidado, um verdadeiro encontro entre espírito e afeto.

Em Clara, Francisco encontra o seu coração de mãe; em Francisco, Clara encontra o seu coração de irmã.

O conhecimento do espírito e dos projetos do Movimento de Assis permaneceria incompleto sem Clara, ela que seguiu de perto a nova vida e as práticas do início da nossa forma de viver. “Clara assimilou profundamente o espírito de Francisco, conservando em si o estado mais puro deste espírito. O seu testemunho é digno da mais alta consideração” (K. Esser).

Até os inícios do século XX pode-se dizer que a vida de Clara era conhecida somente através de biografias cheias de devoção, baseadas sobre a sua Legenda, ora atribuída a São Boaventura ora a Tomás de Celano. Mas vamos elencar alguns momentos que alavancaram o conhecimento da nossa Mãe fundadora.

1. No ano de 1912 comemorou-se os 700 anos da Vocação de Clara e a Fundação das Clarissas. Aí surgiram os estudos sobre as pesquisas de Lemp (1892) e de Lemmens (1902). Com Oliger (1912) e Lazzeri (1912-1920) crescem as novas investigações sobre Clara. Foi muito importante neste período a descoberta e a publicação do “Processo de Canonização”, mérito de Lazzeri. Nos dez anos seguintes vieram os estudos críticos junto com as Fontes Clarianas, como os de Martin de Barcelona (1921) e de Fassbinder (1936).

2. No ano de 1953 temos os 700 anos da morte de Clara; aí foram abundantes as publicações de todos os gêneros. Destacaram-se Hardick, Grou, Franceschini e Arnaldo Fortini. As publicações vieram com a grande ajuda do Protomonastero de Assis e com a publicação de “Santa Chiara: Studi e Cronaca”. A partir de então pudemos conhecer as “Cartas para Inês de Praga” que ajudaram muito no perfil da espiritualidade e personalidade da fundadora.

3. A partir de 1965 o Concílio Vaticano II determina o retorno às origens e com isso influencia o desejo de aprofundar os escritos pessoais de Clara para colher aí seus ideais em toda a sua autenticidade, como base de renovação do rosto feminino do franciscanismo e a descoberta de uma verdadeira, original e própria espiritualidade.

4. No ano de 1994 celebramos o 8º Centenário do nascimento de nossa mãe, irmã e mestra. Novas publicações marcaram a família franciscana e clareana. Aqui no Brasil destacamos a publicação das “Fontes Clarianas”, com tradução e comentários de Frei José Carlos Pedroso e “Clara de Assis, A primeira mulher franciscana”, de Anton Rotzetter, Vozes-FFB. Frei Clarêncio Neotti coordenou a comissão central do 8º Centenário que nos legou os excelentes fascículos: “Recomeçar com Clara e Francisco”, “Caminhar com Clara e Francisco”, “Para celebrar Santa Clara”, “Para Rezar com Clara e Francisco”.

5. E finalmente estamos celebrando os 750 anos da morte de Santa Clara. Ano Clariano! Não podemos deixar de ler a excelente Carta do Ministro Geral Frei Giacomo Bini, OFM, “Clara de Assis: um hino de louvor” , na qual ele lembra que “também uma carta pode tornar-se lugar de comunhão, de diálogo fraterno, para descobrir aquele algo novo a respeito do Senhor que Clara pedia a Junípero e que nossos tempos e nossas gerações ainda esperam de nós com urgência”.

Graças a estes momentos celebrativos, muitos valores da grande fundadora chegam até nós. A presença e a mensagem de Clara são parte integrante e imprescindível da espiritu-alidade franciscana. Não se pode falar de Francisco sem Clara de Assis.

A mãe Hortolana teve uma gravidez complicada com a possibilidade de não ser bem sucedida na hora de dar à luz a mais um fruto do seu ventre. Quando a vida de um filho ou uma filha corre perigo toda mãe agiganta-se na fé. Hortolana entrega a Deus a sua fecundidade maternal e sente a segurança e a certeza que vêm das forças divinas, percebe que quem dela vai nascer é fruto da paz e serenidade; acredita que será um parto de luz a aclarar o mundo. Muitos nomes foram sugeridos, mas a sua escolha é Clara! Clara é seu nome!

Para o mundo bíblico dar nome é trazer para a vida e para o sentido desta vida. Ter nome é ter um papel a cumprir, uma missão a concretizar. O que não tem nome não existe. Clara é seu nome!

A história da espiritualidade é a história da luz, quem nasceu para iluminar caminhos só poderia ter um nome como este. Esta menina nasceu para incendiar a vida com a chama do Amor. É profética a conhecida afirmação de Tomas de Celano: “Foi nobre de nascimento e muito mais pela graça. Foi virgem no corpo e puríssima no coração; jovem em idade, mas amadurecida no espírito. Firme na decisão e ardentíssima no amor de Deus. Rica em sabedoria sobressaiu na humildade. Foi Clara de nome, mais clara por sua vida e claríssima em suas virtudes. Sobre ela foi edificada uma estrutura das mais preciosas pérolas, cujo louvor não vem dos homens mas de Deus. É impossível compreendê-la com nossa estreita inteligência e apresentá-la em poucas palavras”. (1 Cel 8, 18-19)
Clara nasce em Assis no dia 16 de julho de 1193. É batizada na catedral de São Rufino com o nome escolhido pela mãe iniciando aí uma clara história. Seu pai é o Conde Favarone, nobre e cavaleiro, personalidade forte mas muito terno e afetuoso com seu filho e filhas. É descendente dos Offreduccio Favarone di Bernardino, uma família da melhor estirpe. Sua mãe, Hortolana, Condessa de Sasso Rosso, é uma mulher com o “esprit du finesse” característico das grandes damas medievais. É devota, sábia e segura. Após a morte do marido junta-se às filhas em São Damião.

Clara tem um irmão chamando Boso e três irmãs: Pessenda, Inês e Beatriz. As duas últimas seguiram Clara na experiência contemplativa das Senhoras Damas Pobres.

Família rica e influente em Assis os Offreduccio Favarone poderiam oferecer à filha um matrimônio de bens e de dotes e um sonhado futuro de riquezas. Contudo Clara nasceu para conduzir vidas para Deus e seu matrimônio foi escolher o Esposo, o Rei dos Reis, num esponsal místico.

É o seu nome que inspira o conteúdo maravilhoso da sua Bula de Canonização. Num trocadilho impressionante o documento revela que na grandeza de um nome está a sua missão:
“Clara, preclara por seus claros méritos, clareia claramente no céu pela claridade da grande glória (…) sua virtude resplandece para os mortais com sinais magníficos.

Esta Clara foi distinguida aqui por suas obras fúlgidas, esta Clara é clarificada no alto pela plenitude da luz divina.

Ó Clara, dotada de tantos modos pelos títulos da claridade! Foste clara antes da conversão, mais clara na conversão, preclara por teu comportamento.

O mundo recebeu de Clara um claro espelho de exemplo.

Em casa foi luminosa como um raio, no claustro teve o clarão de um relâmpago.
Brilhou na vida, irradia depois da morte!
Foi Clara na terra e reluz no céu!
Como é grande a veemência de sua luz e como é veemente a iluminação de sua claridade!
Ficava esta luz fechada no segredo do claustro, mas emitia raios brilhantes para fora. Recolhia-se no estreito convento, e se espalhava pelo amplo mundo.
Clara se calava, mas sua fama clamava.
Ela foi um elevado candelabro da santidade, brilhando com força no tabernáculo do Senhor, e para seu enorme esplendor correram e correm tantas, querendo em sua luz acender suas lâmpadas.
Vigilante no cuidado
Esforçada no espírito
Atenta na exortação
Diligente para admoestar
Prestimosa para se compadecer
Discreta para se calar
Madura no silêncio
Experimentada em todas as coisas oportunas
Para um perfeito governo
Querendo mais prestar serviço que dominar e mais honrar do que ser honrada.

Vaso da humildade
Armário da castidade
Ardor da caridade
Doçura da bondade
Força da paciência
Vínculo de paz e comunhão de familiaridade
Mansa de palavra, doce nas atitudes, em tudo amável e bem aceita
Neste espelho de vida as irmãs contemplaram os caminhos da vida.

Na beleza deste nome um modo de ser. Na grandeza deste nome a dignidade de ser mulher e santa. Na força deste nome um programa de vida.

Clara Mãe, Clara Irmã, rogai por nós!

Oração de Santa Clara

Clara, santa cheia de claridade,
Irmã de São Francisco de Assis,
Intercede pelos teus devotos
Que querem ser puros e transparentes.
Teu nome e teu ser
Exalam o perfume das coisas inteiras
E o frescor do que é novo e renovado.
Clareia os caminhos tortuosos
Daqueles que se embrenham
Na noite do próprio egoísmo
E nas trevas do isolamento.
Clara, irmã de São Francisco,
Coloca em nossos corações
A paixão pela simplicidade,
A sede pela pobreza,
A ânsia pela contemplação.
Te suplico, Irmã Lua,
Que junto ao Sol de Assis
No mesmo céu refulge,
Alcança-nos a graça que,
Confiantes vos pedimos.
Santa Clara, ilumina os passos
Daqueles que buscam a claridade!
Amém!

Nossos Comentários à luz do Ocultismo:

Estamos justamente a discursar o tema sobre Amor, Paixão, Compaixão entre o Homem e a Mulher então nada mais apropriado que falarmos de Francisco e Clara, Clara e Francisco, o maior exemplo de paixão e amor divinos por Christos que o Ocultismo e a Gnose conhecem.

Francisco de Assis ganhou este nome por ter nascido em Assis, em 1181, pequena cidade no Sul da Itália. Já muito jovem recebeu uma mensagem de que deveria rumar para o oriente e assim alistou-se como soldado e rumou com o exército para o oriente, lá chegando, após muito tempo, recebeu nova mensagem em uma nova visão de que deveria abandonar o exército porque esta não era a sua missão e assim o fez, quando então, segundo as Escolas Iniciáticas, teria se encontrado com Lamas Tibetanos que o aguardavam, tendo rumado para o Tibet secretamente onde permaneceu por alguns anos estudando com os Lamas nas Lamaserias. Encerrado este período retornou a Assis onde recebeu nova visão e se tornou um simples Frei da congregação local.

Do Tibet além de conhecimentos secretos e principalmente mantras poderosos que lhe concediam poderes de cura, trouxe também uma oração que veio a ser conhecida até os dias atuais como a “Oração de São Francisco de Assis”. Contam os antigos e muito se comenta entre os Franciscanos que Francisco tinha conhecimento do mantra pronunciado pelos “lamas voadores” o qual permitia que ele ficasse voando ao redor do Monastério, enquanto os outros irmãos corriam desesperados abaixo dele pedindo pelo amor de Deus que descesse antes que alguém o visse, mas ele gostava de se divertir e por isso sempre tornava a repetir o vôos.

  • Lamas são seres que já atingiram a escada de Jacó como Adeptos e a eles são transmitidos certos conhecimentos secretos.
  • Lamas voadores existiam naqueles tempos como encarregados de levar e trocar correspondências entre as várias Lamaserias Tibetanas (templos fincados nas montanhas de neve e invisíveis aos olhos humanos).

Clara, que depois veio a ser conhecida como Sta. Clara de Assis, também nasceu na mesma cidade de Francisco, em 1193. Era filha de família de Nobres.

Conta-se que em 1210, um dia foi assistir à missa na Catedral de São Rufino, ocasião em que conheceu o celebrador da Missa, o jovem Frei Francisco, ela com 17 anos e ele com 29 anos.

Imediatamente acendeu-se nos dois seres aquele fogo imortal das paixões celestiais. Uma energia estupenda e incontrolável do reencontro de almas gêmeas de mônadas, após milhões e milhões de anos separados entre si. Algo que o Universo somente proporciona em Seres que já atingiram a mais elevada graduação espiritual de amor.

Francisco e Clara, Clara e Francisco, o que se passou nas várias conversas e encontros que tiveram vai permanecer selado, mas a paixão era arrasadora e abrasadora.

Conta-se que Clara teria pedido a Francisco que abandonasse o Monástério e a Igreja para que ambos pudessem viver juntos. Mas Francisco, relutou e negou-se a tal porque tinha tido uma terceira visão de sua missão nessa vida.

Em 1212, Clara toma uma decisão e abandona sua família e se candidata como Freira reclusa. Pouco tempo depois, a ela se junta a irmã Inês que veio a tornar-se conhecida como Sta. Inês, irmão de Sta. Clara. Naquele mesmo ano, aconselhadas por Francisco, ambas são levadas para o Monastério de São Damião, onde Francisco fez oficialmente as suas ordenações.

Tanto amor e paixão entre duas almas gêmeas retratam igualmente a devoção e amor que tinham igualmente por Cristo, pelo qual abriram mão de suas vidas pessoais e mantiveram o voto celibatário e a quebra deste na época seria um verdadeiro escândalo na sociedade católica, época de inquisições e torturas.

E ambos seguiram seus caminhos em suas missões como evangelizadores. E Francisco tornou-se então São Francisco de Assis e Clara, Sta. Clara de Assis, ambos como santos dos pobres, doentes e oprimidos, e mais já em 1220 Clara já era conhecida na Igreja Católica como a “Mãe da Minha Salvação”.

Ambos tiveram uma vida difícil dedicada à causa de Cristo; Francisco apresentava em vida as chagas de Cristo, e Clara de tempos em tempos era acometida por uma doença incurável que acabou por dizimá-las anos mais tarde.

Mas essa linda história de amor, recriada por Shakespeare em Romeo e Julieta, não termina aí.

Muitos séculos depois, Francisco renasce no Oriente como um Principe Kuthumi, mas ainda jovem, esquecido das lembranças anteriores, todavia, sempre sonhador e taciturno, como que esperando algo, um dia passeava em seu cocho quando ao passar por uma feira livre, observa uma vendedora de frutas e imediatamente aquela energia avassaladora atravessou a ambos: era Clara, agora um simples vendedora de maçãs, certamente as maçãs do amor.

Bem, não preciso dizer que ambos se uniram e conforme seres deste nível de amor se encontram, o fogo serpentino sobe em ambos, e desce o espírito santo do 3o. trono, santificando-os e trazendo consigo a iluminação das Mestria. E assim, dessa união carnal e espiritual do grau mais elevado de amor surge o Mestre Ascensionado Kuthumi, agora eternamente fundido em mônada e corpo espiritual com sua amada Clara, clara de todas as vidas.

Mesmo que toda esta história lhe pareça um folclore, não se aborreça, apenas pense que é muito melhor acreditar nestas lindas história de amor ao Cristo do que tantas histórias feias que vemos todos os dias em nossas vidas, sendo que essa do Mestre Kuthumi, grande inspirador da teosofia, pelo menos nos deixa sonhar e desejar amar também, igual eles, Francisco e Clara, Romeo e Julieta.

Muita Luz e Paz em vossos corações.

Atama Moriya em 18 abril de 2013.

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