25 abr 12 – Com elevada taxa Selic Brasil não cresce quase nada desde 2011

Uma equivocada política de elevadas taxas selic do governo federal resultou num crescimento quase nulo do PIB em 2011 – 2,7%. Fomos novamente salvos pelo setor agropecuário com crescimento de 2,7%, porém com apenas 1,6% na indústria e um índice praticamente nulo na indústria de transformação.

Hoje a taxa é ainda muito alta com 9%, a segunda maior do planeta; ruim é saber que dificilmente vai baixar muito mais este ano em função do conservadorismo monetário do Banco Central.

Como muitos economistas considero um erro a manutenção da taxa tão elevada ainda, quando muito deveria estar em 6%, algo em torno de 1% acima da expectativa de inflação.

Com as dificuldades econômicas no mundo, notadamente na zona do euro, certamente sofreremos muita pressão no câmbio e isto pode dificultar ainda mais o crescimento do PIB.

Algo mais forte tem de ser feito, antecipado, já sabendo que temos cenários difíceis neste ano. Muitos economistas de áreas financeiras tem vindo orquestradamente ao público para dizer que não podemos baixar mais a taxa por três motivos básicos: a inflação, a falta de mão de obra qualificada e o comprometimento com a fuga de capitais para a poupança que vai logo pagar mais.

É demais esta argumentação. Primeiro a inflação tem de ser combatida mais especificamente, e não por controles monetários, aliás, o Brasil tem mecanismos ainda que eram aplicados no passado para controle mais direto.

Políticas para favorecimento indireto de pequenos agricultores, isenção de impostos para insumos, impostos diretos etc.. deveria ser adotado; deveria também controlar as importações com mais taxações para bens supérfluos e favorecimento a produtos agrícolas.

A redução das taxa de juros tende a reduzir também os custos industriais, mas uma política com outras reduções deveria ser implementada para favorecer o aumento do numero de empregos, tais como já aplicamos num passado de inflação alta.

A questão da mão de obra especializada nem aconteceu e já colocam como empecilho, uma bobagem. E o desemprego entre os jovens ainda é muito alto no Brasil.

A corrida para as taxas de poupança é outra questão que será examinada se acontecer e não por antecipação. É muito fantasma que nem sabemos se existe.

De qualquer forma quero elogiar a medida governamental de utilizar os bancos estatais como instrumentos de política monetária, algo que já era muito recomendado no Brasil desde a década de 70 e finalmente alguém teve a coragem de fazê-lo agora. Isto deve estar desagradando muito os bancos privados que tiveram décadas de lucros inacreditáveis e é hora de voltar este capital acumulado.

Este ano tem crescimento previsto do PIB em torno de 3,5% aproximadamente. Muito pequeno este crescimento, é claro que podemos muito mais e seria desejável algo em torno de 6% e isto teria sido possível não fosse este monetarismo conservador que ainda domina a economia.

Vamos ver o que acontece.

Por Atama Moriya, em 25 de abril de 2012.

Esse post foi publicado em Brasil-Líder do Milênio, Crise econômica e marcado , . Guardar link permanente.

6 respostas para 25 abr 12 – Com elevada taxa Selic Brasil não cresce quase nada desde 2011

  1. Marcus Siviero disse:

    Boa noite Atama Moriya.

    Agradeço vossa preocupação em novamente responder e, até mesmo, ter se aprofundado no tema.

    Eu estou reagindo como o paciente leigo diante do médico e reclamo porque ele entende de dor e eu a sinto.

    Saiba ainda que sempre venho comentando em vosso blog exatamente porque você transmite uma visão séria e responsável em todos os assuntos que aborta.

    Em várias ocasiões findo por extravasar um sentido revoltoso, não exatamente pela situação que atravessamos no geral, porém pelos que podendo diminuir o sofrimento generalizado esforçam-se em tirar proveito disso, digo que não há contrariedade direta ao sofrimento já que sabemos ser parte de sua própria complexidade, mas a situação equivale ao afogado e o exímio nadador, o primeiro estende o braço em busca da salvação, o segundo, contudo, apoia o pé na sua cabeça para ganhar impulso na subida.

    Espero mais amenidades de minha parte nos próximos temas postados e agradeço mais uma vez sua consideração e atenção.

    Abraços, Marcus.

  2. Atama Moriya disse:

    Caro Marcus,
    Novamente você misturou as questões e abordou outras que não são o objeto deste post específico sobre a manutenção de elevada taxa de juros da SELIC e suas consequências na falta de crescimento econômico no Brasil. Estamos em guerra cambial no mundo todo e medidas contundentes deveriam ser adotadas para garantir este ajuste prévio. Mesmo sob pressão o renminbi sofrerá nova desvalorização. A Suiça adotou ainda 2011 duas bandas cambiais e ninguém reclamou, se fosse o Brasil o mundo viria abaixo sobre nós.
    A questão tributária é tem de ser analisada separadamente e não é objeto deste post. E apenas para esclarecer, o volume de arrecadação em relação ao PIB é bastante razoável para a nossa economia em desenvolvimento. O que sempre critico é modelo linear e excessivamente complexo. Dentre as várias reformas que necessitamos encontra-se a reforma tributária e a redistribuição dos impostos entre os municípios, estados e governo federal. Muito pior que o governo federal é o código tributário dos estados com este famigerado imposto sobre o consumo de 25% lineares. Mas isto é uma outra questão que não cabe discutir neste momento.
    E a taxa Selic é de responsabilidade do Estado sim, não tem nenhum cabimento em nenhuma teoria econômica existir outra forma, ainda que no Brasil haja o COPOM formado por 50% de membros das bancos e financeiras.
    Quanto ao liberalismo econômico ele não existe na prática em nenhum lugar do mundo, apenas nas mentes que se vergaram a uma imposição econômica como instrumento de exploração de países ricos sobre países pobres. Quem as seguiu está quebrado.. Tanto a Europa quanto os EUA praticam há décadas o intervencionismo econômico como fator de ajuste de suas economias e principalmente nestes tempos atuais quando injetaram trilhões para salvar investidores, bancos e aumentaram os impostos sobre os trabalhadores para criar superavits. O discurso dos meninos de Chicago é completamente falido e extremamente elitista. Uma mentira muito conveniente.
    Há muitos fóruns que tratam apenas de economia tanto nos EUA como na Europa onde muitas opiniões de mestres e professores de economia são apresentados e podem dar uma contribuição maior para entendimento das transformações que o mundo está sofrendo ma economia, e muito melhor que este blog que não tem o objetivo de se aprofundar nas questões teóricas da economia, rediscutindo Keynes, Friedman ou Krugman.
    E considero na minha visão macro que o Brasil, mesmo experimentando resultados insatisfatórios, ainda assim está na direção certa, aos trancos e barrancos muitas vezes. E o tempo mostrará ou não isto que antevejo.
    Por falta de tempo tenho diminuído as postagens e as respostas ao leitores que espero retomar no futuro pelo menos no que tange a postagens de temas mais interessantes para o ano de 2012.

  3. Marcus Siviero disse:

    Peço-lhes desculpas por expressar de forma a induzir erro na postagem apesar de ressalvar “… no enfoque…”, de fato, quis me referir ao nosso processo econômico e no pensamento de enfatizar a idéia os envolvi sem notar a discrepância do entendimento produzido.

    Porém, enquanto refiro-me a “… arrecadatório…” não vejo onde pode haver desentendimento, pois fui enfático em apontar uma arrecadação predatória, é claro que todos sabemos ser todas as economias “arrecadatórias”, entretanto penso que está bem definida a idéia de arrecadação exacerbada para suprir um sistema falho que os senhores mesmos apontam.

    As taxas de juros praticadas em qualquer economia, e eu insisti em destacar a brasileira, como poderia até ampliar esta geografia, tem foco em aquecer as atividades produtivas de quase todas as sociedades, entretanto, o controle das taxas no Brasil são por mera determinação estatal, quase sempre à deriva das verdadeiras necessidades nacionais, o que não contraria vosso ponto de vista.

    A taxa Selic, ainda que indiretamente, tem sim, tudo a ver com a tributação, pois a economia responde com tributos maiores em volume de negócios, sendo que a brasileira o é por excesso per capta logo, quando a economia é bem orientada e o que aponto é que ao governo brasileiro pouco influi para a “máquina” (foi esse o termo que usei) se a economia atua em favor ou contra a população, pois as mega corporações garantem de qualquer modo o fluxo de demanda interno dessa “maquina” independentemente das taxas aplicadas, esse é o ponto que busquei defender.

    Ainda que “as demais questões” do aspecto técnico citado possa parecer não abordadas no caso, imagino que quando se comenta sobre um assunto a abordagem pode ser, dentro do que é razoável, ampliada e penso que eu não tenha deixado de ser razoável exatamente porque as “demais questões”, na prática, é o que nos penaliza, de outro modo, aí sim, a postagem não seria tão interessante.

    Ademais, se tributos nada tem em relação a Taxa praticada, o que significa; “… Políticas para favorecimento indireto de pequenos agricultores, isenção de impostos para insumos, impostos diretos etc.. deveria ser adotado; deveria também controlar as importações com mais taxações para bens supérfluos e favorecimento a produtos agrícolas…”?

    Mais uma vez peço desculpas por minhas colocações, talvez eu não seja um técnico econômico, de fato, não sou, mas sinto “fome” (metaforicamente, penso que doravante devo ser mais cuidadoso) como grande parte dos brasileiros e estou convencido que um dos inúmeros responsáveis por isso é o controle excessivo do Estado que gere também a taxa Selic e, diga-se, sem se interessar muito pelo que dita o mercado.

    Sei que cabem mais esclarecimentos, mas seria improdutivo alongar mais o assunto.
    Agradeço por merecer uma resposta e a oportunidade de replicar.

    Abraços, Marcus.

  4. Atama Moriya disse:

    Marcus,

    Qual equivoco na postagem você se refere? Estou comentando tecnicamente sobre o controle monetarista da taxa Selic e emito uma opinião contrária sobre os seus fundamentos na prática atual da política econômica adotada. Você comenta que o sistema econômico brasileiro é arrecadatório, ora, em qualquer economia qualquer que seja o regime econômico adotado é “arrecadatório” como você menciona, no sentido amplo da tributação que é peça fundamental para gerir governos.

    O retorno social existe sempre, em menor ou maior grau, com mais ou menos benefícios aqui ou acolá e este é o sentido econômico dos tributos na sociedade. Ok?

    A taxa Selic nada tem a haver com os tributos, gastos de governo e nem com o que outros governos vão dizer a respeito. Cada país é soberano no sentido de administrar sua taxa de juros pagos nas suas emissões.

    Quanto as demais questões não estão abordadas no aspecto técnico da taxa Selic praticada neste momento.

    Seja mais conciso e claro para que possamos compreender os seus comentários.

    Abs.

  5. Marcus Siviero disse:

    Boa noite aos que aqui vêm.
    Há um equívoco evidente no enfoque tomado para postar, de fato, é esquecimento do verdadeiro sentido do nosso sistema social canibal.
    Lembrem-se que ano após ano batemos recordes de arrecadação, o sistema econômico brasileiro é arrecadatório e jamais será retorno social, a máquina governamental trabalha para dentro e não tem o menor interesse em transformar nossa sociedade.
    Notem que se organizarmos uma relação das empresas no Brasil iremos observar que existem, no máximo, umas centenas (três ou quatro) de super conglomerados multi-nacionais que respondem pela arrecadação em dezenas, quiçá centena de vezes o que arrecadam as outras milhões de pequenas e médias que configuram no CNPJ todas juntas, isso implica em pouca fiscalização (menos trabalho) e um rendimento assustador.
    Percebam que os salários estatais dos três poderes estão afrontando todos os índices de moralidade que se possa imaginar e isso é um modo de maquiar a corrupção, pois os altíssimos salários e ganhos indiretos autorizados e institucionalizados suprem os interesses corruptivos com folga, dessa forma o governo promove o combate a corrupção mascarando-a em forma de rendimentos legalizados apesar de imorais.
    Se o Brasil viesse a transformar-se em potência mundial, pois que temos fôlego para tanto, de princípio os poderes enfrentariam a antipatia internacional que agiria, de pronto, suprimindo vantagens internacionais aos interessados diretos do poder, retirando a maior parte das multi que aqui exploram os baixos salários e “incentivos” fiscais, por outro lado, os investidores globais passariam a olhar com maior interesse determinados paraísos econômicos e fiscais fora daqui, o povo se obrigaria a esforçar-se mais em cultura e tecnologia que, sem dúvida alguma, é o que menos interessa ao poder, pois povo culto exige governo sério, exatamente o que não temos.
    Portanto, peço desculpas por apontar a falha da postagem, mas digam (e comprovem) que eu não tenha razão e, prontamente, retiro o que expus e me desculpo pelas acusações.

  6. Eduardo Bonamico disse:

    Gostaria apenas que o governo fosse honesto, só isso bastaria para resolver milhares de problemas do nosso “pobre” Brasil, de forma direta e indireta (efeito cascata). SÓ ISSO !!!
    Estou realmente farto de blábláblá e hipocrisia, não suporto mais!

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