22 fev 12 – Grécia a beira da falência – ninguém tem mais dúvida – só uma série de milagres salva

Foi aprovada a segunda rodada de ajuda à Grécia e com mais exigências de austeridade ao governo grego. Apesar da aprovação do segundo pacote de ajuda de 133 bilhões de euros, os analistas estão bastante pessimistas.

Paralelamente a Ag. Fitch rebaixou a Grécia para o nível C para riscos, ou seja, praticamente falida.

Leia ao final meus comentários.

O analista grego Yannis Varoufakis assim escreveu em seu blog:

O novo salvamento grego:
apenas um apaziguamento da Crise

por Yannis Varoufakis

De acordo com a narrativa oficial, o euro foi salvo (mais uma vez) impedindo um incumprimento grego “desordenado” e contra o pano de fundo do “activismo” do Banco Central de Mario Draghi. Chega de narrativa oficial. Pois, na minha avaliação, a visão dos nossos líderes a proclamaram uma tal vitória contra a Crise tem um forte cheiro do momento em que Neville Chamberlain retornou de Munique, a contar a um aliviado público britânico que o acordo fora encontrado e a prometer-lhe “Paz no Nosso Tempo”. Naturalmente, tudo o que ele havia conseguido fora comprar tempo para que a Guerra se tornasse mais forte, mais ameaçadora, de uma letalidade para além da compreensão. Analogamente, nossos líderes europeus apenas cederam a uma forma de Apaziguamento. Não da Alemanha (uma vez que estes líderes são, para ou melhor ou o pior, alemães) mas sim da Crise. Uma Crise que, sob a cobertura de celebrações inócuas de “resoluções” e “salvamentos”, está a tornar-se cada vez mais forte, mais desagregadora e eficiente no modo como corrói os próprios fundamentos da eurozona.


Se bem que baste declarar a afirmação de que o euro foi salvo para que se perceba a sua fragilidade, apresentarei três considerações:

Primeiro, o próprio estudo de sustentabilidade do FMI em relação à dinâmica da dívida da Grécia, o qual torna perfeitamente claro que para domar a crise da dívida grega, sob o plano actual, seria preciso uma cadeia de milagres – da espécie que o mundo pós 2008 está um tanto carente.

Segundo, enquanto os spreads têm estado a declinar (devido à espectacular ambi-destreza do sr. Draghi para com os bancos, isto é, a LTRO [1] ), a verdadeira natureza da combinação de aumento dos desequilíbrios internos da eurozona e de uma ruptura completa do sistema inter-bancário da eurozona pode ser rastreada a partir do florescente montante do Objectivo 2 do Sistema Europeu de Bancos Centrais. O Börsenzeitung informa que é de €511 mil milhões a soma agora devida pelos Bancos Centrais dos países em défice àqueles países com excedente (essencialmente os Bancos Centrais da Alemanha e da Holanda). Uma ruptura do euro pode ter sido adiada pela LTRO do BCE mas o crescimento do montante do Objectivo 2 é um sinal de que tudo o que estamos a testemunhar é um Apaziguamento da Crise.

Terceiro, num momento de recessão pan-europeia (a qual está distribuída de forma desproporcional) a total e absoluta falta de qualquer política para transformar poupanças ociosas em investimentos produtivos (especialmente nas regiões deficitárias) é o equivalente moderno de imaginar que a Paz pode ser obtida quando os Deuses da Guerra capturarem os Detentores do Poder. Não aceite a minha palavra quanto a isto. Aqui está a Der Spiegel a chamar a atenção de modo sucinto.

[NT] LTRO: Ionger-term refinancing operation, operação de refinanciamento a longo prazo.

http://yanisvaroufakis.eu/2012/02/22/crisis-appeasement-the-new-greek-bailout-as-a-euro-in-our-time-moment/#more-1821

A citação da Der Spiegel diz respeito ao seguinte publicado:

“Interrompam a transferência bancária de 130 bilhões!!!

Grécia está quebrada. O país não precisa de 50 ou 70, mas 100 por cento da dívida, e ele vai voltar a seus pés economicamente. Mas o pacote de ajuda que o tesouro vai aprovar hoje a tarde,  ajuda, não principalmente os gregos, mas os seus credores. 

Um tempo de antecedência: Este comentário não é dirigido contra a Grécia. Não é sobre todas as coisas que na mídia alemã e Stammtisch alemão é falado atualmente que os cidadãos gregos que não pagam os seus impostos, que as autoridades gregas não trabalham e os políticos gregos que quebram suas promessas.
Para tudo isso, não vou falar a respeito,  este comentário é uma mensagem clara: o pacote de ajuda de 130 bilhões de euros, os ministros das Finanças da zona euro podem querer decidir tarde de hoje, será pago em qualquer circunstância. (referência aos bancos)

Claro, a Grécia ainda esta assim há anos – senão décadas – e também precisa da solidariedade de outros países da UE, e a Alemanha não deve recusar mesmo esta solidariedade. É provável que o resto da Europa ao longo dos próximos anos deve com  transferir para Atenas muito mais dinheiro, como os 130 bilhões de euros em empréstimos subsidiados na questão de hoje em Bruxelas.

O errado não é o tamanho, mas a forma da construção do resgate. Não é voltado para as necessidades dos cidadãos gregos, mas as leis alegadas nos mercados financeiros internacionais. O que, na prática, infelizmente, muitas vezes significa que os sussurros do lobby dos bancos foi e será ouvido.

Como poderia ser explicado que cerca de um quarto do pacote vai chegar, de fato, não só em Atenas, mas flui diretamente para os credores internacionais do país? Com cerca de 30 bilhões de euros para o dono do título do governo grego serão encorajados a converter sua dívida antiga em novos títulos. Desta forma, a ilusão é mantido que a Grécia não está quebrado – depois de todos os credores desistirem voluntariamente de algumas de suas exigências. Inteligentemente alimentado a indústria financeira, o medo da derrota gregos provocaria uma reação em cadeia de catastrófica.

Isso deixa cerca de cem bilhões de dólares. Mas mesmo esta quantidade não se baseia no que a Grécia precisa economicamente. Mas em sua carga de débito. Uma palavra tão assustador como o que está por trás dela: a 120 por cento da dívida em relação à economia, os Technokratenkonsens internacionais poderiam servir o país, as demandas de seus credores menos. O leite de vaca iria continuar a sair sem cair morto de exaustão. Assim, seriam alvo os 120 por cento da dívida.

A vaca doente não mais vai dar leite nos próximos anos

Quase surreal parece que o debate político nos últimos dias, que se referia seriamente sobre se a Grécia virá graças aos 130 bilhões ao nível desejado de dívida de 120 por cento de sua produção econômica, ou pelo menos ficar mais perto de 129 por cento em 2020 é mentira…A dívida de uma economia de até oito anos de antecedência, para nove pontos percentuais, para prever com precisão: Isso é como uma regra nem mesmo na Alemanha. Na Grécia, com sua economia em colapso e sua natureza expansível de estatísticas que contam com tais previsões, a economia e, finalmente, entrar no reino das sombras da magia negra.”

“Plano Marshall de reembolso, em vez de ilusões

A maioria dos muitos funcionários de topo na zona do euro que lidam com a Grécia conhecem esta verdade simples. Alguns deles, incluindo o subsídio do governo Federal, a portas fechadas: Claro está, os 130 bilhões não resolverá o problema. Estão apenas interessados em ganhar tempo. Tempo até que os mercados financeiros se estabilizarem na medida em que eles poderem lidar com a falência real da Grécia sem uma reação em cadeia. Sem quebras de bancos, não houve efeitos de arrastamento através da perda do seguro de crédito e sem interesse para o problema remanescente da explosão dos países da zona do euro.”

“Se os políticos europeus têm apenas uma centelha de confiança em todo o trabalho que estão nestes dois anos desde a eclosão da crise da dívida ter acontecido, então eles devem agora declarar o que todo mundo já sabe: a Grécia está quebrado. Assim, toda a dívida do país seria eliminada.

Os 130 bilhões de euros, a Grécia deve acontecer de qualquer maneira. Mas de outra forma. Em vez de premiar especuladores financeiros para o seu jogo, o dinheiro seria melhor empregado em fluxo total na reconstrução da economia. Plano Marshall de reembolso, em vez de ilusão!”

leia a íntegra em

http://www.spiegel.de/wirtschaft/soziales/0,1518,816369,00.html

 

Nossos comentários:

De fato, eu tenho alertado há anos que os sistemas políticos e econômicos, construídos após 2a. guerra mundial não visam o bem estar do povo, mas especialmente do poder que governa acima dos governos. Este é o maior “paradigma” a ser revisto neste século e deverá se tornar uma revisão e mudança de postura e estrutura bem dolorida a todos.

O atual modelo político e econômico que vige no ocidente é falido e permanece longe de atender em primeiro plano o bem-estar do Povo. Enquanto o sistema tão combatido pelo Ocidente que é o comunismo tem buscado incessantemente uma mudança e transformação para ainda existir, vemos que o mesmo não ocorreu no neo-liberalismo ocidental e isto está levando a derrocada paulatina dos governos capitalistas e parece mesmo inevitável.

Países em desenvolvimento e ainda pobres, do chamado terceiro mundo, seguem modelos vários política e economicamente, ainda sofrendo fortes influências filosóficas tanto do neo-capitalismo de Chicago quanto das teorias marxistas e socialistas, contudo, são modelos próprios mesmo incipientes ainda para serem considerados padrões mais ou menos desenvolvidos. todavia, estão se dando bem e vão sobreviver a esta crise mundial em melhores condições que os países em crise do Norte.

Os tres “K” da liderança mundial da década de 60 apregoavam que era necessário a mudança nos sistemas de governo políticos. Mas nem deu tempo. Um foi assassinado e dois depostos do poder após crises intermináveis. Um deles Krushev dizia que todos os tipos de governos cairiam mais dia ou menos dias, restava saber quem estava no melhor caminho de desenvolvimento e quem cairia primeiro. Acho que o debate ainda é bastante válido.

Ainda é cedo para maiores conclusões.

Os países do euro estão lutando para se salvarem e salvarem o euro que acho que partiu de uma ideia fantástica, porém, se perdeu em algum trecho do caminho.

Governos estão visivelmente empenhados em alegrar e satisfazer minorias dominantes e não se voltam para atender o bem-estar da maioria que é representada pelo povo. Um erro que tem se mostrado grave e o resultado final ainda está longe de acontecer.

É a história ao vivo do desenvolvimento da nossa Civilização acontecendo agora. Quem acompanhar agora vai poder escrever a própria história e contar aos seus netinhos como tudo isto aconteceu neste inicio conturbado do século XXI.

Por Atama Moriya em 22-fev-2012.

 

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Crise econômica e marcado . Guardar link permanente.

Uma resposta para 22 fev 12 – Grécia a beira da falência – ninguém tem mais dúvida – só uma série de milagres salva

  1. Vegan disse:

    NÃO SÓ GRÉCIA, PORTUGAL VEM ATRÁS !!! VIVO AQUI E A COISA AQUI ESTÁ MESMO NA MISÉRIA !!!

Opte por deixar comentários claros, concisos, compreensíveis e racionais. Evite palavrões, palavras ásperas e críticas/ofensas a outras pessoas. Lembre-se que este blog é muito lido por menores de idade. Por favor, deixe bons exemplos.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s