16 fev 12 – Os tempos são chegados, transforme-se! – mensagem escrita em 1925 que parece mesmo se referir aos dias atuais

Segundo a letra das Sagradas Escrituras, a Terra é visitada periodicamente pelos Missionários da Paz e da Concórdia, e a sua vinda é assinalada pelo aparecimento simultâneo de grandes cataclismos, guerras, miséria, epidemias, perturbações políticas, sociais e religiosas, tudo isso seguido do torpor natural em que fica o espírito humano, atordoado pelos flagelos que o acendiam e impotentes para os debelar. Os derivativos buscados na exacerbação de todos os gozos sensuais, só conseguem reafirmar mais a mesquinhez e a fragilidade dos míseros flagelados. E é justamente, no pandemônio da orgia dos sentidos que se esboça, nitidamente, o horrível contraste da Dor e da Miséria, dos que não podem tomar parte nas bacanais, levadas a efeito para disfarçar a degradação do gênero humano. E dessa forma, a majestade suprema do Rei da Criação, apeia-se desfigurada do seu trono de poder e de domínio e vem refocilar-se no tremedal dos crimes e dos vícios, imbecilizada totalmente pela embriaguez de tanto despautério!…

A Pátria fica sendo mito e a sociedade um prostíbulo onde se ajusta num comércio ignóbil, o preço de todas as cousas!… Aqueles que conseguiram escapar incólumes, dessa tremenda rajada de loucura, vão legislar grandes remédios para os grandes males, e assim vemos a Lei inexorável e forte: decretar a pena de morte, regularizar a prostituição, estabelecer penalidades para os que roubam, matam e se abastardam com o uso e abuso de tóxicos, criando hospitais, espalhando casas de detenção, difundindo hospitais, asilos, etc., etc., etc., tudo guardado pela força repressora, dum considerável exército policial, civil e militar.

Levantai o olhar destas linhas apavorantes de horrorosa descrição e passai em revista os acontecimentos mundiais… Lede os lacônicos telegramas do estrangeiro e os chistosos noticiários das desgraças humanas (a fonte que melhor abastece as colunas dos nossos jornais), para dizerdes em seguida à vossa própria consciência, a espécie de futuro que espera esta geração!

Durante quatro longos anos, o velho continente empestiou a atmosfera deste planeta, de cólera e de sangue, e emprega quase o dobro desse tempo, preparando o adubo onde estão sendo lançados os germens de novas guerras… A Rússia, a Alemanha, o Japão, a África e as Índias, como mais ninguém, as torturas de violentas comoções intestinas sacodem o jugo opressor das velhas formas de governo, impondo pela razão e mesmo pela força, a sua independência político, social e econômica, ou então, contemplam horrorizados o desaparecimento sob as águas ou sob as cinzas, de grandes extensões dos seus territórios e de milhares dos seus habitantes.

O Brasil participa das influências cíclicas terrestres, embora resguardado por uma pretendida situação privilegiada. Este privilégio não existe. Admitindo-se mesmo, por hipótese, a sua existência, ele só servirá para por em evidência a precocidade dos seus erros e dos seus vícios, que, como nação nova, imita inconscientemente das mais velhas e decrépitas. A sua grandeza é apenas física, material, oriunda da extensão e uberdade do seu território e das riquezas incalculáveis que ele encerra. A discordância aparente entre a exuberância vital deste país e a fraqueza da raça que o habita, não significa que esta seja indigna da casual oferta, mas, que a obrigatoriedade em praticar as virtudes relativas ao seu merecimento é a única condição de posse imposta previamente ao povo assim favorecido.

Dizem que quanto mais livre é um povo, mais feliz ele é. E sem analisarem esta afirmação, que por si só equivale a um compêndio da mais sutil filosofia, as histórias pátrias referem episódios comoventes de renúncia à vida, onde eram e são heróis, indivíduos que se dão em holocausto, que oferecem abnegadamente as suas existências, levando conscientemente para os túmulos a certeza de que o seu sangue, assim oferecido, possa resgatar uma nação oprimida.

Tristíssima decepção!

Não há independência mais e mais infeliz do que seja a do Espírito, esta centelha mater” que vivifica o Universo criado e que aprimora as obras que são executadas nas suas mágicas oficinas, dando-lhes sempre aquele cunho invariável de perfeição e de grandeza!

Felizmente, porém, o Espírito não se escraviza. Reflexo como é de Deus, a Absoluta Verdade, goza na Sua imaterialidade da mais completa e perfeita libertação. O homem, entretanto, que foi distinguido como o ser mais capaz de receber e transmitir aquele reflexo, não soube manter a pureza cristalina do espelho e conservar a lisura impecável da sua superfície. Este espelho é o nosso corpo físico e a sua alma correspondente. Manchado pelos vícios e carcomido pelas paixões que o atacam, reduz ele aos poucos o seu poder refletor, perdendo completamente o brilho cintilante das suas irradiações! Não fica, assim, escravizado o Espírito, mas, e o que é pior, fica poluída a sua alvura imaculada!

Temos, porém, como individualidade social, a nossa liberdade restringida. Sujeito ao cumprimento de uma multiplicidade de deveres que a vida coletiva nos impõe, o homem aumentará tanto mais a sua liberdade quanto mais permitir que a do seu semelhante se amplie.

E o limite máximo da sua elasticidade é dado pela fórmula: “de que a liberdade de cada um termina onde começar a do outro”. Ora, sendo a liberdade, o poder que tem todo o homem, de fazer tudo aquilo que deve, é imprescindível que este poder e este dever, sejam regulados pelo respeito e pela tolerância.

Falta a esta filosofia agora aqui emitida, a essência científica e o espírito religioso que a  consagrem como tese para discussão. É do nosso dever tolerar que cada pessoa que a quiser discutir, escolha uma das pontas do dilema: “ser, pela posse e pelo uso desta liberdade, um Escravo dos homens na terra ou um Senhor dos anjos no céu”.

Iludem-se redondamente todos os homens que supõem usar a sua liberdade, fazendo tudo o que devem. Nem de outra fonte surgiu a ideia do Direito. Desde que realizando um ato volitivo, atropelamos ou diminuímos a liberdade de alguém, criamos para este alguém o direito de reação. Este atentado à liberdade alheia e a consequente defesa desta pelos vitimados, generalizando-se do indivíduo ao povo, e do povo às nações, geraram as guerras e as revoluções, esta febre de sangue e de extermínio que reduziu o homem à mais baixa condição da série animal, comprometendo seriamente a sua reputação de homo sapiens.

Mas não é tudo ainda. Empanando a transparência luminosa da sua inteligência, emprega, o homem, todos os esforços para corrigir e adaptar, segundo as fantasias do seu mórbido raciocínio, as leis e os ditames da Natureza. Assim, por exemplo, não lhe bastando a já difícil e dispendiosíssima civilização, inventa ele, diariamente, os mais complexos e disparatados costumes sociais, inverte o dia pela noite, alimenta-se consultando o seu extravagante e embotado paladar, usa e abusa dos alcoólicos e narcóticos, impõe-se à exibição de uma indumentária esquisita e torturante, em desacordo sempre com as condições higiênicas e do clima do seu país, seja por excesso, seja por deficiência; em suma, regula a sua vida pública e privada, pelos manuais da “moda e do bom tom”, vindos “de carregação” pelo primeiro vapor dum país estrangeiro qualquer…

E se quiséssemos prosseguir, citando, o que diríamos da mulher brasileira exposta ao perigo contagioso desta tão apregoada civilização? O que diríamos da sua boa-fé, sempre atraída pelos falsos ouropéis de uma falsa liberdade, que procuram conquistar avidamente, palmo a palmo, à custa, só Deus sabe, de que grandes e vexatórios sacrifícios? Como deveríamos classificar e entender este seu progressivo e cada vez mais acentuado afastamento do “lar” e a sua aproximação vertiginosa do “mundo”, em cujo turbilhão de vícios e paixões masculinas, se deseja precipitar? Com que pesar não falaríamos, agora, do banimento do seio da família brasileira, dos saudosos e agradáveis serões de música melodiosa e calmante, e de danças elegantes e honestas, para dar-se lugar à epidemia bombardeante dos latoeiros e às danças de desarticulação e de bamboleios trotados e colados?

Poderíamos, ainda, nesta Mensagem, falar com linguagem limpa e decente, do famoso carnaval brasileiro? Que poderíamos recapitular de proveitoso e útil ao “povo brasileiro”, destes três dias de indescritível loucura, deste período completo de licenciamento, incompreensivelmente tolerado pelo governo, pelo clero e pelo povo? Seríamos ouvidos imperturbavelmente e com serenidade, por todos os apologistas desta festa de origem pagã, perfilhada carinhosamente pelos países essencialmente católicos?

Respondam-nos os senhores chefes de família, responda-nos a mulher brasileira, guarda avançada da honra das suas tradições, anjo tutelar da inocência dos seus filhos e da pureza do seu lar, onde, como num Santuário, não devem ser escritas nem pronunciadas quaisquer palavras, senão pelos que sejam os seus naturais e legítimos sacerdotes!…

Relembrando a vida artificial que a própria humanidade constrói, envenena e falseia, para ser a primeira a sofrer as suas horríveis consequências, temos somente em vista frisar a inutilidade deste complicadíssimo mecanismo social lubrificado de quando em vez com o óleo da civilização, pois do contrário as suas rodas ficariam perras e enferrujadas. Raras são as descobertas humanas que, alardeando prerrogativas intelectuais e morais dos seus descobridores, não terminem por cobri-los de opróbrio, tais foram os fins hediondos a que tais descobertas mais tarde se destinaram.

A “neurose” do homem é destruir; quando faltam os motivos, existem os pretextos…

O maior de todos os pretextos para a destruição é: “a guerra”. No entanto, era necessário animar o ardor dos combatentes, pois repugnava-lhes matar sumariamente e sem preâmbulos, os seus semelhantes, sem causa gravíssima que “justificasse” o homicídio.

Nasceu, então, a convenção de chamar-se “assassinos” aos homens que na paz trucidam os outros homens, e “heróis” aos que na guerra fazem a mesma cousa.

Não houve até hoje, “lógica humana” ou “castigo divino” que impedissem o massacre humano. Congressos de Paz, de Arbitramento, de Consultas e de Tutelas (!) têm sido inócuos e… íamos dizer: contraproducentes. O Congresso, agora conhecido sob o nome de “Liga das Nações” (o maior de todos eles, pelos seus fins), enquanto legisla as condições do armistício solicitado, vai assistindo com surpresa e de braços cruzados ao alastramento do terrível e prolífero “morbus” da guerra, contaminando as nações que ainda não o foram na Conflagração europeia, e acabando de carcomer as que ficaram arfando no seu estado de coma. Não é mais pelo insulto das nações entre si ou pela conquista de terras alheias que se trucidam mutuamente cidadãos armados. Basta que um país qualquer escravizado tenha ímpetos de independência e liberdade, correm os seus tutores imediatamente, para conter-lhes aqueles pruridos de “barbaria”, oferecendo-lhes uma “civilização” que eles não podem recusar…

É então nos transes mais dolorosos desta vida, convulsa e efêmera, neste caos em que o homem não mais se reconhece como a imagem do seu Criador, pois apenas se vê através ou no reflexo dos seus semelhantes, como uma ridícula caricatura em que se descobre o aspecto nobre e sublime da missão religiosa.

É no quadro tétrico da Miséria geral, sempre emoldurada de sangue e fumaça, que se percebe a angélica figura da Fé, levando o bálsamo suave e confortador da Caridade, nas pessoas dos seus sacerdotes. Aqui, é o padre levando o pão ao órfão faminto, a irmã de caridade impondo o crucifixo nos lábios do moribundo, para que aquele ósculo de amor também seja de perdão; ali, o pastor consolando os aflitos, difundindo a luz do espírito que salva e esclarece, mais além, o espírita fazendo o mesmo por processos outros e em diferentes meios; adiante, os positivistas, realizando com exemplos a edificação do Monumento Social, em cujo lema o AMOR é o princípio de todas as cousas e o Progresso o fim de todos os seres.

Em suma, teosofistas, espiritualistas, ocultistas, etc, etc, etc, concorrendo, a seu modo e a despeito de todos os sacrifícios e decepções, para que sejam enxutas todas as lágrimas, para que se diminuam todas as dores, para que se esclareçam todas as mentes, confraternizando os homens num amplexo de paz e solidariedade, evitando qualquer vibração dissonante na Harmonia das Esferas.

Trecho da Mensagem do Professor Henrique José de Souza publicada em 1925, Rev. Dharana, apesar de antiga, parece tão atual quanto real para esta mudança de eras e o estado atual da civilização neste inicio de século XXI.

Triste Crepúsculo de uma Civilização
“Estamos num fim de ciclo apodrecido e gasto, para o Alvorecer de
um outro, portador de Paz e Felicidade para o mundo”. – Prof.
Henrique J. Souza.


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