29 nov 11 – Eurocalipse – Dezembro poderá ser decisivo para o fim da moeda única EURO

Pois então esperávamos que o fim de 2011 fosse mais tranqüilo e que novas perturbações somente voltassem a ocorrer em fevereiro de 2012.

Todos nos enganamos ou mesmo quisemos ser enganados.

Para a Europa, será o mês de dezembro mais tumultuado da história.

A situação se agravou neste mês de novembro e a situação é apocalíptica.

Já tivemos a Irlanda, a Islândia, e Grécia que faliram e estão praticamente falando sozinhos pelos cantos da Europa, da zona do euro.

Portugal está na famosa “balança, balança e pode cair mesmo a qualquer momento. Ninguém arrisca um dedo sequer pela estabilidade de Portugal e seu colapso econômico pode acontecer ainda no mês de dezembro.

Mas a pior situação momentânea é da Itália. Com dívidas que superam a 120% do PIB se não for socorrida imediatamente quebra a zona do euro, a moeda única, e provoca o maior crash econômico da história das civilizações.

Alarmados com a situação da Itália, governos, BCE, a U.E. e o FMI se agitam loucamente para encontrar a solução para tampar o buraco, segurar a situação por mais algum tempo.

Estão propondo que o FMI faça um empréstimo monstro de 600 bilhões de euros à Itália!

O dinheiro do FMI é composto principalmente pelos países do G-20, e não tenho certeza alguma que estes países concordarão com este super-empréstimo, mesmo porque todos sabem que é apenas um paliativo, algo que ganharia tempo, talvez uns dois anos ou menos ainda, e logo os problemas viriam novamente. Ademais, nunca o FMI fez empréstimos deste tamanho para país algum. Por que faria agora? E que garantias receberiam? Resposta: Um tapinha nas costas e um muito obrigado. Nem os americanos querem saber disto.

Dados da zona do Euro-Reuters

A China sozinha tem fundos suficientes para salvar toda a Europa, contudo, nunca ela pediu ou recebeu favores, e assim também, jamais faria favores; justamente para os europeus que sempre os repudiaram no comércio exterior.

Nem pergunte ao Brasil, Índia e Rússia que tem problemas internos muito mais urgentes e graves que salvar europeus ricos e gordos. Cada país em desenvolvimento tem sua própria legião de pobres e miseráveis que aguardam pela melhora de seu país. Não faz sentido desatender a si próprio para atender povos que se orgulham de serem ricos, gordos e do primeiro mundo.

O nível de confiança sobre o euro despencou de vez. França e Bélgica já estão tendo muitas dificuldades em negociar seus bonds e suas taxas subiram muito. Até mesmo a poderosa Alemanha sofreu um duro impacto quando negociou apenas 60% dos seus bonds lançados este mês e por taxas na ordem de 3%.

Itália e Portugal já estão pagando taxas de 8%. Espanha tem taxas de 5 a 6%. É uma boa aposta descobrir qual dos três quebra primeiro. Todos sabem que nenhuma destas economias tem condições de arcar com juros acima de 2%. Ao aceitar taxas tão altas significa que estão no desespero e aguardam um milagre chamado de BCE ou FMI.

Eu particularmente acho completamente injusto aplicar dinheiro no FMI pra salvar governos. Explico: o dinheiro emprestado será utilizado totalmente para pagar bonds vencidos. Ou seja, os bancos é que estão sedentos destes dinheiro. Já os trabalhadores destes países continuarão a serem demitidos, esfoliados em impostos e submetidos a duras regras de austeridade econômica.

Por que deveríamos emprestar dinheiro pra pagar banqueiros e investidores que durante décadas apenas usufruíram e sugaram do povo? Não são banqueiros, são gangster modernos do dinheiro e representam menos de 0,5% da população mundial.

Por que simplesmente não reunimos o mundo todo e avençamos mundialmente que nenhuma dívida de qualquer país com bancos seja paga com menos de 90% de deságio, no que seria a maior convenção internacional para salvaguarda dos direitos dos trabalhadores do mundo todo?

Isto seria um golpe nas elites mundiais??? Não, claro que não, apenas um marco, um recomeço de toda sociedade capitalista no mundo inteiro com novas bases.

Isto porque o atual modelo econômico está falido. E mesmo tampando hoje todas as dívidas européias que somam uns 4,5 trilhões de euros, isto tudo vai tornar a acontecer porquanto o processo econômico está totalmente comprometido. É preciso começar do zero e estabelecer um novo método econômico mundial.

Isto seria um desastre total? Sim, nos primeiros anos, entretanto, ao longo dos anos estabeleceríamos condições de criar um futuro possível e justo. Do jeito que anda, não há futuro possível. Esta é a realidade.

Enquanto se discute salvar o “euro”, vejo que há décadas pelo menos 1 bilhão de africanos passam fome sistematicamente e ninguém se importa com isto. Precisam os africanos de pelo 50 bilhões de dólares anuais para acabar com a fome, a falta de assistência e medicamentos. Estima-se que anualmente pelo menos vinte milhões de africanos morram por causas diretamente relacionadas aos itens mencionados. O que é vinte milhões de africanos? Nada para os europeus ricos. Algo em torno de dois portugais por ano, ou metade de uma Itália. Coisa desprezível e insignificante para eles.

Com quem devemos nos preocupar?

As elites do poder apenas querem saber de seu dinheiro aplicado e não importa se vai sofrer um africano ou um italiano. Isto é óbvio.

Salvar o euro hoje é apenas prolongar a “vida inútil” dos donos do poder econômico no mundo e levar de mal a pior todos os trabalhadores do mundo.

Observo, contudo, que esta visão mais profunda da relação econômica mundial, dos trabalhadores x elite é compartilhada com pouquíssimos trabalhadores, principalmente os europeus, onde 80% ainda é totalmente a favor de apenas se encontrar novos investidores para a crise da dívida de seus governos, ao invés de um ruptura completa para uma nova construção completa. Por que? Porque estes 80% estão empregados e realmente não conseguem prestar atenção nos outros 20% e também não abrem mão de sua zona de conforto.

Se voltarmos para o ano de 1999 e seguintes com a criação do euro e a adesão posterior de muitos países, poderemos enxergar que a maioria adentrou na zona do euro por questões de segurança já que muitos analistas econômicos alertavam que estes países menores logo quebrariam sem o euro sufocados por uma nova realidade econômica que se formava com a alta continua do petróleo e dos alimentos, além é claro, da ascensão inexorável das economias em desenvolvimento, como o BRIC.

A Europa é um grupo econômico com poucas perspectivas hoje, pois produz apenas 1% do petróleo que consome, 30% dos alimentos apenas, e não detém mais tecnologias de ponta, não tem matérias primas, não tem industrias competitivas de base e suas colônias africanas cada vez mais se libertam para buscar novos rumos também. Qual futuro isto pode ter ao longo dos próximos anos?

Talvez acreditem mesmo que uma terceira guerra mundial possa mudar este cenário sombrio que está formado, mas isto também não os salvará. O sonho acabou.

Por Atama Moriya em 29 novembro de 2011.

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