16 nov 11 – Crise econômica, crise política e crise social na zona do Eurocalipse

Há mais de mês estamos acompanhando o desenrolar do período mais grave da crise econômica da zona do euro, passando por Grécia nestes últimos acontecimentos.

E quando parecia que pelo menos este ano poderia terminar estável, tivemos a continuidade da crise com a dívida da Itália e agora vemos que a França se envolve nela também através de seus bancos profundamente envolvidos com os bonds de governos europeus.

Já há uma estimativa grande de perdas que envolvem também, bancos americanos e hoje o JP Morgan e o Goldman Sachs anunciaram que venderam garantias para perdas de até 5 trilhões de dólares.

O numero é grande, grande até demais porquanto imagina-se que pelos dados do BCE a necessidade imediata seria da ordem 1,5 trilhões para compra de títulos de curto e médio prazo dos países do MCE que estejam com dívidas acima de 70% do PIB.

Na equação de Maastrich economistas concluíram que dívidas acima de 60% do PIB são impagáveis; e eles estão certos. Matematicamente somente uma mudança extraordinariamente positiva na economia poderia alterar a equação. Nós temos experiência nisto: levamos cinqüenta anos mesmo com super-produções primárias para chegar ao ponto em que estamos hoje e prestes a entrar numa zona de conforto econômico inigualável na economia mundial graças ao pré-sal que já é uma realidade em 2011, imagina dentro de cinco anos.

Aliás, é com este numero de 70% que os países pressionam o BCE europeu a comprar estas mesmas dívidas acima deste percentual. Uma solução imediata segundo eles. Pode ser. Mas de onde vai sair tanto dinheiro? De emissões? Neste caso a Alemanha teria de concordar com tudo isto.

Países da zona do euro também pressionam principalmente os países emergentes para a participarem desta recompra de bonds, mas não creio que isto possa ser possível sem um acordo amplo negociado principalmente com a China que não vai dar nada de graça, talvez exijam mesmo o reconhecimento da Europa como um país de economia de mercado.

Este e outros tipos de exigência devem passar por outros países do BRIC também que lutam igualmente com medidas protetivas em seus mercados.

A crise econômica empurrou governos a dotarem duras medidas de austeridade e demissões em massa nos governos, cortes nas pensões, cortes na educação, saúde, subsídios a agricultura, combustíveis e aumentos significativos nos impostos. Para se ter uma idéia o trabalhador que ganha mais de quinze mil euros por mês a taxação pode chegar a 49,5% na maioria dos países. Em alguns os impostos sobre os ganhos anuais acima de 200 mil euros a taxação pode chegar a 55% do valor bruto. É o preço a pagar.

Medidas duras levaram a outra medidas duras contra os políticos que acabaram de desencadear crise políticas pesadas nos países endividados. As renuncias dos primeiros ministros da Grécia e Itália é um claro exemplo disto. O povo comemora, mas sabemos que isto é apenas para contentá-los e apazigua-los temporariamente pelo menos. É inútil no fundo porque não vai mudar nada e nem melhorar nada. Qualquer um que assuma vai ter continuar a apertar os cintos, sem parar..

E daí?

Daí que a terceira fase da crise já começou e promete muita movimentação em 2012: a crise social. E lógico imaginar que com a continuidade das dificuldades econômicas, desempregos, recessão e inflação que está nas previsões econômicas, o povo logo vai despertar: continuam num poço sem fundo sem perspectivas de melhora, mas só piora na sua qualidade de vida.

Protestos, greves, lutas de trabalhadores, convulsões sociais tudo isto deverá marcar o cenário econômico, político e social da Europa e dos EUA também em 2012.

Na economia não existem milagres, mas tão somente ajustes e neste caso dos países ricos, uma ajuste para baixo, a não ser que consigam abaixar os demais países mais pobres, como os emergentes e voltar a explorá-los economicamente. Ah, nisto não acredito mesmo.

O mundo mudou radicalmente, os principais países emergentes crescem a uma taxa mínimade 5% ao ano e isto é irreversível porque suas bases econômicas estão muito fortalecidas e praticamente imexíveis daqui para o futuro. É ver para comprovar e não mais crer.

Por Atama Moriya em 16 de novembro de 2011.

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