09 set 11 – Os dados atuais são consistentes e indicam o “eurocalipse” como se comenta nos fóruns de economia

Passado três anos do start da crise econômica mundial em 2008 temos os seguintes cenários no momento:

– como se previa, ela iria respingar no mundo, porém, logo as economias em desenvolvimento iriam superar as dificuldades e deixar a crise para os países mais ricos, como os EUA, Europa e Japão. Por que? Fundamentalmente as economias em desenvolvimento não estavam tão profundamente atreladas aos mesmos e a crise se referia a um sistema de crédito dos países ricos que mais dia ou menos dia iria apresentar suas anomalias, além dos alto endividamento dos estados.

– nos EUA Obama anunciou um audacioso plano de isenção de impostos para empresas que empregassem mais trabalhadores na área de infra-estrutura que pode ultrapassar a 400 bilhões de dólares ao longo dos anos(o tempo é uma das incógnitas?). Mas o congresso está cético que isto possa ajudar. Enquanto isto o emprego cresce menos que o desemprego e algumas taxas como da SGS sugerem uma taxa média superior a 20%. Há milhares de americanos que sobrevivem em carros, campings, motéis, etc., ou seja, a situação ainda se mantém em função do seguro desemprego e do plano de saúde público, porém, até quando isto é sustentável?

– na Europa a zona do Euro mostra a cada dia mais problemas em função do alto endividamento dos estados com dívidas que superam o PIB e precisam ser roladas por prazos superiores a dez anos.

– a Grécia neste fim de semana tenta rolar dívidas superiores a 159 bilhões de euros em “bonds” de dez anos com taxas de 100%, mas nisto está animando os investidores que dão como certo a falência do governo grego e certo a sua inadimplência nos próximos anos. Tais títulos tem de necessariamente serem comprados pelo BCE para evitar uma catástrofe na Grécia.

– o BCE não está mais tão entusiasmado em compra de títulos dos países “falidos” ou simplesmente não podem mais emitir euros, posto que o único país superavitário, a Alemanha com crescimento de apenas 1%, não apresenta muita vontade de entrar no risco da zona do Euro.

– os sinais de recessão na zona do euro são claros e não acho mais que possam ser revertidos. Na economia você decidir parar o investimento é decisão de um segundo, mas voltar a investir demora de cinco a dez anos.

– os volumes negociados nas bolsas européias em três anos reduziram-se em cerca de 25% em média e de forma consistente, o que equivale dizer que os preços dos ativos entraram em depressão e isto também não é reversível em poucos anos. Mas já era de se esperar esta redução dos ativos, posto que, sempre que olho a zona do euro de dez anos para cá, tenho a absoluta impressão que criaram uma ilha da fantasia enquanto nos países em desenvolvimento se enfrentava fila para comprar pão. A economia, assim como todas as leis do Universo, caminha sempre para o equilíbrio, uma lei natural e apenas trabalhando com este pressuposto você caminha para o progresso, no mais, tudo é fantasia.

– as dívidas públicas dos países em risco beiram os 100% do PIB e se considerarmos que não será paga e que o crescimento é negativo, temos que esta dívida vai crescer muito mais, principalmente pelos juros que serão ofertados a cada vez, até o ponto que os bancos e investidores se cansarem de acreditar que isto tem solução assim.

– no Japão a dívida pública representa 220% do PIB e está previsto um decréscimo no PIB da ordem de3 a4% por conta do tsunami de março e Fukushima que está a barrar grande parte de suas exportações de alimentos industrializados por causa dos altos índices de radioatividade. Paralelamente sua produção industrial está em queda também e o desemprego volta a assombrar aquele país.

– o preço do ouro, até por causa da insegurança na economia, subiu para patamares médios de 1850 por onça, e esta subida me parece bastante consistente ao olharmos o gráfico dos últimos anos, então na minha opinião não é bolha, é realidade, a nova realidade. Interessante que o Goldman Sachs no mês passado recomendou aos seus melhores e maiores clientes que deixassem a bolsa porque antevia o colapso e um mercado de leão como investimento. Foi de certa forma o anuncio do apocalipse Goldman.

– de fato com o mercado instável é possível ganhar dinheiro nas bolsas americanas e européias, porém, a maior certeza é de perder. É um mercado de leão entrar agora.

– os níveis de desemprego na Europa crescem todo o mês e de forma consistente (taxas de20 a30% entre os jovens é uma realidade européia) e a situação social deve piorar muito com a aplicação dos pacotes de austeridade dos países, como a Espanha, Itália, Grécia, Portugal, Irlanda, Inglaterra e França. Os cortes nos subsídios agrícolas, tão fartos até então, e os aumentos de impostos somados a redução dos benefícios sociais, incluindo valores de pensão, serão terríveis e seus resultados são absolutamente imprevisíveis: tenta se salvar as economias aplicando remédios amargos e matando os “velhinhos”. Não acho que isto vai dar certo.

– continuando neste ritmo na Europa, logo mais veremos a fila do pão passar a acontecer por lá, algo que soava aos europeus ricos como algo abstrato quando acontecia nos países pobres e em desenvolvimento.

– o preço do barril de petróleo, nestas circunstâncias econômicas já deveria ter caído para uns 80/90 dólares o Brent, mas não, teimosamente continua por volta de 110 dólares de janeiro de 2011. Por que? Em parte explica-se que os países desenvolvimento como o bloco BRICA continuam a crescer e parecem que não estão nem aí para a crise dos países ricos, mas o principal fator sem dúvida foi a queda de produção dos países não-OPEP, um fato que também já era esperado e previsível. É o pico do petróleo que começa agora e vai ser a grande tônica nos próximos trinta anos e vai aos poucos estrangular a jugular dos países que não tem produção e necessitam de comprá-lo no mercado. Aparentemente quem está em crise hoje e não tem petróleo, vai ser jogado numa crise muito maior nos próximos anos, principalmente a partir de 2015 e trará ao mundo um novo eixo de poder no máximo até 2020/30.

Veremos.

Por Atama Moriya, em 09-09-11.

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Uma resposta para 09 set 11 – Os dados atuais são consistentes e indicam o “eurocalipse” como se comenta nos fóruns de economia

  1. Marcus Siviero disse:

    Bom dia a todos.
    Sou brasileiro e vivo no meu País, mas é esse exatamente o meu temor; é inegável o desastre econômico mundial apontado, todavia, continuamos sendo o País do carnaval e do futebol.
    A política dos poderes no Brasil ainda se “autoriza” considerar “vizinhos de Deus” já que dizem “Deus é brasileiro”.
    Creio que será muito tarde quando acordarem para a realidade dos fatos, pois a dinâmica do mundo atual não permitirá nem mesmo uma nova “Queda da Bastilha” e os efeitos serão sentidos tão ou mais dolorosos até pelos que já sofrem (que é a grande maioria) os desmandos do Poder.
    Abraços.

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