19 jul 11 – Situação econômica no mundo é péssima – atualização

Muito antes de 2008 já escrevíamos que a crise que começava já era plenamente visível no final da década anterior e que era apenas a ponta de um iceberg que aos poucos viria à tona no todo. Ainda ele não surgiu totalmente, porém é claro que uma boa parte já está para fora d’água.

A dívida americana preocupa pelo possível calote.

Nos EUA a dívida nos últimos três anos cresceu mais de três trilhões de dólares e atinge, segundo as contas do governo a 14 trilhões de dólares, ou seja, já é igual ao PIB americano, e muitos analistas acrescentam que já é maior em quase dois trilhões de dólares.

No congresso americano Obama tenta sua ultimas cartada para aprovar um novo limite, eis que o governo americano só consegue dar continuidade aos programas sociais e gastos de investimentos em guerras, armamentos e defesa com dinheiro novo, ou seja, precisam tomar emprestados mais e mais dinheiro.

O mundo está apavorado com a idéia dos EUA declararem moratória, ou seja, declarem calote à dívida. Para quem tem dólares uma notícia horrorosa, terrível mesmo. Imagina o que países credores como a China com mais de três trilhões em ativos americanos? Até mesmo o Brasil com mais de duzentos e cinqüenta bilhões de dólares em títulos americanos? Pois é, este dinheiro pode virar pó se o calote for decretado e a moeda americana poderia despencar mais de 50% da noite para o dia. Alguém é capaz de imaginar esta cena?

Mas calma por que os próprios americanos estão tranqüilos, qualquer que seja a solução a ser adotada pelo congresso. Vejo nos fóruns sociais americanos que a preocupação exagerada é apenas dos credores e detentores de ativos em dólares estrangeiros. Parece mesmo que eles não acreditam na hipótese do calote, e ademais imaginam que internamente pouca coisa vai mudar dentro da economia deles, ou seja, os níveis de produção e empregos continuariam os mesmos e poderia até mesmo a ajudar nas exportações com o dólar desvalorizado perante outras moedas.

Eu também não me preocuparia neste momento, posto que não acredito que o calote vá acontecer (ainda há muito espaço para outra solução), contudo novos empréstimos governamentais serão assumidos em curto prazo. Simples assim? Creio que sim, porque eles não têm mais outro caminho a não ser fomentar a crise de crédito com novos créditos, tal qual uma bola de neve. A moeda americana não tem lastro mesmo.

Obama apenas está ganhando novo fôlego e jogando o problema para mais adiante e dando tempo para o mundo se preparar para algo maior.

Sabem como ocorrem novos endividamentos? Não é tão simples como parece ao se pensar que o próprio governo americano emite mais dólares e vai pagando seus credores com os novos dólares emitidos. Isto não funciona assim. Nem poderia.

Mediante autorização do governo e do congresso o FED emite novas moedas e os repassa aos Bancos mediante remuneração, e estes Bancos os repassa ao Governo na troca por títulos do governo com uma remuneração maior que o que paga ao FED. O crédito permanece nos Bancos que os repassa na economia conforme determinação governamental. A simples emissão de títulos neste momento não vai captar o tanto que o governo americano necessita para fechar o balanço anual da ordem de dois trilhões de dólares, pelo que se comenta.

Para sustentar seus programas sociais, principalmente o de desemprego e saúde pública (SUS americano), estima-se que o rombo poderá atingir alguns trilhões de dólares a mais persistindo a crise econômica, e esta parece não ter data para acabar.

Ninguém duvida que os EUA irão se recuperar, porém poucos acreditam que isto se dará antes do final desta década, portanto, creio que todos esperam pela super-desvalorização do dólar ano a ano devido ao endividamento público, fato que trará outras conseqüências indesejáveis.

Como a China com três trilhões de dólares em títulos americanos vai lidar com isto? Ninguém sabe. Eles pouco comentam a questão. Já tomaram um grande calote por volta de 1920/25 trocando ouro por dólares, uma decisão do Imperador à época, que ficou com malas de dólares ou títulos sem valor após a segunda guerra. Não creio que os chineses vão cair nessa outra vez.

Pelo contrário, seu principal banco já vende ouro e prata em pequenas e grandes quantidades aos correntistas que assim o quiserem para depósito bancário em troca de dinheiro, evitando mais compra de dólares com certeza. Imaginem trezentos milhões de correntistas comprando ouro e prata, como se comportará o mercado mundial?

Talvez já estejamos vendo o resultado inicial: a cotação do ouro voltou esta semana a subir como em valores do inicio do ano e atingiu quase a US$- 1600 dólares novamente.

Com o dólar em queda busca-se no mundo ativos reais no mundo todo, principalmente África e América do Sul. Olhem o volume de compras de terras nestes continentes. No Brasil até estamos colocando barreiras para compra de imóveis de não-residentes e isto é necessário para nos proteger dos excessos.

Situação do Brasil

O governo brasileiro detém pelo menos 250 bilhões de dólares em títulos americanos, e isto já comentei há anos que acho errado. Tais reservas são desnecessárias e serão mais ainda desnecessárias neste cenário da economia mundial, ainda mais com o dólar virando poeira. Só neste ano prevê-se uma desvalorização real de 20% pelo menos e será muito maior se houver o calote da dívida.

Não existe melhor reserva mundial nesta economia globalizada que terras, minérios, grandes safras agrícolas e enormes reserva de petróleo como o nosso pré-sal. Então, para que esta reserva cambial de títulos americanos? Precisamos deixar de apostar tanto nos outros e apostar mais em nós.

Aplicar estas reservas 100% no Brasil seria a melhor de todas as opções, talvez um grande choque de educação, pesquisas, moradia popular e infra-estruturas pudesse ser feito e teríamos um salto gigantesco para o progresso.

Entretanto, quem dirige a nossa economia há décadas, independente de governos, é uma “burrosia” que até hoje não sabemos que apito toca, com juros os mais elevados do mundo e crédito abundante a juros astronômicos e absolutamente desnecessários. O povo continua sendo enganado pela própria mídia que proclama diariamente que esta é a melhor solução para conter a famigerada inflação. Uma mentira deslavada.

A dívida media da família brasileira já atinge a mais de 12 vezes a renda anual, um absurdo! Logo, como já mostram os indicadores, a crise de inadimplência vai crescer. E logo, mais instituições de crédito vão falir. Juros que ultrapassam a 200% ao ano??? Como assim, se a inflação medida é de apenas 5% ao ano?

Insistem nesta coisa de crédito muito além do limite para escravizar o trabalhador e manter de alguma forma a renda sem nenhum ou quase nenhum crescimento real, como mostram os indicadores dos últimos vinte anos.

A continuidade na adoção desta política monetarista, desde início de implantação do real principalmente, é extremamente danosa ao nosso progresso e não permite o crescimento real da renda e empurra o país a crescer miseravelmente quase a taxa de natalidade.

Somente posso imaginar que o que acontece no nosso país há quase vinte anos tem a haver com “propósitos egocêntricos” de alguns e incompetência governamental da maioria em impedir de direcionar a economia para o grande salto de desenvolvimento. Pessoalmente considero que estamos dominados e manipulados economicamente pelos “mesmos caras” que governam o mundo e ditam as regras que devemos seguir e que tanto impendem o nosso progresso e reduz o crescimento a taxas insignificantes ainda. Mas isto terá fim aqui no Brasil, mesmo que ainda demore mais alguns anos. Por quê?

Porque este é um país diferente, e bastante incontrolável em muitos aspectos. Aqui também tem os caras bons que aos poucos vão ajeitando o país, cada um fazendo a sua parte, seja um pequeno ou grande empresário empresário, ou cidadãos que não se deixam levar pela opinião dos outros e caminham em sentido diferente.

Controlar a nossa economia hoje é igualmente uma tarefa impossível de se realizar e “eles” estão percebendo isto; A falta de uma melhor organização política, social e econômica e tributária é faca que corta dos dois lados. De um lado atrapalha muito o nosso desenvolvimento, por outro lado impossibilita o controle de todos os fatores em jogo.

Na ultima década ficou claro que este país em sua forma desorganizada criou caminhos de desenvolvimento que no presente são impossíveis de serem interrompidos, como o programa do etanol (enxovalhado e ridicularizado pelos países ricos nas décadas passadas), a exploração do pré-sal que nos tornará independente do resto do mundo (menos de dez países estão nesta condição), industrias de base como siderúrgicas modernas, grandes hidroelétricas que proporcionam a energia abundante e barata para nosso crescimento econômico e o desenvolvimento agrícola com a maior e a mais diversificada produção mundial, sem contar com a nossa abundância em minérios.

Me lembro que por volta dos anos 2000/2001 passei a escrever em fóruns que o Brasil se tornaria o maior país do mundo, não somente em produção, não somente como exemplo de Nação a ser seguida, não somente como grande líder humanístico e espiritual, mas também como a maior força econômica também, todos duvidaram, e com razão.

Naqueles anos ainda estávamos vivendo sérios problemas de balança de pagamentos, problemas de crescimento, inflação com juros selic que passavam de 20 pontos, etc.. Era mesmo difícil prever isto e pior ainda acreditar nisto.

Todavia, não me baseei nas antigas profecias que já chegavam a mais de cem anos desde que começaram a circular e foram enfatizados por décadas vários luminares brasileiros e alguns estrangeiros, como P. Ubaldi e Roso de Luna, mas esperei pelos sinais claros da caminhada brasileira que já apontavam, a despeito de governos horrorosos e políticos corruptos, para uma direção que seria inexorável o seu crescimento. Já havia vários rumores do anuncio de grande quantidade de petróleo na bacia de Santos entre tantos outros fatores que se confirmavam, como produção agrícola que crescia e sinais claros de quais caminhos a economia mundial estava tomando, diferentemente da nossa. Há muitas coisas que poderiam ser contadas do que acontece nos bastidores do poder no mundo, entretanto, são acontecimentos que precisam ser mantidos ocultos. Grandes grupos travam uma gigantesca guerra do bem contra o mal, do bem contra o fim do domínio. O bem com a bandeira da equidade, justiça social, equilíbrio econômico e humanismo vai lentamente estabelecendo suas vitórias em questões fundamentais que passam despercebidos ao mundo e assim deverá continuar.

E nem vale mesmo à pena ficar olhando tanto para o que já passou, a não ser como guia de coisas que não devemos repetir na maioria das vezes.

Olhemos para o futuro e observemos que o nosso crescimento, apesar ainda de tantos políticos ruins no Congresso, é inexorável, guiado por algumas pessoas de racionalidade e inteligência muitas coisas estão acontecendo agora e darão frutos em poucos anos.

Se prestarem a atenção, veremos que em cinco anos não teremos mais a classes D e E na economia, e a classe B, a média estará mais fortalecida. Isto não significa que todos os problemas estarão resolvidos. Não, não ainda, mas é um grande passo na conquista de maior equidade econômica e social no Brasil. Um grande passo, mais um grande passo. E de passos em passos, neste período já seremos possivelmente a terceira maior economia do mundo.

Nem tanto porque vamos crescer tanto assim em cinco anos, mas muito mais porque outros vão cair e muito, num processo de transferência de poder econômico que também é irreversível neste momento.

A dramática situação da Europa

 

A crise econômica que começou com os créditos americanos em 2008 logicamente mesmo com muito esforço dos países ricos, mais ou cedo ou mais tarde acabaria abalando a Europa também, exatamente como alertamos à época porquanto, sem maiores fundamentos, estas economias iriam ceder rapidamente ao problema de crédito do qual se vivia e se afundava ilusoriamente.

Vimos a falência da Islândia, da Irlanda, da Grécia e logo veremos de Portugal, Espanha, Itália e até mesmo a França e Inglaterra, sem contar com outros países menores que estão na mesma situação difícil com endividamento governamental muitas vezes acima da capacidade futura de pagamentos destes governos.

A questão toda não é apenas o incrível volume de dívidas assumidas pelos governos, antes isto não era problema, mas há uma década já se alertava que no futuro estes governos não teriam como continuar a saldar tais pagamentos de forma sadia. Por que? Basta olharem com cuidados por séculos anteriores a produção européia e a forte colonização mundial que a sustentou muito além de sua capacidade e merecimento para estes ganhos. Isto se foi.

Dívidas de centenas de bilhões de euros contraídos junto aos bancos é uma linguagem comum entre os governos europeus.

A Itália deve algo em torno de 600/700 bilhões de euros, embora o seu PIB suporte, este peso dos juros vai obrigar a tomar medidas de austeridade com urgência.

Austeridade? Austeridade significa basicamente corte de benefícios aos trabalhadores, corte de benefícios sociais aos aposentados, corte de subsídios, etc. E acham mesmo que o trabalhador europeu vai concordar com isto? Duvido muito, aliás as ondas de protestos cresce a cada dia em todos países.

Me espantou o caso de Portugal, com uma dívida superior, segundo alguns analistas portugueses, a mais de 400 bilhões de euros. Mesmo se considerarmos que seja apenas 300 bilhões, fazendo as contas de uma país de somente dez milhões de habitantes, temos uma dívida per capita absolutamente impagável. Ou seja, o governo faliu e estão emprestando mais dinheiro apenas para salvar banqueiros e investidores porque não há possibilidade de pagamento deste montante com uma economia fraca, com baixa industrialização, baixo consumo e pouca tecnologia. Dizem até que a solução será Portugal no futuro se tornar uma estado brasileiro, pode soar como piada neste momento, mas pode se tornar uma realidade na luta pela sobrevivência futura.

Nota – a dívida interna brasileira também é gigante, estimada em 1,3 trilhão de reais, ou algo em torno de 500 bilhões de euros em cotações atuais, porém nosso PIB é muito consistente com alta produção industrial, agrícola, energética, petroquímica e um elevado consumo em crescimento com uma população de 190 milhões.

O caso de Portugal não é o único, dívidas gigantes há nos governos da Espanha também, Itália, Inglaterra e França que necessitam cada vez mais reduzir a qualidade de vida de seus cidadãos para equilibrar a conta, e esta conta fica mais estreita a cada ano, de forma que a situação social de cada país deverá determinar como tudo isto vai terminar.

Matematicamente não dá para entender como 1/3 da população mundial conseguirá manter o seu padrão de vida atual conquanto os outros 2/3 que hoje são pobres ascendem rapidamente para usufruir melhores condições de qualidade de vida, alcançando recursos e bens que não detinham até então. A multiplicação dos bens produzidos não é correta porquanto os recursos são limitados e estão se esgotando no Planeta.

A energia será cada vez mais escassa e cara, os minérios cada vez mais esgotados, como o cobre que desaparece comercialmente em vinte anos, os petroquímicos cada vez mais escassos e caros, tudo está se esgotando em poucas décadas.

Não havendo recursos para todos estes ficarão mais limitados aos países produtores dos mesmos, é óbvio, e não havendo recursos para todos, e com 2/3 ascendendo ao consumo cada vez maior, é óbvio que alguém vai ficar sem ou com bem menos que hoje.

Tudo tende ao equilíbrio na economia, custe o tempo que for necessário, e numa economia globalizada este equilíbrio é logicamente muito desejável, talvez o mundo possa finalmente aprender a repartir para bem viver ao invés de parte somente viver e outra parte lutar pela sobrevivência diária.

O que vocês acham que pode acontecer no futuro?

Por Atama Moriya, em 19 de julho de 2011.

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2 respostas para 19 jul 11 – Situação econômica no mundo é péssima – atualização

  1. Atama Moriya disse:

    Carlos, graças a Deus que estes caras que estão na política hoje são mortais. Nenhum está acima do tempo e serão substituídos no tempo certo e, portanto, temos que preparar os substitutos que já estão entre nós. Abs.

  2. Carlos disse:

    Olá Parabéns pelo blog !
    Consegui ler algumas partes desta materia, e vou ler em sua totalidade, me ative a principio, no seu ponto de vista, dizendo sobre os juros altos que o nosso governo coloca no nosso Pais, com a mentira deslavada, que está fazendo um bem para economia, pior ainda após a noticia do aumento do juros coloca um economista na tv defendendo o fato.
    Os banqueiros devem brindar sempre este fato com muita alegria e deboche do povo brasileiro, pois sempre eles são beneficiados em deterimento da miseria do povo.
    Isso tudo com a assinatura e consentimento daqueles que juraram servir a nação.
    Ladrões Politicos, sempre enganando o povo.
    Um povo tão bom na mão de tantas raposas, que não deixam de forma alguma o Pais crescer e seguir seu rumo, as vezes me pergunto ?
    Até quando ? Será que seremos refens dessa gente para sempre ?
    Eu, meus filhos, meus netos, e as gerações futuras também ?
    Por isso é que eu digo : No dia da eleição vote nulo, não de seu voto para ninguem, essa sera a única forma do povo brasileiro prostestar e mostrar o quanto ele é importante para essa gentalia.
    Abraços :
    Carlos !

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