18 jul 11 – As reservas mundiais de petróleo estão acabando – O Pico do Petróleo chegou!

Notícias veiculadas pela OPEP e avalizadas pela ONU dão conta que as principais reservas de petróleo somadas chegam hoje a 1,193 trilhão de barris, considerando a Venezuela com a maior reserva comprovada de 296,5 bilhões de barris e superando a Arábia Saudita com 264 bilhões de barris, entretanto, ressalva-se que o grande volume da Venezuela é composto de petróleo extra-pesado da Bacia do Orinoco e seu aproveitamento é bastante complexo e custoso.

Estes dados parecem muito bons, entretanto, embora seja uma quantidade gigante, faço a seguintes considerações:

– Do valor total das reservas deve-se subtrair pelo 20% que não são extraíveis

– E novas descobertas como o pré-sal do Brasil, por enquanto são valores pequenos diante do consumo mundial crescente. A estimativa de nossas reservas é hoje da ordem de 25 bilhões de barris e mesmo que chegue a 100 bilhões de barris dentro de alguns anos, embora seja grande e suficiente ao nosso consumo diário de aprox. 3 milhões de barris, é pouquíssimo representativo ao consumo mundial.

Considerando o consumo mundial anual, temos que as reservas atuais embora gigantes, colocam uma perspectiva concreta de que as reservas estarão em vias de esgotamento em 30 anos apenas!

O que dá para fazer em trinta anos???

Muitos ainda conduzem o pensamento de que petróleo é só para tirar gasolina do carro ou diesel para máquinas. Um grande erro de informação. Gasolina e diesel não são mais fundamentais na cadeia do desenvolvimento e vão pouco a pouco sendo utilizados pelas refinarias para a extração de mais petroquímicos.

Leiam a série de posts neste blog sobre o petróleo e entenderão melhor o risco que a humanidade corre. Corre? Sim, tem de correr e muito nos próximos trinta anos e encontrar soluções viáveis para a substituição dos petroquímicos.

Hoje não dá para pensar em viver sem os petroquímicos, eles estão presente em quase tudo que consumimos, como os farmacêuticos, diversos tipos de plásticos, gases importantes na industrialização e também na produção de componentes de fertilizantes fundamentais para o crescimento da produção agrícola, sem contar principalmente na fabricação de inseticidas de uma forma geral que impedem a super-proliferação de insentos, e a produção de inseticidas agrícolas insubstituíveis nos dias atuais.

O controle dos insetos nas grandes cidades a cada dia vai se tornando mais dramático, porquanto novos tipos de doenças são transmitidos, e mesmo as mais conhecidas vão se tornando cada vez piores e imunes aos inseticidas. Insetos hoje transmitem uma grande quantidade de doenças que são letais ao ser humano se não bem cuidadas, desde malária, febre amarela, dengue e outros que ressurgem e segundo pesquisadores vão aumentar em muito as espécies e doenças transmitidas nas próximas décadas.

A produção agrícola sem os inseticidas agrícolas, tão famigerados como causadores também de doenças ao ser humano, é algo impensável. Hoje a produção mundial de alimentos sem a aplicação de controle sobre as pragas agrícolas, segundo dados da ONU poderia se reduzir a 40% da atual. Um numero absolutamente insuficiente para alimentação de 7 bilhões de seres humanos e outros bilhões de animais, domésticos e rebanhos para abate e também rebanhos para produção de leite e derivados.

A despeito do crescimento das reservas mundiais, este crescimento sabemos não irá muito mais longe nos próximos anos e décadas, excetuando-se novas reservas encontráveis na América do Sul, África e nas geleiras(locais de dificílima extração).

Tantas lutas e guerras no Oriente Médio e África com a presença de mais de trinta países na área não é à toa. Tem haver exclusivamente com a garantia de fontes de petróleo nas próximas décadas.

A Europa produz apenas 1% do petróleo que consome. Uma situação extremamente frágil e até impossível imaginar como sobreviverá a partir de 2020/30 quando estima-se que os preços no mercado internacional estarão em patamares exorbitantes (algo dez vezes maior que o atual).

A equação do pico petrolífero e do fim do petróleo abundante é mais do que uma realidade concreta, é uma ameaça real para a sobrevivência humana em poucas décadas.

As pesquisas para criação de novas fontes alternativas ao uso do petróleo estão a pleno vapor, principalmente pelos EUA, país que é líder em novas tecnologias, mas até mesmo eles ainda não têm muita certeza do futuro.

Os trabalhos de biotecnologia na produção de alimentos serão fundamentais para a sobrevivência humana, porém não temos por enquanto nada de concreto.

As contas atuais também levam em conta o consumo atual, porém, este mesmo consumo, a despeito de haver um menor crescimento da população mundial nos países em desenvolvimento, também demonstra que com a chegada do progresso e desenvolvimento a 2/3 da população mundial que é pobre hoje, mas alcança melhores condições de vida ano a ano, maior será o consumo per capita de petróleo e este é um numero que tende a dobrar em dez anos!

Uma parte da solução é a produção de energia por fontes baratas e renováveis como o sol, o vento, as marés e o calor do sol, em substituição as termoelétricas no mundo, mas isto ainda não é eficiente o suficiente.

As usinas atômicas são alvo de inúmeras críticas e além das mais de quinhentas atualmente em funcionamento, e apesar de constantes acidentes como Chernobyl e Fukushima, há mais duzentas em planejamentos de construção, inclusive no Brasil.

De fato, embora abomináveis e perigosas às populações do mundo (vide o dramático vídeo youtube SOS Fukushima) é compreensível que principalmente países europeus e os EUA nem pensem em se desfazer delas, a não ser a Alemanha que desligará todas até 2022, mas não tem planos definidos de como e com o que vai substituí-las.

A base do progresso e desenvolvimento humano hoje e após a revolução industrial é feito à base de “energia barata e abundante”, sem este fator, tudo que se segue virá abaixo e isto todos os estrategistas sabem; não precisa ser bidu e expert no assunto.

No Brasil

Não há possibilidade de progresso humano, desenvolvimento humano, justiça social e econômica sem “energia barata e abundante”. Não se esqueçam desta frase, ela cada vez mais entrará na análise do desenvolvimento da civilização terrestre e do desenvolvimento dos países, principalmente do terceiro mundo como o Brasil.

Embora devamos atingir a auto-suficiência em petróleo até 2014/2015, não dependemos tanto deste produto mineral. Mas precisamos de mais energia, muito mais e mais abundante e mais barata.

Se desejamos um melhor equilíbrio de renda, maior equanimidade social e econômica dos trabalhadores, maior desenvolvimento econômico, social e político, dependemos da criação de muito mais fontes de energia barata, como a construção de mais grandes hidroelétricas, mais termoelétricas para aproveitamento dos gases do pré-sal, mais duzentas ou até quinhentas PCHs (Hidroelétricas de pequeno porte), e pelo menos a construção dos setecentos parques eólicos previstos para os próximos anos no Brasil.

Com investimentos em várias novas fontes de energia, esperamos que o seu custo por conta de uma estrutura danosa possa se reduzir em até 50% e a partir disto criarmos melhores estruturas de desenvolvimento e progresso.

O atual governo vai investir forte numa fabrica de NPK e para tanto imbuiu a Petrobrás e a Vale neste processo. Haverá aproveitamento dos gases ou do pré-sal ou da Bolívia para este fabrico e investimentos em novas descobertas de minas de fósforo, não tão abundante além da Sibéria russa. Este é um passo importante para incremento e redução de custos na produção agrícola e nos deixará em condições de independência de multinacionais que apitam um apito que não é nosso.

Os preços dos alimentos causam inflação mundial, fome, miséria e ameaçam as economias

Os preços dos alimentos no mundo representam desde já o grande problema a ser resolvido. Ou melhor, temos que nos adaptar a situação, porque os aumentos dos preços é por enquanto irreversível, a não ser que o mundo possa reduzir os custos e aumentar a produção em pelo menos 20%, fato que diante dos números da FAO não está acontecendo, e pelo contrário, há quebras de safras agrícolas em todo o mundo, até mesmo no Brasil, devido as mudanças climáticas, com chuvas demais, neves demais, e secas inesperadas em várias áreas do mundo.

Por conta da escassez na produção prevista para os próximos dois anos, os “players” das comidities de alimentos já negociam aumentos de até 30% acima para contratos de dois anos. É especulação? Sem dúvida. Desde que colocaram petróleo e alimentos como comodities, somente grandes investidores do mundo lucraram com a situação. Não me consta que os prodtuores ganharam tanto assim. A cadeia de produção começa por financiamentos de sementes, fertilizantes, inseticidas, etc.. que acabam por comprometer quase 100% da produção, daí porque o que é colhido já não pertence ao agricultor e sim de grandes corporações que dominam o mercado de alimentos.

Somente a Glencore, uma empresa suíça que não planta um metro quadrado sequer detém 10% do mercado mundial de comodities de alimentos, segundo especialistas divulgam.

Por mais que achemos isto tudo muito errado, tenham a certeza que isto não vai mudar, porque estes “caras” que jogam no mercado de petróleo, o maior do mundo, e jogam no mercado de alimentos são neste momento os donos do mundo. Isto só muda numa super revolução mundial ou uma terceira guerra contra a dominação; entretanto, como isto não vai ocorrer com estes objetivos e sim por outros, podem esquecer.

Mas vamos continuar a acompanhar estes movimentos mundiais até para saber como nos posicionarmos melhor.

Por Atama Moriya, em 18 de julho de 2011.

Link – estadão – http://economia.estadao.com.br/noticias/not_76324.htm

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