03 abril de 11 – Revolução na Libya – ONU, NATO, OTAN, EUA, CHINA, RUSSIA E OUTROS – Por que todo mundo quer meter a mão na Libya?

A história da Libya não se resume ao hoje o fantoche Gaddafi, um líder provavelmente fabricado na guerra fria, e após o golpe de 1962 ao então governo democrático, e finalmente ao golpe de Gaddafi, na época uma mescla de Sadan dos americanos (antes da invasão ao Kwait e Fidel Castro dos esquerdistas).

É, a história da Libya é algo muito confuso de se contar, tem historiadores escrevendo uma coisa e outros tantos escrevendo outra. Difícil é saber o que de fato ocorreu no passado recente.

Eu, tenho a minha interpretação, que pode estar completamente errada, mas é a que neste momento eu acredito, quando houver mais dados e outros tantos que possam mudar meu ponto de vista, também mudarei sem problemas algum, mas hoje, eu vejo apenas um povo super-manipulado ao longos dos últimos cinquenta anos de exploração política e humana.

Tudo se resume a posição estratégica que a Libya exerce no norte da África, uma porta de entrada para os europeus no domínio do “ouro negro” africano.

Parte das grandes reservas mundiais estão no Norte da África, e é sabidamente um petróleo fino, de alto valor e abundante, fácil de ser extraído em terra e com baixo custo de transporte para a Europa. Para se ter uma idéia, circula na europa e idéia que o custo de retirada do petróleo libyo é de apenas 1 (hum) dólar o barril, e ao preço de 116 dólares atuais, daria um lucro de 115 dólares por barril. Não sei se é tão baixo, mas sei que o petroleo libyo através dos oleodutos que ligam diretamente à Italia não passa de 15 dólares de custo, o resto é lucro, e que lucro!

Não é de hoje que todos sabemos desta importância; é só ver que tudo, toda a disputa já tinha se iniciado na Conferência de Berlim em 1884, já com a forte participação americana nos desígnios da colonização africana e o ouro negro que começava surgir no mundo como algo de importância futura extraordinária.

Africa e o Colonialismo Europeu 1914

Se somarmos a participação de reservas de petróleo veremos que a Libya possui hoje 46 bilhões de barris em seu solo, reservas confirmadas e somados aos demais países como a Nigéria, Argélia, Angola, Sudão e Egito teremos 106 bilhões de barris de petróleo em solo. Um numero formidável e incrivelmente importante para a sobrevivência futura dos países, principalmente Europa.

A Europa hoje produz apenas 1% do petróleo mundial, mas consomes pelo menos 35% da produção mundial.

O pico do petróleo é hoje, mais do que nunca, uma realidade. A sobrevivência da humanidade nos atuais paradigmas econômicos depende de quem tem petróleo e quem não tem petróleo.

A Libya, um povo pobre, apesar do petróleo, é apenas mais um joguete nas mãos do Ocidente há mais de um século de disputa.

No década de 1960 havia uma governo democrático que mesmo com erros enormes (e que país em desenvolvimento não errava naquele tempo?) caminhava para levar o país para um patamar de sucesso e prosperidade. Porém, e muitos historiadores assim se referem, os EUA e Europa interferiram neste processo e causaram as revoluções que trataram de colocar alguém dito da esquerda no poder desde então, e ele era o Al Gaddafi. Um líder que pregava um voto contra o Ocidente e sua dominação, mas que anos depois mostrou-se muito mais ligado ao Ocidente e suas políticas que um Fidel Castro que nunca se curvou às potências.

Classifico Gaddafi como um fantoche americano que serviu até um certo ponto, mas que nos últimos anos vinha atrapalhando a política expansionistas do novo colonialismo ocidental sobre a África da Norte. Como líder libyo Gaddafi ao longo do tempo conquistou uma forte simpatia dentro na União Africana de Países, e todos o defendem até hoje.

Al Gaddafi é o Sadan Hussein do século XXI, antes apoiado pelos americanos e agora odiado pelo mesmos. E atrás desta política fica uma Europa que come pelas beiradas.

Analistas tem denunciado que esta revolução libya foi fabricada pela inteligência da coalizão EUA, Inglaterra e França e seus serviços secretos. Isto foi fácil, afinal instigar movimentos anti-Gaddafi foi muito fácil. Gaddafi teve todas as oportunidades possíveis para tornar o povo libyo um dos mais bem sucedidos do Norte da África. Uma população pequena de apenas 6 milhões de habitantes e com tanto petróleo poderia ter transformado o país em oásis financeiro.

Mas não, quando o poder corrompe e cada vez mais para manter este poder qualquer governante nesta condição é obrigado a fazer concessões dispendiosas ao seu grupo . Estes acordos vão numa crescente e impossibilitam retornar em outro ponto.

Cada vez mais explorando o seu povo, Gaddafi se viu obrigado também a fazer inúmeros acordos com o Ocidente até o ponto em que ele e seus aliados se tornaram uma minoria dentro da sociedade libya.

Talvez ele mesmo tenha pretendido mudar as regras mais recentemente e por isto passou a ser um empecilho aos colonizadores da África. Na ultima década Gaddafi realizou vários acordos com os russos e chineses, além de armas, ele fez acordos amplos, muito amplos para exploração de petróleo com a estatal chinesa – CNPC (China National Petroleum Corp.). Estes acordos de 2007 na verdade incluíam também os governos da Argélia e do Chad, fatos que devem ter desagradado principalmente os europeus.

Tanto a ação de conspiração contra Gaddafi parece suspeito mesmo que os líderes rebeldes tem representantes na Europa que negociaram por exemplo, em Londres, o congelamento de parte das receitas do fundo soberano Libyo, algo em torno de 1,1 bilhão de euros que garante o pagamento de salários e a compra de mantimentos e necessidades do leste libyo.

Outros acordos devem estar sendo firmados, por exemplo, como consta na imprensa européia da liberação de uma conta de crédito aos rebeldes superior a alguns bilhões de euros por conta do petróleo libyo, e estes recursos estão sendo canalizados para outras importações. Participam deste crédito concedido as nações da OTAN, se não todas, quase todas as 28 nações participantes, em troca, claro, a garantia de fornecimento do petróleo libyo no futuro vindouro.

Enfim, rechaçaram os EUA em princípio, não por uma causa nobre de salvar os libyos, mas porque os americanos provavelmente são indesejáveis na repartição do novo colonialismo libyo.

Mas não penso que americanos ficarão de fora da coalização colonialista.

Nem o Catar quer ficar de fora, assim como os Emirados Árabes, parecem, segundo fontes da AL Jhazeera que aceitaram fornecer armas aos rebeldes em troca de petróleo também, mas como eles nem tem tantas armas assim, fica a dúvida se não são os próprios americanos por trás. Um fato parece claro, os russos e chineses estão fora destes acordos, salvo se houver mudanças nestes acordos, e nada é impossível na política internacional.

As críticas sobre o estabelecimento da “zona de exclusão” como sendo um ataque “vil” das Nações da ONU sobre a soberania libya foi e está sendo apresentada por vários líderes da esquerda européia e até mesmo alguns países. Mas até nisto parece que a esquerda errou na análise, porquanto, de outro lado deixasse a forças de Gaddafi agirem de qualquer forma, teríamos uma genocídio dos rebeldes.

Os rebeldes não esperavam entrar em guerra civil, isto está claro, e a inteligência dos países ocidentais erraram na avaliação de Gaddafi e sua reação, que esperavam fosse pacífica.

E uma vez que colocaram em risco a vida dos rebeldes, os países do Ocidente não poderiam deixar isto acontecer: seria outra enorme irresponsabilidade, e foram devidamente pressionados pelos representantes dos líderes rebeldes na Europa, em Londres e Paris.

Nesta semana passada houveram quatro dias que as forças da OTAN que ora lideram a coalização diminuíram os ataques, certamente para mostrar aos líderes rebeldes que certos acordos para futuras explorações precisavam mesmo serem assinadas e que eles sozinhos não poderiam conter as forças militares pró-governo libyo.

Ao vermos os rebeldes libyos, vemos que eles despertam a “compaixão” do mundo, afinal, despreperados e desarmados são presas fáceis nos combates com as táticas dos militares de Gaddafi, muito deles treinados no passado pelo próprio Ocidente.

Mais preocupados ficamos quando percebemos que eles foram levados a esta condição por um ideal verdadeiro de democracia e liberdade, mas aparentemente por influências externas.

Neste momento, independente de qualquer manipulação, não há o que fazer, senão apoiar as forças pró-democráticas, mas sabendo de antemão que embora com petróleo suficiente para proporcionar muita prosperidade a todo o povo, muito caminho ainda há para ser trilhado pelos libyos. Eles vão começar em condições piores que o Brasil pós ditadura há mais de 25 anos atrás.

Mas isto não será empecilho, todos estes acordos de exploração do petróleo e até mesmo a formação de uma nova casta econômica dominante, isto na minha opinião faz parte do desenvolvimento e crescimento de uma democracia, como no Brasil, ainda capengante nisto ou naquilo, mas sem duvida a caminho da prosperidade, mesmo que as vezes aos trancos e barrancos.

Democracia não é algo que acontece em sua plenitude da noite para o dia, não basta ter eleições e um possível estado de direito político também. Tudo, tudo, depende do grau de consciência do povo, das instituições, da mídia, das empresas e também das religiões que tem influência direta no adormecimento das consciências e da própria vontade política dos indivíduos. E sem dúvida, tudo depende, no frigir dos ovos do grau de valores éticos e morais de cada indivíduo dentro da cultura de cada país.

E, no caso do Brasil e de muitos países em desenvolvimento, o excesso de passividade tende a envenenar mais ainda os valores éticos e morais da sociedade. Aparentemente muitas atitudes falsas e imorais acontecem diariamente e embora graves, acabam sendo aceitos pela população em geral, o que torna as falhas de caráter dos indivíduos e governantes cada vez mais legais sob o ponto de vista cultural e educacional. Não aceitar mais estas conspurcações tornaria o povo, e os indivíduos cada vez melhores em valores de ética e moral e muito ensinaria às novas gerações que ora estão presentes e que vão construir o futuro.

Este texto deveria ser mais completo, concordo. Porém, acho que uma visão macro já é suficiente neste momento. Para aqueles que desejarem mais informações, recomendo que conversem principalmente com os europeus, pessoas comuns que gostam de estudar os acontecimentos, ou mesmo historiadores e analistas políticos que estão atentos aos detalhes.

Embora considere que ninguém hoje tem as informações completas sobre as revoluções no Oriente Médio e Norte da África, temos de fazer um esforço para tentar ligar o quebra-cabeças que está na mesa agora. Não confiem nas mídias, pois tem aqueles que são pró Ocidente e anti-Ocidente também e nenhuma, pelo que tenho visto tem se mantido isento nestes conflitos.

A mídia tem tido um comportamento péssimo no quesito isenção, e é só ver o que noticiam e também deixar de noticiar hoje sobre os conflitos no Yemen, Bahrein, Libya e Syria, além de protestos na Arábia Saudita, Argélia, Paquistão, no Chad e tantos outros países.

Daquele lado do mundo tudo está em “chamas”, e nada será igual dentro de poucos anos e mais uma vez os povos do Ocidente estão sendo mantidos manipulados pelas informações ou falta de informações.

Por Atama Moriya em 03-04-2011.

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