27/01/2011 – Apocalipse econômico – Previsões para 2011– Brasil até que vai bem e terá um bom ano, mas o mundo… O que podemos esperar de 2011?

Sempre que nos referimos ao apocalipse e a 2012 nos referimos às catástrofes que alguns dizem prever e embora muitas coisas estranhas estejam acontecendo de fato com a natureza, algo que tem sido pior e cruel principalmente para as populações mais pobres de países pobres já vem ocorrendo em décadas, e causa a maior mortandade da história de nossa civilização.

Desde o fim da segunda guerra mundial quantos milhões de pessoas já morreram de fome, miséria, falta de assistência médica, guerras e conflitos inúteis? É difícil de calcular quantos por causa da miséria pelo mundo todo morreram precocemente, na África principalmente, mas também na Ásia, no Oriente médio onde miséria e conflitos convivem juntos o tempo todo, e igualmente acontece na América do Sul, no Paraguai, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Argentina e Brasil.

Algumas organizações sociais calculam que já morreram em seis décadas nestas circunstâncias mais de duzentos milhões de pessoas precocemente.

Nunca saberemos ao certo, mas o nosso sentimento é que a miséria humana generalizada ceifou muitas vidas prematura e injustamente. Vidas que não tiveram acesso ao princípio básico de qualquer civilização: “o direito a vida a todos os cidadãos”. Nosso sentimento é que talvez tenha sido muito maior o numero destas perdas nos países pobres. Só no continente africano a cada conflito morriam um milhão de pessoas. Só nesta guerra inútil americana no Iraque que serve apenas para garantir 80% de todo o petróleo iraquiano aos aliados, calcula-se que 2,5 milhões de pessoas morreram ou ficaram aleijadas, sem contar as consequências atuais das populações que sofrem com a radiação do urânio empobrecido e que lotam os hospitais locais e sem quase nenhuma perspectivas de sobrevivência.

No Brasil, a cada catástrofe de chuvas que estão a ocorrer todos os anos, milhares morrem, e geralmente são pobres, porque por não terem condições econômicas adequadas nas décadas passadas foram sendo empurradas para morarem em periferias afastadas, morros, pântanos, favelas, locais absolutamente inadequados e impróprios.

A miséria econômica tem sido a causa de toda a miséria humana que destrói vidas por todo o mundo. Alguém que nasce, mas não tem acesso à alimentação minimamente adequada, a saúde, a educação, a saneamento básico, etc.. Praticamente não vive, vegeta, invariavelmente é quase um morto e sua contribuição ao desenvolvimento da sociedade é limitado. Mormente, no passado isto era comemorado pelas elites, afinal se fabricava muitos empregados domésticos e mão de obra barata para construções, hoje a opinião pública já mudou bastante até pela evolução de consciências e o nível de informações que circula diariamente.

Nos países ricos, as desgraças humanas dos países pobres sempre foi vista com certa indiferença, afinal, não era um problema deles e normalmente eles nem sabiam onde ficavam estes países pobres. Ainda na década de oitenta em viagens para a Europa eu perguntava as pessoas locais se sabiam onde ficava o Brasil e muitas das respostas foi que era na África, local de muito mato e animais selvagens como macacos. Acho que isto mudou radicalmente nos últimos dez anos.

O Brasil apesar das centenas de erros dos últimos 60 anos de governos estaduais, municipais e federais vai se acertando e criou sem ajuda estrangeira muitas soluções que irá permitir alavancar o país definitivamente para tornar-se, aos trancos e barrancos, a quarta economia mundial em quatro a cinco anos, um espanto se olharmos para nosso país na década passada.

E o mundo mudou rapidamente e como mudou.

Recomendo que leiam minha série postada neste blog – “Desafios que a Humanidade enfrenta”, onde explico mais detalhadamente estas questões.

Impulsionados pelo BRIC, pelos tigres asiáticos, Turquia e países da OPEP, a mudança foi radical na economia. Antes os países do Norte drenavam toda as riquezas dos países subdesenvolvidos e viviam muito bem, com padrões de vida de fazer inveja aos outros. Agora a mão de direção econômica virou e as riquezas permanecem nos países em desenvolvimento, um padrão que apenas vai se fortalecer a cada ano.

E agora pobres estão ficando os países do Norte. Claro, ainda há muitas capacidades envolvidas e a coisa não será tão simples assim. Contudo, é inegável e inexorável esta mudança, o estabelecimento de equilíbrio socioeconômico. Quanto tempo este processo mundial vai levar para equilibrar novamente quase todas as razões comerciais dos países é uma grande incógnita. Mas na velocidade dos acontecimento tudo pode ocorrer em apenas uma década, ao invés de duas ou três.

Aqui no Brasil grandes e profundas mudanças ainda serão necessárias e para tanto cada um de nós deve se cobrar e cobrar estes políticos que elegemos de baixa qualidade pessoal e intelectual, muito aquém de preencherem as nossas necessidades e anseios. E já que estes atuais estão eleitos, são estes que temos de cobrar para que não continuem a nos fazer de “bobos”.

Como estão os países do Norte?

Daqui ficamos observando os EUA e Europa e um pouco o Japão a fazerem mil peripécias em função da crise econômica que ameaça a tomá-los de vez. Segundo dizem, até o nobre Obama, o senhor da guerra e da paz está tomado por depressões e não por menos, afinal lá a crise apenas aumenta e não diminui apesar de alentos com o QE2, que não terá fim e será seguido pelo QE3, QE4… Mas já não restou provado pelo QE1 que injetou três trilhões de dólares que isto não vai resolver? Até quando o governo americano vai suportar este rombo no orçamento?

A pesquisa de desemprego independente, por exemplo do SGS, mostra que o nível de desemprego em alguns estados (os que estão se tornando mais rebeldes e violentos) chega de 15 a 22%, um numero que se aproxima do índice irreversível de 25% quando sabe-se que as economias entram em depressão. Já vimos este filme aqui no Brasil.

O Senhor Apocalipse – Nouriel Roubini – considera que se os EUA e Europa não apertarem os gastos públicos para diminuírem suas dívidas e dobrar os impostos principalmente dos ricos o colapso será inevitável. Muito óbvio, qualquer um sabe disto, porém, duvido que alguém tenha a coragem de também dobrar os impostos, diminuir os benefícios sociais, os salários e os sistemas sociais. É mais fácil esperar o rompimento para tomar medidas drásticas e convencer o clamor popular das necessidades. Principalmente o trabalhador europeu não aceita ser punido por causa da imprevidência governamental de outrora e vai as ruas se for preciso. Acho que os trabalhadores tem razão, porém não há dúvidas que serão as vítimas escolhidas e por isso mesmo as convulsões sociais serão mais frequentes daqui para frente. O maus investidores e especuladores estão sendo salvos para preservarem o sistema bancário.

Salvar os grandes e poderosos investidores tem sido a palavra de ordem nos EUA e Europa, mas até quando isto dará certo? Estamos vendo o que acontece com a Islândia, a Irlanda, e a Grécia, por enquanto economias menores que podem ser suportadas pelo MCE, mas com péssimas tendências que outros países se seguirão, como se comenta da Bélgica, Portugal e Espanha e se medidas fortes não forem tomadas e socorros não ocorrerem a tempo.

Portugal está saindo no mercado desde o ano passado para tomar empréstimos de poucos bilhões de euros, todavia, pagando taxas de até 9 pontos, o que é muito elevado, isto não é bom e ao mesmo tempo está cortando muitos benefícios sociais como aposentadorias.

Perigos que vem do FOREX e COMEX

Não temos todas as informações, porém algo de anormal está ocorrendo nestes mercados. As compras de dólar baixaram significativamente neste mês e tecnicamente isto significa que a confiança na moeda está caindo muito rapidamente e que também força uma grande desvalorização, que outros motivos haverá? Não sabemos, mas é algo grave.

Igualmente o mercado de commodities de ouro e prata está com problemas sérios de entrega física, e já se especula que não há físico nas negociações e os compradores de contratos vencidos estão tendo que aceitar pagamentos em moedas. Isto para mim não surpreende, afinal já se sabe que muitas commodities de ouro foram lastreadas por contratos de ouro futuro que não existe e talvez nem tenham existido ou venham a existir. Por outro lado, bancos podem estar vendendo posições de ouro que não possuem, o que é mais grave ainda. O que será que acontece? O ouro começou a década passada em janeiro de 2000 custando algo em torno de 270 dólares a onça e chegou em dezembro custando 1432 dólares e deve continuar a subir, se aparecer no mercado.

Nos bastidores comenta-se que governos como a China e a Rússia estão buscando nos mercados grandes quantidades do metal físico para compra imediata. Será à volta em breve do padrão de lastro em ouro?

Nesta semana em Davos, o presidente russo propôs a substituição do dólar por uma cesta de moedas que incluiria todas as moedas do BRIC. Nenhuma novidade nisto, mas uma medida que a Europa e EUA não querem aceitar, por isto mesmo países emergentes estão a negociar estas trocas entre si mesmo. Sarkozy disse que quem apostar contra o Euro vai perder. Será?

No inicio deste mês uma interessante entrevista de George Soros foi ao ar e nela entre outras posições instigantes ele considera que o governo americano deveria pensar seriamente em aceitar a péssima situação econômica dos EUA e deixar de tentar salvar os bancos e investidores com o abastecimentos quantitativos. Seria uma medida drástica.

As commodities de alimentos

Este mercado tem se mostrado sempre em elevação, impressionante. Independente das quebras de safras dos EUA neste inverno, os preços continuam em elevação demasiada e não dá para saber se é pura especulação ou está mesmo se prevendo a falta de alimentos no mundo. Diz uma máxima antiga que para dominar um país e um povo, domina-se os seus alimentos.

Em minha opinião as altas inflacionárias no Brasil deveram-se principalmente na subida de preços das commodities de alimentos e esta inflação tem pouco a haver com o consumo de bens. Por isso, entendo que a subida da taxa selic para conter a inflação é uma piada. Tem a haver sim uma taxa selic elevada para aumentar os ganhos dos grandes investidores e emagrecer mais ainda o orçamento para investimentos. Se for para conter a taxa de câmbio, o efeito tem sido ao contrário e basta ver o resultado da balança de pagamentos de 2010. Nós estamos no vermelho com a entrada para investimentos de quase 50 bilhões de dólares. Os economistas do governo há décadas tomam as mesmas medidas que nunca funcionam, é falta de inteligência, no mínimo. O pior é que os setores da economia compram este discurso barato achando que é o certo a fazer. Temos a maior taxa de juros do mundo e mesmo assim não crescemos tanto assim e nem tampouco a inflação zera. Por quê?

A presidente Dilma, e Mantega, e Alexandre Tombini tem de vir a público explicar por que as taxas de juros continuam subindo e oneram sobremaneira a classe mais pobre e obriga o governo a novas tomadas de impostos como a famigerada CPMF.

Os velhos conceitos econômicos tem se mostrado falhos tanto assim que o mundo mergulha em grande crise rumo a deflação e desemprego, daí que se torna óbvio a ousadia de novos conceitos e práticas para se sustentar na crise mundial. Adotar apenas o que está nos livros de economia não funciona mais.

A crise do Petróleo e o Pico Petrolífero

Por fim vamos comentar a questão pretolífera em linhas gerais do que está ocorrendo neste momento.

Durante o ano de 2010 o óleo chegou a ser negociado entre 60 a 80 dólares o barril, mas já no final do ano mostrou tendências de subida de preços e beirou os 100 dólares o barril, pressionados pelo mercado de commodities. O maior mercado financeiro mundial é, foi e será por muito tempo sendo o de petróleo e seus derivados.

Estas altas expressivas recentes demonstram que os preços devem continuar a subir e estima-se que atinja a 120 dólares ainda em março de 2011.

Nada explica esta subida, mas tem a haver a corrosão do dólar, sem dúvida. A OPEP não diminuiu a produção e nem o mercado mundial teve recuperação econômica; especulação ou tendência real?

Recentemente, Jim Rogers um sócio ou ex sócio de George Soros deu uma entrevista a BBC onde ele prevê que o preço do barril poderá chegar a 200 dólares até o fim de 2011, ultrapassando os analista que prevêem preço beirando os 150 dólares em 2011.

Na minha análise acho que players como Jim Rogers não podem ser ignorados e que o pico petrolífero é uma realidade com a qual o mundo tem de se adaptar e sobreviver. E também que a corrosão do dólar dá uma dimensão e peso grande por causa do maior comprador mundial, os EUA. Ninguém vai convencer os americanos a comprarem petróleo com outra moeda que não seja o dólar. É complicado.

Ao contrário do que se afirma, o preço do litro de gasolina do Brasil já não é tão diferente do preço da maioria dos países da Europa, e tem subido muito também nos EUA, a ponto das famílias terem que adotar planos de menor consumo familiar em função do orçamento mais apertado.

A tendência é o preço dos combustíveis passarem a serem mais altos nos países não produtores, principalmente na Europa e Japão e este precioso bem seguir cada vez mais limitado na oferta.

Se os preços chegarem a 150 dólares ou mesmo 200 dólares em 2011, e dado a importância dos derivados do petróleo, tais como sub-produtos para produção de farmacêuticos, inseticidas e outros uso agrícolas, teremos um ano muito movimentado e truculento no mundo todo e estes reflexos serão duríssimos ao mundo em 2012.

Para o Brasil resta torcermos que o pré-sal possa nos tornar independentes em dois anos no máximo e que tenhamos condições de implantar em cinco anos a nossa própria indústria nacional de petroquímicos, independente de vontades de multinacionais que dominam o setor e não se sabe que apito vão tocar em momentos de crises.

Mas vamos acompanhando este ano de 2011 que promete muitas emoções econômicas, aumentos dos movimentos sociais, e também para muitos países do BRIC e da OPEP principalmente um ano de continuidade na prosperidade.

Para uns será muito ruim, para outros será muito bom em vista das circunstâncias.

Por Atama Moriya, em 27-01-2011.

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2 respostas para 27/01/2011 – Apocalipse econômico – Previsões para 2011– Brasil até que vai bem e terá um bom ano, mas o mundo… O que podemos esperar de 2011?

  1. rafael disse:

    é a vouta de jesus e isso é só o começo!!
    acordem por favor ,acordem esse é o principio do fim.

  2. Solange Lopes disse:

    Acredito muito no Espiritismo e tenho certeza que nao estamos a sos neste lindo Planeta .Tudo isso que estamos vivendo no momento nao e’ sonho e’ uma realidade ,temos que crer muito em Deus pois ele e’ o nosso Pai e misericordioso ele ama os seus filhos ,teremos que nos unir,amarmos uns aos outros ,ajuda aqueles que estao precisando de nossa ajuda ,sermos mais compreensivos e tolerantes ,nao sermos materialistas ,humildade ,nao julgar o proximo ,pai respeitarem os seus filhos e os filhos respeitarem os seus pais so assim creio que todos nos teremos a salvacao eterna …..Vamos todos rezar levar o pensamento em Deus ,consentrar em nossas oracoes eu tenho certeza que seremos ouvidos se fizermos tudo com muita fe’

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