A produção mundial de petróleo cai a partir de 2015, e então..

Ao que tudo indica a produção e oferta de petróleo no mundo atingiu o pico e tende a cair a uma razão de 8% já no ano de 2015, segundo muitos especialistas, inclusive militares americanos especializados em geopolítica.

A questão do pico do petróleo não tem sido alvo de muitos debates claros, apenas discussões internas dos governos e grandes companhias de petróleo.

Com a redução da produção que deve mesmo ocorrer porquanto também é interesse dos grandes produtores manterem seus poços existindo pelo menos até 2050, voltaremos a ter forte aumento de preços nos mercados novamente, aliado a este fator temos:

– o mundo, mesmo que as duras penas, está aumentando o seu consumo em proporção maior que qualquer nova descoberta petrolífera e isto está ameaçando diariamente a oferta.

– países produtores reconhecem que estão nos últimos 30/40 anos de produção, após o que seus poços estarão secos, daí aproveitar o máximo possível de ganho torna-se uma estratégia vital de sobrevivência para o pós-petróleo.

Diante deste quadro a médio prazo teremos muitas reviravoltas na política, economias de países ricos e pobres, e certamente muitas turbulências sociais decorrentes de perturbações graves na produção de alimentos e bens de consumo que tendem a afetar a renda individual, e causar muito desemprego e fome mundial.

Não à toa está todo mundo de olho no destino a ser dado as reservas de petróleo do Irã, a maior do mundo, com cerca de 100 bilhões de barris.

Toda esta guerra no Iraque e Afeganistão tem forte fundamentação nos interesses geoeconômicos da região petrolífera e isto inclui fatalmente o Irã que corre sérios riscos não exatamente por desenvolver centrífugas de enriquecimento de urânio, mas por ter posse de uma reserva em petróleo significativa aos interesses ocidentais.

Petróleo é um bem que produz muita coisa boa, mas poderá ser também a desgraça daqueles povos do oriente médio.

O Brasil deverá ser auto-suficiente até 2015, mas isto não nos livrará de todas as fortes vibrações que o mundo sofrerá com a escassez do “ouro negro”.

Mas enfim, está cada vez mais difícil prever os acontecimentos mesmo a médio prazo com tantos fatores em jogo. Apenas quem viver verá.

Penso que a copa do mundo em 2014 e as olimpíadas em 2016 não por acaso serão realizadas no país e no continente que estará um pouco mais estável socialmente e economicamente.

Por Atama Moriya, em 27-04-10.

Vejam o artigo:

“Já é tempo de tratar do Pico Petrolífero

por Richard Heinberg

O conceito de “Pico Petrolífero” – que a taxa de produção do petróleo do mundo em breve atingirá o seu máximo e começará um declínio inevitável, com conseqüências econômicas negativas – tem estado a circular numa forma cientificamente articulada pelo menos desde 1998, tempo suficientemente longo para vê-la confirmado de modos significativos.

A taxa de descoberta de novos campos de petróleo tem estado a cair desde 1964. O maior achado em anos recentes é o Tupi, nas águas brasileiras, no qual se afirma conter cinco a oito bilhões de barris de petróleo; mas isso é suficiente apenas para saciar a sede do mundo durante 60 a 90 dias. A maior parte dos países produtores já ultrapassaram os seus picos internos e estão a experimentar produção declinante, apesar de todos os esforços para manter as taxas do seu fluxo.

Os céticos destacam que o total das reservas mundiais de petróleo continua a crescer. Mas isto pode não ser um indicador confiável quanto à nossa posição. Muitas vezes, em países que viram um pico e o declínio subsequente da produção, as reservas internas continuaram a ascender, ou mesmo ultrapassaram, a data do pico da produção. Por que? As companhias de petróleo substituem reservas de alta qualidade, de petróleo de produção barata, por reservas de baixa qualidade, lenta, ou cara para produzir, ou areias betuminosas.

As taxas de declínio da produção nos campos petrolíferos gigantes, mais antigos, demonstram ser indicadores mais confiáveis das tendências a longo prazo. (Exemplo: permitiram previsões com êxito do pico para os Estados Unidos, o Mar do Norte e outras regiões). Para o mundo, a taxa de declínio médio dos campos existentes foi calculada pela Agência Internacional de Energia em 4,5% ao ano. O mundo precisa desenvolver o equivalente da produção de petróleo de uma Arábia Saudita a cada quatro anos para compensar tais declínios. Isto é um fardo absoluto para a indústria, a qual deve agora procurar petróleo em águas ultra-profundas, em regiões polares ou países politicamente fraturados, uma vez que todo o petróleo fácil de descobrir e fácil de extrair já foi localizado e grande parte dele já foi bombeado.

Até agora, o recorde anual da produção mundial de petróleo bruto deu-se em 2005 e o recorde mensal foi em Julho de 2008. De forma reveladora, a queda das taxas de extração entre 2005 e 2008 verificou-se no contexto da ascensão dos preços do petróleo. Na verdade, em Julho de 2008, o preço disparou em 50% mais alto do que o recorde anterior ajustado à inflação, estabelecido na década de 1970. Ainda assim, com a ascensão da procura e dos preços, a produção em resposta mal se moveu.

Enquanto muitos comentadores acreditam que o julgamento sobre o Pico Petrolífero ainda está em suspenso, a lista de analistas de petróleo que dizem ter a produção mundial já atingido o pico, o que assim o fará nos próximos cinco anos, estende-se quase diariamente e inclui presidentes de empresas e outros líderes bem colocados dentro da indústria do petróleo.

O argumento de que a produção de petróleo teoricamente poderia continuar a crescer após 2015 é avançado principalmente por organizações tais como a Cambridge Energy Research Associates e a Saudi Aramco, os quais tornam claro a evidência de definhamento das descobertas, dos campos petrolíferos em esgotamento e a estagnação da produção total afirmando que é a procura por petróleo que atingiu o pico, não a oferta – uma afirmação que repousa sobre a observação de que os preços do petróleo estão bastante altos para desencorajar compradores potenciais. Mas altos preços para uma commodity habitualmente significam escassez, de modo que o argumento do “pico da procura” não se sustenta.

O Pico Petrolífero tem implicações significativas para a nossa economia. Em resposta ao disparar do preço de 2008, a indústria global da aviação afundou drasticamente e as companhias automobilísticas sofreram. A navegação mundial reduziu-se drasticamente e não se recuperou. A procura por petróleo mergulhou no fim de 2008 e assim aconteceu com o preço – temporariamente. Mas o preço de hoje está outra vez elevado, quase ao ponto de estragar a recuperação econômica.

O que deveríamos fazer acerca do Pico Petrolífero? Comecemos com o que fez a U.K. Industry Task Force on Peak Oil (a qual inclui Sir Richard Branson da Virgin Airlines): Reconhecer a realidade dos limites da oferta. A seguir estudar as vulnerabilidades dos sistemas de transporte e alimentares aos altos e voláteis preços do petróleo, e então começar a tornar aqueles sistemas mais resilientes e menos dependentes do petróleo.

Mas fazer isso rapidamente. A adaptação levará décadas e estamos a começar muito tarde.”

O original encontra-se em http://www.countercurrents.org/heinberg200310.htm

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