Por que devemos temer bombas atômicas?

Este artigo de Pilger foi escrito há um ano atrás e realmente torna-se preocupante a continua pressão que continua sendo feita ao Irã sem que nenhuma prova real surja, mas apenas suposições, a maioria calcada em relatos pouco confiáveis divulgados pela mídia que age irresponsavelmente na medida exata para justificar mais guerra no Oriente Médio. É preciso cuidado e muita racionalidade nesta questão.

Uma guerra nuclear no Oriente pode sim se transformar no verdadeiro Armagedon com conseqüências inimagináveis e até mesmo apocalípticas.

Passadas várias décadas desde 1945 e os dois melhores hospitais do mundo para tratamento de vítimas de radioatividade estão lotados de pacientes descendentes dos que restaram em Hiroshima e Nagasaki e sofrem consequências gravíssimas, nunca transmitidas ou informadas ao mundo. Por que manter estre segredo e este mistério ao mundo? A quem isto interessa?

Independente de ser muçulmano, judeu, cristão, católico, protestante, que todos os homens da Terra ouçam Deus antes de cometerem um erro gravíssimo na história desta humanidade que já sofre por demais por outros problemas também criados pelas intolerâncias e egocentrismos dos povos.

E pedir para que Deus nos ajude ou nos salve é bobagem e isto não vai acontecer, afinal ele nos deu livr-arbítrio aqui na Terra pelo menos para que pudéssemos justamente aprender a tomar nossas próprias decisões, mas não tenham dúvidas que isto pode ainda custar muito, muito caro mesmo, mas mais caro ainda será para os tolos que incendeiam as idéias através de falsas verdades, ou melhor, suposições lançadas com interesses misteriosos.

Por Atama Moriya, em 14-09-2009

“As mentiras de Hiroshima subsistem

por John Pilger

Quando fui pela primeira vez a Hiroshima, em 1967, a sombra sobre os degraus ainda estava ali. Era quase uma impressão perfeita de um ser humano: pernas inclinadas, costas encurvadas, uma mão ao lado enquanto ela sentava à espera que o banco abrisse. Um quarto de hora após as oito da manhã de 6 de Agosto de 1945, ela e a sua silhueta foram gravadas a fogo no granito. Fixei a sombra por uma hora ou mais, a seguir andei até o rio e encontrei um homem chamado Yukio, cujo tórax ainda estava marcado com o padrão da camisa que usava quando foi lançada a bomba atômica.

Ele e a sua família ainda vivem num barraco desconjuntado no pó de um deserto atômico. Ele descreveu um enorme flash sobre a cidade, “uma luz azulada, algo como um curto-circuito elétrico”, após o qual o vento soprou como um tornado e caiu chuva negra. “Fui lançado sobre o piso e percebi que apenas os talos das minhas flores haviam ficado. Estava tudo quieto e silencioso, e quando levantei havia pessoas nuas, que não diziam nada. Algumas delas não tinham pele ou cabelo. Eu estava certo de estar morto”. Nove anos depois, quando voltei a procurá-lo, havia morrido de leucemia.

Na seqüência imediata da bomba, as autoridades aliadas de ocupação proibiram qualquer menção ao envenenamento radioativo e insistiram que as pessoas haviam sido mortas ou feridas apenas pelo sopro da bomba. Foi a primeira grande mentira. “Nenhuma radioatividade nas ruínas de Hiroshima”, dizia a primeira página do New York Times, um clássico da desinformação e da abjeção jornalística, o qual deu ao repórter australiano Wilfred Burchett o furo do século. “Escrevi isto como uma advertência ao mundo”, contou Burchett no Daily Express, tendo chegado Hiroshima após uma viagem perigosa, o primeiro correspondente a ousar fazê-lo. Ele descreveu departamentos de hospitais cheios de pessoas sem ferimentos visíveis, mas que estavam a morrer daquilo a que chamou “uma praga atômica”. Por contar esta verdade, sua credencial de imprensa foi-lhe retirada, ele foi atacado e caluniado – e inocentado.

O bombardeamento atômico de Hiroshima e Nagasaki foi um ato criminoso numa escala colossal. Foi um assassínio em massa premeditado que desencadeou uma arma de criminalidade intrínseca. Por esta razão os seus apologistas procuraram refúgio na mitologia do “boa guerra” final, cujo “banho ético”, como a denominou Richard Drayton, permitiu ao ocidente não só expiar seu sangrento passado imperial como promover sessenta anos de guerra predatória, sempre abençoada pela sombra de “A Bomba”.

A mentira mais duradoura é que a bomba atômica foi lançada no fim da guerra do Pacífico e salvou vidas. “Mesmo sem os ataques de bombardeamento atômico”, concluiu o United States Strategic Bombing Survey de 1946, “a supremacia aérea sobre o Japão poderia ter exercido pressão suficiente para levá-lo à rendição incondicional e dispensar a necessidade de invasão.

Com base numa investigação pormenorizada de todos os fatos, e apoiado pelo testemunho dos líderes japoneses sobreviventes, o inquérito opina que …o Japão se teria rendido mesmo se a bombas atômicas não tivessem sido lançadas, mesmo se a Rússia não entrasse na guerra e mesmo se nenhuma invasão tivesse sido planejada ou considerada”.

Os Arquivos Nacionais em Washington contêm documentos do governo americano que revelam iniciativas de paz japonesas já em 1943. Nenhuma delas foi considerada. Um telegrama enviado a 5 de Maio de 1945 pelo embaixador alemão em Tóquio e interceptado pelos EUA afasta qualquer dúvida de que os japoneses estavam desesperados para pedir a paz, incluindo “capitulação mesmo que os termos sejam duros”.

Ao invés disso, o secretário da Guerra do EUA, Henry Stimson, disse ao presidente Truman estar “temeroso” de que a US Air Force deixaria o Japão tão bombardeado que a nova arma não seria capaz de “mostrar a sua força”. Posteriormente ele admitiu que “não fora feito qualquer esforço, e nenhum foi considerado seriamente, para alcançar a rendição simplesmente a fim de não ter de utilizar a bomba”. Os seus colegas de política externa estavam ansiosos “para amedrontar os russos com a bomba que possuíam de preferência espalhafatosamente”. O general Leslie Groves, diretor do Projeto Manhattan que fabricou a bomba, testemunhou: “Nunca houve qualquer ilusão da minha parte de que a Rússia era o nosso inimigo, e que o projeto fora conduzido nesta base”. O dia seguinte a Hiroshima foi apagado, o presidente Truman proclamou a sua satisfação com o “êxito esmagador” do “experimento”.

Acredita-se que os Estados Unidos estiveram à beira de utilizar armas nucleares pelo menos três vezes desde 1945. Ao travarem a sua falsa “guerra ao terror”, os atuais governos em Washington e Londres declararam-se preparados para efetuar ataques nucleares “preventivos” (“pre-emptive”) contra Estados não nucleares. A cada pancada rumo à meia noite de um Armagedon nuclear, as mentiras justificativas tornam-se mais ultrajantes. O Irã é a atual “ameaça”. Mas o Irã não tem armas nucleares e a desinformação de que está a planejar um arsenal nuclear provém em grande medida de um desacreditado grupo de oposição iraniano patrocinado pela CIA, o MEK – assim como as mentiras acerca das armas de destruição em massa de Saddam Hussein foram originadas pelo Iraqi National Congress, montado por Washington.

O papel do jornalismo ocidental ao promover este espantalho é crítico.

Mesmo que o Defence Intelligence Estimate da América diga “com alta confiança” que o Irã abandonou seu programa de armas nucleares em 2003, mas foi remetido para o buraco da memória. Mesmo que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, nunca tenha ameaçado “varrer Israel do mapa”, tudo isto passa a não ter qualquer interesse público. Entretanto, tamanho tem sido a repetição da ameaça Irã na mídia que na sua recente atuação servil perante o parlamento israelense Gordon Brown aludiu a isto, mais de uma vez, e ameaçou o Irã.

Esta progressão de mentiras trouxe-nos uma das mais perigosas crises nucleares desde 1945, uma vez que a ameaça real permanece quase proibida de mencionar nos círculos do “establishment” ocidental e, portanto na mídia. Há apenas uma potência nuclear desenfreada no Médio Oriente e esta é Israel. O heróico Mordechai Vanunu tentou advertir o mundo em 1986 quando revelou provas de que Israel estava a construir até 200 ogivas nucleares. Em desafio a resoluções da ONU, Israel hoje está claramente desejoso de atacar o Irã, receoso de que uma nova administração americana possa, apenas possa, efetuar negociações genuínas com um país que o ocidente tem violado desde que a Grã-Bretanha e os EUA derrubaram a democracia iraniana em 1953.

No New York Times de 18 de Julho, o historiador israelense Benny Morris, outrora considerado um liberal e agora um consultor do “establishment” político e militar do seu país, ameaçou com “um Irã transformado num deserto nuclear”. Isto seria um assassínio em massa. Para um judeu, a ironia é gritante.

A pergunta que precisa ser colocada: serão os restantes de nós simples espectadores, a apregoar, como fizeram bons alemães, que “nós não sabíamos”?

Será que nos esconderemos cada vez mais atrás daquilo que Richard Falk chamou “um écran farisaico, unilateral, legal/moral com imagens positivas dos valores ocidentais e da inocência apresentada como ameaçada, validando uma campanha de violência irrestrita”? Apanhar criminosos de guerra está na moda outra vez. Radovan Karadzic está no banco do réus, mas não Sharon e Olmert, Bush e Blair. Por que não? A memória de Hiroshima exige uma resposta.

John Pilger em 06/Agosto/2008

http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2008/aug/06/secondworldwar.warcrimes

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Uma resposta para Por que devemos temer bombas atômicas?

  1. Karin disse:

    Oi! Acho que bombas atômicas não ameaçam mais ninguém. Trata-se de uma ferramenta primitiva, usada por pessoas sem a razão. beijo

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