Por que os seres humanos adoram bisbilhotar a vida dos outros e sempre que possível analisar os defeitos dos outros e julgar também? Por que este interesse exagerado sobre a vida alheia?

Encontrar defeitos no ser humano, quem quer que seja, é muito fácil. Não existe ninguém na face do planeta Terra, encarnado ou desencarnado que não tenha defeitos para serem apontados. Ah, sim, todo mundo adora ficar apontando com o dedo os defeitos dos outros, aliás, o ser humano de hoje especializou-se nisto, afinal é o quase somente isto que encontramos na mídia.

Se Mozart estivesse vivo seria alvo de milhares de críticas, principalmente pela vida um tanto bastante diferente que levava, Salieri seria manchete como plagiador, e não foi. Wagner, um despeitado, Lizt um louco de músicas fúnebres, e assim por diante.

Por que o ser humano se interessa tanto pela vida alheia e não dá a mínima atenção para si mesmo e seus próprios defeitos? Age sempre como se fosse o mais nobre dos humanos, julga os outros impiedosamente, faz incríveis manchetes na mídia sobre a vida pessoal das outras pessoas, perseguem pessoas com os “paparazzis” e desejam mesmo desvendar os aspectos mais íntimos e pessoais dos outros. Que importância teria informações pessoais de outras pessoas para si mesmo? Nenhuma, a bem da verdade. Absolutamente nenhuma, tenham a certeza.

Já nos ensinavam os grandes seres que passaram por aqui: “conheça a ti mesmo, e conhecerás a Deus” e outros tantos que complementaram: “conheça a ti mesmo primeiro e não os outros”.

E mais, Jesus Cristo ensinava: “não julgueis para não serdes julgado” e muito sabiamente diga-se, isto porque, pela lei do universo, lei do equilíbrio e da harmonia plena, da mesma forma que julgardes alguém, também será julgado com o mesmo ardor e ímpeto de que fez uso.

O ser humano é um criança sob o ponto de vista de evolução do psico-mental conforme ensina a teosofia, todavia, já é passada a hora de amadurecer um pouco mais, de usar a mente racional e controlar seus ímpetos infantis.

A mídia é composta de seres humanos, e igualmente à busca também de apenas sucesso e dá uma ênfase toda especial sobre aspectos pessoais dos outros, e isto é que dá o ibope que pretendem. Entretanto, se não forem os primeiros a evoluírem um pouco fugindo desta passionalidade infantil, dependemos que cada vez mais os outros seres humanos possam compreender e mudar suas atitudes pessoais.

Eu já ouvi falar que pessoas que trabalham na mídia afirmam taxativamente que programas são de baixo padrão porque o povo é “burro” e para ter ibope tem que produzir coisas ruins mesmo. Ninguém é burro, porém, talvez tenham razão quanto ao tipo de programação, afinal a gente vê que a TV Cultura que é boa dá traços no ibope.

Porém, penso que cresce a cada dia o numero de pessoas não alienadas; pelo menos é o que percebo numa visão macro, mas são poucas ainda.

Percebe-se que esta cultura de massa, não é influenciada somente pelo grau de cultura e conhecimento do povo, posto que falar da vida alheia dá audiência em qualquer país, seja rico ou pobre, então, esta alienação cultural considero que está intimamente ligada ao grau de consciência do ser humano atual como resultado dos valores éticos e morais da civilização terrestre como um todo, como resultado de uma globalização que também exporta contra-culturas.

Há um eterno jogo de equilíbrio entre espiritualidade e seus valores e a materialidade e suas recompensas, e da soma destes fatores, sempre desequilibradamente, obtemos a cultura básica de cada civilização. Para evoluir precisamos mesmo dos desequilíbrios, das contestações, das dúvidas, da descrença com a crença, dos mistérios, dos equívocos, dos erros, dos falsos conceitos, os quais vão sempre impulsionando o homem em seus questionamentos de vida, e a cada tentativa de encontrar respostas melhores ele acaba enunciando novos conceitos que vão servir até alguém encontrar outros melhores que os anteriores.

Estamos em final de um ciclo de baixa na humanidade, onde todos os valores humanos estão sendo questionados, as culturas estão sendo questionadas, as religiões estão sendo questionadas, o ateísmo está em cheque, os políticos estão sendo cobrados, os valores e os seus juízos estão mudando a cada segundo e tudo indica que o ser humano, que sempre evolui lentamente irá mudar também, afinal é um mutante humano que quando questionado, jogado contra a parede, evolui, pela dor ou pelo amor.

As civilizações que hoje dominam culturalmente outras civilizações serão as primeiras a sofreram uma grande mudança porquanto, até por razões matemáticas tendem a desaparecer como conjunto de valores culturais, valores estes que serão substituídos por outros forçosamente até também pelo desaparecimento paulatino e decisivo dos pais culturais diante de uma taxa de natalidade inferior a 2. Matematicamente a mudança não tarda a ocorrer em mais três a cinco gerações futuras.

Assim também está ocorrendo no Brasil, onde devido às grandes imigrações de outros povos estamos mudando os nossos valores culturais, e para melhor, principalmente a partir do século passado. Claro está que recebemos atualmente grandes influências externas de outras culturas que predominam no mundo, mas também seremos capazes de criar uma outra ainda miscigenada de todas, e com melhores valores éticos e morais também. E a taxa de natalidade aqui é ainda superior a 2. Pior não é possível, porque o homem sempre caminha para frente, embora que muitas vezes ao longo de sua história seja de maneira tímida e quase imperceptível num espaço de tempo curto de uma geração apenas e mesmo que muitas vezes tenhamos a impressão que estamos andando para trás.

Há várias razões pelas quais o ser humano interessa-se por demasia pela vida dos outros, e principalmente na busca de defeitos para que possam julgá-los, mas no fundo, todas as razões têm uma causa original e está no princípio do egoísmo, que faz parte da própria criação da personalidade, e por sermos muito jovens, ainda não aprendemos como lidar de maneira positiva com este principio existencial. Certamente isto é muito difícil de compreender, embora entendível, mas vamos prosseguimento neste tema no futuro, assim como já me referi diversas vezes em outros textos sobre o egoísmo que faz parte da criação divina e com o propósito de nos mantermos sempre em evolução.

Sem o ego não podemos existir, e aprender a lidar com ele vivendo dentro de nós mesmos, conosco mesmo, como parte de nós integrante e inseparável faz a diferença; toda a diferença daqueles que estão no caminho para o crescimento de sua consciência com outros que continuam dormitando alegremente vivendo os dramas e felicidades dos outros, esquecendo-se que a prioridade deveria ser somente a sua própria vida, viver profundamente a sua própria experiência e aprender com elas como conhecer a si próprio e não os outros.

E, em tempo, tantos as virtudes e os defeitos quando conseguimos enxergar nos outros acontecem porque estas mesmas virtudes e defeitos existem dentro de nós, e portanto, cuide primeiro de si mesmo, se achar que deve fazê-lo a seu próprio bem.

Excetuando-se os grandes seres humanos da hierarquia divina, todos os demais não estão aqui para consertar ou mudar os outros, mas consertar a si mesmo. Permita que os outros se consertem a si mesmos e transformem-se sozinhos através de suas experiências de vida.

Permita que os outros tenham os seus próprios pensamentos e conclusões. Permita que os outros tenham as suas próprias crenças, verdades pessoais e atitudes e torne-se assim senhor do seu próprio destino e não dos outros.

Por Atama Moriya, em 25-08-2009.

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Uma resposta para Por que os seres humanos adoram bisbilhotar a vida dos outros e sempre que possível analisar os defeitos dos outros e julgar também? Por que este interesse exagerado sobre a vida alheia?

  1. Adriana disse:

    Talves não queremos reconhecer que tudo de ruim e de bom que vemos no outro… no proximo seja apenas um reflexos de nós mesmo. Mudar a vida alheia e dar supostas sugestões do que seria certo ou errado é facil e, uma ilusão. Já que a unica mudança que podemos fazer é em nos mesmo.Mas mudar estas mesma detendencias de erros em si, é dificil e, exige uma dose de coragem, para perceber que não somos tão diferentes dos outros como imaginamos e estamos na mesma escola da vida, muito mais para aprender do que ensinar.

    Bjkssss

    Adri

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