Gripe Suina – Morar em país rico ou pobre também poderá ser determinante para o percentual de mortes ser maior ou menor

A atual pandemia ainda está em curso e de acordo com os especialistas vai se prolongar por alguns anos, mas sem dúvida os primeiros dois anos serão os mais afetados em números e conseqüências.

Agora, o que vai fazer ressaltar as diferenças entre populações de países ricos e países pobres será  a questão da vacinação e a sua falta que poderá provocar muito mais mortes ainda.

Nos EUA, pelos noticiários, a vacinação deve se iniciar ainda em outubro e até dezembro cerca de 50 milhões de doses terão sido aplicadas.

Na Grã-Bretanha estima-se que toda a população esteja vacinada ainda neste ano. Será? Creio que sim.

Já, por exemplo, no Brasil, a vacinação deve acontecer somente a partir de março/abril de 2010, quando teremos algo em torno de 10 milhões de doses fabricadas pelo Instituto Butantã (previsão de produção anual de 30 milhões de doses), o único com condições de fabricação da vacina na América do Sul, mais 18 milhões de doses encomendadas e importadas de outros laboratórios do mundo, os quais, obviamente, só vão exportar depois de atendidas as suas próprias necessidades internas.

Nos EUA a vacinação particular poderá ser feita a um custo de dez dólares, já em outros países poderá custar até o triplo do preço.

Tentam imaginar quando esta vacina vai estar disponível para paíse extremamente pobres, como muitos da Africa. Vai ser triste mesmo.

Pelos dados atuais colhidos no mundo todo, e que servem apenas momentaneamente para algumas conclusões preliminares apenas, temos que cerca de 80% das pessoas infectadas não precisaram de medicamentos e, portanto também não estavam vacinadas, superaram a doença. Donde se conclui que a preocupação também não deve ser exagerada.

Mas sem saber ao certo quem precisa ou não de vacina, estima-se que um universo de cinco bilhões de pessoas receberão a vacina. Será sob o ponto de vista econômico um super negócio para os laboratórios envolvidos, além da super venda de medicamentos.

Mas deixando de lado os lucros dos laboratórios, esperando que seja apenas o resultado esperado de quem pesquisa mais, observamos que realmente fará diferença quem mora em país rico comparado a outros que moram em países pobres e este fator fará uma enorme diferença em termos de mortalidade.

Ainda bem que não fecharam o Instituto Butantã quando anos atrás isto foi cogitado porque os governos não queriam investir nas pesquisas e fabricação de vacinas. Coisas de Brasil. Com uma população de quase 200 milhões de habitantes deveriam isto sim ter preparado e equipado também o Oswaldo Cruz, cujo nome foi herdado do criador da penicilina que tantas vidas salvou, mas agora vai ficar à margem da solução.

Este é um país que não planeja, apenas vive se remendando o tempo todo. Uma pena. Se tem tanta verba para o PAC que anda empacado, porque não investir em outros laboratórios de utilidade pública?

Saúde neste país não dá voto por isto este descaso, sempre botam a culpa nos antecessores, mas os atuais não se esmeram em cuidar do povo e investir em saúde.

Vejam que em todo o país há somente um Hospital das Clínicas, de igual nível nenhum outro, uma vergonha, posto que desde que foi criado já se passaram décadas e enquanto a população cresceu várias vezes o seu próprio tamanho, o numero de hospitais públicos de qualidade continua o mesmo. Por isto, embora o SUS seja um modelo interessante, deixa a desejar em termos de qualidade de atendimento por absoluta falta de hospitais.

Vejo aqui em São Paulo que pacientes de outras cidades e estados são encaminhados para serem atendidos no Hospital das Clínicas e outros que atendem pelo SUS, não somente por serem públicos, mas pelo seu nível e qualidade de medicina. Nada contra, isto é bastante correto. Mas impressiona mesmo a verdade que se esconde atrás disto: por que outros municípios e estados não investem na construção de outros tantos hospitais públicos de qualidade igual ou superior?

Mesmo em São Paulo, por que não existem outros tantos hospitais espalhados na cidade de São Paulo e no estado também? Certamente os políticos e governantes devem concluir que o Povo não merece atendimento melhor. Saúde não dá lucro e nem voto claro está. Mas os senhores governantes devem imaginar pelo menos que é uma obrigação do estado, seja municipal, estadual ou federal. Afinal para que serve tanto imposto? Hoje estamos na casa dos 38% do PIB, uma cota incrivelmente elevada para um país que se diz neo-liberal.

Tanto imposto e o que retorna ao Povo em termos de melhora na qualidade de vida é irrisória. Mas fico perplexo mesmo é com as classes sociais que tem esta consciência e nada cobram, fico perplexo com a mídia que se omite ou é incapaz de focar questões importantes para o país e fico extremamente perplexo com os políticos que descrevem este país como de primeiro mundo, quando vivemos mesmo no terceiro mundo. Acho que estamos num país de fantasias, mas todas elas horrorosas porque estão longe de retratar a realidade.

Vejam o exemplo do Presidente do Senado, o Sr. Sarney, tão bom governante e político do seu Estado juntamente com sua filha que quando alguém dos Sarneys fica doente correm para serem atendidos aqui no INCOR; por que lá no seu estado não criaram após décadas algo parecido? Certamente imaginam que o Povo de lá não merece, mas como eles podem serem atendidos por aqui, deixam o Povo de lá se lixando mesmo. Isto não é uma vergonha, mas doentio mesmo.

A ganância, o egocentrismo, as vaidades são as bases das doenças mentais que provocam o menosprezo ao ser humano, mas sempre os outros de outras famílias.

Nestas décadas somente floresceram novos e moderníssimos hospitais privados, todos de ultima geração, pelo menos aqui no estado de São Paulo, já os hospitais públicos para atendimento do Povão funcionam todos de maneira precária e com super lotação. Muitas vezes demora de 60 a 90 dias conseguir atendimento a uma consulta com especialistas. Nisto, é claro, muita gente ou morre ou perde muita qualidade de vida. E ninguém é responsável.

Dizem que o Hospital das Clínicas é modelo no país, mas deveria deixar de ser modelo para ser copiado mesmo, e ainda que cinqüenta outros iguais  fossem montados no país, ainda assim seriam poucos para atender os duzentos milhões de brasileiros que tem direitos sim e merecem uma saúde melhor, a despeito da inteligência duvidosa e má vontade dos políticos e governos.

Ano que vem temos eleições e novamente vamos ouvir aquelas ladainhas, para não dizer mentiras descaradas de promessas em investir na saúde, e assim vai, ano a ano, e neste meio tempo muitas mortes desnecessárias continuarão a ocorrer.

A melhor de todas as campanhas que eu vi está na internet: “NÃO RE-ELEIJA NINGUÉM!!!”

Nada mais justo, afinal re-eleição de quem quer que seja é contribuir novamente para o continuísmo da hipocrisia política e governamental e isto se aplica a todas as esferas, prefeito, governadores, presidente, vereadores, deputados e senadores.

Fiz este parêntesis sobre a política nacional na saúde e a sua total falta de estrutura para atendimento de uma população de quase duzentos milhões de brasileiros para ressaltar justamente neste episódio da gripe A que estatisticamente pelo menos uma parte dos atuais índices de 20% da população necessita de tratamento sério e vacinação o quanto antes possível para que mortes absolutamente desnecessárias deixem de acontecer.

Pessoas infectadas estão sendo mandadas para casa sem tratamento ou porque não há leitos ou porque há super-lotação nos atendimentos hospitalares.

Não acho que morrer de gripe seja algo normal e dentro do índice “oficial” de 0,5%, principalmente porque a maioria dos que já morreram ou vão morrer nestes índices que governos consideram normais eram vidas salváveis.

E também, pelo que li a respeito e ouço de amigos médicos, morrer de gripe influenza não tem este índice de 0,5%, e mesmo porque não existe nenhuma estatística segura e confiável a respeito no mundo todo. De fato, não se houve falar de pessoas que morrem por gripe, o máximo é sobre pessoas conhecidas eventualmente (me lembro de dois casos apenas) mortas por agravamentos por pneumonia virótica ou bacteriana, mas eram novamente pessoas que não foram adequadamente atendidas e tratadas a tempo ou eram portadores de deficiências.

O nosso país é pobre, por isto a vacinação somente se iniciará em março/abril de 2010, e para vacinar pelo menos uns cento e cinqüenta milhões, vamos levar meses porque não temos como fabricar tal quantidade em curto espaço de tempo e não creio que consigamos importar tudo o que falta porque o mundo tem de repartir a produção para o mundo todo também. E, neste meio tempo, certamente mais mortes desnecessárias podem acontecer, não é mesmo?

Faltam hospitais, faltam atendimentos de qualidade, faltam laboratórios, faltam vacinas, faltam médicos, enfim falta tudo, mas quem sabe se um destes políticos que buscam novas re-eleições não fica doente também e sinta na pele o que é ser “pobre” num país pobre e enfrente uma filinha de hospital o dia inteiro e volte para casa sem ser atendido, mesmo com uma febre danada de 39%. Morrer não vai morrer, porque acaba sendo atendido em algum lugar privado mesmo sendo público, ah, mas merece sofrer também com os resultados das mazelas da saúde publica, afinal é povo e é do povo de onde saiu também e infelizmente temos de reconhecer isto.

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, eu não tenho vergonha deste Povo, pelo contrário, este Povo me orgulha e muito porque consegue sobreviver apesar de todas as limitações que lhes são impostas, por outros brasileiros no mínimo incompetentes nos governos e nas políticas, limitações desde educação, cultura, saúde e principalmente dignidade humana.

Por Atama Moriya, em 14-08-2009.

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