BRIC quer levar ao G-20 alternativas ao dólar e o modelo adotado por Brasil e Argentina é uma opção a ser analisada

Os presidentes de bancos centrais e os ministros da Economia de Brasil, Rússia, Índia e China – os países do Bric – vão estudar propostas para a substituição do dólar como moeda de referência para transações comerciais internacionais. De acordo com o Presidente Lula, modelo usado entre Brasil e Argentina pode ser início, mas concorda que debates podem levar anos.

Conforme o Presidente Lula, as autoridades monetárias e os ministros da área econômica dos países-membros do grupo se encontrarão antes de setembro – quando acontecerá a segunda reunião do ano do G-20, em Pittsburgh, nos Estados Unidos. “O Guido (Mantega, ministro da Fazenda) e o (presidente do BC, Henrique) Meirelles já estão autorizados a conversar com o presidente do BC da China, com o ministro da Economia da China, com o BC da Rússia, com o ministro da Rússia, para ver se há entendimento suficiente para começarmos a fazer experiências das trocas nas moedas de cada país, sem precisar comprar dólar para fazer nosso fluxo comercial”.

“Este é um passo extremamente importante”, disse. De acordo com o presidente, há países propondo a criação de uma nova moeda internacional, enquanto outros propõem o uso de uma cesta de moedas como referência nas transações de comércio. Lula, contudo, não explicitou quais seriam esses países. Entre os modelos analisados, está o método adotado por Brasil e Argentina e baseado na abolição do dólar e na realização de negócios em reais e pesos.

“O que decidimos é que um conjunto de especialistas, junto com presidentes de bancos centrais e ministros da Economia, apresentará sugestões. É um passo extremamente importante.” Nos bastidores, uma das razões evocadas para o silêncio sobre a questão monetária teria sido o bloqueio da China – país que detém mais de US$ 2 trilhões em reservas na moeda norte-americana. Ontem, Lula desmentiu a informação. “Não houve veto. Essa discussão não estava assegurada. E não é uma discussão que acontece no dia seguinte. Leva anos”, argumentou.

Por ser incipiente, a discussão ainda é superficial, disse Lula, e não incluiu propostas de investimentos em títulos de outros países do grupo. “Nós não discutimos isso. Apenas começamos a fazer um debate sobre a necessidade de pensar em uma forma de os países não ficarem dependentes apenas de uma moeda.” Lula definiu a reunião dos Bric como “histórica” e reiterou que o grupo coordenará esforços pela reforma do sistema financeiro, em especial na regulamentação e no redesenho de organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Para o presidente, do modo como estão organizados hoje, o Banco Mundial pertence aos EUA e o FMI, à Europa. “Nós queremos contribuir para fortalecer esses organismos internacionais, mas ao mesmo tempo queremos democratizá-los, para que outros países participem em igualdade de condições.” Apesar do entusiasmo com os parceiros emergentes, o presidente considera o G-20 e o G-14 – soma dos sete países mais ricos do mundo (G-7), mais Rússia, Brasil, China, Índia, Egito, África do Sul e México – como os fóruns adequados para propor mudanças no sistema financeiro.

Nossos breve comentários:

A continuar esta forte desvalorização do dólar, uma tendência que não vai se reverter tão breve, estudar outros mecanismos de trocas torna-se importante para a preservação das economias dos países.

Claro que na ponta, quem deve e já está iniciando o movimento encontra-se a China que com reservas elevadas acima de um trilhão de dólares necessita muito de uma solução, como vimos no artigo de Henry C. K. Liu.

Mesmo o Brasil com sua reserva de 200 bilhões de dólares ou equivalentes deve se acautelar, posto que é ainda um país com gigantescos problemas sociais e com uma população essencialmente pobre na maioria, longe ainda do status de primeiro mundo, e estas reservas transformadas em pó numa eventual falência do dólar ou super-desvalorização, custaria muito sangue e suor do Povo.

Muitos países, como os tigres asiáticos, adotam políticas de reservas internacionais mínimas e aplicam o excedente em investimentos internos, principalmente em educação, pesquisa e desenvolvimento, e obtiveram até o momento excelente resultados. Creio que seria o caso de estudarmos melhor a necessidade de tamanhas reservas internacionais diante de um país carente em investimentos em educação e saúde, por exemplo.

A grande maioria das dívidas externas de hoje foram contraídas por empresas privadas, uma questão que pode nos fazer rever o por que deste montante de dólares.

De qualquer forma rever ou estabelecer novos critérios nas trocas internacionais nos faz lembrar da lei de talmud ao contrário. É chegado o momento da maior revisão de todos os critérios estabelecidos e em vigor neste momento. Mas não esperem o apoio dos chamados países ricos, ou seja, EUA e Europa, os quais jamais concordarão com estabelecimentos de padrões que os exclua do contexto de uma forma mundial. E ninguém está errado ao fazê-lo, mas também podem não estarem do lado certo. O tempo dirá.

Por Atama Moriya, em 13-08-2009.

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