Não há cidadania sem livro, diz Milton Hatoum, com razão – a educação no Brasil é uma vergonha

Paraty (RJ) – O escritor Milton Hatoum vai direto ao ponto ao falar da realidade brasileira. Para ele, não há cidadania sem livro e política pública tem que ser feita “no miúdo”. A declaração foi dada em entrevista à Agência Brasil, em algumas das reflexões para o debate com Chico Buarque na mesa literária Sequências Brasileiras, na sétima edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Em comum, os dois analisaram a realidade brasileira em seus mais recentes livros. Em Leite Derramado, Chico Buarque repassa a história do Brasil a partir das memórias do narrador, que, próximo de morrer, desfia passagens de apogeu e declínio de sua família em quatro gerações. Já Hatoum ambienta A Cidade Ilhada em Manaus, palco também de Dois Irmãos, que explora a presença árabe na Amazônia.

No café ao lado da Tenda dos Autores, Hatoum cobrou “mudanças estruturais” na política brasileira e o engajamento das prefeituras nas políticas voltadas à educação.

“Eu, que ando muito por esse país, observo que os livros do Ministério da Educação estão chegando às escolas e às bibliotecas. Isso é um alento para quem escreve, para quem dá tanta importância a leitura”, disse. “Mas política pública tem que ser feita no miúdo, nos municípios.”

Segundo ele, as políticas públicas não devem “obrigar ninguém a ler”. “Mas é um absurdo, para não dizer um crime, você não permitir o acesso à leitura a milhões de crianças pobres no Brasil. A política do livro deve ser uma prioridade de qualquer governo. Não há cidadania sem leitura”, disse.

Hatoum cobrou ainda a valorização dos professores e defendeu a implantação de uma política de salários para a categoria a partir de 2010. “É uma vergonha que professores ganhem menos do que um salário mínimo. Qualquer país desenvolvido, qualquer país civilizado investiu muito na educação, no livro, na formação dos professores, nos salários dos professores. E isso eu acho positivo.”

Se a educação evolui no Brasil, o mesmo não acontece com a política, disse Hatoum. O autor observa avanços pontuais, sobretudo na educação, que prometem uma “mudança futura”, mas reclama da demora em mudanças estruturais.

“O Brasil de hoje ainda é desigual e injusto, mas há avanços pontuais que prometem uma mudança futura. Eu sinto falta de uma mudança mais estrutural, ética. Veja o que acontece no Senado”, disse o escritor, em referência à crise política deflagrada após denúncias de irregularidades administrativas envolvendo a Casa.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/07/02/materia.2009-07-02.8507107487/view

Nossos comentários:

Se queremos um grande país e não somente um país grande precisamos começar pela educação.

O estado atual da educação é fruto de cinco décadas de falhas estruturais gigantescas na área educacional, além de adoção de políticas absurdamente equivocadas como o favorecimento de escolas pagas em detrimento da deterioração das escolas públicas somado a falta de investimentos em novas escolas, melhores professores, melhores salários, e melhorias nas escolas.

Recentemente em Minas Gerais uma aluna de dezesseis anos foi apreendida porque deu um “soco” na professora, uma atitude que no meu tempo de estudante seria impensável, hoje aparenta tornar-se comum.

Andando pela periferia das cidades do Brasil, constata-se inúmeros casos como este, em que alunos chegam a ameaçar os professores com armas caso não recebam boas notas nas provas.

Muitos alunos fazem parte de gangues extremamente violentas, e há casos de professores que foram mortos na escola, outros foram tão ameaçados que tiveram que fugir das escolas.

Não devemos simplesmente culpar os jovens por atitudes violentas, mas também analisar a fundo esta questão para entender que as causas estão lá atrás em décadas de descaso e de falta de políticas educacionais corretas.

Quem conhece as escolas públicas vai ver que elas não tem nada mesmo. Os professores são maus preparados, os prédios estão deteriorados, os salários são baixos, as merendas são pobres, as bibliotecas não tem quase nada, a sala de computadores é horrível, não tem internet em banda larga e atende alguns poucos eventualmente apenas, as classes tem alunos demais, os uniformes são péssimos, os materiais didáticos são fraquíssimos, a parte esportiva não existe, etc…enfim um caos verdadeiro. Que tipo de cidadãos esperamos formar no futuro? Cuidado, você pode ser a próxima vítima.

Brasi, um país que não pode mais esperar!

Por Atama Moriya, em 13-07-2009.

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