Cientistas propõem novo acordo de emissões de gases-estufa para isentar pobres

Mais uma possível proposta para acordo entre os países com relação à redução de emissões de gases que causam o efeito estufa do aquecimento global.

O modelo apresentado, embora sem as necessárias análises aparentemente é muito bom a longo prazo, mas é inexeqüível a sua aplicação no mundo todo. Certamente é mais uma alternativa que pode atender aos países do G8 dado o seu gradualismo.

Mas é muito de longo prazo e na prática não há uma cultura e consciência já formada para dar sustento a esta proposta, principalmente nos países em desenvolvimento.

Percebe-se que a mídia internacional de uma forma geral chama muito à atenção da China e da Índia, depois outros países como Rússia e Brasil no que tange ao não comprometimento quanto à redução de suas contribuições ao aquecimento global. No caso do Brasil a todo o momento se referem ao desmatamento da Amazônia e às queimadas.

Importante verificar que as propostas dos países ricos mesmo que tímidas se referem ao mundo todo, incluindo os países em desenvolvimento ou sub-desenvolvidos, com equações e percentuais quase que lineares para todos. Um contra-senso, algo ilógico.

Reduzir as emissões de gases que contribuem ao crescimento do efeito estufa significa reduzir, dado o modelo produtivo adotado, em grande escala à produção de bens, e redução forte também no consumo de energias, algo que grandes economias como os EUA não querem aceitar mesmo, principalmente porque já passam por sérias dificuldades econômicas decorrentes da crise.

Mas os chamados países ricos, responsáveis por mais de cinqüenta por cento da crise climática, desejam e pressionam os países em desenvolvimento para reduzirem em quase as mesmas proporções, todavia, é bom lembrar, que países em desenvolvimento ainda estão longe de alcançar o mesmo nível de renda, emprego e produção dos países ricos.

Há significativamente em quantidades, algumas vezes mais de dez vezes, mais cidadãos pobres nos países pobres ou em desenvolvimento do que em países mais ricos, então reduzir ou obrigar que os todos os países reduzam igualmente é um tremendo absurdo. Você retirar da mesa do rico duas bananas das dez que ele consome mensalmente não é o mesmo que retirar uma banana do pobre que consome apenas duas ao mês.

No fundo a proposta dos países ricos é eivada de egoísmos e interesses econômicos escusos, razão pela qual creio que o bloco dos pobres, incluindo o BRIC, não deve mesmo aceitar até como meio de pressão que outras propostas cheguem à mesa e que nenhuma das novas propostas venha a afetar o crescimento econômico dos mais pobres que justamente necessitam incrementar o crescimento econômico em seus países como forma de diminuir a pobreza de suas populações.

A pobreza e a miséria são itens tão ruins quanto à contribuição para o aquecimento global, então não dá para imaginar políticas globais que cerceiem este crescimento econômico que mesmo lentamente melhora a condição de vida de cidadãos mais pobres.

Países com alto grau de desenvolvimento sócio-econômico são os que mais contribuem para o aumento do efeito estufa, embora suas populações somadas sejam bem menores que as populações dos demais países.

China e Índia debatem exatamente esta questão da emissão de gases que devem ser medidos hoje na forma per capita, e não de forma global linear.

Nenhum governo quer abrir mão de seu próprio crescimento e bem estar das suas populações em favor do Planeta e dos demais povos que ainda necessitam alcançar um ponto de equilíbrio mais elevado em seu desenvolvimento para que haja emprego e renda em níveis melhores também.

Da forma que as negociações caminham tem-se a impressão que poucos estão realmente se importando com o efeito estufa, mas utilizando-o como forma de pressão dos países ricos sobre os mais pobres de forma a mantê-los mais tempos abaixo da linha mediana de desenvolvimento sócio-econômico, sob a alegação que permitir este aumento nestes países provocará pioras no planeta com relação a clima.

A questão climática expõe justamente esta circunstância negativa no Planeta de enormes desequilíbrios sócio-econômicos entre os Povos do Planeta e o enorme egoísmo dos ricos em não querer ceder para melhorar a vida dos mais pobres. Pelo contrário, dá a entender que não desejam mesmo que o pobre deixe de ser pobre um dia, mesmo numa perspectiva de longuíssimo prazo. É cruel afirmar tudo isto? Pode ser, mas é justamente o que aparenta estar ocorrendo, friamente.

Considerando que ninguém vai abrir mão de coisa alguma, jamais chegaremos a um acordo que realmente possa fazer diferença no aquecimento global em curto prazo e no fim já sabemos o que vai acontecer. Embora que os países ricos considerem que tem melhores recursos, e estão melhores preparados para enfrentar eventuais caos climáticos ou eventos da natureza como calor, frio, chuvas, tufões, maremotos, terremotos, fomes, doenças, etc., creio que desta vez a história poderá ser contada de formas bem diferentes, onde tais recursos acabem não fazendo nenhuma diferença.

Quem viver verá como isto pode terminar.

Por Atama Moriya, em 12-07-2009.T

Vejamos a notícia e cada um que tire as suas próprias conclusões.

De Claudio Angelo
editor de Ciência da Folha de S.Paulo

Se os países ricos e os pobres falharem em chegar a um acordo sobre como reduzir emissões de gases-estufa no fim deste ano, em Copenhague, não terá sido por falta de criatividade. Um grupo de pesquisadores acaba de propor um método para dividir de maneira equitativa a responsabilidade pelo corte. Basta limitar as emissões dos ricos, onde quer que vivam.

A proposta é apresentada hoje pelo grupo de Stephen Pacala e Robert Socolow, da Universidade de Princeton, na revista “PNAS”. É um estudo que propõe uma nova distribuição de metas de corte de emissões num novo regime de proteção ao clima.

De acordo com o trabalho, os países desenvolvidos (principais responsáveis pelo problema) cumpririam reduções rigorosas e, ao mesmo tempo, os países em desenvolvimento (que nas próximas décadas serão os principais emissores) poderiam se engajar nos cortes sem prejudicar sua economia.

O estudo aplica o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas: avaliar dentro de cada país quanto cada cidadão emite –e quais cidadãos emitem acima do devido.

“Quando falamos de responsabilidades, geralmente estamos falando dos países. Mas, se você leva a ideia de justiça e responsabilidade até o fim, você deve falar de emissões dos indivíduos”, disse à Folha Shoibal Chakravarty, estudante de pós-doutorado de Socolow e autor principal do estudo.

Proposta de emissão

Chakravarty e seu grupo se basearam na noção de que o nível de emissões de uma pessoa está diretamente relacionado ao seu nível de renda. Usando dados de instituições como o Banco Mundial, é possível estimar as emissões de CO2 de cada país e ver também quem está emitindo quanto.

Conhecendo os grandes emissores individuais, é possível calcular uma meta mundial de redução e repartir esse prejuízo entre essas pessoas, vivam elas nos EUA, na Índia, na China ou no Brasil. Os países ricos, como naturalmente têm um número maior de grandes emissores, terão de se esforçar mais para cortar seu CO2.

Os pesquisadores dão um exemplo. Em 2030, as emissões projetadas do planeta, caso nada seja feito, serão de 43 bilhões de toneladas de CO2 por ano. Se o mundo decidir aplicar um corte de 30%, o teto de emissões de cada ser humano será de 10,8 toneladas de carbono por ano.

Em 2030 cerca de 1,13 bilhão de pessoas entre os mais de 8 bilhões de seres humanos (população futura) estariam acima do teto. A meta de corte de CO2 de cada país seria, portanto, calculada de acordo com a fração desse 1,13 bilhão de grandes emissores que ele tem e do quanto cada um deles extrapola o teto.

No Brasil, por exemplo, haverá 13 milhões de pessoas acima da meta em 2030, e o país teria de cortar 4% das emissões. Os EUA teriam 285 milhões de pessoas acima do limite e teriam de cortar 60%.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u591691.shtml

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Uma resposta para Cientistas propõem novo acordo de emissões de gases-estufa para isentar pobres

  1. carlos roberto silveira disse:

    G 8.
    Os gênios se reuniram outro dia.
    E disseram que a questão do aquecimento global devera ser reduzida dois graus centrigrafos..
    Uma coisa simples de entender e fazer.. veja as corridas de formula 1, a temperatura da pista esta 40 graus Celsius , e fora dela a temperatura esta em 30 graus , :
    Motivo da diferença e do aumento da temperatura , simples o asfalto tem a cor preta ..
    Se a gente evitar a cor preta , por exemplo nos veículos, por exemplo um carro celta tem 6 metros quadrados de área que se for de cor preta este veiculo atrai muito mais calor para o carro , por tabela para o solo terrestre, por tanto não e difícil reduzir o aquecimento global , pense …..imaginem os milhões de veículos de cor preta!!!! Imagine os milhões de km quadrados de asfalto de cor preta …

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