Problema do ensino no Brasil é assustador, diz educador Jacques Therrien – pura realidade, que fazer?

Particularmente considero que um dos maiores, senão o maior de todos os problemas neste país, é a educação, ou melhor a falta de “educação”, ou ela em níveis de qualidades tão baixos quanto são também quantitativamente.

Desejarmos que este país tenha uma super melhora, com melhores níveis sócio-econômicos, menos violências, mais seguranças, mais justiças sociais, melhores políticos e governantes, passa necessariamente pela melhora na educação.

Já na década no inicio da década de sessenta, quando a população brasileira era da ordem de 70 milhões, e chegou a 90 milhões em 1970, quando o Brasil foi tri-campeão mundial de futebol, ainda havia um resquício de alguma qualidade no ensino básico e médio. Nos anos seguintes a população cresceu assustadoramente, e dobrou de tamanho em trinta anos, porém, a qualidade e quantidade de escolas do ensino publico pioraram mesmo e hoje é extramamente deficiente sob todos os aspectos. Uma vergonha total. Mas quem liga?

Muitas das coisas negativas que temos em nosso país devemos ao pouco caso e descaso dos governantes com relação aos investimentos em educação de primeiro e segundo grau, ao menos. Sem contar que o numero de Universidades Públicas neste país é praticamente o mesmo de três décadas atrás, embora o numero de estudantes tenha triplicado.

As únicas coisas da educação que vimos florescer nestas ultimas décadas foram as escolas privadas, o que era para ser uma exceção, tornou-se uma regra. Hoje, um aluno formado em escolas públicas fica a dever demais comparativamente aos demais formados em escolas privadas. Mas esta foi uma tremenda contra-mão na história, posto que temos um povo cuja renda familiar praticamente não cresce também no mesmo período, e não tem condições de manter filhos em escolas pagas.

Como muitos educadores, inclusive o Senador Cristovão Buarque, eu concordo que se tivéssemos investidos desde a época dos militares pelo menos vinte por cento do PIB em educação, certamente não estaríamos vivendo em um país com tantas e tantas desigualdades sociais e por isso mesmo, ainda mergulhados em graves questões como drogas, violências e misérias humanas.

Minha visão pessoal é que os últimos cinqüenta anos de governos no Brasil foram os piores de toda a nossa história, só comparáveis aos tempos da escravatura. Mas apesar disto tudo, este país está indo à frente, graças a um povo valoroso, lutador, guerreiro. E certamente este país vai mesmo dar muito certo num futuro próximo, mas já deveria estar muito melhor não fossem estas ultimas décadas em que o mundo deu saltos e nós continuamos adotando políticas equivocadas, principalmente na área educacional.

Mas não adianta mais chorar leite derramado, precisamos mesmo cuidar de nossas deficiências, como professores extremamente despreparados, falta de escolas básicas seja em quantidade suficientes para todos, salas menores, pelo menos sete horas diárias de estudos diários, fim deste regime de aprovação automática, mais universidades governamentais, igualmente muito mais creches públicas com adequação educacional e preparatória, e claro destinação de muito mais verbas.

Aqui na periferia da cidade de São Paulo, a maior cidade da América do Sul, podemos facilmente identificar todas estas deficiências educacionais. Principalmente na periferia é onde deveríamos dar maior atenção e investimento, posto que crianças sem estudos necessários para prepará-las no ingresso produtivo nas sociedades, são exatamente os problemas que estamos criando para nós mesmos na sociedade e aumentam a criminalidade e violência.

A corrupção pública é certamente um dos maiores causadores dos problemas sociais, mas ela continua a grassar de forma agressiva porque estamos permitindo que ela subsista na sociedade. É tempo de não mais cobrarmos, mas exigirmos que isto acabe já, através do voto consciente em candidatos que estejam alinhados a resolver esta questão.

Afinal, tudo que produzimos de errado na sociedade, em algum tempo vai voltar-se contra a própria sociedade e a próxima vítima pode ser qualquer um de nós. Não basta somente criarmos cada vez mais leis duras, e mais prisões, mas dependemos de ir diretamente à causa: a exclusão social.

Por Atama Moriya, em 05-07-2009.

Leiam a reportagem que segue divulgada pela UNISINOS.

“Embora o Ministério da Educação (MEC) tenha anunciado que 382 mil professores não possuem formação adequada para lecionar, o número de docentes desqualificados nas escolas brasileiras pode ser muito maior. A opinião é de Jacques Therrien, professor da Universidade Federal do Ceará (UFCE) e pesquisador em educação.

— Desde a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), em 1996, houve uma corrida de professores para cursos de pedagogia de fundo de quintal, que garantem diploma formal e aumento salarial, mas não ensinam. O buraco pode ser maior— disse Therrien.

Para o pesquisador, ainda há muitas dúvidas em torno do significado dos números apresentados anteontem pelo MEC:

— Precisamos saber o que significa isso. É um número assustador que se refere a um problema assustador.

Segundo ele, a prova para avaliação dos professores por si só não surtirá efeito. Entre as medidas anunciadas, a mais promissora é a abertura de 330 mil vagas de licenciatura:

— Não adianta nada fazer teste de conhecimentos com professores. Tem que ver se existe condição de trabalho, tempo para estudar, material adequado. É um desafio para todas as universidades cobradas a participar. Jogar mais 100 alunos em cada sala, além de não resolver, atrapalha os que já estavam lá. Tem que vir acompanhado de investimento.

“A licenciatura não está na agenda das universidades”

Para o educador Mozart Neves Ramos, diretor do movimento Todos pela Educação, é preciso atrair para o magistério os melhores alunos do ensino médio, diferentemente do que ocorre hoje, em que boa parte das vagas é preenchida por quem não consegue aprovação em cursos mais disputados.

— Enquanto a gente não atrair os melhores, não vai ter jeito. Os melhores vão para a medicina e cursos mais valorizados. A licenciatura não está na agenda das universidades.

Pode ser que entre — afirma, citando países como Finlândia e Coréia, em que os melhores alunos seguem a licenciatura, que oferece bons salário É preciso ainda, diz ele, qualificar os cursos de licenciatura:

— São cursos noturnos, ministrados por professores substitutos, mestrandos sem prática pedagógica. Daí saem os futuros professores.

Mozart é professor de licenciatura na UFPE. Leciona uma disciplina específica de Química criada devido ao baixo nível de conhecimento dos calouros:

— Os alunos têm graves deficiências. É preciso tratá-los de forma acolhedora. Mas nenhum dos meus colegas com doutorado quer essa aula.

Já o professor da Uerj e titular da pós-graduação em Educação da Uni Rio Luiz Carlos Gil Esteves elogiou a iniciativa do MEC.

— É preciso ter um ponto de partida. A primeira coisa é saber o tamanho do buraco e, a partir disso, tomar medidas.

Esteves discorda da tese de que o piso salarial de R$ 950 é muito baixo para atrair os profissionais mais qualificados.

— Nas grandes cidades pode ser pouco, mas, em cidades do interior, é atraente.
Fonte: (O Globo e UNISINOS)”

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