Professor chinês diz que manobras militares da Coreia do Norte são “movimento de xadrex precisamente calculado”

Der Spiegel

Por Andreas Lorenz

Sun Zhe é professor do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade de Tsinghua em Pequim. Em entrevista à “Spiegel”, ele discute os recentes testes nucleares da Coreia do Norte, as fricções que eles causaram com a China e como esta e os EUA podem trazer a Coreia do Norte para a mesa de negociação.

Spiegel: Apesar da China e da Coreia do Norte serem aliadas, Pequim não conseguiu impedir Kim Jong-Il de conduzir outro teste nuclear. Terá a China perdido sua influência sobre o antigo camarada?
Sun Zhe:
Os norte-coreanos certamente não nos ouviram. Eles atualmente não veem suas relações com Pequim como prioridade estratégica. Suas políticas são completamente orientadas para os americanos.

Spiegel: O que os norte-coreanos realmente querem?
Sun:
Eles querem ser tratados como parceiros iguais pelos EUA e por outros países do Ocidente. E querem absolutamente ter relações diplomáticas com Washington.

Spiegel: E para isso é preciso detonar bombas atômicas?
Sun:
Pelo valor de face, de fato parece muito estranho. Mas é um movimento de xadrez precisamente calculado. Os norte-coreanos querem ser vistos; querem mostrar algo. Entretanto, com seus testes, eles desprezaram o fato que o mundo está atualmente preocupado com a crise financeira e a gripe suína.

Spiegel: Qual deveria ser a reação de Pequim?
Sun:
A posição declarada do governo chinês é trazer a Coreia do Norte para a mesa de negociação com as seis partes, que tem como meta liberar a península coreana de armas nucleares.

Spiegel: Mas esse objetivo não parece muito realista.
Sun:
A questão é se Pequim vai reagir a esta desagradável surpresa de forma diferente do que costuma. Nos anos 90, Pequim enviou emissários secretos para Pyongyang para impedir que a Coreia do Norte tomasse medidas radicais e instá-la a cooperar com a comunidade internacional. Quando isso não ajudou, algumas advertências duras se seguiram.

Spiegel: Mas não pareceram ajudar.
Sun:
A única forma de exercer pressão sobre Pyongyang é cortar o fornecimento de energia e alimentos.

Spiegel: É isso que acontecerá agora?
Sun:
Não. Não acredito que nosso governo vá alterar radicalmente sua política com a Coreia do Norte. Está em uma situação particularmente ruim. Se acompanhar as sanções internacionais, dará a impressão que estar servindo à política externa americana. [A China] não vai deixar isso acontecer sob nenhuma circunstância.

Spiegel: A China vai fazer alguma coisa contra a Coréia do Norte?
Sun:
Mais do que tudo, Pequim quer impedir o Japão de usar a situação da Coreia do Norte como desculpa para se tornar uma potência nuclear.

Spiegel: Então, haveria três poderes nucleares no leste asiático. Após este segundo teste nuclear, muitos de seus colegas vêm pedindo ao governo em Pequim para confrontar Kim Jong-Il mais agressivamente.
Sun:
Eu também defendi um agravamento em nossas advertências. Poderíamos convocar o embaixador norte-coreano para uma conversa séria, despachar uma delegação para Pyongyang e depois indicar que nosso fornecimento de alimentos e energia não estão garantidos.

Spiegel: Os norte-coreanos não parecem incomodados em nada com sanções.
Sun:
Certo. Por isso que acho que é mais importante que nosso governo comece a conversar com os americanos novamente.

Spiegel: Com que propósito?
Sun:
O presidente Barack Obama deve voltar a ter relações normais com a Coreia do Norte, enviar professores para Pyongyang e fazer algo. Essa é a única chance de trazer a Coreia do Norte à razão. Em Washington, há cada vez mais vozes pedindo para que se repense a política americana para a Coréia do Norte. A China também deve trabalhar nesta questão por meio de conversas com os EUA. Não precisamos de sanções duras; precisamos de uma estratégia de “pouso suave” para o leste da Ásia.

Tradução: Deborah Weinberg

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/06/02/ult2682u1186.jhtm

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