“Liquidar os bancos e despedir os executivos!”

por Mike Whitney
Em abril um painel do Congresso encabeçado pela ex-professora de direito de Harvard Elizabeth Warren divulgou um relatório sobre a manipulação do Programa de alívio de ativos perturbados (Troubled Assets Relief Program, TARP) feita pelo secretário do Tesouro Timothy Geithner. Warren foi nomeada em Novembro pelo líder da maioria do Senado, Harry Reid, para liderar os cinco membros do Painel de Supervisão do Congresso (COP). Desde o parágrafo inicial, o relatório Warren torna claro que o Congresso está frustrado com o chamado “Plano de resgate financeiro” de Geithner e não tem a mais pálida idéia do que ele está a tentar fazer. Aqui estão as primeira linhas da “Avaliação da estratégia do Tesouro: Seis meses de TARP”:
“Com este relatório, o Painel de Supervisão do Congresso examina a estratégia atual do Tesouro e avalia o progresso alcançado até então. Este relatório volta a investigação do Painel para uma questão central levantada no primeiro relatório: O que é a estratégia do Tesouro?”

É assombroso que o secretário do Tesouro já não tenha sido despedido.

Do relatório:

“Além de retirar os US$700 bilhões concedidos ao Tesouro sob o Emergency Economic Stabilization Act (EESA), os esforços de estabilização econômica têm dependido fortemente da utilização do balanço do Federal Reserve Board. Esta abordagem permitiu ao Tesouro alavancar fundos TARP bem além dos fundos aprovados pelo Congresso. Dessa forma, enquanto o Tesouro gastou ou comprometeu US$590,4 mil milhões de fundos TARP, de acordo com estimativas do Painel, o Federal Reserve Board expandiu o seu balanço em mais de US$1,5 trilhões em empréstimos e compras de títulos de empresas patrocinadas pelo governo (government-sponsored enterprise, GSE). O valor total de todos os gastos diretos, empréstimos e garantias concedidos até à data em conjunto com os esforços de estabilidade financeira do governo federal (incluindo aqueles do Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) bem como os do Tesouro e do Federal Reserve Board agora excede os US$4 trilhões”.
Assim, enquanto o Congresso aprovou uns meros US$700 bilhões milhões em financiamento de emergência para o TARP, Geithner e Bernanke com habilidade contornaram a oposição pública a mais salvamentos e cavaram mais US$3,3 trilhões através da porta dos fundos, via empréstimos e alavancagem em favor de papeis de hipotecas podres que nunca recuperarão o seu valor. Em acréscimo, o Fed fez um acordo com Tesouro de que, quando a crise financeira finalmente acalmar, o Tesouro assumirá as obrigações do Fed em relação às “facilidades de empréstimo”, o qual significa que o contribuinte será então responsável por trilhões de desconhecidos investimentos apodrecidos.

Do relatório:

“Para tratar um sistema financeiro perturbado, três política alternativas fundamentalmente diferentes são possíveis: liquidação, curadoria (receivership) ou subsidiação. Para colocar estas alternativas no contexto, o relatório avalia esforços históricos e contemporâneos para confrontar crises financeiras e o seu êxito relativo. O Painel concentrou-se sobre seis experiências históricas: (1) a Depressão estado-unidense da década de 1930; (2) a corrida bancária ao Continental Illinois, em 1984, e a sua subsequente tomada pelo governo; (3) a crises das caixas econômicas do fim da década de 1980 e o estabelecimento da Resolution Trust Corporation; (4) a recapitalização do fundo de seguro bancário FDIC em 1991; (5) a crise financeira da Suécia no princípio da década de 1990; e (6) o que ficou conhecido como a “Década perdida” do Japão nos anos 1990. O relatório investiga as abordagens atualmente empregadas pela Islândia, Irlanda, Reino Unido e outros países europeus”.
Esta declaração mostra que o comitê do Congresso entende que o plano lunático de Geithner não tem precedente histórico e nenhuma perspectiva de êxito. O tortuoso Programa de Investimento Público-Privado (PPIP) de Geithner – o qual é concebido para remover ativos tóxicos dos balanços dos bancos – é uma forma de contornar os métodos “consagrados” de consertar os sistema bancário. Na linguagem mais contida e diplomática, Warren está a dizer a Geithner que ela sabe que ele está a tramar algo desprezível.

Do relatório:

“A liquidação evita a incerteza e o compromisso ilimitado que acompanha a salvatagem. Ela pode restaurar a confiança do mercado na sobrevivência dos bancos e pode potencialmente acelerar a recuperação ao apresentar declarações decisivas e claras acerca da avaliação do governo das condições financeiras e das instituições”.
O comitê concorda com a vasta maioria de economistas respeitáveis, os quais pensam que os bancos deveriam ser tomados (liquidados) e os maus ativos postos em leilão. Esta é a recomendação número um do comitê.

O comitê também explora os prós e os contras da concordata (conservatorship) (a qual implica uma reorganização na qual maus activos são removidos, administradores fracassados são substituídos e partes do negócio são alienados) e subsidiação do governo, a qual envolve injecções de capital ou a compra de ativos perturbados. A subsidiação, contudo, traz o risco de distorcer o mercado (ao manter ativos artificialmente altos) e criar uma drenagem constante sobre os recursos do governo. A subsidiação tende a criar bancos coxos que continuam a arrastar-se como repartições do Estado.

Liquidação, concordata e salvamento do governo; estes são os três caminhos para consertar o sistema bancário. Não há quarto caminho. O plano de Geithner não é um plano de modo algum; é uma algaravia incoerente dignificada com uma sigla, PPIP. O secretário do Tesouro está a ser tão opaco quanto possível para ganhar tempo enquanto desvia milhões de milhões da receita pública para os seus amigos fraudadores nos grandes bancos através de injeções de capital e programas de lavagem de dinheiro que parecem excêntricos, como o PPIP.

Do relatório:
“A abordagem do Tesouro deixa de reconhecer a profundidade da baixa econômica atual e o grau em que a baixa avaliação dos ativos perturbados reflete com precisão o seu valor. As ações empreendidas pelo Tesouro, pelo Federal Reserve Board e pelo FDIC são sem precedentes. Mas se a crise econômica for mais profunda do que o previsto, é possível que o Tesouro venha a precisar tomar ações muito diferentes a fim de restaurar a estabilidade financeira”.
Isto é um ponto crucial. Os ativos tóxicos não estão em vias de recuperar o seu valor porque o seu preço de mercado atual – 30 centavos por dólar para hipotecas apoiadas por títulos AAA – reflete precisamente a magnitude do risco que suportam. O mercado está certo e Geithner está errado; é isto simplesmente. Muitos destes títulos são constituídos por empréstimos que foram emitidos para pessoas sem rendimento suficiente para efetuar os pagamentos. Estes “empréstimos da mentira” foram empacotados juntamente com bons empréstimos em títulos apoiados por hipotecas. Ninguém pode dizer com alguma certeza o que eles realmente valem. Naturalmente, há um prêmio pela incerteza, o que é a razão porque os ativos estão a valer uns meros 30 centavos por dólar. Isto não mudará não importa o quanto Geithner tenta impulsionar o mercado. O poço já foi envenenado.

Além disso, segundo o relatório Case-Schiller deste mês, os preços da habitação estão a cair ao ritmo mais rápido desde o seu pico em 2006. Isto significa que o mercado para mortgage-backed securities (MBS) continuará a afundar as perdas dos bancos continuarão a crescer. O FMI recentemente aumentou para US$4 milhões de milhões a sua estimativa de quanto papel tóxico apoiado por hipotecas os bancos têm nos seus haveres.

O sistema bancário está debaixo da água e precisa ser solucionado rapidamente antes que apareça outra crise tipo Lehman lançando a economia dentro de uma Depressão prolongada. Geithner é claramente o homem errado para a tarefa. O seu PPIP não é nada mais do que uma burla discreta de fundos públicos os quais utiliza confundindo regras e regras de orientação a fim de esconder o objetivo verdadeiro, o qual é comutar o lixo tóxico para dentro do balanço público enquanto recapitaliza instituições financeiras em bancarrota.

Assim, por que Geithner está a ser mantido no Tesouro quando o seu plano já está totalmente desacreditado e o seu único objetivo é salvar os bancos através de meios dissimulados?

Esta pergunta foi bem respondida pelo antigo economista chefe do FMI, Simon Johnson, num artigo publicado em The Atlantic Monthly:
“O crash pôs a nu muitas verdades desagradáveis acerca dos Estados Unidos. Uma das mais alarmantes… é que a indústria financeira efetivamente capturou o nosso governo – um estado de coisas que mais tipicamente descreve mercados emergentes e está no centro de muitas crises em mercados emergentes. Se a equipe do FMI pudesse falar livremente acerca dos EUA, ela nos diria o que nos diz de todos os países nesta situação; a recuperação fracassará a menos que rompamos a oligarquia financeira que está a bloquear a reforma essencial. E se quisermos impedir uma verdadeira depressão, já nos falta o tempo”. ( The Atlantic Monthly, May 2009, by Simon Johnson)
Os bancos têm um controle total sobre o processo político. Muitos dos seus soldados de infantaria ocupam agora os mais elevados postos no governo. Pessoas como Elizabeth Warren estão preparadas para chamar a atenção para o golpe silencioso que se verificou e fazer o que é preciso para expurgar os agiotas do poder e restaurar um governo representativo. É uma tarefa formidável e o tempo urge.
10/Abril/2009

• Clique http://cop.senate.gov/reports/library/report-040709-cop.cfm para assistir ao vídeo com o resumo do relatório de Elizabeth Warren (8 minutos). O sumário executivo encontra-se aqui .

[*] fergiewhitney@msn.com

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/whitney04102009.html

Elizabeth Warren’s Devasting Report to Congress

“Liquidate the Banks; Fire the Executives!”
By MIKE WHITNEY

On Tuesday, a congressional panel headed by ex-Harvard law professor Elizabeth Warren released a report on Treasury Secretary Timothy Geithner’s handling of the Troubled Assets Relief Program (TARP). Warren was appointed to lead the five-member Congressional Oversight Panel (COP) in November by Senate majority leader Harry Reid. From the opening paragraph on, the Warren report makes clear that Congress is frustrated with Geithner’s so-called “Financial Rescue Plan” and doesn’t have the foggiest idea of what he is trying to do. Here are the first few lines of “Assessing Treasury’s Strategy: Six Months of TARP”:
“With this report, the Congressional Oversight Panel examines Treasury’s current strategy and evaluates the progress it has achieved thus far. This report returns the Panel’s inquiry to a central question raised in its first report: What is Treasury’s strategy?”
Six months and $1 trillion later, and Congress still cannot figure out what Geithner is up to. It’s a wonder the Treasury Secretary hasn’t been fired already.
From the report:
“In addition to drawing on the $700 billion allocated to Treasury under the Emergency Economic Stabilization Act (EESA), economic stabilization efforts have depended heavily on the use of the Federal Reserve Board’s balance sheet. This approach has permitted Treasury to leverage TARP funds well beyond the funds appropriated by Congress. Thus, while Treasury has spent or committed $590.4 billion of TARP funds, according to Panel estimates, the Federal Reserve Board has expanded its balance sheet by more than $1.5 trillion in loans and purchases of government-sponsored enterprise (GSE) securities. The total value of all direct spending, loans and guarantees provided to date in conjunction with the federal government’s financial stability efforts (including those of the Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) as well as Treasury and the Federal Reserve Board) now exceeds $4 trillion.”
So, while Congress approved a mere $700 billion in emergency funding for the TARP, Geithner and Bernanke deftly sidestepped the public opposition to more bailouts and shoveled another $3.3 trillion through the back door via loans and leverage for crappy mortgage paper that will never regain its value. Additionally, the Fed has made a deal with Treasury that when the financial crisis finally subsides, Treasury will assume the Fed’s obligations vis a vis the “lending facilities”, which means the taxpayer will then be responsible for unknown trillions in withering investments.
From the report:
“To deal with a troubled financial system, three fundamentally different policy alternatives are possible: liquidation, receivership, or subsidization. To place these alternatives in context, the report evaluates historical and contemporary efforts to confront financial crises and their relative success. The Panel focused on six historical experiences: (1) the U.S. Depression of the 1930s; (2) the bank run on and subsequent government seizure of Continental Illinois in 1984; (3) the savings and loan crisis of the late 1980s and establishment of the Resolution Trust Corporation; (4) the recapitalization of the FDIC bank insurance fund in 1991; (5) Sweden’s financial crisis of the early 1990s; and (6) what has become known as Japan’s “Lost Decade” of the 1990s. The report also surveys the approaches currently employed by Iceland, Ireland, the United Kingdom, and other European countries.”
This statement shows that the congressional committee understands that Geithner’s lunatic plan has no historic precedent and no prospect of succeeding. Geithner’s circuitous Public-Private Investment Program (PPIP)–which is designed to remove toxic assets from bank balance sheets–is an end-run around “tried-and-true” methods for fixing the banking system. In the most restrained and diplomatic language, Warren is telling Geithner that she knows that he’s up to no good.
From the report:
“Liquidation avoids the uncertainty and open-ended commitment that accompany subsidization. It can restore market confidence in the surviving banks, and it can potentially accelerate recovery by offering decisive and clear statements about the government’s evaluation of financial conditions and institutions.”
The committee agrees with the vast majority of reputable economists who think the banks should be taken over (liquidated) and the bad assets put up for auction. This is the committee’s number one recommendation.
The committee also explores the pros and cons of conservatorship (which entails a reorganization in which bad assets are removed, failed managers are replaced, and parts of the business are spun off) and government subsidization, which involves capital infusions or the purchasing of troubled assets. Subsidization, however, carries the risk of distorting the market (by keeping assets artificially high) and creating a constant drain on government resources. Subsidization tends to create hobbled banks that continue to languish as wards of the state.
Liquidation, conservatorship and government subsidization; these are the three ways to fix the banking system. There is no fourth way. Geithner’s plan is not a plan at all; it’s mumbo-jumbo dignified with an acronym; PPIP. The Treasury Secretary is being as opaque as possible to stall for time while he diverts trillions in public revenue to his scamster friends at the big banks through capital injections and nutty-sounding money laundering programs like the PPIP.
From the report:
“Treasury’s approach fails to acknowledge the depth of the current downturn and the degree to which the low valuation of troubled assets accurately reflects their worth. The actions undertaken by Treasury, the Federal Reserve Board and the FDIC are unprecedented. But if the economic crisis is deeper than anticipated, it is possible that Treasury will need to take very different actions in order to restore financial stability.”
This is a crucial point; the toxic assets are not going to regain their value because their current market price–30 cents on the dollar for AAA mortgage-backed securities–accurately reflects the amount of risk they bear. The market is right and Geithner is wrong; it’s that simple. Many of these securities are comprised of loans that were issued to people without sufficient income to make the payments. These “liar’s loans” were bundled together with good loans into mortgage-backed securities. No one can say with any certainty what they are really worth. Naturally, there is a premium for uncertainty, which is why the assets are fetching a mere 30 cents on the dollar. This won’t change no matter how much Geithner tries to prop up the market. The well has been already poisoned.
Also, according to this month’s Case-Schiller report, housing prices are falling at the fastest pace since their peak in 2006. That means that the market for mortgage-backed securities (MBS) will continue to plunge and the losses at the banks will continue to grow. The IMF recently increased its estimate of how much toxic mortgage-backed papaer the banks are holding to $4 trillion.
The banking system is underwater and needs to be resolved quickly before another Lehman-type crisis arises sending the economy into a protracted Depression. Geithner is clearly the wrong man for the job. His PPIP is nothing more than a stealth ripoff of public funds which uses confusing rules and guidelines to conceal the true objective, which is to shift toxic garbage onto the public’s balance sheet while recapitalizing bankrupt financial institutions.
So, why is Geithner being kept on at Treasury when his plan has already been thoroughly discredited and his only goal is to bailout the banks through underhanded means?
That question was best answered by the former chief economist of the IMF, Simon Johnson, in an article which appeared in The Atlantic Monthly:
“The crash has laid bare many unpleasant truths about the United States. One of the most alarming… is that the finance industry has effectively captured our government – a state of affairs that more typically describes emerging markets, and is at the center of many emerging-market crises. If the IMF’s staff could speak freely about the U.S., it would tell us what it tells all countries in this situation; recovery will fail unless we break the financial oligarchy that is blocking essential reform. And if we are to prevent a true depression we’re running out of time.” (The Atlantic Monthly, May 2009, by Simon Johnson)
The banks have a stranglehold on the political process. Many of their foot soldiers now occupy the highest offices in government. It’s up to people like Elizabeth Warren to draw attention to the silent coup that has taken place and do whatever needs to be done to purge the moneylenders from the seat of power and restore representative government. It’s a tall order and time is running out.

* http://cop.senate.gov/reports/library/report-040709-cop.cfm Elizabeth Warren’s 8 minute video summary of the COP report.
Mike Whitney lives in Washington state. He can be reached at fergiewhitney@msn.com

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