Mulheres buscam o poder na Islândia para combater a crise com uma visão feminina – a crise do patriarcado

“Esta notícia que vem da longínqua Islândia que faliu é muito importante, talvez o início de um movimento que pode tomar conta do mundo nas próximas décadas, ou seja, chegou o momento das mulheres assumirem cada vez mais o comando das principais ações no mundo, seja em empresas, seja na política e principalmente como dirigentes de países.

Não creio mesmo que se trata apenas da saída honrosa do patriarcado que vigora até o momento, mas o surgimento de novas lideranças com nova mentalidade filosófica dirigente. As bases filosóficas atuais apresentam-se falidas porquanto não há equilíbrio sócio econômico em nenhuma sociedade atual, e a cada dia que passa percebe-se que as desigualdades cada vez mais salientes estão obrigando a execução de mudanças em todos os setores, inclusive nos conceitos de vida e existência humana que profundamente em questionamentos procuram por novos caminhos.

Todavia, ainda é cedo para qualquer adiantamento sobre a era do matriarcado, mesmo porque as mulheres necessitam mesmo se lançar mais e se prepararem mais com pensamentos próprios e não apenas sempre cópia barata da mentalidade masculina.

“Relaxa e Goza”, por exemplo, é um conselho definitivamente ridículo emitido por uma mulher que pensa como homem. É esta falsa inteligência e xerox mental que as mulheres devem abandonar nestes novos tempos e criar os seus próprios à bem de um novo iluminismo que nos parece aberto para todas lideranças possíveis que possam abraçá-lo.

Será que as mulheres tem consciência destes novos tempos?”

Vamos à noticia:

Der Spiegel por Manfred Ertel em Reykjavík

As islandesas estão culpando os homens pela crise financeira que deixou o país de joelhos. Elas agora estão procurando uma solução feminina para arrumar a bagunça. A primeira-ministra interina, Johanna Sigurdadottir, está se aproximando das eleições com boas chances de vitória.

Não é prazer que pode ser lido nas entrelinhas quando Halla Tomasdottir fala sobre a crise financeira da Islândia e a falência de seu país, mas talvez haja certa satisfação. “Muitas coisas deram errado, algumas não faziam sentido e não podiam continuar daquela forma”, diz a economista. “Nós avisamos que ia acontecer.”

Halla era diretora geral da Câmara de Comércio quando fez tais advertências, mas ninguém quis ouvir seus conselhos. Ela então se afastou e fundou sua própria empresa com a banqueira Kristin Petursdottir. Kristin era gerente da subsidiária britânica do banco islandês afetado pela crise Kaupthing. Juntas, Halla e Kristin formaram, há quase dois anos, a Audur Capital, uma empresa de investimentos que tomaria um novo rumo. Hoje, a Audur capital é uma das poucas firmas no setor financeiro islandês que de fato está tendo lucros -talvez a única, apesar de ninguém ousar dizer isso exatamente. A empresa está crescendo e já tem 22 funcionários. “Ainda estamos contratando”, diz Halla Tomasdottir, orgulhosa. A empresa atualmente tem cerca de 15 milhões de coroas islandesas (cerca de R$ 27
milhões) em ativos.

Na Audur, há uma receita simples para o sucesso. “Trouxemos os valores femininos para o mundo financeiro”, diz Halla. A empresa não se interessa por investimentos que geram ganhos rápidos e altos. Em vez disso, concentra-se em investimentos sustentáveis em projetos que fazem sentido socialmente e para o meio ambiente assim como para os próprios investidores. As mulheres chamam seu negócio de “capital emocional” ou “lucro com princípios”. Mas será uma receita suficiente para tirar a Islândia da atual situação?

O antigo sistema fez a ilha do Atlântico Norte mergulhar mais fundo na crise financeira do que qualquer outro país na Europa e todo o mundo industrializado. A Islândia só foi capaz de evitar a falência com a ajuda de bilhões em empréstimos do Fundo Monetário Internacional. Seus principais bancos foram nacionalizados, assim como importantes empresas, incluindo a maior revendedora de automóveis do país.

O índice de desemprego saltou de apenas 1,2% para 10%. No verão, quando os estudantes graduarem-se, teme-se que este número possa atingir o nível de 17%. A inflação já está em 15,2%. A coroa está em estado de queda livre, assim como seu poder de compra, e não há fim a vista.

Homens são culpados pelos males da Islândia

Há algum tempo, a principal questão que as pessoas vêm fazendo não é até onde o país pode cair. O debate público que antecedeu as eleições nacionais de sábado girou em torno de quem foi o responsável pela situação caótica na qual a Islândia se encontra.

Como um dos principais culpados, o diretor do Banco Central David Oddson, que dirigiu o país por 13 anos como o mais duradouro primeiro-ministro da Islândia -no final, de forma quase autocrática- foi forçado a renunciar depois de semanas de protestos públicos. O primeiro-ministro Geir Haarde, do Partido Independente conservador, também teve que deixar o cargo, gerentes de banco e especuladores -quase todos homens- foram criticados, no que se tornou o colapso de toda uma profissão.

“A crise foi fabricada pelo homem”, alegou a banqueira Halla, 40, que, como todos islandeses, é chamada apenas pelo primeiro nome. “Sempre são os mesmos sujeitos”, diz ela. “Noventa e nove por cento deles foram para a mesma escola, dirigem os mesmos carros, usam os mesmos ternos e têm as mesmas posturas. Eles nos deixaram nesta situação -e se divertiram muito no processo”, diz ela. Halla critica o sistema que se concentra “agressiva e indiscriminadamente” na maximização dos lucros de curto prazo, sem qualquer preocupação com perdas, um sistema que é orientado para preços de mercado de vida curta e pagamentos de bônus lucrativos. “É o comportamento masculino típico”, diz Halla, que o compara com uma “competição de pênis” -quem tem o maior?

Agora, as islandesas estão galgando escalões -na política também- e querem tornar tudo melhor. A autora Hallgrimur Helgason diz que a nova estrela é Johanna Sigurdadottir, 66, social democrata, que antes era conhecida pelos islandeses como política honesta e discreta. “Minha hora chegará”, disse aos seus oponentes há quase 20 anos.

No início de fevereiro, ela substituiu Haarde, tornando-se a administradora de fato da falência do país e também a primeira primeira-ministra da Islândia. O Partido Social Democrata é considerado a personificação das medidas de reforço de confiança. De acordo com pesquisas de opinião pública, uma ampla maioria -60 a 70% dependendo da
pesquisa- gostaria de ver Johanna Sigurdadottir dirigir o país após as eleições de sábado, independentemente de quais partidos terminem formando a coalizão de governo.

“As pessoas aqui estão realmente cansadas, elas não confiam no antigo sistema”, diz Hallgrimur, que escreveu anos atrás sobre o fracasso e as pessoas que se perdem na Islândia em seu romance “101 Reykjavic”. “Johanna surpreendeu a nós todos”, diz ele.

A mulher elegante de cabelos brancos é parlamentar há 31 anos e foi ministra de assuntos sociais várias vezes. Ainda assim, ela personifica o desejo dos islandeses para um recomeço. Ela não foi manchada por escândalos e falta de caráter, e também promove a confiança, a modéstia e capacidades pessoais. Desde que assumiu o cargo, quase três meses atrás, ela não deu nenhuma entrevista para a imprensa.

Mulheres simbolizando mudança
Ela não está em busca de manchetes, mas mesmo assim chegou a elas, como lésbica declarada. Nas pesquisas, seu partido, o Social Democrata, está atualmente com um recorde de 35% das intenções de voto. O Partido Independente, que está no poder ininterruptamente por quase 18 anos, está com 26%. Fala-se muito na Islândia hoje em dia de uma nova cultura e novos valores -de mudança. E as mulheres querem se tornar o símbolo dela. Para chefiar dois bancos falidos do país, Glitner e Landsbanki, foram nomeadas mulheres. E cinco dos 11 membros do gabinete interino de Johanna são mulheres -maior número de todos os tempos nos ministérios de Reykjavic.

A nova ministra de educação e ciências, Katrin Jakobsdottir, 33, é uma delas. Ela é vice-presidente do Partido Verde, de esquerda, e junto com o ministro de finanças, Steingrimur J. Sigfusson, deve levar seu partido a uma coalizão com os social-democratas.

Steingrimur é político antigo e ex-marxista- uma relíquia da política que agora está tentando salvar o capitalismo. “Alguém tem que fazer isso”, diz Steingrimur, pragmático como muitos de seus colegas. Ele já provou que é capaz. Em 1988, o país entrou em crise após ter apreciado uma expansão econômica sem precedentes. As exportações e o crescimento econômico mergulharam, assim como o valor da coroa.

Como ministro de agricultura, Steingrimur ajudou a controlar a inflação e a estabelecer o caminho para o que se tornou a história de sucesso da Islândia. “Provei que posso fazê-lo”, diz ele com autoconfiança masculina. Ele acrescenta que também se provou certo em suas advertências em um livro de três anos atrás sobre o curso financeiro arriscado que o país estava tomando. “Fomos os mais ferozes críticos da ideologia que levou ao colapso”, diz ele, “agora estamos pagando o preço”.

Steingrimur lidera o partido com sua experiência e confiança. Mas sem sua mulher ao lado, os verdes mal estariam ao seu atual nível de 26 a 28% nas pesquisas de opinião. Estão bem colocados para continuar sua atual coalizão temporária com os social-democratas como governo estável após as eleições. Katrin, a ministra da educação, é parte importante disso. Ela acrescenta cor verde e simboliza um novo começo. Ela entrou no Parlamento há apenas dois anos e já está estabelecendo o tom. Ela está exigindo uma verdadeira mudança de valores.

“A administração da crise tem que ser verde”, diz ela, e promete usar os recursos naturais virtualmente inexauríveis da Islândia para a recuperação -energia hidrelétrica e geotérmica, por exemplo, e a beleza natural do país para atrair turistas. As mulheres são melhores no governo? “Ficamos acostumados demais com velhas estruturas”, diz ela.

As presidentes da Audur Capital concordam. Elas querem sucesso econômico, mas não a qualquer preço. “Não queremos investir em coisas que não compreendemos”, diz Halla. Sua sócia Kristin, 43, acrescenta que elas não querem entrar em negócios “que amanhã custarão às outras pessoas”.

As duas colaboraram com a diva pop excêntrica Bjork para criar um fundo com o nome da cantora para investimento em projetos ambientais sustentáveis e em empresas locais. Lucros com princípios.

Mulheres como Halla estão pedindo um “novo equilíbrio” para o país. “Isso não tem nada a ver com o feminismo”, acrescenta rapidamente. “Quero fazer as coisas não pelas mulheres, mas por toda a sociedade.”

Tradução: Deborah Weinberg – Portal Uol

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