A Farra das Passagens Aéreas de nossos ilustres políticos (estes com letras minúsculas)

Cada vez que um assunto como este vem a público, nos sentimos vivendo um mundo surreal, muito além do que ele já é. Mas no fundo nada nos surpreende, nada mesmo, afinal tudo que vem dos seres humanos, principalmente agindo em “bandos”, nos parece sempre algo “dentro dos resultados esperados”.

O que será que há de comum com ações de bandos como torcidas organizadas, facções criminosas e esta kasta de políticos que praticam algum tipo de auto-legislação para si próprio somente, a despeito de estar lá, existirem para serem representantes do Povo.

Somente o povo pensa que eles representam o povo, esta é a conclusão que todos deveriam ter, não é?

O líder Michel Temer, que nada teme, muito menos o povo, disse que acabou a farra, e afirma que mesmo considerando lícita, a farra acabou, principalmente ao confessar que fazia turismo em Paris com a sua esposa.

Lícito quer dizer legal, dentro da lei, é certo. Mas significa também justo, honesto, correto. Teria mesmo sido lícito todas estas passagens aéreas pagas com dinheiro de impostos que vem de arroz, feijões, carros, cafezinhos, roupas, etc. produzidas e consumidas pelo povo a custa de muito sacrifício?

É lícito o valor deste salário mínimo que não proporciona o mínimo em condições de vida aos trabalhadores? É lícito a aposentadoria proporcionada aos trabalhadores mais humildes com apenas este mínimo onde mal se consegue pagar a conta da luz, água e telefone?

É lícito os funcionários públicos e políticos serem agraciados com aposentadorias generosas e pelo menos dezoito salários ao ano enquanto a maioria do povo recebe apenas treze?

Isto prova a tese que todas as leis são elaboradas pelos poderosos e somente buscam beneficiar a si próprio e talvez, num segundo momento ao Povo. Vejam o nosso código penal, um rico exemplo do que o poder é capaz de realizar.

A verdade resplandece, nem tudo que é legal é verdadeiramente justo, correto, ético, moral e dignificante ao ser humano. Nem tudo que reluz é ouro, não é mesmo?

Pode ser legal, mas é mais um tipo de corrupção humana.

Há sessenta milhões de brasileiro completamente à parte da sociedade, abaixo da linha mínimas de conforto e bem-estar. Para nossos políticos este não é seu Povo. Seu Povo são apenas eles mesmos e seus parentes, amantes, namoradas, concumbinas e amigos dos reis.

Ciro Gomes, que se diz honesto e correto, avisa que não usou estas verbas para os “amigos”, mas que elas existem, segundo ele, em qualquer país pobre e miserável como o nosso, como a Suécia, a Noruega, os EUA, e outros do MCE. Esta comparação foi ótima. É o símbolo do cinismo político. Por que não declaram logo, uma declaração conjunta dos deputados e senadores, de que consideram o Povo brasileiro o mais burro e ignorante do mundo?

Até mesmo o Psol, que se julga acima do bem e do mal, de Luciana Genro usa e abusa destas verbas a seu bel prazer pagando passagens para ilustres palestrantes, sem ao menos questionar se é isto lícito, legal, justo, honesto e se todos concordam com a ação. Não há democracia, é imposição mesmo.

Mas vamos lá, na verdade não escapa ninguém, nem mesmo o nosso ilustre Gabeira.

E estas benesses existem mesmo desde o tempo de criação de Brasília, um mar de privilégios impensáveis a grande maioria absoluta de brasileiros que se pendura diariamente em transportes públicos, e não em maravilhosos assentos da viação aérea com direito a lanchinho, cafezinho, jornais, revistas, e tudo a custa do Povo pendurado em desagradáveis ônibus ou trens suburbanos super lotados.

Mas se existem estes “desvios comportamentais” onde já não se sabe se licitude está acima da ética, justiça e moral desde a década 60 passada, é certo inferirmos que se ninguém boicotou isto e denunciou durante estes quase cinqüenta nos, é porque de fato, não há ética, moral e justiça naquela casa e nem nunca houve um político verdadeiramente representante do povo, posto que este, em qualquer circunstância zelaria com bastante pudor a condição de miserabilidade da maior parte do seu povo ou não é lícito imaginar que cidadãos eleitos pelo povo tudo fariam para os ajudar e zelar pelo seu suado imposto?

Se eles não sabem, se estes nossos legisladores não sabem o que é licitude, o que é ética, o que é moral, o que é justiça, o que será que eles, nossos ilustres membros do legislativo, estão fazendo lá? Coisa boa não pode ser. Esta é a minha conclusão.

Por Atama Moriya, em 23-04-2009.

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2 respostas para A Farra das Passagens Aéreas de nossos ilustres políticos (estes com letras minúsculas)

  1. Atama Moriya disse:

    Caro Rayom,

    Agradecido pela sua visita ao blog e pelos seus comentários. Na verdade, não guardo revolta alguma, mas faço questão de observar o baixo grau de consciência de nossos representantes no Congresso.
    De maneira consciente devemos interpretar os fatos, e assim penso, que neste caso não temos representante algum no Congresso, salvo duas exceções que procuro acompanhar, e de que realmente não podemos mudar “os caras”; eles são o que são e não vão mudar.
    Portanto, devemos na minha opinião trabalharmos para melhorarmos a nós mesmos e levar consciência racional ao Povo para que estes, embora com poucos instrumentos possam também despertar e quem sabe em futuras gerações isto não mais ocorra com esta intensidade atual.
    Penso também que o melhor que podemos fazer é mostrar ao Povo que os políticos atuais são seres humanos com tantos defeitos quanto qualquer um outro do Povo, visto que também sairam de lá. E que para melhorar o nível, necessitamos investigar melhor em quem estamos votando, um processo que ainda é feito à cegas, porquanto existe ainda o voto obrigatório e não é distrital.
    Mudar as velhas e doentes estruturas é o caminho, não há outro e vencer as barreiras que impedem as mudanças é um trabalho em que todos que querem o melhor devem se mobilizar, independentemente da vontade política que nada quer mudar uma vez que estão bastante beneficiados do jeito que está.
    Até mesmo a retirada deste benefício das passagens aéreas está difícil, mesmo com a ONG Transparência Brasil ter mostrado que às nossas custas foram pagas 1883 passagens para Paris, Nova York, Buenos Aires e outros locais internacionais em dois anos, e isto não ocorre de hoje, ou seja, é um mecanismo presente há décadas que todos que por lá passaram não deixam que acabe por interesses extremamente egoístas, a despeito de mirar na questão cerne: isto é mesmo justo e moralmente correto a ponto de considerarmos lícito?
    Se existe alguma lei ou regra que consideremos incorreta, injusta e imoral, é sinal que devemos mudá-la, afinal regras e leis dos homens são falhas porquanto representam a mente do homem, um ser extremamente incompleto e falho ainda e por isso mesmo deve ser policiado e revisto o tempo todo, caso contrário não há evolução no campo social e jurídico.
    Percebe-se que vivemos num país cujas leis são falhas ao extremo haja visto os debates que ocorrem hoje no STF entre os próprios ministros.
    Para mudar algo é muito importante que o Povo, de maneira individual, perceba que necessitamos mudar tudo, não mais aceitar as velhas estruturas construídas por elites falidas, mas criar novos mecanismos que possam trazer à sociedade mais equidade em todos os campos. Do jeito que está é inaceitável que continue.
    Mas não precisamos de revoluções e outros instrumentos instigados por movimentos escusos, mas de levar cada dia mais consciência ao Povo, principalmente à classe média que deveria fazer valer mais a sua representação posto que tem peso enorme nesta condução.
    Um abraço.
    AM.

  2. Rayom disse:

    Prezado Atama:

    Sua revolta é idêntica a de milhões. E lembro que os deputados estão pleiteando em aumentar os seus tempos de campanha na TV. Dá para aturar?

    Às vezes penso em anular o meu voto e fico a imaginar se a população resolvesse não votar em protesto geral, que aconteceria? Ao mesmo tempo, penso nos prováveis 30% de políticos honestos que nos beneficiam com boas leis, e resolvo votar.

    Mas estamos longe de um ideal, e quando vejo aqueles velhos coronéis feudais, que mantém a dinastia política de suas famílias, e ninguém consegue tirá-los de lá, concluo que o processo democrático não existe de fato, pois a influência da riqueza para eles ainda é o melhor instrumento para se manter no poder.

    Enfim, como uma nova era surge no mundo, espero que esa corja de traidores da nação e insensíveis ao povo, viaje logo para outras plagas do sistema solar para repassar suas histórias a limpo e reaprender.

    Abs.

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