A grande tomada de poder – Um golpe mundial, por Matt Taibbi

Neste artigo que se segue finalmente leio algo consciente sobre o que de fato está ocorrendo por de trás das linhas de poder.

Governos e mídia, que é quase sempre cega e convenientemente manipulada, comovem o mundo sobre o que fazer para salvar a crise mundial e com objetivos absolutamente obscuros realizam fantásticas transferências financeiras que visam exclusivamente a manutenção do Poder dos Impérios Familiares.

Francamente, estes planos de salvamento estão a salvar o que e de que? Pobres e miseráveis continuam a crescer quantitativamente pelo mundo, aliás como já vinha ocorrendo desde a década de sessenta do século passado. Para o povo nada mudou e nem piorou conforme os dados estatísticos.

Manter as estruturas atuais na economia apenas aumenta a “agonização” social dos menos favorecidos que hoje representam no mínimo 90% da população mundial.

A quem estamos salvando com dinheiro público?

A história dos últimos 50 anos demonstram claramente que não são os pobres que estão sendo salvos, pelo contrário, tem aumentado o numero de miseráveis pelo mundo afora.

Neste artigo Matt Taibbi relata a visão de um americano manipulado e enganado pelas elites convenientemente protegidas pelo sócio governamental.

A pergunta é: a quem estamos salvando com injeções financeiras que já se aproximam a 10 trilhões de dólares pelo mundo afora?
A minha visão de economia mais justa e equilíbrio sócio-econômico não é esta atual. E se esta estrutura está podre, por que não deixá-la apodrecer de vez para criarmos novos sistemas e estruturas econômicas que busquem de fato a equidade entre todos os cidadãos de todas as classes sociais?

Mas vamos ao artigo.

– A crise econômica global não é acerca de dinheiro – é acerca de poder.
– Como iniciados da Wall Street estão a utilizar o salvamento para um golpe de Estado
por Matt Taibbi

Está acabado — nós [EUA] estamos oficialmente e realmente manipulados. Nenhum império pode sobreviver tornando-se objeto de riso permanente, como aconteceu há poucas semanas, quando os bufões que têm estado a dirigir as coisas neste país finalmente deram um passo demasiado grande. Aconteceu quando o secretário do Tesouro Timothy Geithner foi forçado a admitir que ele ia mais uma vez ter de encher com bilhões de dólares do contribuinte a gigante moribunda dos seguros chamado AIG, ela própria um símbolo profundo do nosso declínio nacional — uma corporação que ficou rica segurando o betão e o aço da indústria americana no auge do país, só para destruir-se a perseguir fortunas fantasmas nas mesas de jogo da Wall Street, tal como a nobreza dissoluta dissipava a fortuna da família na decadência do Império Britânico.

O salvamento mais recente chegou quando a AIG admitiu ter acabado de registrar a maior perda trimestral na história corporativa da América — uns US$61,7 bilhões. Nos três meses finais do ano passado, a companhia perdeu mais do que US$27 milhões por hora. Isto significa US$465 mil por minuto, um rendimento médio anual de uma família mediana dos EUA a cada seis segundos, ou seja, cerca de US$7.750 por segundo. E tudo isto aconteceu no fim dos oito anos em que a América se dedicou freneticamente a perseguir em vão a sombra de uma ameaça terrorista, oito anos gastos a deter todo cidadão em todo aeroporto para revistar toda bolsa, mala, cueca e pasta à procura de caixas de sumo e bisnagas explosivas de pasta de dentes. Mas no fim, o nosso governo não teve qualquer mecanismo para revistar os balanços das companhias que mantiveram poder de vida ou morte sobre a nossa sociedade e foram incapazes de reconhecer buracos na economia nacional do tamanho da Líbia (cujo PIB total no ano passado foi menor do que as perdas da AIG em 2008).

Assim, chegou a hora de admitir: nós somos tolos, protagonistas numa espécie de comédia pavorosa acerca do casamento da cobiça com a estupidez. E a pior parte quanto a isto é que ainda nos recusamos a admitir — ainda pensamos que isto é alguma espécie de acidente infeliz, não algo que foi criado pelo grupo de psicopatas na Wall Street a quem foi permitida a pilhagem contínua do Sonho Americano. Quando Geithner anunciou o novo salvamento de US$30 mil milhões, o ponto de partida era que a pobre AIG era apenas uma vítima de um bocado de azar — mau ano de negócios, você sabe, com a crise financeira e tudo o mais. Edwar Liddy, o presidente da companhia, realmente comparou a coisa a apanhar um resfriado: “O mercado é um lugar ruim para estar agora”, disse ele. “Quando o mundo apanha pneumonia, nós também apanhamos”. Numa patética tentativa de se limpar com outros, ele choramingou mesmo que a AIG estava a ser “consumida pelas mesmas questões que estão a deitar abaixo os preços das casas, as declarações 401K [planos de aposentadoria] e a carteira de investimento de Warren Buffet”.

Liddy fez a AIG parecer um órfão a mendigar numa fila da sopa, famélico e doente por ter sido abandonado na tempestade financeira. Ele convenientemente esqueceu de mencionar que a AIG passou mais de uma década a maquinar a evasão aos reguladores dos EUA e internacionais, ou que uma das causas da sua “pneumonia” foi fazer apostas colossais, afundando no mundo US$500 mil milhões, com dinheiro que ele não tinha, num tóxico e completamente não regulado mercado de derivativos.

Nem ninguém mencionou que quando a AIG finalmente levantou da sua cadeira no cassino da Wall Street, quebrada e arrebentada à luz da alvorada, devia dinheiro em toda a parte da cidade — e que um enorme bloco dos seus dólares do contribuinte neste salvamento-fraude particular seria para pagar os outros grandes parceiros na sua mesa. Ou que isto era um cassino único entre todos os cassinos, um em que contribuintes da classe média cobrem as apostas dos bilionários.

O povo está irritado com esta crise financeira, e com este salvamento, mas não está irritado o suficiente. A realidade é que o colapso econômico mundial e o salvamento que se seguiu foram ao mesmo tempo uma espécie de revolução, um golpe de Estado. Eles cimentaram e formalizaram uma tendência política que tem sido uma bola de neve durante décadas: a tomada gradual do governo por uma pequena classe de iniciados em conluio, os quais utilizam dinheiro para controlar eleições, comprar influência e enfraquecer sistematicamente as regulamentações financeiras.

A crise foi o golpe de misericórdia: Dando virtualmente rédea solta à economia, estes mesmos iniciados primeiro arruinaram o mundo financeiro, a seguir maliciosamente garantiram para si próprios poderes de emergência quase ilimitados para limpar a sua própria confusão. E assim os líderes viciados no jogo de companhias como a AIG acabaram sem um tostão e na cadeia, mas com uma morte em estilo exótico agarrada ao Tesouro e à Reserva Federal — “nossos parceiros no governo”, como disse Liddy de um modo displicentemente chocante, como matéria de fato, após o salvamento mais recente.

O erro que a maior parte das pessoas comete ao olhar a crise financeira é pensar dela em termos de dinheiro, um hábito que pode levar a olhar a confusão que agora se desdobra como um enorme prêmio-assassino deprimente para a classe da Wall Street. Mas se se olhar em termos puramente maquiavélicos, o que se vê é uma colossal tomada de poder que ameaça transformar o governo federal numa espécie de Enron gigante — uma enorme e impenetrável caixa negra recheada de iniciados em transações para si próprios cujo esquema é conseguir lucros individuais a expensas de um oceano de inconscientes acionistas involuntários, anteriormente conhecidos como contribuintes.

19/Março/2009

O original encontra-se em http://www.rollingstone.com/politics/story/26793903/the_big_takeover

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2 respostas para A grande tomada de poder – Um golpe mundial, por Matt Taibbi

  1. Atama Moriya disse:

    Monica, muito bom os seus comentários que acrescem mais informações e fontes de pesquisa.
    Muito agradecido pela sua visita e continue sempre que puder.
    E você tem razão, a crise depois que se instala não tem solução, apenas podemos retardar ou alimentar
    um super aumento dela mesmo em meses futuros.
    Estas gigantescas transferências do setor público, retiradas suadamente principalmente da massa trabalhadora, a razão de existência da economia, portanto o fim e o objetivo do mercado, e não meio de destruição e exploração, devem trazer proximamente muito mais dissabor aos trabalhadores.
    Os pressupostos somente neo-liberais não alcançam mais o “trabalhador” e se tornou o seu terror. É sentar e esperar o desenrolar desta bagunça que parece neste momento não ter caminhos certos e missão clara.
    Paz e Bem.
    Atama.

  2. Mônica disse:

    Eu traduzi a primeira frase assim “estamos oficialmente e majestosamente f-d-f-s “.

    Sim, a crise é uma luta de classe, a consolidação no poder da classe dominante, ie, os megabanqueiros internacionais “government sachs”, JPMorgan Chase, etc

    Leia (ou ouça) as palestras de David Harvey (prof universidade de NY), Leo Panitch (universidade de Toronto), Greg Albo.

    David Harvey também escreveu um livro sobre a história do neoliberalismo e tem uma conferência dele sobre o livro no youtube.

    Outra pessoa interessante para se ler é a jornalista e antropóloga Gillian Tett. Ela também escreveu um livro sobre a crise e a opacidade do sistema financeiro. Escreveu também um livro sobre a crise financeira no Japão na década de 90.

    O interessante na visão de Leo Panitch e David Harvey é que eles tentam ver a crise de acordo com as previsões de Marx ou o que Marx não previu. David Harvey também tenta construir saídas para fora da crise, já que as saídas que estão sendo propostas só vão levar a uma outra crise pior ainda.

    Continue a traduzir textos interessantes para lingua portuguesa.

    Paz

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