Reencarnação ou lei da volta à forma, por HPB

Tal como um homem que lançou fora roupas usadas e veste outras novas, também assim o habitador do corpo, após ter abandonado os seus invólucros mortais antigos entra em outros que são novos.
Bhagavad-Gitâ (II, 22)

O grande mistério da vida e os seus numerosos problemas defrontam todo o ser humano e premem cada vez mais sobre as mentes dos homens à medida que cresce a inteligência e que a complexidade da existência se torna cada vez mais evidente. Diante da necessidade instante de uma solução, e para atender ao pedido insistente de luz, muitas panacéias foram oferecidas, nenhuma das quais, infelizmente, trouxe a certeza daquelas verdades evidentes que jazem à raiz de todo o pecado, de toda a angústia e de todo o sofrimento, e tão pouco trouxe um verdadeiro esclarecimento e um verdadeiro progresso. Houve tempos em que estas questões foram deixadas ao cuidado daqueles que se arrogavam o titulo de instrutores religiosos, mas cuja inaptidão a resolver problemas relacionados muito diretamente com a existência humana, no entanto, despertou a alma humana ao ponto em que esta sentiu a necessidade de “buscar e achar” por ela mesma uma solução ao enigma da vida.


A questão da “Autoridade” tem sido, durante séculos, um peso paralisante sobre a alma em busca, mas agora muitas mentes estão acordando ao fato que qualquer conhecimento que se queira obter, este tem que ser adquirido por cada um para si mesmo. A mais, o Conhecimento verdadeiro deve abranger uma justiça infalível, apresentar o ideal da progressão humana e esclarecer a causa das dores deste mundo. Nesta busca, é evidente que cada um deve ser a sua própria autoridade para decidir o que aceita ou rejeita; ele deve, portanto, fazer uso de toda a sua inteligência a fim de examinar e testar tudo o que aponta o caminho para o conhecimento de si. É com esta postura mental, livre de preconceitos e de idéias preconcebidas, que ele avaliará cada doutrina baseando-se nos próprios méritos desta, para depois aceitá-la ou rejeitá-la.

A palavra “Reencarnação” significa que a nossa vida presente resulta de vidas anteriores, e que a nossa vida futura estará de acordo com as que já vivemos e a maneira como estamos agora vivendo. Embora para muita gente tal idéia possa ser nova, ela é tão luminosa que, se for associada à doutrina-irmã, Karma, ela resolve plenamente aqueles problemas da vida que nos deixam perplexos.

A Reencarnação, ou reincorporação, é vista como o processo pelo qual todos os graus da inteligência se expressam através de formas, ou corpos, e assim constituem o mundo visível onde vivemos. A evolução das formas é efetuada pela expansão da inteligência residente no interior, que requer um instrumento melhor para a sua compreensão crescente.

Tudo na natureza mostra os esforços repetidos neste sentido, com intervalos periódicos de repouso, entre os quais é assimilada a experiência adquirida que serve de base para um novo esforço. Ao dia sucede a noite, seguida por um outro dia; as estações, Primavera, Verão, Outono e Inverno, são seguidas invariavelmente por outras séries na mesma ordem. E o Homem, submetido à mesma Lei universal, e portanto espiritual, vai seguindo fielmente as flutuações de nascimento, juventude, maturidade, velhice e morte, para renascer com um corpo novo, moldado talvez para um desígnio melhor do que foi possível no corpo anterior.

A doutrina da Reencarnação supõe uma Inteligência pré-existente que permanece e se expande através de todas as mudanças de incorporação. As variações de forma são apenas um meio para alcançar a grande meta e o desígnio do Homem inteligente interior a aquisição daquilo que os Antigos chamavam Todo-Conhecimento.

Os homens, em geral, aceitam a Evolução como uma lei provada de crescimento, evidenciada pelas mudanças observadas nas formas físicas e nas espécies; porém, esta vista geral considera apenas a evidência externa da operação, sem nenhuma compreensão da sua causa motora. A palavra “Evolução” significa um desenvolvimento de dentro para fora e, não fossem os nossos Cientistas tão materialmente orientados, eles poderiam ter alcançado o conhecimento da verdade há muito tempo. As doutrinas teosóficas de Karma e de Reencarnação tornam clara a operação da Evolução, levando-a ao seu nível mais alto ao mostrar que a força de impulsão por trás de toda a evolução das formas é a Inteligência, que evolui, ela também, para cada vez mais alto pelo meio de formas temporárias de expressão.

A objeção mais frequentemente feita à Reencarnação é a seguinte: se já vivemos antes, porque é que não nos lembramos disso?

Na realidade, a lembrança de uma vida passada não é necessária para provar que passamos por esta experiência. Nós esquecemo-nos da maior parte das ocorrências desta vida, poucos de nós sendo capazes de se recordar exatamente dos pormenores de apenas um dia. Uma cicatriz pode ser o único vestígio da nossa primeira infância, sem nos lembrarmos do ferimento que a causou. Assim mesmo, embora conservemos só alguns detalhes no cérebro, o efeito dos acontecimentos permanece e forma o nosso caráter. Pode dizer-se que o caráter é uma memória composta por ser a soma e a essência de tudo por que passamos. Durante o sono, que ocupa um terço da vida humana, também não nos lembramos de nada; não imaginamos porém que por causa disso deixamos de estar vivos durante esse período. Há um sentimento de identidade que transpõe esse intervalo, como também sucede numa perda de consciência (por desmaio ou anestesia); ao voltarmos ao nosso estado normal, sabemos que somos o mesmo indivíduo que existia antes. Se a identidade dependesse da rememoração, teríamos de recomeçar tudo todos os dias.

Experiências no campo do hipnotismo mostram que os menores acontecimentos da vida ficam registrados no que os psicólogos chamam o subconsciente, provando desta maneira que a recordação deles não se perde. Todos os pormenores de uma vida aparecem num instante diante dos olhos de quem está a afogar-se, como também cada circunstância do passado ressurge na mente, exatamente antes da morte. Assim, de fato, toda aquela quantidade de detalhes de uma existência fica conservada no homem interior para ser inteiramente recobrada numa escarnação futura, quando a evolução do homem o permitir. Aliás, mesmo hoje muita pessoa lembra-se de terem vivido antes, poetas cantaram-no, crianças sabem-no bem até que a constante convivência com os que não acreditam acaba por apagar as suas recordações. No entanto, como não tomou parte na vida anterior, o nosso cérebro é geralmente incapaz de deixar filtrar a memória do passado; e é muito bom que seja assim, pois ser nos muito penoso se as ações e as cenas das nossas vidas anteriores não permanecessem ocultas, até ao dia em que, através da disciplina, nós sejamos capazes de suportar o seu conhecimento. Ao vivermos de acordo com os preceitos da alma, o nosso cérebro tornar-se-á permeável às suas reminiscências, e então as nossas vidas passadas serão para nós um livro aberto.

Uma outra objeção à Reencarnação provém duma concepção errônea da verdadeira natureza do homem. Certas pessoas dizem não desejarem ser alguém de diferente numa outra vida, visto não poderem então reconhecer os seus amigos, uma vez que tanto eles como os amigos teriam mudado de personalidade.

Ora, se a Reencarnação é uma lei, os nossos gostos e aversões não contam; de qualquer modo, numa outra vida, nós não seremos “alguém de diferente” mas o mesmo indivíduo que já viveu, apenas num fato diferente. Se for o corpo do nosso amigo que nós amamos, é verdade que não podemos esperar revê-lo numa vida futura; mas a não ser que sejamos grosseiramente materialistas, é pela alma do amigo que nos sentiremos atraídos. Portanto, se a alma que amamos passou a habitar um outro invólucro físico, a lei requer que, uma vez de novo reencarnados, nós reencontremos a mesma alma em sua nova morada, embora raramente a reconheçamos. Porém, o efeito sobre nós destas afinidades passadas é enorme. Ora nos salva, ora nos condena. Porque nós podemos encontrar nas nossas vidas alguém que exerça uma notável influência sobre nós, para o bem ou para o mal, por causa das afinidades geradas em vidas passadas.

Há quem afirme que a hereditariedade invalida a reencarnação. Nós incitamos a utilizá-la como uma prova. Em primeiro lugar, temos que ver que, sendo a Inteligência que se reencarna imortal, ela pré-existia antes do nascimento de cada um dos seus corpos físicos. Nós pensamos que a imortalidade tem apenas uma ponta. Em outras palavras, que vivemos, de hoje em diante, para sempre; mas imortalidade quer dizer sem princípio como também sem fim. Portanto, os pais não dão ao filho uma alma ele é já uma alma, eles apenas fornecem um novo corpo à alma prestes a chegar. A criança traz consigo aquelas qualidades de alma, aquela inteligência e aquelas tendências que desenvolveu ao longo das suas numerosas precedentes existências na terra. Por conseguinte, ela só pode vir para uma família com características semelhantes e que possa oferecer-lhe uma oportunidade de continuar a sua evolução, por razões vinculadas nas encarnações passadas ligadas a esta família, e por causas mutuamente geradas.

Isto explica como pais atualmente bons podem ter um filho mau, porque pais e filho estavam indissolúvel mente ligados por ações passadas. É uma oportunidade de redenção para a criança e uma ocasião de castigo para os pais. Assim, enquanto a hereditariedade é a regra natural que governa os corpos, quando consideramos os caracteres utilizando estes corpos, constatamos grandes diferenças inerentes. Daí termos que concluir que a transmissão dos traços físicos e das particularidades mentais (quando ocorrerem) não refuta a Reencarnação, visto tais transmissões serem exatamente o modo escolhido para proporcionar à inteligência que se encarna o instrumento adequado e o meio ambiente nos quais ela possa continuar o seu trabalho.

De novo, os que persistem na objeção à Reencarnação baseando-se na hereditariedade acentuam as semelhanças e não notam as divergências. Cada mãe sabe que as crianças duma família são tão diferentes como os dedos de uma mão embora sejam todas dos mesmos pais, cada uma distingue se das outras pelo caráter e pela capacidade. O aparecimento de gênios e de grandes inteligências em famílias desprovidas destas qualidades, assim como a extinção, numa família, do gênio dum antepassado, somente pode ser explicado pela lei do renascimento.

Napoleão nasceu numa família que nada tinha em comum com ele, quanto ao poder ou à força. Ele mesmo declarou ter sido Carlos Magno. Só presumindo que ele tinha tido uma longa série de vidas dando-lhe uma linha justa de evolução, ou causa para o desenvolvimento da sua inteligência e natureza, podemos ter a menor idéia porque é que ele, ou qualquer outro gênio, puderam aparecer. Mais notável ainda foi o caso de Blind Tom, um negro cuja família não podia ter tido conhecimento do piano, instrumento moderno, de modo a transmitir esse conhecimento aos átomos de seu corpo; no entanto, ele tinha um grande dom musical e conhecia a actual escala musical do piano, mostrando que existia dentro deste corpo uma Inteligência dotada de um desenvolvimento musical superior. No caso do músico Bach, temos a prova que a hereditariedade não conta para nada se o Ego interior não for já avançado, visto o seu gênio não se ter transmitido à linhagem familial; este gênio foi esvanecendo-se e finalmente abandonou-a completamente.

Do mesmo modo, houve raças que alcançaram um alto grau de poder e de glória, e depois decaíram. A grandeza de qualquer raça é devida à inteligência das almas nela encanadas; e quando estas almas adquirirem toda a experiência possível naquela raça particular, elas abandonam-na para encanar numa outra.

A economia da natureza não permite que a raça física, exterior, desapareça repentinamente; assim, na ordem da evolução, outros Egos menos avançados tomam posse e usam esses corpos disponíveis. Estes Egos inferiores não são capazes de se manter ao nível dos seus predecessores e, embora cada nova geração adquira o máximo possível de experiência, dá-se um declínio gradual e aquela raça, com o passar do tempo, acaba por extinguir-se. Os ignorantes e degradados Coptas do Egito são tais Egos inferiores encarnando-se numa raça que uma vez foi a glória do mundo, enquanto os Egos que criaram aquela civilização avançada reencarnaram-se nas nações da Europa e da América.

A existência dos selvagens explica-se da mesma forma; eles são os sobreviventes de uma raça moribunda no período de declínio desta raça, a qual corresponde ao seu grau de evolução. Um processo semelhante ocorre nas nossas cidades modernas. Os habitantes de uma área, outrora favorecida, mudam-se para um novo bairro, deixando as suas casas para outros menos abastados. Estes também partem depois dum certo tempo, uma classe ainda mais pobre vem instalar-se e assim por diante, até que as casas, vítimas de um uso prolongado e de descuido, se desmoronem e acabem em ruínas.

Os pensamentos e os atos coletivos das Inteligências que constituem uma nação também acarretam guerras, epidemias, fomes e até cataclismos naturais que se abatem depois sobre ela. Esta é a única explicação das guerras periódicas na Europa. A pretensa causa era meramente a oportunidade para que as forças invisíveis acumuladas pelos Egos envolvidos no conflito se desencadeassem. Estes Egos haviam, há muito tempo atrás, em outras civilizações, gerado as causas cujos efeitos destruidores tinham que ser enfrentados agora. E os Egos continuarão a reencarnarem-se até que todas as ofensas e todos os ódios estejam ajustados e erradicados, qualquer que seja a duração de tempo para que tal período de ventura advenha. Vemos assim como, talvez num futuro próximo, outras guerras possam ocorrer, pois outros Egos, que geraram causas semelhantes àquelas que ocasionaram a última guerra, reencarnarão juntos e terão que resolver as suas contendas. A maneira como estas disputas serão solucionadas dependerá do esclarecimento mental dos adversários e também do exemplo dado por nós. A história tende a repetir-se, e se pudéssemos criar uma linha de conduta individual e nacional baseada na justiça e na consideração mútua, prestaríamos o maior serviço possível à posteridade, porque princípios certos e ação correto constituem para o desenvolvimento nacional um alicerce mais seguro que a prosperidade comercial, a qual, sem aqueles princípios e ações, só estimula a ambição egoísta e a cobiça.

Devemos lembrar-nos também que estamos a construir um futuro no qual nós próprios vamos tomar parte, pois tal como hoje somos herdeiros do nosso passado, havemos um dia de voltar ao palco como herdeiros deste presente e recebermos o produto das nossas ações atuais. Portanto, cada indivíduo pertencente a uma raça ou a uma nação está avisado que se ele se deixar levar pela indiferença de pensamento e de ação, amoldando-se deste modo ao comportamento mediano geral da sua raça ou nação, o Karma da raça ou da nação o arrastará no fim para o destino geral. É por isso que os antigos Mestres clamavam: “Saiam das fileiras e não sigam a multidão.”

A Reencarnação não significa que assumiremos formas animais depois da morte. “Uma vez homem, sempre homem”: a evolução, depois de ter colocado o Pensador imortal neste plano, não pode mandá-lo de volta ao reino animal. Pois assim como as válvulas impedem o sangue de refluir e de enfartar o coração, também assim, neste grande sistema de circulação universal, a porta fecha-se atrás do Pensador, impedindo o seu retrocesso.

A objeção feita pelos cristãos à Reencarnação baseia-se geralmente na suposição que não teria sido ensinada por Jesus. Eles esquecem que Jesus era um judeu cuja missão , segundo ele mesmo declarou, se destinava a esse povo. Ora, os judeus sempre acreditaram neste ensinamento, e Jesus devia portanto conhecê-lo bem. Sempre que um cristão assumido o nega, ele contradiz Jesus que o afirmou em diversas ocasiões. Naquele tempo, o povo esperava o regresso à terra de numerosos profetas e condutores de homens, entre os quais Moisés e Elias, e todos aguardavam a sua reaparição, de tempos a tempos. Isto explica porque é que Jesus respondeu aos discípulos que vinham anunciar-lhe a morte de João Baptista, que Herodes mandara matar João sem saber que ele era Elias, “que estava para chegar”. Numa outra ocasião, relatada em Mateus (XVII, 12), Jesus declarou: “Elias já veio, e eles não o reconheceram.” Quando um homem cego de nascença foi levado ao Mestre, os discípulos perguntaram-lhe qual era o motivo de tal castigo, se tinha sido ele quem havia pecado ou os seus pais, o que supõe uma crença comum na doutrina da Reencarnação; pois, sendo certo que um recém-nascido não pode ter pecado, o pecado só pode ter sido cometido antes do nascimento no qual a cegueira ocorreu. Se o ensinamento estava errado, então era a altura para Jesus contestá-lo e rejeitá-lo definitivamente; ele aludiu a pergunta, mas não refutou a doutrina. Em Provérbios (VIII, 22), Salomão diz que quando a terra foi criada, ele estava presente, e que muito tempo antes de ele ter podido nascer como Salomão, ele deleitava-se na companhia dos filhos dos homens nas partes habitáveis da terra. Na sua Epístola aos Romanos (IX, 11-13), São Paulo refere-se a Jacob e Esaú, dizendo que o Senhor amara um e odiara o outro antes de eles nascerem. Evidentemente, o Senhor não pode amar algo inexistente, o que significa que Jacob e Esaú tinham sido respetivamente bom e mau nas suas vidas anteriores, e que por isso o Senhor Karma amava um e odiava o outro antes de eles terem nascido como Jacob e Esaú. São João, em Apocalipse (III, 12), diz que aquele que vencerá “nunca mais irá para fora”. Isto não passa de pura retórica se a Reencarnação for negada, mas faz plenamente sentido se a compreendermos como significando que o homem que finalmente logrou dominar as ilusões da matéria não terá mais a necessidade de se reencarnar. Depois dos discípulos seguiram-se os primeiros Padres da Igreja, entre os quais Orígenes, que ensinava a doutrina da Reencarnação. Devido à sua crescente influência, alguns Padres ignorantes sentiram inveja e, em 553, no Concílio de Constantinopla, anatematizaram a doutrina ensinada por ele como sendo perniciosa. Foi assim que a doutrina se perdeu para o mundo ocidental.

Considerando a vida e a sua meta evidente, com todas as experiências possíveis para o homem, somos forçados a chegar à conclusão que uma só existência não é suficiente para cumprir tudo o que foi planejado pela natureza, sem mencionar o que o próprio homem deseja realizar.

No homem há uma vasta gama de poderes latentes que podem ser desenvolvidos com tempo e oportunidades. Um conhecimento de alcance infinito abre-se diante dele. Nutrimos altas aspirações sem termos o tempo necessário para realizá-las plenamente, enquanto a multidão de paixões e de desejos, de motivações e de ambições egoístas lutam contra nós e entre eles, perseguindo-nos até ao portal da morte. Tudo isso tem que ser subjugado e utilizado. O simples fato de morrer não pode eliminar os nossos defeitos, nem trazer-nos conhecimento. Se acreditarmos que todo o conhecimento e toda a pureza nos serão dados ao entrarmos no Céu, estaremos depreciando este estado ao mais baixo ponto e privando a vida de todo o sentido.

A Reencarnação é “o elo perdido do cristianismo”, pois é nela e em Karma, sua doutrina-irmã, que está a resposta para todos os problemas da vida.

Nestes dois ensinamentos essenciais reside a força capaz de levar os homens a aplicar de fato a ética que só possuem em teoria. O impulso em direção a uma conduta reta não deve basear-se num simples sentimento ou fé, mas sim em leis obrando universalmente e sendo incontornáveis. O Karma e a Reencarnação apontam concludentemente para a própria responsabilidade do homem pelas condições nas quais ele se encontra. Isto é totalmente contrário à irresponsabilidade inculcada pelos teólogos cristãos. Eles ensinam que somos seres inerentemente fracos e pecadores, incapazes de fazer algo por nós mesmos, mas que os nossos pecados serão perdoados se acreditarmos que o Cristo morreu por nós. Se realmente fosse assim, tal procedimento seria contrário à justiça. O fato de nós agora tentarmos esquivar os efeitos das nossas ações passadas é devido, em boa parte, ao aceitarmos certas doutrinas cristãs que são interpretações erradas dos ensinamentos de Jesus.

O desassossego atual é por conseguinte o culminar de séculos de concepções materialistas baseadas na crença que há só uma vida na terra. Esta idéia gerou a ferocidade da luta pela vida, com todo o seu egoísmo e sofrimento. A palavra “justiça” pouco significa para a humanidade, visto os homens terem perdido a percepção da Lei Imutável, que não pode ser contornada. Embora o seu modo de agir manifeste aquilo que os homens, na sua cegueira, denominam injustiça, é bem a Divina Lei da Justiça, que restaura o equilíbrio perturbado pela ignorância e o egoísmo humanos. Isto é KARMA.

Embora estas doutrinas pareçam severas e implacáveis, elas não deixam de nos trazer algum encorajamento. A Reencarnação dá ao homem a oportunidade de tentar, e voltar a tentar, dando-lhe a certeza que “cada tentativa sincera terá, há seu tempo, a sua recompensa”. Por isso, os que desesperam nos lugares sombrios da terra podem encher-se de coragem, e os que estão perplexos, cheios de dúvidas, que saibam que todas as dificuldades têm solução. A mãe que perdeu um filho, a esposa, ou o marido, que ficaram sós e desamparados, pode consolar-se pois eles encontrarão de novo o ente querido e retomarão os fios quebrados do afeto, para com eles tecer uma tela nova e mais bela. Assim nestes ensinamentos da Antiga Sabedoria o coração encontrará contentamento, e o intelecto o seu maior alcance.

Helena P. Blavastsky
Tradução: Francisco da Silva

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Uma resposta para Reencarnação ou lei da volta à forma, por HPB

  1. s.m. disse:

    Só não entendo uma cousa: como vamos concertar nossos erros do passado , se não lembramos de nada ?

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