Gaza cristaliza o sofrimento palestino

Este artigo de SAMY ADGHIRNI da Folha de S. Paulo – 04-01-2009 – sintetiza muito bem o que está ocorrendo em parte da história recente do território de Gaza que culminam neste momento com este sofrimento e destruição praticada por Israel.

Virar as comemorações de Natal e Ano Novo com este massacre inútil é demais para esta nossa humanidade. É mesmo difícil acreditar do por que tantas intolerâncias devam existir em pleno inicio do século XXI. Não estamos aqui defendendo A ou B, mas condenar a violência que atinge principalmente os inocentes como as crianças.

A luta daqueles Povos naquela região já dura milênios, mas sempre acreditamos que uma nova mentalidade emergente possa colocar fim a falta de diálogo e impor tolerâncias entre os Povos. É difícil aqui do outro lado do mundo compreender tantas motivações de ódio e rancor entre aqueles Povos. Mas é fácil compreender que soluções violentas são apenas temporárias e, portanto, ilógicas.

Percebe-se também que a ONU costuma agir somente depois que deflagra-se um conflito armado, quando deveria agir preventivamente diante das situações pelo mundo quando já se percebe que se encontra insustentável para o curto prazo.

Igualmente estamos vendo os diversos conflitos sociais em vários países africanos e igualmente pouco ou nada a ONU ou os países individualmente estão a fazer. Nestes países africanos milhares estão a sofrer e a morrer vítimas da violência, falta de assistência, de medicamentos, de alimentos, mas as riquezas minerais africanas continuam a serem retiradas em benefício direto dos países mais ricos.

Mas quem se importa de verdade com tudo isto? Eis a pergunta que se deve auto-cobrar de cada um do Planeta Terra. O senso comum do que é realmente certo ou errado, ético ou não ético está alterado de forma a tornar o ser humano numa máquina insensível as dores dos outros. De vez em quando somos despertados desta letargia quando algo terrível nos acontece ou acontece mais próximo, então, brevemente, muito brevemente nos despertamos em solidariedade e alguns traços de humanismo. Um certo humanismo que não mais existe na cadeia do tempo da história, e faz crer que massacres humanos e guerras são coisas boas e necessárias para nos defender dos “outros” da ilha humana chamada de Terra.

Terra, hoje, habitada em sua maioria, pelo jeito de pensar e agir, de “nanicos” humanos.

Não, meus amigos, eu não acredito nisto, não posso acreditar nisto. É preciso que nos incomodemos com todos os tipos de intolerâncias e violências, em qualquer parte do mundo, para evitarmos que nos tornemos igualmente insensíveis as dores de qualquer irmão do UNIVERSO, do qual pertencemos e assim também não permitiremos que nos tornemos igualmente “nanicos humanos”, pois esta não é a natureza do ser humano que evolui sempre que coloca como mais importante o bem estar de toda a comunidade e não apenas de alguns “eus” que estão se dando bem a despeito da desgraça que se multiplica. Aliás, Uni-verso significa a “união das diversidades”, sejam de pessoas, credos religiosos, pensamentos, raças, culturas, classes sociais, países, civilizações e, principalmente, os seres uni-versais por natureza divina ou cósmica, de onde todos nós viemos.

Pensemos o que estes eventos negativos tem a nos ensinar e de que forma podemos criar e difundir uma outra consciência positiva a este respeito.
Por Atama Moriya.

Vamos ao artigo do jornalista da Folha aqui reproduzido.

A ofensiva israelense na faixa de Gaza assola uma região que já vinha afundando em dificuldades econômicas, sociais e sanitárias muito antes do bloqueio imposto por Israel em junho de 2007, quando o grupo islâmico Hamas tomou o controle da área.

Em março do ano passado, dez meses antes do início dos ataques, a situação do território palestino já havia chocado o chefe da ONU para assuntos humanitários. Após percorrer a região, John Holmes relatou “uma miséria que priva os moradores das mais elementares condições de dignidade” e se disse “escandalizado com as coisas cinzentas [que viu]”.

Maior símbolo do enclausuramento dos palestinos e do racha fratricida entre o partido secular Fatah e o religioso Hamas, Gaza vive hoje a pior situação em 40 anos, segundo a ONG Anistia Internacional.

O retrato alarmista se traduz nos indicadores da região. Mais de 80% dos 1,5 milhão de habitantes do território são pobres, e metade da população ativa não tem renda fixa.

Dois terços dos cerca de 110 mil empregos que existiam no comércio desapareceram nos últimos anos. O bloqueio de 2007 acirrou a crise. Das 3.900 empresas locais de três anos atrás, sobraram menos de 200.
Com o colapso do sistema de esgoto, os dejetos acabam despejados no mar, tornando insalubres as praias mediterrâneas e aniquilando a fonte de lazer preferida da juventude local.

Só há eletricidade durante metade do dia no território, que se assemelha em tamanho e população ao município de Guarulhos (SP) –na prática, duas das áreas mais densamente povoadas no mundo, com mais de 4.000 habitantes/km2.

Refugiados

A miséria de Gaza remonta à partilha da Palestina pela ONU, rejeitada pela maioria árabe da região posta sob mandato britânico após o fim do Império Otomano, na 1ª Guerra Mundial.
Em 1948, milhares de palestinos foram expulsos de suas propriedades e terminaram nas praias da cidade, então um pequeno polo comercial. Acabaram amontoados em terrenos baldios até hoje chamados de campos de refugiados.

Calcula-se que 80% dos atuais moradores sejam membros de famílias antes estabelecidas no que viria a ser Israel.

Gaza em suas fronteiras atuais foi modelada pelo Egito, que controlou a região até a Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando o ocupante passou a ser Israel, que instalou bases militares e construiu colônias.

Após os Acordos de Oslo entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina, em 1993, Gaza viveu seus melhores anos. O novo Parlamento e alguns ministérios da recém-criada ANP (Autoridade Nacional Palestina) ali se instalaram.

Era a época dos hotéis construídos no calçadão à beira-mar e dos investimentos em agricultura e pesca. Um novo aeroporto foi erguido por engenheiros marroquinos e inaugurado com pompa em 1997. Um ano depois, o presidente americano Bill Clinton pousava no local a bordo do Air Force One.

Palestinos podiam na época circular com relativa facilidade entre Gaza e a Cisjordânia.

A segunda Intifada (levante palestino), em 2000, selou o início da degradação da vida em Gaza. Israel apertou o cerco e isolou os territórios ocupados, que aos poucos se tornaram duas entidades distintas.

Enquanto o líder histórico Yasser Arafat agonizava em Ramallah (Cisjordânia), o Hamas se fortalecia em Gaza, graças a uma extensa rede de amparo social. Com discurso incendiário contra os acordos que fracassaram em criar o Estado palestino, os religiosos já eram uma força política quando Arafat morreu, em 2004.

Há três anos, quando Israel retirou colonos e tropas de Gaza, o Hamas já imperava.

Em 2006, o grupo considerado terrorista por Israel, EUA e União Europeia ganhou as legislativas e, mesmo com o corte da ajuda ocidental, governou por um ano, até combates com o Fatah culminarem com a expulsão dos rivais de Gaza.

A população acabou entregue a uma liderança falida e rodeada de inimigos -Egito, Israel e ANP. Vieram então o bloqueio e, agora, os ataques por ar e terra. Gaza não para de piorar.”

Vide outras matéria publica no Portal da UOL:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u485930.shtml

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