OS MESTRES DE SABEDORIA – O Homem Perfeito – Parte 1 C. W. Leadbeater Theosophical Publishing House Adyar, Madras, Índia Fevereiro de 1918

Neste texto publicado por Leadbeater em 1918, portanto há 90 anos atrás, encontramos umas da mais belas pérolas da Teosofia. Muito embora algumas explicações mais detalhadas tenham sido dadas pelo Prof. JHS posteriormente, o texto em si guarda uma extraordinária informação que apesar destas décadas passadas ainda assim é um saber à frente do tempo para a grande maioria, mas é sempre tempo de expandir o conhecimento no sentido de nos aprimnorarmos no eterno “conheça-te a ti mesmo” até para que consigamos ampliar nossas próprias convicções, pelas quais cada um vive, ou seja, viva sempre com as suas próprias convicções e não as convicções do outros.

Quando finalmente você for capaz e maduro mentalmente de criar suas próprias convicções pessoais, você para imediatamente de criticar as conclusões de outros, posto que você estará seguro de suas próprias e não viverá as sob convicções dos outros.

Não estamos aqui para moldar ninguem, convencer ninguem sobre coisa alguma, cada um deve de maneira inteligente colher um dado aqui outro acolá e usando a sua mente elaborar seus próprios pensamentos e verdades pessoais, mesmo que relativas no tempo.

O respeito aos pensamentos, idéias e modos de vida de cada um é o princípio básico da evolução dos seres humanos na sociedade, e isto se fosse levado a efeito de fato tornaria a convivência entre os humanos pacífica, mesmo na total diversidade que é a mola que constroi a evolução, e já teria evitado tantas e tantas lutas e guerras absolutamente “burras” sob o ponto de vista de objetivos da vida em sociedade.

Num momento tão conturbado em que vivemos com tantas incongurências e extremismos, a busca da paz, do equilíbrio, da fraternidade entre os humanos se faz extremamente imprescindível para encontrarmos o caminho da liberdade individual.

Mas vamos ao ensaio de Leadbeater.


“A existência do Homem Perfeito é um dos mais característicos, e também um dos mais encorajadores ensinamentos da Teosofia. Ele deriva, se formos analisar, das doutrinas da Evolução e da Reencarnação. É perfeitamente claro que, se o espírito do homem está constantemente se desdobrando; se ele retorna tantas vezes em novos corpos, cada qual de uma ou outra forma ligeiramente melhor do que o precedente; se podemos ver, como de fato vemos, homens em todos os níveis, em todos os degraus desta escada evolutiva; então certamente é claro que este processo de evolução não termina conosco.

Certamente tem havido homens de todas as maneiras superiores a qualquer um de nós, e também estes homens foram exemplares da evolução humana, e se eles ainda continuam em evolução seguramente ainda devem ser muito maiores do que nós. Onde, pois, estão estes homens tão nitidamente superiores a nós?

Este esquema de evolução deve ter certos estágios definidos, e deve ter uma meta. Por analogia, a probabilidade seria que tivesse diversas metas, isto é, uma meta imediata e uma meta derradeira, esta última mais difícil de entender, pois não podemos ver qualquer razão especial por que este processo deva terminar em algum momento, mas de toda forma provavelmente haja alguma meta imediata, cuja conquista representaria como que a flor da humanidade — na forma em que ela se apresenta hoje. Se for assim, deve haver então alguns que a tenham alcançado, certamente deve haver muitos que se aproximam dela mais do que nós até agora. Em todas as épocas ouvimos falar de grandes homens; a igreja, por exemplo, nos conta sobre seus grandes santos do passado.

Estes Homens Perfeitos são santos, mas também muito mais que santos, pois são homens que realizaram tudo o que há para realizar. Como é dito em A Luz da Ásia, eles completaram o propósito daquilo para que se tornaram Homens, e por isso agora são mais que homens. São super-homens, e estão entrando em uma etapa de evolução mais elevada do que qualquer uma que conhecemos.

Pois o sistema de evolução é que a Mônada, que é uma centelha do fogo divino, desce à matéria. Nenhuma palavra que possamos usar é estritamente aplicável a esta Mônada; ela permanece além de todos os nossos poderes de expressão, mas chegaremos talvez um pouco mais perto dela se a chamarmos simplesmente de um fragmento da Divindade.

Na verdade não pode haver nenhum fragmento naquilo que é onipresente, mesmo assim, imagino que nenhum outro termo seja mais enganoso. A Mônada tem sido chamada de um reflexo da Deidade, mas é muito mais que um mero reflexo, e para nosso entendimento limitado o termo fragmento expressa mais a realidade do que esse outro. Mas é claro que, devo admitir, é um termo bastante falho para se usar. Então este fragmento, sendo um fragmento do Divino, tem em si, em potência, toda a bondade, toda a perfeição.

O que ele tem de fazer quando entra no curso de tal evolução é expressar tudo isso. Assim como é, por mais Divino que seja, ele parece ser incapaz de atuar aqui nos planos inferiores. Ele precisa descer à matéria a fim de como que obter nitidez, exatidão e uma compreensão dos detalhes físicos. Ele já deve saber muito mais do que nós cá embaixo podemos saber a respeito do infinito, do lado superior e grandioso de tudo, e mesmo assim aparentemente não possui o poder de captar os detalhes físicos aqui embaixo, o poder de atuar na matéria física com nitidez e precisão. Ele só pode descer até certo nível.

Até onde nos interessa, neste sistema solar ele só desce até o segundo de nossos planos. Em Teosofia falamos de certos planos ou subdivisões da matéria; destes temos sete, e contando de cima para baixo esta Mônada desce só até o segundo, e aparentemente é incapaz de penetrar inteira mais abaixo.

Ela pode projetar uma pequena parte de si mesma bastante além, até a parte superior do que chamamos plano mental, que é o quinto a partir de cima; aparentemente só consegue chegar à parte superior deste plano, e então novamente chega ao limite de suas possibilidades. Esta projeção é o que chamamos de Ego. Ele corresponde de perto ao que algumas pessoas chamam de Alma.

Quando o Ego ainda é subdesenvolvido ele precisa de vibrações fortes e relativamente grosseiras para estimulá-lo de início, e como estas não existem em seu próprio plano, ele tem de penetrar até os planos inferiores a fim de encontrá-las. Portanto, ele faz por sua vez o que fez a Mônada. Ele como um todo não pode descer mais para baixo, mas pode projetar uma pequena parte de si mesmo até o plano físico em que ora vivemos, e a este pequeno fragmento de um fragmento damos o nome de personalidade. Assim esta personalidade mergulha na matéria em nome do Ego, ou Alma, de que é uma parte, e seu objetivo é voltar àquele Ego levando consigo o resultado daquilo que aprendeu a fazer.

Ela, como uma pequena fração daquele Ego, aprende a atuar aqui embaixo, a trabalhar através de um cérebro físico; aprende a atuar nos corpos astral e mental, e logo volta para o Ego levando consigo as capacidades que tiver desenvolvido. A capacidade de responder a um conjunto de vibrações que chamamos de amor, a outro que chamamos de devoção, a outro de simpatia, e assim por diante. Tudo pode ser expresso em termos de vibração, e isso de muitas maneiras é o modo mais científico de abordar o assunto.

De qualquer forma, este fragmento volta muitas vezes para o Ego de onde veio, levando consigo a cada vez poderes levemente mais desenvolvidos. Então chega um tempo no processo de evolução quando o Ego unifica a personalidade consigo mesmo. O indivíduo então entra em um treinamento especial, e a finalidade deste treinamento especial é levá-lo tão logo seja possível ao padrão que é estabelecido para a humanidade neste conjunto particular de mundos por onde estamos evoluindo. Este ciclo particular de evolução em que estamos engajados pretende nos levar a um certo nível definido.

Quando um homem atinge este nível ele terá chegado no estágio em que Ego e Mônada se unificam, quando a Mônada pode usar o Ego simplesmente como um instrumento, a atuar através dele em todos os planos em que esteve evoluindo. Este é o fim da evolução puramente humana, e então um homem fica pronto para o Adeptado.
Todos os reinos inferiores, e a evolução que ocorre através deles, são preparatórios para isso que lhes estou explicando, pois lembrem que o Ego só desce quando a individualização acontece.

O que quero dizer por individualização é a entrada de um Ego definido e separado no homem. Todos nós estamos em algum estágio definido de evolução, certamente alguns à frente de outros, mas em linhas gerais nossa situação é esta: nossos corpos físicos estão já desenvolvidos, e devem estar sob nosso perfeito controle. É claro, sabemos que em muitos casos eles não estão, mas todos reconhecemos que deveriam estar; esta parte da evolução já está realizada. Já desenvolvemos completamente o veículo seguinte, o corpo astral, mas ele não está ainda sob perfeito controle, exceto no caso de poucos indivíduos.

O corpo astral é o veículo da emoção e do desejo, e a maioria da raça humana sem dúvida vive em suas emoções, e para suas emoções e desejos. Há uns poucos que já dominaram este eu inferior e transcenderam todos os desejos, e vivem para propósitos completamente diversos e mais elevados, mas ainda são só poucos, e a maioria das pessoas ainda está no estágio onde devem estar trabalhando para conseguir controle sobre seu corpo de emoções e desejos.

O veículo seguinte, o corpo mental, em todos nós ainda está em processo de desenvolvimento. Seguramente o intelecto já fez muito por nós, mas é capaz de fazer muito mais, e fará muito mais. Nossos corpos mentais ainda estão só parcialmente desenvolvidos, exceto no caso de raríssimas pessoas.

Assim, quando estes três veículos estão subordinados ao Ego, o homem está pronto para entrar naquela forma superior, especial, de treinamento, mas isso não quer dizer, é claro, que aquele que se torna um Iniciado já os desenvolveu em plenitude; certamente não o fez, pois se o tivesse feito, teria chegado ao Adeptado.
Mas o homem que está trilhando a senda deve ter um único objetivo, um único anelo: o de auxiliar a evolução. Quando o caminho de descida até a humanidade tiver se completado, quando o homem tiver conquistado o Adeptado, então ele passa a viver sua vida real, a vida da Mônada, para o que tudo que aconteceu antes foi apenas uma introdução.

Se alguém puder compreender este conceito de evolução, verá de imediato que nossas ações e nossos objetivos em qualquer de nossas vidas só podem ser relativos, só de pequena monta, quando comparados ao todo. Quando uma pessoa pensa que vive apenas uma única vida aqui, é claro que seus objetivos nesta vida única são coisas de real importância para ele, mas quando ele percebe que esta vida única é só um dia em uma vida mais vasta, todas estas coisas que dizem respeito a um só dia se tornam coisas de importância menor.

Porém tal homem, tendo se tornado um Adepto, tendo chegado à meta da vida humana, usualmente descarta todos os corpos materiais, mas conserva o poder de assumir um corpo em qualquer nível sempre que isso for necessário para o trabalho que estiver fazendo, e podemos imaginá-lo como um ser muito semelhante a um anjo. A palavra anjo deriva de uma grega que significa mensageiro.

Os anjos são mensageiros de Deus, e desta forma estas pessoas que são mais que humanas também se tornam Seus mensageiros, e a humanidade terá sido apenas uma etapa que atravessaram a fim de poderem desenvolver o poder de ser Seus mensageiros, e as faculdades requeridas para esta função. A maioria deles, como disse, não possui corpos físicos, e passam completamente para além de nosso alcance, mas alguns destes Homens Perfeitos permanecem em contato com o mundo, a fim de cumprir funções que são necessárias para o progresso da evolução no mundo.

Ao contrário do que muitos pensam, o progresso humano não é deixado a tomar conta de si mesmo, ele está sendo constantemente guiado, com segurança, embora com vagar, ao longo de seu rumo; o progresso é muito lento, este progresso da humanidade através dos séculos, embora seja um progresso definido, e de qualquer forma está seguindo em frente, e à medida que prossegue é decididamente guiado. Sei que o conjunto da evolução se parece a um simples caos quando olhamos aqui de baixo, mas quando observamos de cima vemos que, por mais lento que possa parecer, o progresso é ordeiro.

A conquista da perfeição é uma possibilidade que certamente está diante de toda pessoa no curso de sua evolução, e a qualquer momento dado ela pode voltar sua atenção para esta sua evolução e pode acelerá-la grandemente, se tomar suas rédeas com inteligência.

Alguns poucos daqueles Homens grandes e aperfeiçoados permanecem na retaguarda a fim de preencher os postos relacionados com a direção dos diferentes desenvolvimentos da evolução terrena.

Dentre este pequeno grupo um número ainda menor dispõe-se a tomar aprendizes, a tomar homens que pensam como eles, e a treiná-los para fazerem o trabalho que eles mesmos fazem. Aqueles que já chegaram a este nível, até onde diz respeito a este mundo, é somente um pequeno grupo de homens; logo se entenderá que eles são homens não de uma única nação, mas de todas as nações desenvolvidas do mundo. Eles são homens que, tendo triunfado, ficam livres das leis que usualmente governam a humanidade — quero dizer com isso as leis que obrigam as pessoas encarnar neste ou naquele lugar. Eles já não estão sujeitos à encarnação, e se tomam um corpo o fazem com o propósito de auxiliar a humanidade, e podem fazê-lo onde e quando bem entenderem. Não tem nenhuma importância especial a raça em que eles escolhem aparecer.

Posso atestar a existência de dezesseis destes Grandes Seres, a quem conheço pessoalmente. Sei de muitos mais além destes, mas estes são os que tenho entrado em contato mais ou menos próximo, e pertencem todos eles à maioria das raças mais avançadas. Quatro deles atualmente usam corpos indianos; dois têm corpos ingleses.

Um dos mais elevados de todos está em um corpo irlandês, dois são gregos, e outros três têm corpos de raças arianas, mas não sei qual foi seu lugar de nascimento. Há outros ainda mais insignes que provêm de uma evolução inteiramente distinta. De modo que se percebe que não há fundamento para a idéia comum de que todos estes Mestres pertencem a uma só raça, nem que neste plano vivem todos juntos como monges em um mosteiro.”

– continua –

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