Brasil pode ganhar poder com “nova ordem mundial”, dizem especialistas em conferência em São Paulo. O que você acha?

Esta percepção de uma nova ordem mundial que se estabelece à partir da crise econômica ainda é tênue para a grande maioria, entretanto vai ganhando força e assim será nas próximas duas décadas, quando teremos uma construção de uma globalização multipolar econômica e mais nenhum país atuará como líder único e senhor do resto.

Entretanto, antes disto, de uma nova hegemonia globalizada, muitas coisas devem mudar para melhor ao longo dos anos.

O Brasil já desponta como líder do Bloco Sul Americano, o grande paizão do Sul, e defensor dos emergentes. Mas, reparem que tem sido ao longo dos anos uma liderança pacífica e de diálogo, como demonstram os recentes episódios com a Bolívia e Paraguai com seus rompantes de nacionalismo exacerbado, mas que habilmente estão sendo conduzidos a um diálogo amigável.

Naturalmente diante da crise países como a Colômbia que depende dos EUA, a Bolívia que depende da Venezuela e esta com o Equador dependente de vendas de petróleo vão ter grandes dificuldades no ano que vem.

Mesmo a poderosa Argentina não está no seu melhor momento econômico e deve cada vez mais depender de um Brasil solidário que não force demais a venda de seus produtos baratos para não provocar uma crise maior de desemprego. Internamente a Argentina deve encontrar dificuldades com a queda das commodities de alimentos o que significa menor saldo comercial em 2009.

O Chile um país equilibrado socialmente, mas dependente muito dos EUA também vai ter que se apegar ao MERCOSUL para manter suas vendas e sua produção agrícola, embora nunca tenham de fato colaborado com os demais países achando-se protegida pelo mercado americano, sempre teve muita tolerância dos demais países deste Bloco, principalmente brasileiro. Justamente é nisso que reside uma liderança pacífica a despeito de uma política mais voltada para outros interesses, o nosso Brasil sempre foi tolerante com seus vizinhos, embora a reciprocidade não tenha ocorrido na mesma proporção econômica.

É natural de países mais pobres um levante contra países mais ricos achando que estão sendo explorados economicamente e, portanto devem ser combatidos e neutralizados. Uma visão deficiente dentro das economias.

Entretanto, esta crise econômica deve mesmo aumentar e fomentar a xenofobia entre os povos nos próximos anos em todo o mundo. Basta observar o continente europeu que já fecha as portas para a imigração latina e africana, como se isto fosse o mau que enfrentam.

Ao contrário, no Brasil sempre adotamos uma política imigratória muito tolerante, tolerante até demais. Mas quem sabe isto seja mesmo o certo a se fazer ao invés de darmos o troco?

O Brasil enfrentará muitos problemas estruturais em 2009 forçados pela recessão mundial e deflação de ativos das empresas, mas creio mesmo que estamos em condições de superar este período até com certo equilíbrio, desde que o governo federal entenda que neste momento também é necessário cortar gastos na mesma proporção do decréscimo econômico.

Creio também com câmbio em níveis elevados, mais uma taxa Selic estratosférica não ajuda nada neste período, sendo recomendável utilizarmos este momento e promovermos mesmo a redução drástica da Selic, talvez uns dois pontos acima da inflação. E talvez o crédito interno possa ser ofertado a preços bem menores. Manter esta taxa elevada é mesmo uma contra-mão no mundo, quando todos os Bancos Centrais estão a reduzi-la ao mínimo. A atração de mais capitais especulativos em função de taxas elevadas não é uma maneira boa de fazer crescer a economia à base de crédito, um mecanismo de crescimento ilusório. Aproveitam-se momentos difíceis para se corrigir estes desvios. Do contrário vamos continuar remando sempre do lado contrário e sempre dificultando a vida dos mais pobres neste país.

Uma redução no crescimento não seria a coisa mais grave em 2009, desde que ela venha acompanhada de ajustes estruturais, reduções na dívida pública, nos gastos de governo, e da carga tributária, assim nos permitiremos a nos descolar mais do sistema financeiro internacional, cuja dependência maior é desastrosa como estamos vendo.

A globalização como processo leva um revés neste momento, mas isto foi bom afinal, porque provado está que a imposição de políticas neo-liberais se mostraram desastrosas para dezenas de países, e assim volta a ganhar fôlego políticas mais ortodoxas com o Estado gerindo mais as relações econômicas da sociedade.

A idéia de uma “total liberdade” econômica mostraram muitas incongruências, com empresas privadas tomando espaços nos estados que vendiam importantes empresas e terceirizando até políticas e regras da economia, o que demonstrou ser um enorme fracasso na busca de justiça social, posto que a pobreza aumentou neste mesmo período, os salários se reduziram enormemente, o setor de serviços cresceu absurdamente, os preços dos serviços subiram muito, as populações tiveram que se endividar para sobreviver,e mais países quebraram e mergulharam na miséria mundial.

Isto sem contar com a idéia absurda de que a economia mundial globalizante não podia parar de crescer em detrimento do aumento do “global warming” cujas conseqüências iniciais já mostram que serão muito duras para os países mais pobres.

Na notícia divulgada ontem:

“A crise econômica mundial está provocando mudanças profundas na geopolítica e, nesse novo cenário, o Brasil pode assumir um papel de maior destaque, afirmaram especialistas reunidos nesta sexta-feira em São Paulo, na conferência “Mudanças na balança de poder global: perspectivas econômicas e geopolíticas”, promovida pelo Centro de Estudos Americanos da FAAP e pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso.

De acordo com embaixador Sergio Amaral, diretor do Centro de Estudos Americanos da FAAP, meio ambiente, terrorismo e energia serão algumas das preocupações conjuntas do mundo multipolar.

Para Amaral, há indícios de “fadiga” do processo de globalização. Além disso, em sua opinião, o mundo depois da crise tende a ser marcado pela “volta da regulação estatal, o fechamento das economias e muros contra a imigração”.

O diretor de publicações do Centro para o Estudo da Globalização da Universidade de Yale, Nayan Chanda, disse que o mundo atual está baseado em quatro pilares: sistema capitalista, equilíbrio nuclear, manutenção da governança por meio da ONU e o sistema de comércio global. “Os quatro estão abalados”, afirmou.

De acordo com Chanda, o equilíbrio do poder nuclear foi quebrado com o surgimento de novos países nesse cenário, como Israel, Índia, Paquistão, Coréia do Norte e, possivelmente no futuro, Irã.

O comércio global também dá sinais de enfraquecimento, principalmente após o fracasso das negociações da Rodada Doha, afirmou Chanda.

Ele citou ainda o aumento do protecionismo e do sentimento contrário aos imigrantes como aspectos do novo cenário mundial.

Nessa nova realidade, Chanda destacou a rapidez com que os países reagiram à crise, a diáspora que faz com que a população mundial tenha se espalhado e pode ser uma barreira contra o nacionalismo, e o papel de destaque das comunicações no sentido de integrar o mundo.

Segundo o historiador Paul Kennedy, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, o “momento unipolar” (expressão cunhada pelo analista Charles Krauthammer) surgido após a Guerra Fria, em que os Estados Unidos assumiram uma posição de grande poder, dá mostras de estar chegando ao fim.

Diretor de Estudos de Segurança Internacional de Yale, Kennedy atraiu atenção mundial no final da década de 80, ao lançar o livro Ascensão e Queda das Grandes Potências, em que discutia o declínio dos Estados Unidos.

De acordo com o professor, se no aspecto militar os Estados Unidos continuam sendo uma grande potência, na área econômica e de finanças o cenário é diferente.

“Mesmo antes da crise dos mercados de sub-prime já era possível perceber uma mudança de poder, com a crescente influência de outras partes do mundo, como a Ásia”, disse Kennedy.

Segundo Kennedy, a atual crise deve marcar o início de um mundo multipolar, no qual os países são interdependentes e estão interconectados. “A crise mostrou que o Fed já não pode agir sozinho”, disse. “Os países devem trabalhar juntos”.

Com essa nova realidade, disse Kennedy, ganha cada vez mais importância o chamado “soft power” –termo criado pelo professor de Harvard Joseph Nye para definir o poder de uma nação de influenciar e persuadir, sem uso de força militar, mas pela diplomacia.

Entre os países que poderiam exercer esse tipo de influência, os especialistas citam o Brasil,

e China.”

Atama Moriya, em 25-10-2008

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