Fome mundial, uma crise que demanda a mudança de hábitos se desejamos diminuir o sofrimento de bilhões de seres humanos

Esta não é mais apenas uma questão filosófica de querer bem ao próximo, de querer bem a outros seres humanos, pois, comprovado está através de estudos científicos e análises criteriosas levadas a cabo por ONGs, Universidades e Centros de Pesquisas no mundo que a civilização atual já atingiu os limites de sustentabilidade da vida sobre o Planeta.

Na prática diversos parâmetros adotados hoje nas culturas as quais se formaram ao longo de séculos de existência dos países e que formam os hábitos e usos e costumes colocam-se diametralmente contra qualquer forma possível de que a Civilização como um todo na Terra possa um dia proporcionar bem estar com graus satisfatórios de equilíbrio a maioria dos habitantes do Planeta. Isto é impossível como veremos a seguir.

Vamos enfocar brevemente alguns destes fatores:

a) Há produção de grãos suficientes para alimentar pelo menos duas vezes a quantidade atual de habitantes do Planeta, segundo dados da OMS. Entretanto, pelo menos 60% destes grãos são desviados para o fabrico de ração animal e parte é utilizada para fabrico do etanol, principalmente o milho. Do restante, que ainda assim daria para proporcionar alimento suficiente para quase todos os habitantes do mundo, vemos que há déficit enorme nos países considerados mais pobres e que vivem em crise extrema, impossível até mesmo de acreditar que isto continue a ocorrer em pleno século XXI, na era dos computadores pessoais, internet, pesquisas de átomos em aceleradores de partículas, naves em marte, etc.

As carnes animais e derivados como leite são importantes, entretanto, observa-se que mais do nunca temos que repensar esta questão, visto que a carne animal está a alimentar bem menos que 30% da população. Os demais ou tem pouco acesso, ou não este acesso.

Outro aspecto importante da criação bovina cujos rebanhos no mundo são gigantescos é o consumo de água potável destes animais em razões de milhares de litros por ano, alem de utilizarem também áreas vastas que poderiam ser mais bem aproveitadas na agricultura humana. Tanto isto é importante que na China não há incentivo para a criação animal.

A água pelos modelos climáticos será um dos bens mais preciosos no futuro para a manutenção de toda espécie de vida.

O que importa mais neste momento: manter vivos bois, frangos e porcos para consumo de poucos ou diminuir a produção animal para produzir mais alimento agrícola para manter vivos os humanos que passam fome pelo mundo, e segundo cálculos da ONU pelo menos 1 bilhão de seres humanos estão passando ou por fome aguda ou fome grave? O que você acha? Vida aos animais e morte ao humanos principalmente africanos? Você está assinando embaixo esta sentença de morte acaso não tome uma atitude positiva diante deste fato.

b) Acaso, segundo trabalho realizado pela WWF, o homem vivesse com os padrões de consumo (hábitos) da classe média alta e rica, tomando como base, por exemplo, os EUA com suas classes A e B, seriam necessários para estender este mesmo padrão de vida (considerado pela maioria como o ideal da humanidade) cerca de 5 planetas terras, posto que os recursos atuais não possibilitam matematicamente(de impossível mesmo) este padrão de vida para todos os 6,5 bilhões de habitantes.

c) Nesta mesma pesquisa, se adotássemos o padrão das classes A e B do Brasil, ainda assim teríamos a necessidade de consumir os recursos naturais de 1,16 planetas Terra. O que prova que os fatores de abundância da forma apregoada são falsos, e que o desperdício e desprezo humano com relação à própria vida do Planeta e dos demais humanos é enorme. Não existe qualquer respeito e vontade em dividir recursos que ora se mostram escassos e limitados, mas mesmo assim, centenas de milhões de indivíduos vivem de forma irresponsável diante destas realidades que hoje colocam em absoluta miséria, sem qualquer necessidade justificada de ética ou moral e sem qualquer compaixão, milhões de seres humanos, e estes, mesmo que vivos por alguns anos de vida, serão nesta vida apenas sobrevivente de vida curta da pior de todas as guerras, a guerra humana do egocentrismo.

d) Triste é observar que mantidos os padrões comportamentais atuais das civilizações, padrões estes que consideramos os ideais para um bom-viver, não haverá em tempo algum (nunca mesmo) possibilidade de estender este benefício a todos os seres humanos do Planeta, ficando deste modo atual, restrito a qualidade de vida a somente uns quinhentos milhões de habitantes, sendo que os demais devem mesmo se conformar em viver, dentro das possibilidades, apenas como sobreviventes. Restando provado que uma sociedade mais justa com relação a renda, bens de consumo, conforto, educação, saúde e principalmente alimento farto é mera utopia, mesmo que vendido pelos países mais ricos como objetivos que devem ser alcançados em algum tempo. Uma falsidade ideológica que engana bilhões de seres humanos que estão condenados a serem apenas sobreviventes, e seus descendentes também. Impossível conceder os padrões de vida das classes A e B do mundo as demais classes C e D, e então, pergunta-se: por que vivem? Por que teimam em viver se não há perspectivas alguma, nem daqui a cem anos?

e) Outros fatores também precisam ser analisados, por exemplo, a matéria prima para a produção de bens com base em minerais, tais como ferro, alumínio, cobre, zinco, chumbo, etc., está se esgotando e em mais cinqüenta anos muitos deles não existirão mais na forma de minas, somente reciclados, o que tornará mais escassos os bens que proporcionam bem estar social e cada vez mais se tornarão bens somente para alguns, aumentando a disparidade entre o bem estar que a tecnologia pode proporcionar aos poucos ricos e o bem-estar que poderá ser disponibilizado às massas trabalhadoras.

f) Na questão da produção de alimentos impensável está hoje o incentivo ao aumento das fronteiras agrícolas no mundo, uma vez que cada vez que provocamos mais desmatamentos para cultivo da terra, mais estamos provocando uma nova série de eventos climáticos indesejáveis, e já basta a destruição que causamos e cujas conseqüências tendem a se agravar nos próximos anos e provocará a morte de milhões de seres humanos também.

g) Na questão do petróleo, hoje o mais importante dos minerais, também se estima que as reservas estarão reduzidas a menos da metade em trinta anos, e em cinqüenta anos poderá não haver mais petróleo no mundo. A falta do petróleo como fonte de combustível não é tão importante assim, posto que é substituível por outras alternativas energéticas em curso no mundo. Entretanto, a diminuição de inseticidas e herbicidas na agricultura se mostrará fatal para a humanidade, posto que sem estes produtos derivados do petróleo, as produções tendem a se reduzir a apenas 30% da atual, e cientificamente ainda não se encontrou nem mesmos possibilidades de manter esta alta produção atual sem utilização maciça destes produtos.

Para pensarmos na existência futura do homem sobre a Terra algumas modificações comportamentais são fundamentais e tais mudanças embora que lentas para serem absorvidas (normalmente em três gerações) necessitam que sejam implantadas de imediato para frutificarem no longo prazo, caso contrário nunca mudaremos nada de importante.

1) Modificar paulatinamente todas as estruturas econômicas para que seja possível estender os benefícios alcançados tecnologicamente a todos os níveis sociais e a todos os países do Planeta, isto significa uma mudança na postura mental de exploração dos ricos sobre os mais pobres, sejam pessoas ou países estes componentes.

2) Diminuição do poder e força do setor terciário de serviços a nível mundial, deixando que sejam os motores da economia, e voltem a ser apenas coadjuvantes na produção agrícola (que é a básica) e a industrial. Ta postura significa a mudança de valores de vida. E basicamente através da educação permita-se que os novos seres compreendam que há limites a serem colocados na questão do egocentrismo em favor do bem estar social equilibrado para todos os seres humanos.

3) Diminuição nos padrões de consumo de carne e derivados, não porque isto faz bem ou mal à saúde, mas que esta diminuição dos rebanhos tende a provocar melhor distribuição dos alimentos pelo mundo e a preço menores que os praticados no mercado atual onde tudo virou commoditie especulativa a despeito da fome mundial que assola milhões de vidas.

4) Diminuição dos padrões de consumo e desperdício de alimentos e bens industriais pelas classes sociais, principalmente a A e B, que serviriam de exemplo também para as demais classes sociais emergentes. Não há razões lógicas para manutenção de vaidades, egoísmos e exageros somente porque se tem dinheiro sobrando. Tudo no Planeta está em contagem regressiva na escala de exploração, e até mesmo os reinos animais estão sob grave risco de extinção. Só para se ter uma idéia a população de sardinhas hoje é de apenas 20% do havia há cem anos, e junto com a sua redução populacional, milhares de outras espécies de peixes do eco-sistema marítimo estão seriamente ameaçados de extinção em poucas décadas, e as conseqüências de quebra deste equilíbrio serão gravíssimas para vida do homem na Terra. O ser humano tem pouquíssimo conhecimento sobre a vida animal na terra e sua importância na sustentabilidade da vida humana. Está brincando em terreno onde ele é totalmente ignorante.

5) Redução do consumismo irracional de bens, sejam máquinas, carros, eletrodomésticos, eletrônicos, etc.; isto ganha um caráter de urgência para que importantes matérias primas não desapareçam no Planeta. Trocar por trocar é apenas consumismo desnecessário que não tem ajudado na preservação da natureza. Haverá falta de tudo em pouco tempo.

6) Redução drástica da produção industrial que traga mais desequilíbrio ao meio ambiente e que estão colaborando fortemente no agravamento do “Global Warming”, cujas conseqüências já em curso são por demais graves e merecem um respeito muito maior do que se tem dado como ao protocolo de Kyoto, o qual mesmo tímido, seria uma bom começo, mas sequer foi aceito pelo maior poluidor mundial, os EUA.

7) E se os governos nada fazem que façam os cidadãos do mundo todo, diminuindo a sua contribuição individual na destruição planetária. Tais atitudes isoladas podem aparentemente representar pouco, mas o exemplo sendo estendido poderá abranger a milhões de pessoas, e então podemos fazer uma enorme diferença para as futuras gerações que herdarão esta Civilização que ora encontra-se totalmente apodrecida, mas tende a renascer dependendo da atitude dos que estão hoje na Terra.

Atama Moriya, em 16-10-2008

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5 respostas para Fome mundial, uma crise que demanda a mudança de hábitos se desejamos diminuir o sofrimento de bilhões de seres humanos

  1. martacosta disse:

    «Nada é permanente neste mundo cruel. Nem mesmo os nossos problemas.»

    Visite e participe no fórum «Cais112» onde pode falar de tudo que esteja relacionado com saúde, desemprego, sociedade, desabafos, etc.

    Para que possa encontrar ajuda e ajudar o próximo com as sua experiências.

    Visite-nos e faça do «Cais112» um cais de interajuda para quem mais precisa!

    http://www.cais112.com

  2. Borboleta disse:

    Está mais que na hora de servir de exemplo às crianças e mostrar que, para se viver precisamos de muito pouco. Ensinar valores como ética, respeito, ensinar a viver sem apegos exagerados e sem sentido.

    Devemos ensinar que nós é que possuímos os bens materiais e não o contrário.

  3. Adriana disse:

    Amém!!! Meu anjo!!! Amém!!!

    bjks

    Adri

  4. Atama Moriya disse:

    Adriana,
    Já muitos vem tentando há milênios ensinar ao homem que sem amor, ética e moral ele não chegar a lugar algum. Se não aprende por bem, vai ter que aprender por mal.
    Uma pena.

    Que Deus ilumine estas cabecinhas infantis.

    Atama.

  5. Adriana disse:

    Olá boa noite!!!

    Fico imensamente feliz Atama, por você nós proporcionar momentos grandiosos de reflexão sobre valores “reais” de vida. Valores esses tão distorcidos e incompreendidos, onde eu fico desnorteada quando escuto, falar se tanto sobre crise econômica, enquanto vivemos uma crise muito mais grave que se alastra por anos e anos de valores éticos, morais e amor. Valores esses que seriam o suficiente para aprendermos a respeitar a vida como um todo.

    Triste assistir esse espetáculo desumano, onde se constroem riquezas absurdas à custa de vidas roubadas.

    O jeito é adquirir a cada novo dia, a consciência do valor e da responsabilidade que temos diante da vida, do Criador. Em buscar fazer o melhor que podemos, e que esses melhor, o bem produzido por ele, seja um bem comum a todos.

    E quem sabe, assim, nós aprendemos o real sentido de “AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS. E AO PROXIMO COMO A TI MESMO”.

    Beijos,

    E bons sonhos a todos!

    Adriana

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