Eros e Psiqué, o mito do Amor e Paixão Humana

Eros e Psiqué

Todos os contos míticos trazem em seu conteúdo toda uma interpretação da própria psique humana e não por acaso surgiram em eras pré-cristãs transmitidas naquele tempo de boca a ouvido e depois transformadas em livros que atravessam os tempos.

O ser humano ainda se desenvolvendo num eterno aprender do conheça-te a ti mesmo das lições gregas e cristãs sempre se depara com os mitos que sãos os seus próprios mitos incompreendidos dentro de si.

Cada vez que uma etapa na civilização se cumpre, como a que estamos assistindo neste momento, ao vivo, verificamos o intenso questionamentos que nasce ou renasce para a cada momento agregar uma nova conclusão ou uma nova compreensão diante de todas as suas contradições de vida. Contradições criadas pelo próprio ser humano e que nos levam a viver de maneira absolutamente “vazia” na maioria das vezes.

O amor é um mito? Talvez o seja à maioria dos seres, e compreendê-lo e principalmente recebê-lo é o maior desejo do inconsciente humano, mas enquanto não o tem desenvolvido de maneira como é o verdadeiro amor, o ser tenta se completar com o que pode na vida terrena, desde belezas, estereótipos, poderes, vaidades, orgulhos, materialidades, buscando com isto preencher um buraco dentro de si, criado com o fim da androginia na época Lemuriana, quando Psique se separou de Eros, sua cara metade, sua metade da laranja, como dizem, ou como o misticismo define melhor: sua outra polaridade.

Desde a separação dos sexos, todos os humanos se sentem “faltantes” em alguma coisa, e essa busca descontrolada, irreconhecida, incompreendida e até ignorada racionalmente, tem levado aos seres a busca constante da paixão imorredoura. Mas a paixão apenas acalenta, mas não preenche, apenas ilude e não satisfaz de verdade porquanto é movida pelos conceitos, parâmetros e referenciais criados pelo próprio homem que desconhece ainda a sua verdadeira natureza divina.

Na kaballah de muito antes da era cristã, aprende-se que a natureza principal do homem é apenas desejar receber seja o verdadeiro amor que floresce na alma ou simplesmente aquilo que entende e compreende em seu limite como sendo amor, tanto faz, pois que a sua natureza é esta. Receber é um desejo que o homem necessita compreender em si mesmo para de indomável, torná-la também consciente.

Não sabemos se poderemos um dia domar este desejo de amor, talvez nunca, ou talvez apenas possamos administrá-la em nós mesmos para além de apenas receber amor, possamos também como Eros saber doar.

Doar não foi o que Psique desejou ou aprendeu a fazê-lo, posto que ilude-se sempre com as referencias que adota como reais, mas sempre ao final demonstram serem falsas.

Ideais falsos levam ao seres humanos viverem as suas Psiqués ou psiquismos durante muitas e muitas vidas, e sempre são razões de questionamentos sempre há uma renovação dos princípios de vida através dos questionamentos filosóficos sobre a existência da vida.

Quando se questiona a existência de Deus, psiquicamente está se questionando a existência dentro de si de algo que seja imutável e eterno, a anima, pois o ser em sua ignorância de quem seja não pode compreender que sentimentos sãos estes que ele tanto deseja, o amor, e sua extensa necessidade de ser amado. Sendo o ceticismo uma aba tresloucada nas angústias, posto que não tendo alma ou Deus para culpar, de onde vem as dores, os sofrimentos, e os desejos de ser amado? O cérebro é inerte e incapaz de gerar sentimentos e emoções, apenas processa, mas as dores e emoções são dores que partem do coração. E o coração parece ser o que alimenta o infinito desejo de receber, seja o que for que ele conceba como sendo “amor”.

Paixão e amor são nobres sentimentos e são completamente diferentes entre si. A paixão é fruto da anima, que tudo anima e provoca, que arrasa e nunca completa, mas o amor é sublime e não se prende a um modelo “de amor”, a um molde, um estereótipo criado pela “loucura” do homem que perdido em suas própria natureza humana, cria infundadas bases pelas quais outros “cegos” vão derrapando pela vida até chafurdarem em sua própria lama, para enfim, em alguma vida, conhecer sua própria alma espiritual.

De todas as ilusões de vida que os seres conhecem, apenas o amor verdadeiro se exclui de todas as ilusões, é o que ensina Eros a Psique, para que esta (a alma anímica) aprenda a viver e reconhecer sua limitação e ajoelhando-se a sua outra metade divina aceite e compreenda finalmente a sua natureza de amar como ser espiritual e não mais como nas paixões da anima, as paixões animais, que tudo podem, desde instigar os desejos mais profundos, despertar os desejos mais secretos, inspiram as belas criações terrenas, mas um dia, como Psique, despertam desta ilusão e compreendem que destes erros geraram filhos apenas humanos e não Deuses, como promete Zeus e Afrodite.

Do amor das paixões nascem e renascem, vida após vida, apenas seres mortais, mas do amor de Eros, prometidos por Zeus, surgem não mais as ilusões, mas o filhos da imortalidade.

O Amor de Eros não é estar simplesmente estar com sua cara metade, sua parte perdida na divisão de Eros e Psique, mas fundamentalmente fundir-se novamente na desejada e inconsciente vontade de tornar a se unir, como dantes havia num Grande Oceano da casa de Zeus.

A felicidade está justamente em transformar a paixão de Psique em amor, uma lição para todos, mas com resultados apenas para alguns que compreendem o mito que vive dentro de si. Fugir da tragédia em vida, é reconhecer o Amor que está mascarado e muitas vezes como serpentes e monstruosidades definidas por uma civilização que ora se desfaz em conceitos de vida.

Mas vamos ao mito.

“Eros e Psique – Uma tragédia anunciada e o mito do Amor Perfeito
Psique era a mais nova de três filhas de um rei de Mileto e era extremamente bela. Sua beleza era tanta que pessoas de várias regiões iam admirá-la, assombrados, rendendo-lhe homenagens que só eram devidas à própria Afrodite, a Deusa do Amor.
Profundamente ofendida e enciumada, Afrodite enviou seu filho, Eros, para fazê-la apaixonar-se pelo homem mais feio e vil de toda a terra. Porém, ao ver sua beleza, Eros apaixonou-se profundamente.

O pai de Psique, suspeitando que, inadvertidamente, havia ofendido os deuses, resolveu consultar o oráculo de Apolo, pois suas outras filhas encontraram maridos e, no entanto, Psique permanecia sozinha. Através desse oráculo, o próprio Eros ordenou ao rei que enviasse sua filha ao topo de uma solitária montanha, onde seria desposada por uma terrível serpente. A jovem aterrorizada foi levada ao pé do monte e abandonada por seu pesarosos parentes e amigos. Conformada com seu destino, Psique foi tomada por um profundo sono, sendo, então, conduzida pela brisa gentil de Zéfiro a um lindo vale.

Quando acordou, caminhou por entre as flores, até chegar a um castelo magnífico. Notou que lá deveria ser a morada de um deus, tal a perfeição que podia ver em cada um dos seus detalhes. Tomando coragem, entrou no deslumbrante palácio, onde todos os seus desejos foram satisfeitos por ajudantes invisíveis, dos quais só podia ouvir a voz.

Chegando a escuridão, foi conduzida pelos criados a um quarto de dormir. Certa de ali encontraria finalmente o seu terrível esposo, começou a tremer quando sentiu que alguém entrara no quarto. No entanto, uma voz maravilhosa a acalmou. Logo em seguida, sentiu mãos humanas acariciarem seu corpo. A esse amante misterioso, ela se entregou.. Quando acordou, já havia chegado o dia e seu amante havia desaparecido. Porém essa mesma cena se repetiu por diversas noites.

Enquanto isso, suas irmãs continuavam a sua procura, mas seu esposo misterioso a alertou para não responder aos seus chamados. Psique sentindo-se solitária em seu castelo-prisão implorava ao seu amante para deixá-la ver suas irmãs. Finalmente, ele aceitou, mas impôs a condição que, não importando o que suas irmãs dissessem, ela nunca tentaria conhecer sua verdadeira identidade.

Quando suas irmãs entraram no castelo e viram aquela abundância de beleza e maravilhas, foram tomadas de inveja. Notando que o esposo de Psique nunca aparecia, perguntaram maliciosamente sobre sua identidade. Embora advertida por seu esposo, Psique viu a dúvida e a curiosidade tomarem conta de seu ser, aguçadas pelos comentários de suas irmãs.

Seu esposo alertou-a que suas irmãs estavam tentando fazer com que ela olhasse seu rosto, mas se assim ela fizesse, ela nunca mais o veria novamente. Além disso, ele contou-lhe que ela estava grávida e se ela conseguisse manter o segredo ele seria divino, porém se ela falhasse, ele seria mortal.

Ao receber novamente suas irmãs, Psique contou-lhes que estava grávida, e que sua criança seria de origem divina. Suas irmãs ficaram ainda mais enciumadas com sua situação, pois além de todas aquelas riquezas, ela era a esposa de um lindo deus. Assim, trataram de convencer a jovem a olhar a identidade do esposo, pois se ele estava escondendo seu rosto era porque havia algo de errado com ele. Ele realmente deveria ser uma horrível serpente e não um deus maravilhoso, sendo assim, deveria cortar a cabeça deste monstro perverso.

Assustada com o que suas irmãs disseram, mas convencida de que sendo um monstro horroroso seu amante, deveria se livrar dele mortalmente e por isso escondeu uma faca e uma lâmpada próximo a sua cama, decidida a conhecer a identidade de seu marido, e se ele fosse realmente um monstro terrível, matá-lo. Ela havia esquecido os avisos de seu amante, de não dar ouvidos as suas irmãs, mas apenas decidida em julgar a si mesma como a fonte de uma beleza incomum, digna apenas de deuses e não monstros horrorosos, embora que seu marido demonstrasse todo um amor para ela, em sendo um ser horroroso, não a mereceria.

À noite, quando Eros descansava ao seu lado, Psique tomou coragem e aproximou a lâmpada do rosto de seu marido, esperando ver uma horrenda criatura. Para sua surpresa, o que viu, porém deixou-a maravilhada. Um jovem de extrema beleza estava repousando com tamanha quietude e doçura que ela pensou em tirar a própria vida por haver dele duvidado.

Enfeitiçada por sua beleza, demorou-se admirando o deus alado. Não percebeu que havia inclinado de tal maneira a lâmpada que uma gota de óleo quente caiu sobre o ombro direito de Eros, acordando-o.
Eros olhou-a assustado, e voou pela janela do quarto, dizendo:

– Tola Psique! É assim que retribuis meu amor? Depois de haver desobedecido as ordens de minha mãe e te tornado minha esposa, tu me julgavas um monstro e estavas disposta a cortar minha cabeça? Vai. Volta para junto de tuas irmãs, cujos conselhos parece preferir aos meus. Não lhe imponho outro castigo, além de deixar-te para sempre. O amor não pode conviver com a suspeita.

Quando se recompôs, notou que o lindo castelo a sua volta desaparecera, e que se encontrava bem próxima da casa de seus pais. Psique ficou inconsolável. Tentou o suicídio se atirando em um rio próximo, mas suas águas a trouxeram gentilmente para sua margem. Foi então alertada por Pan para esquecer o que se passou e procurar novamente ganhar o amor de Eros.

Por sua vez, quando suas irmãs souberam do acontecido, fingiram pesar, mas partiram então para o topo da montanha, pensando em conquistar o amor de Eros. Lá chegando, chamaram o vento Zéfiro, para que as sustentasse no ar e as levasse até Eros. Mas, Zéfiro desta vez não as ergueu no céu, e elas caíram no despenhadeiro, morrendo.

Psique resolvida a reconquistar a confiança de Eros, saiu a sua procura por todos os lugares da terra, dia e noite, até que chegou a um templo no alto de uma montanha. Com esperança de lá encontrar o amado, entrou no templo e viu uma grande bagunça de grãos de trigo e cevada, ancinhos e foices espalhados por todo o recinto. Convencida que não devia negligenciar o culto a nenhuma divindade, pôs-se a arrumar aquela desordem, colocando cada coisa em seu lugar. Deméter, para quem aquele templo era destinado, ficou profundamente grata e disse-lhe:

– Ó Psique, embora não possa livrá-la da ira de Afrodite, posso ensiná-la a fazê-lo com suas próprias forças: vá ao seu templo e renda a ela as homenagens que ela, como deusa, merece.

Afrodite, ao recebê-la em seu templo, não esconde sua raiva. Afinal, por aquela reles mortal seu filho havia desobedecido suas ordens e agora ele se encontrava em um leito, recuperando-se da ferida por ela causada. Como condição para o seu perdão, a deusa impôs uma série de tarefas que deveria realizar, tarefas tão difíceis que poderiam causar sua morte.”

A estória do mito continua e é recheada de conhecimentos esotéricos da psique humana, mas paramos aqui para nossos comentários.

Comentários adicionais:

Somos todos apaixonáveis e isto é muito belo, entretanto, o domínio das paixões é o que diferencia os Seres em evolução de consciência dos mais primitivos em consciências. A compreensão dos cinco sentidos é a razão de viver de todos os humanos, todavia, a compreensão destes sentidos é o que faz os seres tornarem-se crianças em evolução ou apenas crianças brincando de paixões terrenas, as quais sob este julgo de Psique continuarão a sofrer. Posto que este sofrimento é o que vai impulsioná-las em direção do Eterno.

Psiquê, dominada pela sua própria vaidade de beleza, estava disposta a matar o seu belo amante Eros, posto que se este era um monstro por fora, merecia morrer. Mas ao descobrir que assim não era, perdeu-se em arrependimento, mas já era tarde para reconhecer, não a paixão, mas o Amor que Eros tinha, mas ela Psiquê ainda tem para ser aprendido e poder um dia retornar e conquistar novamente o Amor de Eros. Eros, como um dos deuses não deseja a paixão de Psiquê, pois, embora paciente em ver crescer esta paixão em algo maior e verdadeiramente belo e digno dos deuses, perdeu a esperanças e abandonou-a para sempre ou quase sempre. Será que Psiquê conseguirá?

Por que Deus age pela Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”?

Escrevi sobre isto anteriormente, entretanto, é preciso entender que Deus é o Rei da Justiça e da Paz, portanto, teria que julgar os homens e suas psiques (suas companheiras) pelos mesmos padrões que erram! Ou seja, se são comandados pelos “olhos” que representam os sentidos, e agem pelos “dentes” em voracidade de paixões exacerbadas, portanto com a mesma medida e padrões devem ser julgados, e quiçá condenados, vida após vida, a buscarem e transformarem suas paixões em verdadeiro Amor à Deus, superando os sentidos e sublimando as paixões que são apenas molas para a evolução. Deu para entender?

Há ainda o simbolismo da lâmpada e faca para matar. Enquanto a lâmpada representa a luz e a verdade para descobrir a divindade que existe não somente dentro de si mesmo, mas dentro de todos os “monstros” humanos e assim poder finalmente freqüentar e ser aceito pelos reinos de Zeus e seus palácios, temos o contra-ponto que é simbolizado pela faca assassina, e se move pela crueldade e conceitos humanos de beleza e amor, vaidades e egocentrismos e mata a sua própria alma espiritual por ação da alma animal.

Ao acendermos a lâmpada, finalmente na calada da noite negra da alma animal, ascendemos à luz e à verdade, e, finalmente o amor sublime de que nos fala o coração e não mais o cérebro e a carne e longe da tragédia humana que vive de aparências e falsos referenciais, impingindo a todos os seres que assim se comportam a viverem eternamente nas ilusões das penumbras e das noites intermináveis da anima.

Finalmente, como ensina Buda, subjulga-se a paixão, não pelo seu esquecimento ou ignorância, mas reconhecendo-a como parte de seu ser, porém de maneira consciente para vivê-la em espírito e não em carne solta e temporária.

Por Atama Moriya, em 28-09-2008.

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