Como ficamos com a crise econômica mundial? O que tem para ser salvo?

Eis a questão que todos na mídia se ocupam em torná-la importante.

Importante para quem? Alguém é capaz de dizer qual seria o cenário mundial não da economia, mas das pessoas se deixarmos que todas estas empresas, seguradoras, bancos e fundos venham a falir literalmente? Por que eles não deveriam mesmo falir, quebrar e desaparecer? O que pretendemos ou pretende-se salvar?

O ponto chave é: o ser humano depois de brincar de “casinha e banquinho” todos os dias durante décadas, de repente se vê em apuros, dado que agiu “feito doido” atrás de juros, de dinheiro, de empréstimos, de exploração humana, foi egocêntrico, adoeceu de vaidades, de intransigências, de durezas com os mais pobres, de rudeza e frieza com os mais miseráveis do planeta que compõem hoje mais de dois bilhões de seres humanos abaixo da linha de conforto, com indiferença as dores e sofrimentos de milhões na África, então, pergunta-se, o que tem para ser salvo?

Vamos pensar mais a respeito:

a) Se os EUA e outros países chamados de primeiro mundo quebrarem, teremos suas economias destroçadas, e numa repetição de 1929, um ciclo que se repete mas com uma dimensão muito maior em termos populacionais, haverá queda de consumo, queda na produção, desemprego, inflação, deflação, enfim tudo que de ruim pode acontecer numa economia. Fatos que já vivenciamos aqui no Brasil algumas vezes, e vemos que foram muito ruins, mas que através dessas crises brasileiras, fomos ajustando muitas coisas que estavam erradas, afinal a responsabilidade eram desvios estruturais montados desde a época de pós-revolução de 1964.

b) Certamente veremos os americanos, principalmente, experimentarem um doce remédio chamado de “ortodoxia” e muita “dureza” nas relações econômicas mundiais, notadamente porque países grandes produtores de tecnologia conhecerão uma forte recessão econômica e se voltarão loucamente para buscar novos mercados para que possam sustentar seus próprios mercados e empregos.

c) A teoria americana “don’t put your money on blocks” foi para o buraco, e leva junto todo um arsenal de teorias de Friedman e os meninos de Chicago que muito espertamente aguardam que, num livre mercado pregado por eles como a solução de todas as coisas, o FED, agindo como um banco comunista, estatize seus papéis podres e assim permita que se retirem com dignidade. Milton, entabulou que o único propósito dos participantes da economia é ganhar dinheiro à rodo de qualquer jeito, e destruiu todo o sentido da existência de uma doutrina econômica que deveria ser o da busca de bem-estar ao homem, a todos os homens da sociedade. Matar ou morrer é o grande lema do Capitalismo Selvagem. Adam Smith e seus ideais de um homem melhor passaram a tolos e ingênuos no mundo moderno.

d) Os trabalhadores americanos estão indignados, e com razão, afinal os engravatados de Wall Street, com seus charutos cubanos e ternos “armanis” ainda vão conseguir se sair bem e salvar grande parte de seus desastres graças ao dinheiro público e rapidamente a cada intervenção fazem suas retiradas porque sabem muito que não há perspectivas a longo prazo, e foi o que ocorreu recentemente com as injeções financeiras efetuadas pelo governo americano para salvar bancos e seguradoras, e agora surgem na lista várias empresas gigantes que ao invés de ganharem em suas produções e vendas estavam a especular também no mercado financeiro, além de vários fundos de pensão que estão com os seus ativos sob risco, o que compromete as futuras aposentadorias de seus pensionistas também.

e) Milhões de americanos estão revoltados, pois, acreditarem no governo americano e caíram de boca nos empréstimos, nas aplicações em bolsa, nas operações de ganhos com juros fáceis, e hoje, estão quebrados, foram renegociar suas hipotecas, seus leasings de carros, seguros, pensões, seguros saúde, e foram humilhados por estas instituições que estão a quebrar, foram “derrotados e fracassados” e até mesmo, enxotados pelos “engravatadinhos” parceiros de Wall Street, e perderam suas casas, devolveram seus carros, e milhares hoje moram em casas de parentes e já não tem nem carros e, infelizmente, o governo não vai poder salvá-los a despeito de estarem injetando quantias enormes para salvar as finanças dos “seguidores da seita de Friedman” que montaram todas estas arapucas financeiras. Este seria um sentimento de injustiça social e econômica ou, de fato, eles tem razões para sentirem-se “lesados e enganados”?

f) Vocês acham com a injeção de 700 bilhões de dólares, mais o que se gastou para salvar uma seguradora incompetente e outros bancos, num total de 1,3 trilhões é suficiente para estabilizar e resolver toda a questão? Não, claro que não, isto é só para acalmar o mercado e ganhar tempo, de alguns meses, porque vem aí mais barulho.

g) O governo dos EUA, já sem fôlego com tantos gastos, teve que tomar um empréstimo de 500 bilhões de dólares do governo chinês, sendo esta mais uma ironia grotesca, já que aquele governo oriental é tido e havido como um grave problema para a expansão americana e um péssimo exemplo para o mundo simplesmente por ser comunista, um defeito inadmissível aos americanos, sempre vencedores e politicamente corretos.

h) O tal do mundo globalizado sempre foi mais uma propaganda que uma realidade, e embora realmente desejável e positiva, no campo econômico, principal motor de desenvolvimento, sempre houve muitas restrições para a integração do terceiro mundo ao primeiro mundo, desde a década 1970, isto não era desejável e assim foi feito para manterem as economias destes países pobres longe dos recursos e movimento financeiros que poderiam alavancar mais rápido estas “pobres” economias. E vejam que hoje, no meio da crise, este descolamento proposital dos “ricos” afinal nos conduziu (aos países do terceiro mundo) a um porto seguro, e terão pouquíssimos efeitos nas economias do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e também de outros países. O feitiço virou contra o feiticeiro. Mais um motivo para comemorarmos e não ficar nos preocupando.

i) Então a crise está mesmo circunscrita basicamente em países ricos que brincavam de multiplicar dinheiro e transformar em créditos para fazer crescer suas economias. O que vai respingar nos países do terceiro mundo? Quase nada, apenas algumas empresas, bancos, seguradoras e investidores incautos devem ter algum rabo preso nesta situação, mas mesmo que sofram impactos, não são significativos na economia e podem ser substituídos simplesmente e os países vão continuar a andar para frente, e não vão parar nada e nem ver aumentadas situações mais graves além daquelas em que já convivem há décadas.
j) No caso do Brasil, precisamos mesmo é nos concentrarmos nas coisas erradas que ainda temos por aqui e que necessitam de correção urgente, e não é esta crise que vai piorar a nossa situação, que é muito ruim ainda, afinal os nossos números e índices de qualidade de vida continuam péssimos. Antes de ficarmos tentando consertar o mundo, vamos nos preocupar em consertar a nós mesmos.

Mas vamos continuar a comentar todas estas questões que muito tem a ensinar a todos os homens para que possamos trilhar caminhos mais seguros e mais conscientes de vida.

Percebam que todas as coisas que a civilização considera “mau”, negativo, logo depois, em algum tempo, transforma-se em algo positivo, daí porque os sábios sempre afirmam que não há nada realmente mau no mundo. Está tudo certo, certíssimo.

Por Atama Moriya, em 27-09-2008.

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