Os desafios que a humanidade enfrenta e que criarão novos paradigmas de sobrevivência e huma-unidade-Parte 14

Neste momento estamos todos assistindo alguns com certo desespero, outros com otimismo e outros ainda, a maioria, que nem estão sabendo que rumos são estes que as economias mundiais estão tomando.

De um lado, como já era previsível, o sistema financeiro americano chacoalha o mundo, com ameaças diárias de quebras de inúmeras instituições financeiras e vejam que é o mesmo governo que joga duríssimo com os países pobres e emergentes demonstrado com as inúmeras reuniões de Doha nas quais não abre mão de nada para facilitar os “outros”, sendo que estas medidas tem provocado a miserabilização mundial, hoje com números expressivos de 200 milhões de habitantes que passam fome aguda e, enquanto estes em grande parte não possuam uma expectativa de vida muito maior que um ano, outros se juntam a este grupo rapidamente para substituir os “mortos de fome” literais.

Pois bem, este mesmo governo e outros do chamado dos blocos “capitalistas e humanitários” sob os olhos da mídia, o sistema perfeito para muitos, de liberdade e justiça sem igual, e certamente o mais recompensador para todos os seres humanos, hoje estão a socorrer com dinheiro publico estes “pobres e infelizes” investidores, aplicadores e administradores de financeiras inescrupulosas e inconseqüentes na maneira de ganhar dinheiro através da exploração humana através de “juros” e invenções multiplicadoras de capital, algo que nem mesmo Keynes e Hayek previram em suas bolas de cristal.

Sob a influência de Hayek o governo dos EUA não salvou ninguém em 1929 e vimos uma terrível quebra mundial de todos os mercados. Agora sob influência de um keynesianismo já ultrapassado para atender os modernos conceitos econômicos e práticas de super-ofertas de créditos, Robin Hood volta a reviver nas telinhas, só que agora não vem mais para salvar os pobres, tirando soldos dos ricos, mas para justamente salvar os ricos com o pobre dinheirinho dos pobres. A quem interessa salvar essas instituições e toda esta estrutura “podre e falida” e todos os seus “podres” e inconseqüentes executivos que fumavam charutos cubanos e ora rodam as portas dos gabinetes de chapéu na mão?

De um lado salvam-se as aparências, as vaidades e os egocentrismos e os champagnes, e de outro ninguém se lembra dos miseráveis que também fazem parte deste “circo econômico mundial” e segundo os seus conceitos econômicos são as perdas necessárias para ajuste de toda a economia que, dizem eles, é a solução para equilibrar a produção, emprego, renda, previdência, justiça social, educação e saúde, ao menos a longo prazo e num futuro qualquer.

Afinal o que é Economia? Quais são os objetivos básicos de uma Economia estruturada e desenvolvida? Não busquemos mais os conceitos de livros, mas nos baseemos na vida prática. Logo, obteremos nos dias atuais pelo menos uma dez mil definições diferentes. Teoria é uma coisa, a prática é outra e é a que vale, pois não se vive de teorias, mas de práticas.

Afirmar que um dia as coisas vão melhorar e que as economias hoje desenvolvidas tendem a acabar com miséria, a fome, e os desequilíbrios econômicos é uma teoria apenas, e como demonstram os modelos matemáticos, nunca poderão resolver nem a metade dos problemas mundiais.

Não, absolutamente não. Por que ninguém vem a público desvendar este mistério econômico e revelar que mantidos os fatores e as estruturas atuais continuarão a existir e até aumentar ao longo do tempo as diferenças entre os mais ricos e os mais pobres do Planeta.

E não se trata aqui de defendermos o Capitalismo e atacarmos o Comunismo ou vice-versa, pois, o que está em jogo não é mais esta tolice de direita ou esquerda, de negativo e positivo, de ideologias políticas, mas sim a sobrevivência humana.

Tudo está completamente deturpado e tem piorado sob o ponto de vista de soluções sociais mundiais e se era muito ruim na década de 1970, pior encontra-se após o abandono americano ao Tratado de Bretton-Woods.

Fomenta-se o crescimento das economias através de multiplicações de crédito no mercado e controla-se a inflação com o incremento da taxa de desemprego a nível próximo das taxas de crescimento que se pretende. Isto é um absurdo? Eu também acho, mas e daí?

Neste momento o Robin Hood americano pretende comprar “os títulos podres” americanos ou gerados por suas economias inescrupulosas. E o fará de tal maneira que suas regras não lembram mais uma economia capitalista, e parecem mais medidas de governos comunistas de tão autoritários e anti-democráticos que são e não permitem sequer questionamentos de suas decisões. Até Keynes deve estar se mexendo no caixão de tanto espanto.

Entretanto, este aceno de Robin Hood tem valor limitado, apesar de enorme, representa menos de 5% do total estimado dos problemas e dos rombos financeiros criados ao longo de cinco décadas, e portanto, é possível se esperar que as soluções sejam ainda paliativas e tem somente o condão de retardar uma completa hecatombe futura, posto que difícil imaginar que esta onda de super-crédito mundial continue a suster toda a estrutura econômica montada.

A cada ano que passa percebe-se que os emergentes do terceiro mundo estão se descolando mais e mais e trazem consigo modelos econômicos diferentes dos adotados pelas economias do primeiro mundo, e mais, que apesar de incipientes ainda, trazem consigo uma preocupação maior com as demais economias mais pobres, diferentemente das mais ricas que continuam a adotar políticas internacionais exploratórias apenas. Este é um paradigma que deve ser acompanhado nas próximas décadas, pois representa uma forte mudança no pensamento de parte dos povos deste planeta, os quais se bastam lentamente em auto-suficiência também.

Talvez resida aqui o grande ponto de mudança do pensamento mais igualitário entre os seres humanos, e traga em si uma busca, mesmo que tímida ainda de um processo de re-estruturação diferenciada na economia, e talvez, eu me arrisco a dizer: certo avanço no conceito new-iluminista e new-racional. Eu disse talvez.

O que salta aos olhos hoje é esta falência anunciada do “capitalismo selvagem” já que provado está que só existe  o selvagerismo para os mais fracos e jamais para todos. Os verdadeiros mais fortes e eficientes no mercado: a classe consumidora e geradora de riquezas, são representados pelo povo, mas estes e suas contribuições são minimizados à bem de uma classe que pratica o domínio econômico sem escrúpulos e ditam regras de sobrevivência aos outros, mas para si mesmo sempre busca a securitização governamental, sob a égide de evitar a desestruturação econômica, e todos aceitam cegamente por uma propaganda enganosa que isto é o melhor. Melhor a fazer para quem?

Aos poucos, ao negarmos a existência do risco especulativo,  aceitamos a impossibilidade de vida e vitória do mais fraco, a classe trabalhadora na economia, admite-se, então, que todos estavam errados em cultivar um modo de vida auto-gerador e egocêntrico, justamente o que Marx considerava que seria o ponto de fracasso do comunismo como forma de governo e agora vemos, pode ser também do Capitalismo, ou não? Admitir isto é admitir também o ressurgimento pós revolução francesa de um moderno racionalismo supra-humano, além de Kant, e acima deste limite conceitual da razão.

Vamos acompanhar para vermos até onde podemos avançar em novos conceitos de vida.

Por Atama Moriya em 21-09-2008.

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2 respostas para Os desafios que a humanidade enfrenta e que criarão novos paradigmas de sobrevivência e huma-unidade-Parte 14

  1. Pingback: Como ficamos com a crise econômica mundial? O que tem para ser salvo? « Atama Moriya

  2. Adriana disse:

    Aguardemos aos próximos capítulos…rs…rs…

    Bjssss

    Adri

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