VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA

Por considerar importante, transcrevo aqui post de outro blog e que contém carta enviada pela viúva de Paulo Freire esclarecendo um comentário danoso contido em reportagem  da citada Revista.

Nada contra Monica Weinberg e Camila Pereira e afinal apenas derem o seu melhor, mas este melhor é de qualidade extremamente duvidosa para tecer comentários a respeito do educador Paulo Freire e mesmo do idealista Che Guevara, cujos pensamentos e ações embora eu jamais tenha concordado pessoalmente, respeito profundamente posto que eram ideais positivos, porém, incompatíveis com estado do ser à época e mesmo hoje.

Vivemos num mundo que sempre é muito fácil criticar pessoas e crescer em cima delas (dos famosos), e até mesmo para ganhar notoriedade.

O ser humano, pelo menos os que conseguem pensar por conta própria e não repetir apenas o que “outros” ensinaram, deveria se ater mais a desenvolver suas próprias ideias e colocá-las em prática ao invés de sobreviver de retóricas, emblemas e críticas a pessoas e personagens da história.

E só para complementar estas duas “ilustres e brilhantes mentes”, talvez as maiores neste momento educacional brasileiro, tenho certeza que A. Einstein jamais faria referências deste tipo sobre o educador Paulo Freire que aqui esteve não para atacar outras pessoas, mas apenas para dar o seu melhor para um país melhor, sabendo que não era um físico, mas um educador.

Neste momento gostaria mesmo de ler e conhecer as teses educacionais de Monica Weinberg e Camila Pereira, até para conhecer este saber imenso que se enconde em nossa sociedade e aí eu poderei tecer comentários maiores sobre seus escritos e pensamentos, igualmente como fazem com as teses de Paulo Freire através de uma visão monolítica.

É isto somente que vemos hoje na mídia “barata” onde a crítica é sempre contumaz, mas a criação de suas próprias idéias é sempre muito carente de iluminação pessoal e por não conterem luz alguma, chamam a atenção (para dar Ibope, creio eu) através de nomes ilustres, muitos que nem estão mais aqui para enfrentar em debates leais.

Diz um ditado antigo, “em terra de cego, quem segue outro cego é mais um cego na terra”.

Pensar não é uma qualidade, nem defeito, nem dever, mas uma necessidade para crescer mentalmente.

E, “poor” fim jornalistas do Brasil (não todos), entendam que ser esquerda ou direita são apenas formas de lidar com a estrutura do poder e nomenclaturas convenientes aos verdadeiros detentores do poder. As massas apenas se dirigem para lá e para cá, de acordo com as vontades do poder, feito ondas sem direção alguma e assim sempre acabam por morrer na praia, a não ser alguns, como os citados na reportagem, que pararam para pensar e criaram algo próprio, e por isso mesmo não são empregados de editoras que apresentam muitas vezes versões tendenciosas e pessoais. Não ensinam nas escolas que a conclusão deve sempre ser do leitor e não do autor da reportagem?

Por Atama Moriya.

“VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA
Do Blog do Azenha (www.viomundo.com.br):

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O que
estão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira,
ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá
pelas tantas há o seguinte trecho:

“Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em
classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro
argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações
positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram
personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental,
como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação
esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos
na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein,
talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6
Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante
de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores
docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez
ajude a explicar o fato de eles viverem no passado”.

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo
Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo
publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera.
Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de
agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da
prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta
de repúdio:

“Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo
Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE — e um dos
maiores de toda a história da humanidade –, quero registrar minha
mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada
semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas
de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre
sua postura danosa através do jornalismo crítico.  Não proclama sua
opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas ,
camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar
pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo,
que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais
bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira
vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário
da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os
outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo,
apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente
com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética,
certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada
por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que
é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que,
certamente para se sentirem e serem parceiras do ?filósofo? e aceitas
pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade
brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável,
elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em
favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais
pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos
conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da
pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido ? na qual esta
política de distribuição da renda se baseou – que demonstrou ao mundo
que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela.
Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má
apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão
continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata
às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato
humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média
brasileira medíocre que tem a Veja como seu ?Norte? e ?Bíblia?, esta
matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem
humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e
dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo
plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo
insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho,
pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há
de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o
pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país,
independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou
religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos
dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a
voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade
brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica
democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a
revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire”.

Esse post foi publicado em NOTÍCIAS e marcado , . Guardar link permanente.

3 respostas para VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA

  1. Atama Moriya disse:

    Olá Eliane, muito bom seus comentários.
    Somente os que lidam diretamente na EDUCAÇÃO conhecem a verdadeira realidade deste país. E lamento neste momento que hajam tantas visões pequenas, porquanto o conhecimento obtido em boas escolas privadas e faculdades “a lá Chicago” criam seres que consideram que sabem tudo, mas infelizmente não compreenderam nada, tanto é verdade que estamos vivendo, em qualquer lugar do mundo, com discrepâncias incríveis de justiça social. Considerar que dois bilhões de seres humanos vivendo abaixo da linha da pobreza no mundo é algo normal e independe de nossa ação individual é realmente crer que sabe tudo, mas verdadeiramente se distancia da verdadeira essência da vida.
    Eu sempre me preocupei quando jovem em estudar muito, pesquisar muito, para ter minhas próprias conclusões e jamais as conclusões dos outros, e apesar de com certeza ler, estudar e pesquisar centenas de livros, alguns de séculos passados, outros mais recentes, de fisica, quimica, alquimia, filosofias, ocultismo, psicologia, teosofia, matemática, estatística, teologia, história, arqueologia, e tantos outros, todavia, não para me gabar ou evidenciar alguma pobre erudição, mas dizer que me sinto completamente inculto diante do conhecimento que sei que existe, mas que desconheço ainda e representa milhões de vezes mais do que eu sei ou possa aprender em dez vidas.
    Por isso, fico espantando com pessoas que pouco estudaram e dão a entender que conhecem tudo e sabem tudo para emitirem opiniões fortíssimas. Por falta de sabedoria de “viver” e uma extremada presunção de sabedoria de muitos enfrentamos a pior crise existencial da história da civilização.
    Parabéns Eliane, o mundo precisa de mais Elianes.

    Atama.

  2. Eliane Stringhini disse:

    Estou tão revoltada com a revista Veja que não tenho nem palavras. Contra minha vontade meu marido assina essa revista que cada vez mais se mostra extremamente neoliberal. Gostaria de saber onde esses jornalistas estudaram e qual a situação finaneira deles. Aposto que não sofreram durante o regime militar como muitos brasileiros e não estudaram pra valer a história do Brasil. Muito menos ainda conhecem a realidade da maior parte da população brasileira, que vive abaixo da linha da pobreza. Sou orientadora educacional de uma escola municipal, pública é claro, onde as pessoas passam fome, pois não tiveram a mesma sorte que a “elite brasileira”, que já nasceu numa família estruturada, e estudou sempre em colégios particulares….E na edição 2079 ela mais uma vez revela o seu lado capitalista ao relatar que as universidades particulares( onde os lucros são exorbitantes) “oferecem às empresas formandos com uma visão mais focada nas questões práticas do mercado de trabalho” lucro…lucro…lucro

  3. Eliane Stringhini disse:

    Estou tão revoltada com a revista Veja que não tenho nem palavras. Contra minha vontade meu marido assina essa revista que cada vez mais se mostra extremamente neoliberal. Gostaria de saber onde esses jornalistas estudaram e qual a situação finaneira deles. Aposto que não sofreram durante o regime militar como muitos brasileiros e não estudaram pra valer a história do Brasil. Muito menos ainda conhecem a realidade da maior parte da população brasileira, que vive abaixo da linha da pobreza. Sou orientadora educacional de uma escola municipal, pública é claro, onde as pessoas passam fome, pois não tiveram a mesma sorte que a “elite brasileira”, que já nasceu numa família estruturada, e estudou sempre em colégios particulares….E na edição 2079 ela mais uma vez revela o seu lado capitalista ao relatar que as universidades particulares( onde os lucros são exorbitantes) “oferecem às empresas formandos com uma visão mais focada nas questões práticas do mercado de trabalho” lucro…lucro…lucro

Opte por deixar comentários claros, concisos, compreensíveis e racionais. Evite palavrões, palavras ásperas e críticas/ofensas a outras pessoas. Lembre-se que este blog é muito lido por menores de idade. Por favor, deixe bons exemplos.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s