O Patinho Feio, de Hans Christian Andersen

Depois de vermos A Pequena Vendedora de Fósforos e o que seu conto nos ensina proponho mergulharmos na fantástica estória “O Patinho Feio” um conto infantil, mas cujo conteúdo nos traz a mais maravilhosa lição esotérica para crianças e que somente com espíritos crianças conseguimos perceber a sua beleza, porque quando adultos mal nos damos conta que se passa de uma lição de vida de um dos mais brilhantes contistas e romântico que surgiu nesta humanidade.

Somente seres de elevada estatura individual pode nos brindar com contos tão românticos como fez Andersen, pois retratam o amor que ele desejou transmitir a outros homens desde criança, aliás, um tempo certo para aprender os princípios de moral e ética que podem conduzir estas crianças quando já adultas.

Embora a cultura humana atual tenha “matado” o amor dos homens, relegando este amor a um fruto de pessoas frágeis, inseguras e carentes, Andersen nos mostra algo superior, algo que todos podemos ser e ter dentro de nós mesmos, bastando e desejando amar.

Não este amar limitado a “eu e tu” que a cultura social impõe, mas um amor universal que cala as vozes dos ditos racionalistas escondidos e protegidos em seus egocentrismos, couraças que adotam para cobrirem suas vestes íntimas de tristezas e medos infantis por não aprenderam a amar o seu próximo, e mesmo que ele não lhe pareça “bonito”.

A estória do Patinho Feio todos conhecem e não precisamos aqui repeti-la, mas apresentamos aqui atrevidamente, aos adultos que tudo sabem e consideram que nada mais precisam aprender; o lado esotérico do ensinamento, e assim sendo, serve mesmo apenas para aqueles que realmente desejam acrescentar um algo mais em suas vidas de crianças. E, “sede como crianças que a este destinarei o Reino dos Céus” foi um conselho muito sábio de alguém que conhece muito mais que o próprio céu e conhece o Criador de tudo e de todos.

Era mesmo um Patinho Feio, todo negro, que logo todos os outros patos discriminaram e humilharam mesmo porque ele foi considerado muito “feio” e assim merecia ser o ultimo da fila, e alguns dos outros patos desejavam mesmo que ele fosse abandonado, esquecido e certamente até mesmo que morresse e assim tudo ficaria bem na grande família feliz e perfeita dos patos, os puros, os verdadeiros, adequadamente como se julgavam: acima do bem e do mal.

Então, assim simples e fácil, Andersen mostra que o ser humano quando discrimina, quando cria sectarismos raciais, simplesmente o faz porque adota falsos padrões de beleza, e nada tem a haver com a cor da pele, podendo ser branco, azul, amarelo, negro, cor-de-rosa, ou qualquer outra cor. Tudo se resume no psico-mental humano nos conceitos de beleza que ele passa a adotar por influências culturais.

Difícil é achar que seres humanos são mesmo racistas, e assim não creio mesmo. Ele apenas, em sua infinita ignorância de saber quem de fato ele é, de onde veio, e para onde vai, cria em sua vida padrões sub-conscientes como o da beleza. E tudo que ele considera realmente feio, e ai se inspiram em outros sentimentos egocêntricos, como asco, nojo, intolerância, e sujidade para anexá-los aos seus padrões de “feiúra” passam a discriminar a outros que lhe transmitam estes sentimentos.

Não se crê mesmo em racismos, mas sim sectarismos de padrões falsos de beleza e feiúra.

Enquanto a cultura das sociedades continuarem a adotar estes padrões de “beleza” em propagandas, nas mídias, nas televisões, nos filmes, estaremos cada vez mais incentivando o outro lado da moeda que é determinar o que é “feio” para nós. Cada vez mais uma babaquice da cultura civilizatória.

Humanos, onde desejam realmente chegar?

Considerar bonito determinados padrões de beleza, como moda, cria inevitavelmente outros padrões do que é feio, que por analogia se forma nas mentes. Considerar como bonito ser rico, poderoso, andar de BMW, roupa da moda, cheiroso, inevitavelmente vai criar o outro padrão inconsciente de “feiúra”. Então ser pobre, miserável é mesmo muito feio, vergonhoso, etc.

Já diziam outros pensadores modernos que ao ser humano não é dado criar nada de importante, e o pouco que ele cria de fato para si e para a sociedade é praticamente só “monstruosidade”.

Sei que este simples texto, assim como o belíssimo conto de Hans Christian Andersen, não permitirá para a maioria compreender a profundidade do conceito de discriminação, racismo e sectarismos vigentes na civilização, mas para alguns que conseguirem mergulhar dentro de si mesmos, passarão a ver com os próprios olhos algo novo e claro dentro de si, e será como alguém ter acendido uma lâmpada de mil volts em suas mentes ainda prejudicadas pelos conceitos e crenças embutidos nas errôneas culturas desenvolvidas por este homem moderno, ou pelo menos, é como se pretendem chamar: modernos.

O verdadeiro ser moderno não convive com ilusões e falsidades e cria as suas próprias verdades e não as dos outros que podem estar tão cegos quanto ele.

Hoje os homens não discriminam a cor da pele propriamente dita, mas as feiúras em seus conceitos assim acham feios os outros que são muçulmanos, judeus, negros, amarelos, índios, católicos, evangélicos, pobres, mendigos, ateus, democratas, republicanos, corintianos, palmeirenses, gays, gls, afros, gordos, obesos, velhos e velhas, desdentados, miseráveis nas ruas, burros nas escolas, garis, prostitutas, etc., e esta lista não tem fim….

E por causa destas intolerâncias resultado de falta de amor aos outros, vivemos uma sociedade com pensamentos e crenças absolutamente “ilusórias” e cada vez mais a exacerbação destas discriminações trará novas e novas conseqüências, como temos visto nos últimos tempos e tenderá a se agravar e muito nas próximas décadas, como países inteiros que não se importam em “matar” literalmente de fome outros seres humanos do planeta porque no fundo e em seu consciente são seres inferiores e, portanto, “feios” e devem mesmo morrer e suas mortes pouco mesmo importa, importam-se somente com suas “belezas de vida”.

Com os agravamentos que surgirão nos próximos anos, se não mudarem suas posturas, certamente terminaremos em mais uma guerra, que enfim poderá ser de fato fatal para a nossa Humanidade. Tudo traz ao longo do tempo conseqüências, umas boas, e outras amargas, terrivelmente amargas.

Pense que neste ritmo e conceitos de vida é inimaginável que haja união de todos os Povos, de todos os seres humanos, de todas as raças, credos e crenças, basta imaginarmos um velho, feio, desdentado, fedido, pobre e miserável de rua indo morar na sua casa, que coisa, hein???

E durma-se com este barulho, terrível em nossas consciências.

Por Atama Moriya, em 05-09-2008.


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2 respostas para O Patinho Feio, de Hans Christian Andersen

  1. Esta história é uma liçao de vida, mostra-nos de uma forma ironica o preconceito que as pessoas deficientes têm sido alvo.

  2. ana disse:

    foi muito legal

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