A sociedade é um caos? O governo é um caos? Ou o homem é que é o caos?

Tenho observado uma gritaria geral na sociedade por todos os lados e por todos os setores, principalmente quando se coloca questões importantes a mérito do julgamento público.

Vide o exemplo da lei seca, a qual até hoje tem apoiadores e opositores, e também até agora, embora possa compreender os motivos de ambos os lados, não entendo que seja necessário gastarmos tanto tempo discutindo a matéria, quando neste momento coisas e fatos muito importantes estão acontecendo de forma muito mais ampla e com resultados incrivelmente maiores no sentido negativo sobre as vidas na Terra.

Voltando um pouco a questão das leis, as leis dos homens governam os homens para se protegerem de outros homens: não há leis para proteger o homem da natureza, de Deus, do diabo, dos animais, mas somente do homem de outros homens. Então, não devemos pensar em termos pessoais quanto às leis, e elas não adquirem aspectos e adjetivos humanos, como bom ou ruim, positivos ou negativos, visto que refletem os pensamentos de uma maioria na sociedade, e mesmo num estado de direito autoritário, que não envolve uma votação democrática, ainda assim, é reflexo de um grupo social, e caso não o seja, logo, em algum tempo será desprezada e ultrapassada.

A Lei Seca, como tantas outras leis é apenas um reflexo de uma cobrança da sociedade e se o legislador estabeleceu nela condições consideradas por muitos caóticas, mas certamente não a maioria neste momento, é realmente porque o homem, objeto e objetivo de todas as leis também age de forma caótica.

Não entendam caótica de forma negativa ou como um ofensa, mas somente como a forma de evolução do indivíduo nesta Raça. Isto porque a nossa evolução, ainda em estágios primários, sempre se fez através do “caos” social que implantamos a nós mesmos.

O homem é caótico, sem sombra de dúvida. E esta é a característica humana que justamente nos faz evoluir; se assim não fosse, um caótico, estaria o homem na sua “santa paz”, e se assim vivesse em realidade, ele teria aberto mão da evolução e de seu próprio desenvolvimento, desde o tempo da caverna, porque estaria tudo parado ou estagnado no tempo; ainda estaríamos atirando pedrinhas uns nos outros e vivendo nas estepes.

Já dizia alguém muito sábio: “das trevas se faça luz” e isto há muito tempo atrás!

Para uma sociedade evoluir, tem que evoluir o indivíduo que a compõe, um a um, e não há santo que faça o serviço de cima para baixo, isto é burrice. E o indivíduo, todos nós, só pode evoluir das trevas, da escuridão, do caos para a luz. Da luz para a luz não dá porque o nosso estado psico-mental é ainda por demais infantil; como tenho frisado em textos anteriores e recomendo a leitura dos mesmos, antes de criar juízos de valores ou se sentirem ofendidos, pois não estamos julgando os valores do ser humano, apenas constatando uma realidade.

A lei seca só peguei como gancho da questão básica que é analisar a nós mesmos enquanto indivíduos que compõem uma sociedade. Repito, se não melhorarmos a nós mesmos, com um pouco mais de maturidade e racionalidade em vida, não vamos chegar coletivamente a lugar algum, muito pelo contrário, estaremos logo destruindo a nós mesmos.

As leis existem como forma geral de criar no caos uma estrutura que proteja o homem e ao mesmo tempo estabeleça regras de convivência, e não se trata de concordarmos ou não com todas elas, mas entender que todas tiveram uma motivação humana. Se certa ou errada, se suas deficiências, se os graus de punibilidade estão além ou aquém, cabe aos legisladores empossados analisarem e estes legisladores somos nós mesmos, partes nossas no poder. Afinal, não podemos nos descolar das pessoas que estão nos três poderes magnos; são todos nossos representantes e nós mesmos, porque refletem a vontade do povo. E a vontade do povo é representada pela maioria e esta maioria deve ser respeitada, mesmo que individualmente possamos ter um  pensamento diferente. O que vale é o Estado de Direito, pois, se cada um interpretar e realizar a sua própria lei, aí sim, estará criando um caos maior ainda dentro do próprio caos em que vivemos.

O homem é o próprio “caos” ambulante, mas isto ele tem de auto-compreender de forma individual para poder melhorar a si mesmo.

Eu posso, por exemplo, discordar das penas impostas aos crimes famélicos, entretanto, tenho que respeitar aqueles que são prejudicados e que não concordam que estes crimes tenham somente penas sociais, como ocorre hoje em muitos casos.

Eu posso discordar da existência lei que pune crimes hediondos, posto que apenas uma minoria a pratica e eu mesmo penso que nunca vou cometer tais crimes, mas tenho que entender também que mesmo poucos, tem gente praticando estes crimes e necessitam de punição que sirva como freio, caso contrário “desembesta” e todo mundo sai cometendo “hediondez” porque assim vive o homem hoje: se não é proibido, eu posso! A moral está debaixo do tapete e a ética já foi pro ralo.

Eu posso discordar também da obrigatoriedade do voto, posto que não é democrático, mas me curvo diante da lei porque compreendo que é a vontade do Povo, e não me digam que não, porque todos os políticos no poder assim pensam também, por isso não muda o voto obrigatório neste país. E os políticos estão lá pela vontade individual de cada um nesta sociedade e, portanto, é o povo no poder e quem disser o contrário que me prove como estes caras chegaram lá senão pela votação? Você não concorda com tudo isto que ocorre no poder? Então, pense primeiro em melhorar primeiro a si mesmo antes de tentar dizer aos outros como devem ou deveriam fazer, posto que você pode estar muito enganado em suas opiniões e assim estará somente espalhando mais caos na sociedade.

As ações dos governos, dos três poderes, são somente reflexos de nossas próprias ações individuais, nada mais que isto.

Para ter alguma certeza relativa de que o que pensamos é realmente muito bom, precisamos antes de mais nada melhorarmos a nós mesmos primeiro e não cair na teoria do “achismo” pessoal que até hoje na história da humanidade nunca mudou nada de importante, apenas causa ulceras nos “achistas” de plantão.

Escrevo isto apenas para evidenciar que o “caos” do governo, das legislações (uma atrás das outra) que compõe milhares de livros jurídicos, jurisprudências, interpretações, ilações, e ações processuais aos milhões, refletem apenas e tão-somente o “caos” do ser humano atual que encontra-se por demais atrapalhado em sua vida.

Então vejamos, casa hoje e descasa amanhã, e briga pela posse até do cachorro da família, compra carta para poder dirigir, critica o governo e faz fila para entrar em concursos públicos, mete pau na corrupção mas aceita cargos comissionados quando convidados, critica corrupção mas em situação mais difícil logo procura dar “um jeitinho”, discursa sobre o meio-ambiente e a poluição, mas só sai de casa de carro, nem que seja só para comprar um “pãozinho” e não abre mão deste conforto de maneira alguma.

Criticam as outras pessoas, seja quem forem, mas eles mesmos são incapazes de consertarem a si próprias e todos os seus próprios vícios, manias e limitações. Criticam os ricos e suas friezas humanas, mas ele no fundo deseja ter uma vida igual e ser igual ao rico, daí porque se dizem que o pobre é apenas o rico que não deu certo, porque no resto é igual.

Poderíamos aqui ficar citando um monte de exemplos para demonstrar todo o “caos” em que vive o homem e sem nenhuma crítica, apenas como observação do que acontece a nossa volta e dentro de nós mesmos, e justamente para que compreendam que administrar o nosso próprio caos na vida, com mais lógica, racionalidade, é realmente o que pode ajudar a nossa humanidade a singrar mais rápido para a luz, ainda que esta luz seja apenas um minúsculo pontinho no fim do túnel, quase invisível e imperceptível.

É estudando e analisando o nosso próprio “caos” na vida é que podemos um dia ir para a “luz”, porque nela não vivemos e certamente estamos longe, ainda, mas um dia quem sabe?

Por Atama Moriya em 04-09-2008

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