Vamos conversar sobre felicidade….

Esta é uma questão interessante que possui vários aspectos e tanta gente escrevendo a respeito que normalmente ninguém se acha com conselhos e “dicas”.

Em realidade também não podemos aqui criar uma receita certa, mesmo porque as pessoas vivem diferentes realidades, e ninguém é igual a outro em todo o Universo. Não há uma alma sequer igual à outra, e nem poderia ser diferente, pois buscamos nos desenvolver individualmente, primeiramente.

O entendimento que mais aprecio ainda é o do budismo tibetano que considera a felicidade um estado do ser que acontece dentro de um processo de vivência, e não é algo pelo qual se deva buscar ou encontrar, ele simplesmente acontece.

No mundo ocidental o que mais vemos é justamente a “idealização” da felicidade, como algo tangível e mensurável; um objeto e ao mesmo tempo um objetivo a ser alcançado.
Talvez aqui se encontre o grande erro de visão filosófica que induz as pessoas a criarem seus mundos ilusórios nos quais as pessoas se tornariam super-seres-humanos e rodeados de pessoas que as amam, admiram, idolatram e lhes são sub-servientes em caprichos.

É indubitável que os publicitários são os maiores exploradores dessa necessidade humana de se sentirem felizes. Certamente porque eles, os publicitários, sejam mesmo os caras mais infelizes também, pois transmitem a todo tempo para suas empresas crenças e psiquismos sobre como encontrar a felicidade, ressaltando sempre aspectos negativos dos egos, tais como cultivar vaidades extremadas, dinheiro como poder de comprar as pessoas, bebedeiras infernais para esquecer da vida, cartões de plástico que compram qualquer felicidade em paraísos, carrões que conquistam o respeito e o amor das pessoas, enfim toda a sorte de satisfação de egoísmos humanos.

Cultivar o egoísmo individualmente, como já escrevemos aqui, é fundamental, posto que é assim que mantemos a nossa individualidade e assim que podemos viver, todavia, isto deveria fazer parte de um processo de vida em equilíbrio “do meu ego e os egos dos outros”. Quando queremos tudo de bom para nós mesmos em detrimento de equilibrar com os desejos dos demais, entramos no eixo de querer tudo de bom, mas somente para nós e esquecemos dos outros. Este “esquecer” é proporcionado pela própria exacerbação de nossos desejos e vontades para atingirmos a nossa felicidade, a que custo for e como for necessário.

Certamente esta exacerbação do desejo de ser feliz torna o mundo infeliz, principalmente na cultura ocidental guiada pelos exageros do capitalismo econômico que para vender mais, produzir sempre mais na economia, incentiva uma falsa e ilusória materialidade da felicidade.

Na medida que a felicidade se torna um objeto material, seja através de pessoas e principalmente a posse de poder através de dinheiro “que seria o veículo comprador de tudo”, mais as pessoas vão se frustrando, e mais cresce o sentimento de insatisfação pessoal, posto que a felicidade é mesmo um estado do ser que coexiste dentro de processos e não é objetivo maior a ser alcançado, posto que ela é abstrata, é um processo mental e não físico.
Nunca se viu percentualmente tanta gente infeliz nas ruas como nos dias atuais e dizemos infeliz apenas porque dentro dos seus próprios conceitos de busca de uma satisfação, nunca estão satisfeitos, e nem poderiam estar satisfeitos de qualquer forma, até porque o sentimento de felicidade não é próprio das satisfações dos egos, e aqui vai uma lição do esoterismo, difícil de entender e “engolir” mas alicerça a explicação baseando-se na origem humana que não é esta em que vivemos ilusoriamente; os egos são sentimentos abstratos também e jamais poderão ser satisfeitos pois como sentimentos e emoções não tem limites mentais. Como o ser humano quer encontrar felicidade na matéria satisfazendo os seus egos abstratos? Nunca tal ocorrerá. Haverá sempre a necessidade de mais, mais e mais.

Em muitos casos, dado que o ser humano não atinge por estes métodos de busca celerada um nível de satisfação de seus próprios egos não reconhecidos ou conhecidos, uma vai causar um “vácuo” também abstrato em sua mente e personalidade, e este vazio, um sentimento misto de fracasso e solidão eterna, provoca aquilo que chamamos de super-egoísmo. Claro, se a pessoa busca tanto algo que não consegue satisfazer plenamente, ela vai ficando mais obcecada a cada dia que passa, e mais ainda vai exagerar em suas posturas diante da vida.

Estão aí os exemplos, pessoas que bem casadas buscam prazer fora do casamento, outras que embora já riquíssimas buscam ganhar mais e mais, bilhões para conseguir sobreviver, mulheres com vinte plásticas, políticos bem de vida que continuam roubando descaradamente, jovens que caçam relacionamentos de bar em bar, famosos que se drogam e se afundam, pessoas que bebem desesperadamente, mulheres que realmente são mal amadas porque assim se sentem, profissionais que buscam o sucesso na sociedade a qualquer custo numa necessidade incrível de auto-afirmação, pessoas que infelizes se auto-espelham em personagens de novelas, filmes, atores, famosos, cantores, jogadores, etc. Esta lista não tem fim, basta observarem a si próprios e nem precisa olhar para os outros, não é verdade?

Mas cuidado! Quanto mais vazios e insatisfações você cria na mente, mais você vai erguer o seu super-egoísmo que te leva a pensar que você merece tudo de bom, do melhor, custe o que tiver que custar, e mais surgirá então o grande mal da humanidade atual: a super-pena de si mesmo! Você acaba criando em sua mente aquele ser humano super coitadinho que merecia mais, mais atenção das pessoas, mais sorte na vida, merecia mais amor dos outros, mais carinho, mais respeito, mais fama, mais dinheiro, mais homens, mais mulheres, mais beleza, mais tudo de mais e ainda tem o “disparate” de rezar para Deus pedindo mais e mais sorte, um novo amor, mais dinheiro, mais saúde, um carro novo, um marido novo, uma mulher nova, um novo emprego ganhando o dobro, mais fama e projeção profissional e social, um carro novo, e assim não tem fim, porque os sentimentos dos egos jamais poderão ser preenchidos, isto sim não tem limite, e não é o seu cartão de plástico, que pode te arrebentar de tanta dívida e te trazer mais infelicidades.

Este sentimento de super-auto-pena de si mesmo é hoje o maior vilão das depressões e suicídios (difícil de aceitar porque se vivencia este processo sem se auto-reconhecê-lo), então cuidado para não cair num moto-contínuo alimentando estes desejos infinitos de satisfação dos egos, posto que este é apenas a exacerbação do seu ego-ísmos, e ao alimentá-lo diariamente com certeza você não experimentará o estado de ser da felicidade, que não é tangível, que não é material, e apenas faz parte de algo muito maior que deve ser buscado primeiro: a PAZ!!!

Se mudar o foco de vida e buscar a PAZ, um sentimento que deve ser cultivado ante de todos os demais, você interrompe um moto-contínuo de fantasias, de ilusões e vai conhecer, finalmente, a si próprio e não a outrem executando ações e pensamentos que não são seus, mas de “falsos idealistas” da vida que nem ao menos sabem quem são eles, afinal eles também precisam conhecer a si próprios também, antes de idealizarem aos outros o que é felicidade. Quem segue cegos é outro cego, certamente, e vão terminar ambos enterrados num buraco escuro sem nunca conhecer a luz.

Cultive o seu ego no sentido positivo de se auto-conhecer e manter o crescimento de sua individualidade, apenas. Individuar como também escrevemos é um processo fun-da-mental! Sem o desenvolvimento de sua própria mente você não vai chegar a nada, a lugar algum, apenas será mais “um louco” buscando ser feliz a qualquer custo até o final da vida, e nunca a encontrará da forma que está idealizando.

Somente a paz pode verdadeiramente te levar a um estado superior de felicidade, e não precisa de bilhões, cartões de plásticos, carrões, mulheres, homens, nada….precisa só de você se conhecer mais e amar mais a si mesmo, sem egoísmos, mas com plenitude de um ser que sabe que nasceu para a posteridade no Universo e não para a posteridade desta humanidade tonta e passageira neste momento que está se auto-destruindo em busca de “felicidades” falsas e efêmeras.

O grande objetivo da vida é ganhar consciência evolutiva e experenciar a própria vida em equilíbrio, conhecendo-se interiormente, buscando a paz, o caminho do meio, sem apegos pessoais e materiais.

Não adianta ajuntar em vida bens materiais, dinheiro aos milhões e milhões, casas, bens para os filhos, fama, sucesso, isto tudo pode até ocorrer, mas dentro de uma processo maior que é a busca da PAZ de você com você mesmo e com tudo e com todos a sua volta, em equilíbrio.

O que é PAZ? Aqui você entra com sua experiência de vida e faz a sua própria busca dentro de si mesmo, conhecendo-se primeiro.

Por exemplo, e apenas como um exemplo, experimente você num dia de muito apetite sentar-se a uma mesa para saborear um excelente churrasco, ou uma bacalhoada a portuguesa, ou mesmo um espaguete ao sugo com aquele temperinho italiano e bem ao redor da sua mesa encontrarem-se umas cinqüenta pessoas caídas ao chão, feitos mendigos, quase mortos de fome por não comer a dias, que sabor terá sua refeição? Você realmente vai conseguir se alimentar e saborear o seu prato ou vai fingir que os caras embaixo, no chão, não existem? Onde você encontrará a sua felicidade? Deverá perguntar a si mesmo primeiro se você é um ser humano ou um animal feroz, deverá perguntar a si mesmo de que forma você se sentiria a não dar nada, a não dividir nada e deverá perguntar a si mesmo de que forma se sentiria se desse toda a sua comida. Este é o processo de auto-descoberta de seus sentimentos e conclusões que você deve tirar de si mesmo para melhorar a si mesmo primeiro e quem sabe, um dia, encontrar o seu estado de PAZ, que em verdade, é um estado de sintonia plena com a energia da criação do Universo, de onde você veio, do Grande Oceano, e não da Terra, na qual somos apenas passageiros temporários.

Por Atama Moriya.

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Uma resposta para Vamos conversar sobre felicidade….

  1. Ode Marina disse:

    Atama,

    Excelente abordagem sobre a Felicidade!

    Essa questão de excesso de auto-estima (e ego inflado) ou a ausência dela (no papel da vítima) são as raízes dos desequilíbrios que vemos provocar tanta infelicidade.

    Acredito que o caminho para a Felicidade é pensar no bem-estar dos que estão ao nosso redor, assim – e só assim – podemos encontrar a Paz, e consequentemente, a condição de ser feliz num mundo tão atribulado…
    O mundo tem uma beleza encantadora, vivendo na simpicidade.
    Ode Marina

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