Você é contra ou a favor da lei seca?

Temos visto muita gente reclamando da rigidez da lei seca e podemos analisar estas questões sob outras óticas, como por exemplo, para que servem as leis na sociedade.

Estamos numa sociedade aqui no Brasil em que há exageros no modo de viver de muitas pessoas e cujos abusos acabam por prejudicar a outros, e diante disto e para frear o indivíduo em suas “loucuras” criam-se cada vez mais leis para que protejam o homem do próprio homem.

Mas mesmo aceitando que possa ser um bem comum, há comerciantes reclamando dos prejuízos, há fabricantes chiando um monte, e outros que já até entraram com ações processuais contra. Para uns, as perdas financeiras e lucros não pagam vidas que são salvas. Ademais, há consumidores que não aceitam que isto é realmente bom para todos, de jeito nenhum. É estranho isto?

Vamos voltar um pouco no tempo e descobrir que Deus ou um enviado dele instituiu, há dois mil e quinhentos anos atrás, as leis mosaicas para conter o próprio homem diante do primitivismo comportamental que dificultava o convívio humano em grupo. São leis duras, como também eram duros os homens naquele tempo e são leis justas e corretas para aqueles que se comportam corretamente.

As leis de Deus são claras: …não matarás…não roubarás….não cometerás adultério…enfim, tudo é não, ou seja são leis proibitivas.
E por que tinham que se proibitivas?

Imaginem-se naquele tempo, no lugar de Moisés, liderando uma multidão sem muitas regras de convívio humano, adoradores de pedras e esculturas, sem uma moral desenvolvida adequadamente, com uns matando a outros por qualquer discussão simples, sem conceitos mais desenvolvidos de família, e tal. E todo mundo reclamando, xingando, passando fome, todo mundo nervoso, estressado e sem saber exatamente no que acreditar e nem em qual Deus. O que você faria? O que Deus faria?

Moisés tinha mesmo que aplicar a tábua dos dez mandamentos, e punia duramente os que a transgrediam, caso contrário perdia o controle do seu Povo e a convivência se tornaria insuportável e o resultado seria o fim daquela civilização.

Passado dois mil e quinhentos anos e continuamos a viver sob a égide dos dez mandamentos, aliás, se não fossem eles, nem teríamos chegado até aqui. Triste é verificar que apesar de tantas tecnologias, mestrados, doutorados, o homem atual enquanto indivíduo de um modo geral continua o mesmo do passado de Moisés, talvez um pouco melhor, ou menos primitivo, mas ainda assim tendo que conviver sob leis punitivas oriundas da lei mosaica.

É tudo muito simples, Deus ensina que não, o homem diz que sim, provavelmente porque realmente não acredita num Deus que ele é incapaz de ver, então a sociedade aplica as suas leis punitivas pelas transgressões da lei mosaica e objetiva um bem maior que é o convívio pacífico na sociedade. É a criação e a manutenção do Estado de Direito, sem a qual não haveria estado algum e muito menos civilização.

Aceitar as leis mosaicas deveria ser suficiente para o bem estar geral, mas como o indivíduo é ainda infantil e irresponsável, a sociedade criou e continua a criar cada vez mais leis punitivas. A sociedade não proíbe como Deus, por exemplo, que o indivíduo cometa roubos, seqüestros, latrocínios, agressões, entretanto, se cometer tais atos será punido pelos tribunais.

O desejo de viver dos indivíduos é tão louco e insano que se sobrepõe à liberdade dos outros, ao direito à vida dos demais.

Com a evolução dos sistemas de vida econômicos e mudanças comportamentais, novos tipos de violações do homem sobre outros homens surgiram e novas leis são criadas e assim vai continuar a ser enquanto este homem, dito moderno, passados milênios, ainda não compreendeu que necessita evoluir no sentido de respeitar outros seres humanos em detrimento de seu infinito desejo de viver, e isto de maneira espontânea, sem a necessidade de impormos como sociedades novas e novas punições. Quando você acha que isto acontecerá?

Ahhh….o individuo que conhecemos hoje ainda é muito infantil, e por infantil é irresponsável, e diante deste quadro somente nos resta criar mais e mais leis punitivas que possam servir de freios para este indivíduo.

Maomé resume estas faltas humanas a algo mais simples e ensina simplesmente que o indivíduo “não pode roubar”, reconhecendo que é da natureza do homem ser um ladrão. Um ladrão de sonhos dos outros, um ladrão de verdades, substituindo-as por mentiras, um ladrão de vidas alheias. Nada mais do que certo.

Agora vamos às lições esotéricas. Ninguém é de fato bom ou mau, apenas em alguns momentos age fazendo o bem ou fazendo o mal. Para fazer o bem ele ainda precisa de incentivo, por primitivo ainda em comportamentos exacerbados e dado a sua infantilidade psico-mental, mas para fazer o mal, na maioria das vezes ele age mesmo por conta própria e nem precisa de incentivo; está na sua natureza evoluir das trevas para a luz, mesmo porque da luz para a luz é impossível.

Características de indolência, vaidades, egocentrismo, violências fazem parte do indivíduo e para aprender a controlá-las é que nasce e renasce tantas vezes, e será do amadurecimento destes frutos maus é que ele pode se tornar um bom sujeito, desde que efetivamente ele possa reconhecer estes atributos dentro de si mesmo e não dentro dos outros. A arvore que não dá frutos nenhum hoje, até por esta limitação, dará frutos no amanhã, isto com certeza!

Todo o bem tem aspectos negativos também, e todo mal tem aspectos positivos também, pois é assim que se faz a evolução, de um pólo para outro, do negativo para o positivo e do positivo para o negativo também. Por isso não há mal absoluto e muito menos bem absoluto. É tudo relativo e depende da posição do observador.

Por isso, sem prejuízos de faíscas de bondade que existem no ser humano, diz-se, desde muito antes de Cristo que o homem é essencialmente ladrão e corrupto, todavia já há muitos, poucos no todo, que se desenvolveram nesta raça ariana e amadureceram estes impulsos mais primitivos transformando-os em dádivas para si próprios e para outros. Naqueles mais velhos e amadurecidos nem precisaria mais de leis humanas, basta simplesmente atender aos seus desejos de fazer o bem, em contraponto ao mal que possa ainda existir dentro de si, mas totalmente controlado por uma vontade benigna própria, interna e não externa ou mesmo incentivada.

Todas as leis num Estado de Direito e que são implantadas para o bem comum, não o são para nos proteger de uma minoria, afinal, isto seria desnecessário se assim fosse, mas justamente para atender e nos proteger da maioria, inclusive, nós próprios, sendo, portanto, as leis, reflexos de todos os nossos defeitos comportamentais, reconhecidos ou não, momentâneos ou não. E será com este reconhecimento que temos que viver para poder evoluir.

Não há inocentes diante das contas coletivas. Por exemplo, a lei seca, seja o indivíduo que bebe pouco ou muito, seja o indivíduo que não bebe, é responsabilidade e reflexo do coletivo adoecido em seu comportamento social, e fazendo parte da sociedade, somos todos responsáveis pelas mazelas e exageros coletivos em maior ou menor grau de participação. Isto é difícil de compreender dado que quando se trata de apontar defeitos, somos todos muito prepotentes e egocêntricos.

Inversamente, quando se diz que o povo brasileiro é bom e muito carinhoso com as pessoas, todos se sentem elogiados, não é? Bem, pelos menos aqueles que se sentem fazendo parte do povo, o que na verdade é maioria ou todo mundo.

Não existe sociedade sem indivíduo, assim como não pode existir indivíduo sem sociedade. Portanto, se sociedade que representa o coletivo mental somado de todos os indivíduos é ruim, é ladra, é corrupta, é porque todos os indivíduos também o são, em menor ou maior grau, oculta ou explicitamente. Este é o conceito esotérico de que somos todos um, ligados uns aos outros por cordões invisíveis e isto quer se aceite ou não esta verdade.

E as leis punitivas, como a lei seca, é fruto de atitudes coletivas também, de seres que já se reconheceram também imprudentes e temerários em comportamentos, conscientes ou inconscientes, e que resolveram colocar um freio nos exageros de todos os indivíduos, afinal a lei é para todos, e não somente para uns.

Aceitar a lei seca é um bem, como aliás temos visto pelos balanços estatísticos de poucas semanas apenas. Há menor numero de mortes, há menor incidência de feridos, o estado reduz custos de hospitais, as seguradoras pagam menos prejuízos, e a sociedade como um todo é beneficiada porque os indivíduos continuam a trabalhar e produzir dentro da economia. Isto é um bem comum, resultado de um freio ao comportamento infantil e imprudente dos indivíduos da própria sociedade.

Igualmente ao conceito de que todos somos “o defeito e a virtude” dentro do coletivo, vemos que a sociedade necessita de uma lei punitiva mais drástica no que tange à corrupção generalizada, daí também podemos afirmar que isto decorre simplesmente porque a maioria ou quase totalidade dos indivíduos também é corrupta, em menor ou maior grau, não importa, mas ninguém aceita ser chamado de corrupto, não é? Isto prova que estamos sempre tentando levar vantagem diante das situações, e isto não é corrupção por um acaso?

Melhore a si próprio e automaticamente você estará melhorando a sociedade como um todo e não adianta ficar nervoso porque beltrano, sicrano ou qualquer outro é um danado de um corrupto no governo, porque afinal ele é apenas um reflexo de você mesmo, apenas que lá em Brasília.

Compreender este conceito que tem origem na criação da raça humana é dar um passo decisivo na sua evolução e amadurecimento mental, e não na evolução e amadurecimento dos “caras maus” que você quer que mudem porque você assim quer.

E durma-se com este barulho.

Atama Moriya.

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3 respostas para Você é contra ou a favor da lei seca?

  1. paula disse:

    bom o texto é bom e apresenta uma opinião forte mas A RECENTE “LEI SECA” NA DIREÇÃO DE VEÍCULOS É UM CASO TÍPICO DISSO: É certo que os acidentes automobilísticos causam um número enorme de mortes, principalmente entre os jovens. Certo também é que em muitos casos tais acidentes são causados por motoristas embriagados. Mais certo ainda é a necessidade de adoção de medidas para alterar esse quadro. Os especialistas no assunto poderiam discorrer longamente sobre o tema e apresentar uma série de propostas tanto preventivas como sancionadoras para solucionar o problema. Todas elas, a longo prazo. O que faz o legislador então? Justamente o contrário. Edita uma Lei extremamente rigorosa, ilegal e ineficaz, passa a falsa sensação à população de que o problema foi resolvido, e no final das contas (e o tempo se encarregará de provar isso), os acidentes causados por motoristas embriagados não reduzirão.
    Alguns pontos da Lei merecem toda atenção, principalmente para àqueles que saem à noite, eventualmente consomem álcool ou comem bombons que contenham licor (reportagem da Folha de São Paulo mostra que o consumo de dois bombons da Kopenhagen já ultrapassa o limite de álcool no sangue previsto na Lei).
    O primeiro ponto importante é o seguinte: dispõe a Constituição Federal que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo (artigo 5º, inciso LXIII). Em “português”: você deve e pode se recusar a usar o bafômetro em uma blitz policial. A nova Lei diz o contrário mas saiba que isso é gritantemente inconstitucional, e os Tribunais certamente se encarregarão de corrigir esse absurdo.
    O policial que te abordar nessa hipotética blitz ira dizer que sua recusa será usada contra você. Balela. Mantenha-se firme e sempre educado e diga que é seu direito a recusa ao uso do bafômetro. Ele provavelmente dirá então que você será encaminhado ao Instituto Médico Legal para que seja feita uma colheita de sangue. Mais uma vez, utilizando-se do mesmo princípio constitucional, você pode e deve se recusar a fazer tal exame. Por derradeiro, você será encaminhado para um exame clínico com um médico perito. Ele vai olhar para sua cara, cheirar seu hálito, fazer uma série de perguntas e então um laudo será feito dizendo se você está ou não embriagado. Aqui você também pode se recusar a responder qualquer pergunta e colaborar de qualquer forma com a elaboração de tal laudo. O resultado disso tudo é que mesmo que você esteja mais sóbrio que o Papa, o laudo vai dizer que você estava embriagado. Afinal, depois dessa epopéia de direitos, o médico vai presumir que sua recusa se deve ao fato da sua evidente embriaguez. O lado “positivo” disso é que a confirmação de sua embriaguez será objeto de questionamento caso você venha a ser processado criminalmente (e você será).
    TRÊS CHOPPS = XILINDRÓ: No mais, a Lei peca em estipular absurdos limites para o consumo de álcool fazendo com que meio copo de chopp seja uma infração administrativa grave, com uma pesada multa e a cassação da carteira de habilitação. Se você tomou três chopps então…..cadeia! Sim, a previsão legal é essa. Prisão em flagrante com a opção de relaxamento da prisao mediante o pagamento de fiança.
    Finalizando, é importante deixar claro que não estamos aqui defendendo a impunidade, criando um guia para se esquivar da fiscalização da polícia ou dizendo que beber e dirigir é bacana. Muito pelo contrário. São motoristas bêbados e irresponsáveis os maiores causadores de acidentes, principalmente durantes os finais de semana de nossa megalópole que nunca dorme. Lei Seca (e burra): Não podemos admitir que, para a falsa solução de problemas, oportunistas burlem a Constituição, nossos direitos e editem Leis medievais: O Brasil é campeão na edição daquilo que chamamos de Legislação de Pânico. A coisa funciona mais ou menos assim: os índices de criminalidade são alarmantes; as medidas para conter esse avanço são sempre a longo prazo e, portanto, pouco interessantes do ponto de vista eleitoral; o legislador precisa dar uma resposta à nação, sedenta por uma resolução de tal problema. Exatamente aqui entra a elaboração de Leis esdrúxulas e de extremo rigor que por suas características causam um efeito quase sedativo na população e essa se sente, equivocadamente, mais segura.
    Usando um caso prático, cito o seguinte exemplo: o crime “da moda” uns anos atrás, foi o chamado seqüestro-relâmpago. O legislador, pressionado pela opinião pública, ao invés de propor medidas sérias e eficazes para combater esse e outros crimes, prefere editar novas leis ou ainda endurecer mais as penas de crimes já existentes, dando uma falsa sensação de tranqüilidade e sustentando que tal inovação legislativa irá fazer com que a criminalidade diminua. Ledo engano. Estudos e estatísticas comprovam que leis mais severas só servem para lotar ainda mais as já super lotadas penitenciárias do país. Em outras palavras, lei mais dura só serve para ganhar voto e fazer sucesso no sofá da Hebe, nunca para reduzir a incidência de determinado crime

  2. marcella disse:

    esse texto e muito grande.

  3. Ode Marina disse:

    Penso que não adianta criarmos leis se abandonamos os valores morais – o primeiro não funciona sem o segundo.
    Como vc colocou, os dez mandamentos tem a conotação de “ordens de comando” para uma humanidade espiritual e intelectualmente atrasada. O que mudou de lá p/ cá? Só aumentamos em número e as notícias correm longe, alcançam todo o planeta. Ou seja: multiplicamos e o espaço (planeta) ficou pequeno. Até para os veículos circularem…!
    Parece que na visão das pessoas, de modo geral, a vida humana ficou banal porque aumentou feito capim.
    Não é mais comum estender as mãos aos mais necessitados – há até aqueles que, em bandos, chutam um semelhante desprotegido e abandonado pela sociedade! Isso até bem poucas décadas não se fazia nem com um cachorro sarnento.
    É duro pensar que somos ladrões de um bocado de coisas mensuráveis ou não… Só conseguimos amadurecer pelo sofrimento; talvez por este motivo vivemos com tantas privações materiais, espirituais e psicológicas. A cada dia somos testados em nossos valores aparecendo pessoas e chances para realizar o incorreto, o desonesto. Só poderemos ser considerados de fato Educados e Evoluídos quando nos mantermos assim MESMO QUANDO NÃO ESTIVER NINGUÉM OLHANDO…!
    Claro que gostei dos resultados imediatos da Lei Seca, só lamento as ocorrências de “autoridades” que não se sujeitam à lei que é para todos…
    Se o quadro atual do Brasil reflete cada um de nós (e vice-versa), a impressão que tenho é que estamos mudando a duras penas, caindo máscaras, dedos sendo apontados mutuamente, socialmente envergonhados e desmoralizados, e ao mesmo tempo escandalizados com a retirada do verniz e desejando mudanças para melhor. É urgente. Estamos à beira de um desgoverno, individual e coletivo.
    Se a maioria vence, que vença o melhor que há em nós. Que assim seja!
    Ode Marina

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