O sofrimento dos bons

A pedido da Adriana vou colocar agora um ponto de vista diferente sobre sofrimentos pessoais, sob um prisma mais esotérico para interpretar a vida.

Por que as pessoas sofrem tanto? O que será que vai dentro de nós?

Esta resposta tem uma amplitude muito grande, por isso vamos nos ater aos sofrimentos dos bons, ou aqueles que assim se julgam e também se julgam injustiçados pelos “outros”, sejam estes amigos, pessoas que conhecemos na vida, chefes, amigos do trabalho, ou mesmo parceiros de relacionamentos, ou ex-parceiros.

Já colocamos aqui um ponto de vista sobre pessoas que desejam intimamente sofrer por serem muito duras para consigo mesmas e repassam esta dureza para os seus próximos.

Agora vamos abordar um outro ponto de vista íntimo, mais ligado a sensação de que estamos sendo “bons” com os outros, mas os outros estão sendo muito maus, e as vezes por ingratidão, as vezes por incompreensão, as vezes por ignorâncias e até mesmo agressões físicas. Afinal quem já não passou por esta situação?

Principalmente a mulher nos tempos atuais tem dificuldades para superar certos traumas ocasionados muitas vezes pelas incompreensões dos seus parceiros. Mas não se enganem: todos somos bons para uns e maus para outros, pois a vida é feita de equilíbrios, e o bem em cada ser humano coabita com o seu lado mau também. Apenas que muitas mulheres tendem a serem melhores que más, principalmente a partir de uma determinada fase da vida em que ganha mais amadurecimento intimo.

Somente alguém que já obteve um grau maior de sabedoria na vida pode se equilibrar com a maior parte no bem que no mau. E para isto tem de ter muita sabedoria mesmo, senão desencarna rapidamente. O positivo e o negativo têm de conviver harmoniosamente dentro de cada um, se eliminar qualquer um dos pólos, fatalmente há o desencarne. Não diz a sabedoria popular que cara que é bom demais morre cedo? É uma verdade esotérica.

Igualmente o cara mau demais também morre rapidamente. No fim, o que julgamos como mau, não são tão maus assim. Mesmo o pior dos bandidos do planeta já foi uma criança um dia e se é um pai hoje, pode ter certeza que ama seu filho também, apesar de poder sair nas ruas e matar um monte de crianças empurrando-as para vender drogas por aí.

Todos têm momentos na vida, momentos de muito ódio e momentos de muito amor. É preciso compreender isto tudo que se passa dentro de nós e deixar de agir somente por emoções apenas. Emoções são positivas, mas somente elas, afetam o seu juízo de racionalidade. É preciso ter coerência lógica também para um resultado e um fim lógico também. A dualidade convive dentro de nós, por exemplo, ninguém faz sexo com ódio intenso entre os dentes, a não ser um psico-mental desequilibrado. Pode não ser amor, mas há ali pelo menos uma paixão animal, não é mesmo? Paixão animal é coisa boa se usada com racionalidade e coisa má, ou negativa, se limitada a ela somente, dá para entender?

As pessoas que agem de maneira positiva e doadora de sentimentos podem se surpreender com as reações negativas das outras pessoas envolvidas na situação, seja esta reação uma manifestação de certa ingratidão, de traição, de não-retribuição, etc. O que deve ser considerado normal, afinal nós mesmos também somos, sob o ponto de vista esotérico, psico-mentalmente infantil, e quanto mais as outras pessoas envolvidas. A gratidão e a reciprocidade não é ainda uma característica desenvolvida adequadamente nesta nossa civilização. Estamos ainda dominados pela sensação e a vontade de bem-viver à custa dos outros, independente de considerarmos quanto de fato custou ao outro realizar aquela doação, aquele esforço a mais, aquela camisa bem passada pela manhã, aquele cafezinho gostoso, aquele afago e carinho, aquele jantar á luz de velas, etc..

Nós sabemos claramente pelo ensinamento esotérico que, se queremos nos desenvolver, não devemos ficar esperando absolutamente nada de ninguém, seja quem for, e apenas doar sem retribuição e sem mesmo que aquela pessoa a quem amamos como parceiro, irmão, amigo saiba o quanto nos custou aquela ação.

Entretanto, jamais podemos esquecer que ainda somos “crianças” também, e estamos sempre prontos para sermos agraciados com retribuições das outras pessoas. E quando a retribuição e o reconhecimento não surgem no sentimos traídos, desprezados ou menosprezados pelas pessoas pelas quais mais nos dedicamos. Isto é frustrante, não é?

O que essas frustrações nos podem ensinar?

Em primeiro lugar devemos saber administrar melhor nossos apegos. Essas frustrações são apegos à situações e à pessoas, algo que não deveria nos causar tristeza alguma, afinal esperar algo do ser humano é exigir que ele dê algo em troca, e trocar não é doar, mas negociar coisas da vida. Estes apegos nos ensinam, na maioria das vezes, que há sentimentos e emoções dentro de nós que precisam ser administradas e compreendidas por nós mesmos, tipo vaidade de se sentir valorizado na vida, egoísmos por acharmos que nossos atos são importantes e precisam de reconhecimentos. Administrar não significa o mesmo que eliminar. Não eliminamos nenhum ego nosso porque os egos representam a nossa própria individualidade.

Viemos todos do “Grande Oceano” como seres coletivos, porém hoje estamos a aprender a nos individuar e neste aprendizado ainda infantil precisamos aprender como nos individuar, como escrevi num outro post. Aprender a nos individuar, e deixar de agir como ser coletivo, significa entre outras coisas amadurecer e lidar com nossos sentimentos, nossas emoções e nossos apegos a nós mesmos, nossos desejos e nossas infantilidades nos comportamentos.

Um ser um pouco mais racional domina suas emoções, um ser ainda por demais de infantil é dominado pelas emoções e apegos de todas as espécies. E aqui não vai nenhuma crítica, tanto que a maioria neste momento da civilização é, sob os conceitos teosóficos, ainda uma criança, cheios de infantilidade, porém terminada a era de peixes, inicia-se a obrigatoriedade em aquarius de ser menos infantil e compreender a si próprio com mais racionalidade.

Na atual civilização o homem ainda é muito infantil e diante destes comportamentos que são até naturais neste momento, também há que se compreender as pessoas que acabam por ferir outras que lhes são boas, muito boas, mas não são compreendidas muito menos reconhecidas. Ser realmente bom neste estado de coisas é provavelmente ser atropelado, enganado, espoliado, explorado, mas não vejo isto pelo lado ruim, mas pelo lado correto para os bons. Tenham a certeza, os bons, que vocês estão certos e não devem mudar de serem bons mesmos, porque vocês continuarão a ser bons para consigo mesmos, e quanto aos outros….. ahhhh, com certeza eles é que estão agindo de forma incorreta. Então, bons, porque vocês estão apoquentados?

O que age certo libera seus tikuns na vida, desde que não olhem mais para trás. Olhar para trás é um atraso de vida, é um endividamento carmático que terá que ser resolvido mais cedo ou mais tarde nesta vida ou na próxima vida. Amadurecer é não se preocupar em mudar as outras pessoas, ajam como elas desejam agir, mas olhar sempre para frente e para o alto como os grandes seres, nunca para trás e para baixo que te iguala aos menores.

Os que agem sem a consciência da bondade e do amor ao próximo e com pouca gratidão ao próximo, que é um representante de Deus principalmente quando lhes faz coisas boas, está se endividando e criando diversos tikuns que o enredam cada vez mais na teia cármica. Tudo tem o seu preço no Universo e um dia ou outro esta conta será cobrada, inevitavelmente. Portanto, bons, se ficarem esperando sempre algo em troca, estarão abrindo uma conta conjunta apenas.

E durma-se com este barulho.

Atama Moriya.

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Uma resposta para O sofrimento dos bons

  1. Adriana disse:

    Ahhh… Obrigada…Atama anjo!!!rs…rs…

    Vc por acaso não está esperando que eu admita o quanto vc está certo…né?rs….rs…

    Ai…que bom!!!Até por que o meu orgulho não deixa…rs…rs…brincadeirinha…

    Hummm…maravilhoso o texto… me fez refletir principalmente sobre o meus apegos a situações e pessoas que não compreendo…não no sentido de cobrança… mas sim de incompreensão mesmo… mais procuro me isenta de julgamentos… pois sei que na verdade todos fazem o melhor que podem e dão o melhor que tem no momento… e eu não sou uma exceção a regra… então não me cabe qualquer julgamento…
    Mas procuro sempre fazer tudo com Amor…pelo simples prazer de amar a vida, as pessoas….a Deus… sendo grata sempre pela oportunidade de aprendizado… mesmo que esse aprendizado venha em suaves tapinhas na cara… não tem importância!!!…

    Por que vou continuar amando, acreditando, vivendo…Crescendo…hummm…Será que eu cresço um dia? ? ? rs…rs…

    De qualquer forma continuo no caminho do meu coração e guiada pela minha consciência… para encontrar a Paz do meu espírito!!!… O que não tem preço!!!

    Tá, eu admito…vc é divinoe o texto nem se fala… e eu vou me esforça, para domar esse meu ego saliente!!! Para não ser domada por ele…rs…rs…rs…

    Muitíssimo obrigada de coração…

    Beijosssssssss
    Adriana

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