Etanol brasileiro está manchado de sangue!

Esta semana temos visto a divulgação do relatório anual da Anistia Internacional, um importante órgão que trabalha pela divulgação e denúncia das injustiças, exploração e misérias a que são submetidos milhões de seres humanos, todos, quer você aceite ou não, nossos irmãos, de sangue e coração.

É impossível ficar calado! Não somos vermes e baratas que sobrevivem de restos de outros humanos!

O resumo do Relatório da Anistia você pode ler aqui:

http://www.estadao.com.br/internacional/not_int179587,0.htm

e aqui sobre as plantações de cana do Brasil e os bóias-frias:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080529/not_imp179964,0.php

Chamo a atenção dos brasileiros que apesar de termos melhorado muito com o aumento da mecanização agrícola para colheita da cana de açúcar, isto certamente não representa muito mais que a metade da produção atual. Então ainda, mais fora do Estado de São Paulo, há muita utilização de mão de obra dos bóias-frias cortadores de cana.

Alguém faz uma idéia do que é ser um cortador de cana?

Tudo bem que o precisamos de alcool, tudo bem que o alcool diminui a poluição e o aquecimento global, mas não há como se separar a dor e o sangue de muitas vidas que se vão com este trabalho que é praticamente escravo em muitas plantações.

Além de ser praticado de forma a se pagar algo em torno de R$- 10,00 por dia, isso se o bóia-fria conseguir cumprir uma cota mínima medida por toneladas colhidas, cortar cana após a queimada impõe ao ser humano a condição de respirar carvão puro, e ademais, as condições de trabalho duro e pesado de várias horas provoca um desgaste físico incrível, a ponto de trabalhadores com menos de trinta e cinco anos de idade e após algumas safras seguidas apresentar uma aparência física de um sujeito de cinqüenta, cinqüenta e cincos anos. O pior são as doenças adquiridas com a contaminação dos pulmões, o que segundo alguns pesquisadores médicos podem provocar câncer também e uma morte extremamente prematura para os padrões do campo.

Olha aí, que situação o homem é capaz de submeter outros homens! Tudo em nome do dinheiro, em nome da riqueza de quem produz, e em nome do conforto para quem consome. E aqui no Brasil mesmo, bem pertinho de nós.

Tudo bem que o álcool tem nos ajudados muito. Tem ajudado muitos de nós que necessita se locomover de carro a custos menores, tem ajudado o Brasil, tem o ajudado o mundo com menores taxas de poluição, mas pensar egocentricamente apenas não é mais válido.

Assim, como podemos admitir que este álcool produzido em tais condições sub-humanas não vem manchado de sangue e lágrimas de muitos outros brasileiros?

Precisamos ter consciência disto! Sem esta consciência estaremos favorecendo apenas mais desgraças não só aos trabalhadores, mas a nós mesmos, porque tudo volta, mais cedo ou mais tarde. É uma dívida a mais que se contrai, mas cujo pagamento pode ser muito salgado, seja para o indivíduo, seja para a coletividade.

É muito fácil sempre perguntarmos: “Mas como isto foi acontecer comigo? Eu que nunca fiz nada de errado!” “Mas como caiu um raio na cabeça dele, que azar!” ou então: “porque este terrível vendaval, este furacão, esta tormenta, porque a dengue?” é que quase ninguém pensa e sempre, de maneira egoísta e confortável para si, se imagina ser ele mesmo “o rei da bondade” e o “ rei da consciência limpa”.

Aqui na terra não tem nenhum santo! Estão todos nesta fase mais para diabo, uns dos outros!

Você realmente acredita que de uma atitude egocêntrica de exploração humana de alguns milhares ou milhões pode advir algo de bom, um benefício para o individuo, para você, para o Brasil, para o Mundo?

A coisa não funciona bem assim; tudo no universo gera débitos, ainda mais com pesos como este que estamos expondo, e será cobrado e da mesma maneira que estivermos sendo “duros” com nossos irmãozinhos, também o universo será “duríssimo” com os compactuadores e incentivadores, de forma individual e coletiva. É pura matemática na grande matriz da vida.

Isto não é uma praga, não! O Ser Humano é que é ainda muito “burrinho” e “infantil”, quer sempre o melhor pra si, mas só pra si.

É necessário que a população brasileira se movimente e cobre dos políticos e autoridades uma atitude mais “dura” também, exigindo a mecanização agrícola nas plantações e colheitas de cana de açúcar, inclusive com campanhas para que as distribuidoras apresentem nas bombas algum tipo de selo de “vida” provando que aquele álcool não é fruto de sangue e suor de cortadores de cana, nossos irmãos brasileiros.

Vidas ceifadas são vidas ceifadas, a dor da perda só é sentida pelos familiares que ficam, para os outros, nunca existiu mesmo! Pense nisto!

Atama Moriya.

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