Você conhece o Paraíso?

Eu tenho por mim que nem Deus tem uma idéia pré-definida do que seria o Paraíso para o ser hominal. Porque tudo ainda está em evolução e formação. Por compreender que ainda não há um ser final definido, realmente não creio que hoje este Paraíso possa ser definido, mas podemos idealizá-lo, por que não?

Assim como idealizamos felicidade num tempo futuro em que todos já estaremos evoluídos e completos, mas hoje é só uma idealização, porque o máximo que podemos viver é a felicidade que conhecemos hoje de acordo com o nosso grau de consciência hoje.

A grande questão que se coloca é que se somos seres mutantes ainda, e se mudo meu grau de consciência, com maior conhecimento, maior sabedoria, mais profundidade em meu viver, poderia eu no futuro me contentar com a felicidade que conheço hoje? O que hoje pensamos que seria um Paraíso, um ideal de felicidade, amanhã já não o será, e que bom que é assim, senão não estaríamos evoluindo.

Então de que “paraíso” estamos falando se ele não pode ser conceituado pelas nossas mentes? Por quê? Porque somo seres com o psico-mental ainda muito infantil, onde idealizamos um mundo em que somos ricos, riquíssimos, e temos tudo, carros, mulheres, dinheiro aos montes, dez meses de férias nas Ilhas Fiji (sem maremotos) e esquecemos que se idealizamos estas coisas todas, estamos idealizando também que haveria seres “pobres” a nossos pés para nos servir, limpando os banheiros, servindo drinks, cozinhando para nós, etc. Você conhece este ser humano? Será que assim estaria bom mesmo para você?

Os diretores de cinema japoneses possuem essa linha de introspecção filosófica da vida que é próprio da raça oriental de pensar muito, imaginar muito e se aprofundar muito em questões que poucos se atrevem a mergulhar.

Me faz lembrar os filmes de Kurosawa, um pensador que colocava na telinha suas obras de arte em pintura. Aquele filme, cujo nome não me lembro mais, sobre um funcionário público que tinha uma vida solitária, sem família, e que todo dia ia ao trabalho e voltava para casa, apenas essa rotina, nada mais. Esse filme explorava justamente “o vazio” das vidas da pessoas que estão a viver somente em vidas mecânicas e biológicas, algo terrível num clima pesaroso, enfadonho e absolutamente insuportável para qualquer ser humano que parar para pensar qual o sentido da vida?
Lembro também do filme sobre Os Sete Samurais que explora justamente quais são os ideais de honra, ética e moral dos seres ditos humanos e em que ponto da vida esta nos é cobrada para que enfrentemos a nossa própria verdade.

Outra obra incrível de Kurosawa foi sem dúvida “Dersu Usala”, que obra prima! Tratando de um tema sempre muito difícil que é a morte e sua aceitação na ordem natural das coisas, muito que embora ela sempre nos pareça enquanto vivemos na intensidade das emoções como algo distante, mas quando nela se pensa surge com a intensidade de um ser, no filme uma estilização de um tigre sagrado que finalmente nos encontraria e nos levaria para sempre, e que com a chegada da idade e maturidade poderíamos enfrentar este dia sem temor. Este grande tigre branco seria também filosoficamente o cobrador de nossos erros em vida. E que um dia, sabemos intuitivamente que havemos de pagar, daí o grande também o medo inconsciente da morte. Impressionante.

Atama Moriya

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