Os desafios que a humanidade enfrenta e que criarão novos paradigmas de sobrevivência e huma-unidade – Parte 11

No Brasil, batemos os recordes na produção de grãos seja por novas técnicas pesquisadas pelo Embrapa, seja pelos investimentos que tem sido proporcionado pelos agricultores com cada vez mais equipamentos que conduz a uma desejável mecanização que reduz os custos e aumenta a produção.

No entanto falta uma política de visão a longo prazo tanto da produção, diversificação e distribuição, bem como regras mais claras e precisas no que tange ao comércio internacional, subsídios à exportação. A todo o momento, mesmo sendo grandes produtores, somos surpreendidos por falta de arroz, feijão, soja, carnes, trigo, etc.

Exporta-se arroz subsidiado e importa-se ao mesmo tempo a preços maiores, isto demonstra a fragilidade de nossas políticas.

Outra coisa ocorre de maneira desequilibrada com indústrias multi-nacionais ou de propriedade não residente que em vários setores, inclusive alimentos, exportam a totalidade de sua produção, não vendendo um real que seja no mercado interno; este tipo de indústria não deveria usufruir de nenhuns subsídios, e mais, deveria ser sobre-taxada. Obtém-se dentro da economia muito pouco resultado econômico com este tipo de indústria a qual trabalham legalmente usufruindo de benefícios legais, entretanto, já hoje e num futuro muito próximo se demonstrará danosa à sociedade, pois utilizam muitos insumos produzidos aqui, mas agregam baixo valor de produção de bem-estar econômico.

O desejo de obter contínuos saldos da balança comercial a todo custo com base em qualquer tipo de exportação não é mais uma política viável e amadurecida. Precisamos ser mais seletivos. Sobretaxar importações de produtos com similaridade nacional num primeiro momento, como todos os países o fazem, e paralelamente reduzir os impostos das indústrias nacionais para que possam competir internamente e externamente.

Criar incentivos cada vez maiores na exportação de produtos primários beneficiados e taxar os primários não beneficiados também cada vez mais é outra das necessidades que temos.

O que estamos assistindo no mundo com relação a alimentos é algo previsível e consta de qualquer planejamento de países mais prudentes e que buscam soluções à longo prazo. Aqui no Brasil estamos sempre sendo pegos de “calça curta”.

Há muitos capitais especulativos no mundo, dezenas de trilhões de dólares, e estes continuarão suas investidas nas comodities, não tenham dúvidas, mesmo porque o mercado financeiro anda bastante arriscado para novas operações de sub-prime, haja vista que a crise americana ganha corpo a cada dia que passa. Lá a crise de crédito já atinge outros segmentos tais como cartões, financiamentos de veículos, seguros, etc. A quebradeira aumenta diariamente. A inflação sobe, o desemprego está a aumentar, e nem os pequenos respiros econômicos aparentemente não conseguirão deter a queda da economia e, todos sabem, a certo ponto ainda futuro, ganha um movimento inercial e seu crescimento entra em moto-contínuo na economia. Quanto tempo será este ponto futuro? Não sabemos, mas me parece certo, assim como já vimos isto ocorrer no Brasil várias vezes nos últimos cinqüenta anos. Em crise nós somos experientes e conhecemos como ninguém.

A indústria petrolífera amargou uns trinta anos de baixa, com baixa lucratividade, ou até mesmo prejuízos contínuos, mas já se tinha como certo uma reviravolta neste início de milênio, por isso tantos investimento continuaram a serem realizados. Hoje a indústria petro-química está cada dia mais forte e rica, num “boom” por mais trinta anos consecutivos. É um ciclo previsível e lógico.

O Petróleo continua a subir, hoje com patamares de US$- 125,00 o barril (lembra-se que ele custava dois a três dólares o barril?), e para seis meses os contratos já apontam para US$- 140,00, e isto é significativo. Li que alguns analistas calculavam que atingiria a 150 dólares dentro de um ano. Me parece extremamente otimista esta previsão. A meu ver, com a desvalorização do dólar ao qual ele continua atrelado, chegamos aos 150 dólares ainda este ano e há boa margem econômica para suportar isto e o mundo continuará disposto a comprar. A questão é que não vai parar por aí, mesmo que estacione por certos períodos, voltará crescer, pois todos os demais fatores continuarão a atuar.

Muitos outros analistas prevêem que haverá um continuísmo nos aumentos pelos próximos trinta anos, independente do dólar e sua possível queda abrupta prevista, porquanto o consumo mundial tende a continuar aumentando, e quanto maiores são as tecnologias, muito mais insumos básicos será consumido em progressão geométrica, um paradoxo antigo que já está comprovado ser correto.

Todos os investidores conhecem esta regra básica, há procura, então há condições de subida de preços. Creio que mesmo a duzentos cinqüenta dólares o barril ainda assim haverá grande procura e as economias estarão dispostas a arcar com este preço. Não sei se pacificamente.

Hoje o consumo mundial está estimado em 30 bilhões de barris ano, e há previsões de fechar com mais dois bilhões em 2008. A tendência indica que este número pode subir para quarenta bilhões em uma década.

A OPEP não pretende mais aumentar a produção, mesmo porque as reservas mundiais estão se exaurindo, e serão menos da metade da atual em duas décadas, algo que se previa acontecer dentro de cem anos. Bem antes dos cem anos todo o petróleo do mundo já terá se tornado gases venenosos no ar. Estamos como civilização “inteligente” tirando de dentro da terra quantidades imensas de óleo para evaporá-la no ar; claro está que isto traz já, de imediato, conseqüências graves no eco-sistema.

Não se trata somente de encontrar uma nova fonte de energia alternativa, mas antes de tudo nos desvencilharmos da dependência química dos subprodutos do petróleo, principalmente fertilizantes, inseticidas e nutrientes básicos para preparar a terra para o plantio.

Os modelos de mudança climática indicam independente do petróleo, uma queda de produção agrícola à partir dos próximos anos em decorrência das mudanças climáticas, algo que deverá se agravar segundo estes modelos, à partir de 2015, quando fontes de irrigação como rios estarão secos em várias partes do planeta, principalmente no hemisfério Norte, decorrente basicamente pelo derretimento do gelo do Pólo Norte, o qual encontra-se em ritmo acelerado.

Em decorrência também da evolução da medicina, aumenta em alguns anos por década a longevidade do homem, assim é de se esperar um forte aumento da população mundial em apenas uma década, algo em torno de 8 bilhões, ou seja uma China a mais, ou pelo menos uma Índia a mais, fator matemático que recrudescerá a procura por alimento, a despeito da estagnação da produção ou até mesmo a queda da produção quantitativamente.

Desde o ano passado estamos vivendo um inicio de um processo inflacionário a nível mundial e já neste ano tenderá a algo próximo de 5%, fato que não sabemos como reagir porquanto os fatores desencadeadores estão incontroláveis neste momento.

Pretendo na qualidade de apenas um observador independente continuar a coleta de dados e de maneira mais simples possível acompanhar este desenrolar de acontecimentos múltiplos nos próximos anos e comentá-las aqui, não com objetivo de enunciar catástrofes, mas como pontos de reflexão conscientes para que acompanhem também as mudanças de pensamentos e paradigmas que estão sendo paulatinamente quebrados.

Não acredito em catástrofes, mesmo porque tudo é perfeitamente previsível como acontecimentos, e não é isto que muda o homem dentro da história, mas a conscientização que ele ganha a cada acontecimento que o obriga a agir pelo bem comum quando em situação difícil e imponderável para os homens.

E o que vem a ser imponderável?

A meu ver também não existe o imponderável, apenas ocorrências para os quais o homem assim designa simplesmente porque não é um observador atento à vida e descolou-se completamente de saber qual a razão de sua própria existência, mesmo que menor que um grão de areia no Universo, deveria pensar que existe uma função para cada indivíduo e todos, sem nenhuma exceção, devemos ter o mesmo grau de importância. Nem mais, nem menos.

Estamos num momento em que tudo aquilo que chamamos de cultura e civilização está se pondo em cheque, resta saber como nos sairemos disto nas próximas duas décadas, quando deveremos, pelos modelos matemáticos atingir um ponto de total desequilíbrio econômico e social. Que rumos tomaremos nas outras três décadas seguintes que serão cruciais? Ninguém sabe. Mas uma coisa tenho a certeza, a humanidade continuará a existir porquanto esta é a vontade de alguém que nos conduz, embora que invisível, insabido e desconhecido de todos, completamente.

– continua –

Por Atama Moriya.

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Uma resposta para Os desafios que a humanidade enfrenta e que criarão novos paradigmas de sobrevivência e huma-unidade – Parte 11

  1. Adriana disse:

    Olá … Atama, anjo sobre que circunstância nós sobreviveremos nos próximos anos a essa crise que criamos?!!!… Ao preço de quantas vidas vamos desenvolver novos valores de vida e unidade?!!!

    O ser humano precisa perceber que estamos unidos por uma força maior, que nós liga uns aos outros…onde a dor de um é a dor de todos!!! Mesmo que não tenhamos consciência dessa força superior que nós uni em amor… para a nossa evolução como filhos divinos do Pai…

    Bjssss…

    Adriana

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