Houve mesmo abolição da escravatura?

Na data de hoje se comemora a abolição da escravatura, mas houve mesmo a abolição da escravatura? De que tipo de escravatura o homem livrou outros homens? De que tipo de discriminação estamos falando?

Historicamente, quando nos referimos aos escravos negros no Brasil, vamos falar de um movimento de libertação que veio de fora para dentro, ou seja, ares europeus pairavam no ar nas cortes e veio em boa hora, por isso encontrou solo fértil no mundo visto que naquele período as produções agrícolas passavam por um momento de baixa econômica e muitos senhores de fazendas encontravam-se falidos e não podiam mais sustentar os seus escravos.

Já havia centenas de milhares de ex-escravos expulsos de fazendas os quais formavam comunidades parias na sociedade e em volta de cidades. A abolição foi uma forma de legalizar a expulsão dos negros das fazendas, antes de tudo, para resolver os problemas econômicos dos senhores de fazenda. Apenas em ultimo caso pode se considerar uma questão humanitária, mas apenas social.

Sem ter sido um avanço cultural e social nas mentes, vimos posteriormente os procedimentos de escravatura praticamente serem repetidos nas fazendas ainda no século passado, através dos imigrantes notadamente europeus que aqui aportaram depois quando novamente a economia agrária teve um crescimento no mercado.

 

Mas sem qualquer crítica, como sempre podemos observar, há males, no caso uma crise econômica fortíssima na produção agrícola, que provoca o bem, no caso a libertação dos escravos.

Mas a verdadeira prática escravista acabou no mundo?

Não. A pior prática de escravismo sempre existiu, ela apenas cria outras formas de manifestação ao longo do tempo em toda a história da civilização. Hoje ela assume a forma de escravidão de domínio mental, mais do que ocorreu em toda a história passada, onde já era presente, entretanto, os meios de comunicação eram bem escassos, ao contrário de um mundo moderno recheado de mídias de comunicação como rádio, televisão, jornais, revistas e internet.

O homem nunca foi racista. Explico, não se gosta ou se deixa de gostar de alguém por causa da cor da pele, mas por aportes culturais de natureza mental que identificam o que ele enseja ser feio e o que ele deseja ser belo.

O melhor exemplo que podemos citar é a fábula do patinho feio. Por que foi discriminado? Simplesmente porque foi considerado feio, e depois foi aceito por quê? Porque se tornou o mais belo. É simples, mas difícil de ser aceito em razão dos aportes culturais enraizados nas sociedades.

Também não podia ser diferente, com tanta propaganda, com tanta mídia martelando diariamente, torna-se difícil ao indivíduo o reconhecimento de seus próprios sectarismos pessoais.

Nunca houve um numero tão grande de escravos mentais como nos tempos atuais. Praticamente toda a população é escravo e pratica o escravismo com outros seres humanos.

A principal motivação continua sendo econômica, mas esconde outras raízes mais profundas que simplesmente não podem ser resolvidas de imediato, num desenvolvimento que ainda consumirá várias gerações.

Mas a escravidão econômica a estes níveis é intolerável posto que acentua cada vez mais o domínio de uns sobre os outros numa crescente involutiva que somente terá fim em acontecimentos caóticos, como os que estamos observando atualmente.

Para melhorar, na maioria das vezes na história, tudo tem de piorar ao máximo, sim, é verdade, mas é necessário que pelo menos uma parcela considerável da população esteja atenta e consciente do que está acontecendo e fora do domínio escravocrata econômico que resulta em culturas irreais, embora que estas se revistam de trajes bem racionais e reais.

Se estes modelos sócio-culturais-econômicos fossem realmente bons não estaríamos nestes vários becos no caminhar das sociedades.

Intoleramos demais nas culturas ocidentais principalmente, e esta forma de discriminação é pessoal, do tipo, o mais pobre que eu pode ser o meu escravo, por isso deve ser tratado como meu sub-serviente ou um sub-ser humano, em retribuição ao que ele sofre no dia-a-dia com relação aos que estão acima na pirâmide da riqueza social.

O que se discrimina sempre é o mais feio, que é sempre o mais pobre e miserável nas diferentes conceituações de cada sociedade e não exatamente a pessoa de cor de pele diferente como o Obama e a Globeleza.

Essa coisa de salário mínimo no Brasil é outro parâmetro de exploração, porque se deve haver um salário mínimo, tão mínimo, é porque consideramos que existem seres mínimos também. Triste fim de Policarmo Quaresma.

Bem disse o Mestre: “Toda árvore que meu Pai não plantou, será arrancada pela raiz.”

Vamos falar mais a respeito deste assunto um outro dia.

Não viva este dia como o da abolição da escravatura, mas como o dia de sua libertação mental. Tente ao menos ser um escravo consciente de que é um escravo, este é o começo da verdadeira libertação dos aportes mentais.

Por Atama Moriya.

Home

Anúncios
Esse post foi publicado em Desafios da Humanidade, texto. Bookmark o link permanente.

Opte por deixar comentários claros, concisos, compreensíveis e racionais. Evite palavrões, palavras ásperas e críticas/ofensas a outras pessoas. Lembre-se que este blog é muito lido por menores de idade. Por favor, deixe bons exemplos.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s