Os desafios que a humanidade enfrenta e que criarão novos paradigmas de sobrevivência e huma-unidade – Parte 10

Após a segunda grande guerra mundial criou-se um modelo econômico de desenvolvimento à base de alimentação barata e cada vez mais custos elevados e ganhos elevados em tecnologias ou bens e produtos industriais. Para tanto os países mais ricos criaram uma situação mundial em que o terceiro mundo seria apenas o celeiro para produção de alimentos ao primeiro mundo, em troca de bens industriais.

Para que isto desse certo foi necessário que houvessem continuamente subsídios aos agricultores da Europa e dos Eua para que sempre se forçasse a queda contínua de preços, por outro lado, para que o terceiro mundo pudesse usufruir de bens de consumo e máquinas, criaram-se linhas de crédito internacional através do Banco Mundial e do FMI, duas colunas deste novo tipo de colonização. Endividados os países mais pobres passaram a ter uma necessidade incrível de exportar o que tinham, ou seja, alimentos, aceitando continuamente preços defasados da realidade.

Ainda hoje isto ocorre no comércio, mas o que muda e muito rapidamente é a dependência de exportação por necessidades cambiais dos países pobres, não todos é bem verdade, mas muito e os mais importantes como o bloco do Mercosul e da Austrália, e até mesmo a África do Sul, Malásia e Tailândia.

Nesta onda de preços baixos nos alimentos, os países menores e sem outro tipo de desenvolvimento industrial “quebraram” e suas sociedades estão hoje vivendo um caos social sem tamanho; com violência, sem governos democráticos e muitas guerras civis, lamentavelmente, um preço e uma conseqüência destas distorções praticadas e as quais ninguém assume nos tempos atuais.

Estima-se hoje que cerca de 200 milhões de seres humanos, graças a estas políticas colonizadoras, vivem muito abaixo da linha da miséria, com fome, doenças, e toda a série decorrente de total falta de infra-estrutura social que as economias mundiais deveriam ter proporcionado levando-se em conta os discursos bonitos na ONU mas sem nenhum resultado prático, nem mesmo para diminuir a miséria humana no mundo.

Há na sociedade aportes culturais que ainda dominam o ser humano no Planeta, seja em que país for, do tipo “antes ele do que eu”. E isto não vai mudar tão já, será preciso uma mudança incrível proporcionada possivelmente por uma caos total na economia mundial.

A crise de alimentos no mundo é algo para se pensar. Não há falta de alimentos, muito pelo contrário, a produção de grãos aumentou no ultimo ano em pelo menos 7%, muito mais que o crescimento da população. Por outro lado, para forçar a queda de preços, continuam os subsídios, principalmente na Europa, criando-se situações irreais de preços, pois os produtos agrícolas estão sendo vendidos por cerca de 10% de seu custo naquele continente.

Já os países produtores do terceiro mundo conseguem produzir, ou quase, pelos mesmos 10% europeus, o que é um contra-senso, mas ocorre. Tudo leva a crer que esta baixa de ganhos diminuiu a quantidade de produtores, mas rapidamente foi substituída por latifúndios que conseguem sobreviver com ganhos menores, mas em quantidades maiores.

Bom, isto tudo pode ter sido validado até os dias atuais, mas não será a verdade daqui para frente.

Não há mais como manter os preços dos alimentos internacionais tão baratos. Nos últimos cinco anos houve aumento de preços superiores a 200% em quase todos os produtos e a população mundial mais uns 150 milhões de seres humanos.

Mesmo com o crescente consumo chinês e indiano não há falta de alimento, mas a humanidade terá que optar, pois cerca de 50% dos grãos são destinados a ração animal para produção confinada. Agora a pergunta: Ou os bichos comem ou os seres humanos, os dois neste momento não está dando.

A escassez é provocada, não tenham dúvida quanto a isto. A tendência é que a produção animal caia nos próximos anos, mesmo porque o milho americano, o grande produtor mundial, está virando etanol e este vai continuar disparando nos preços.

Mas se há sobras de preços em função dos subsídios, significa também que há sobra de preços para cima também, e é com este dado que os investidores de comodities trabalham. Não se sobe os preços de qualquer jeito, mas somente porque o mercado continua comprador mesmo com preços altos e vai continuar sendo, e até quando não sabemos.

Apenas como exemplo, o litro de óleo de soja no Brasil saltou em poucos anos de 99 centavos para, hoje, cerca de três reais e sessenta centavos e pode subir muito mais porque haverá procura mesmo a cinco reais!

De certa forma esta distorção nos preços de forma geral em toda a agricultura começa agora a ser corrigida, uma tendência irreversível. Muitos que deixaram de plantar soja, arroz, feijão, etc., para plantar cana, logo vão retornar em busca dos ganhos maiores. Mas também não tão maiores ainda. Afinal, os custos de produção também continuam em alta em decorrência do aumento abusivo que tem sido praticado nas sementes e principalmente nos insumos agrícolas.

Toda a agricultura em escala comercial depende de sementes de boa qualidade (a maior parte produzida por empresas multinacionais que visam apenas lucros e tão pouco se lixando com o equilíbrio) e muito mais ainda de fertilizantes e defensivos agrícolas, quase todos sub-produtos do petróleo.

Se eliminarmos a participação dos insumos utilizados na agricultura e provenientes das Refinarias de Petróleo, a produção mundial se reduzirá a menos de cinqüenta por cento do produzido atualmente, o que será um drama sem tamanho.

Pode-se viver com limitações na energia elétrica, com limitações de produção industrial, sem TV, sem computador, mas não se consegue viver sem “comer”. Todas as grandes crises mundiais que desencadearam situações dramáticas na história começaram pela fome e quando ela atingiu níveis insuportáveis ocorreram guerras, revoluções e sofrimentos em massa. Talvez tenhamos que passar por isto tudo novamente, quem sabe?

-continua-

Por Atama Moriya

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Uma resposta para Os desafios que a humanidade enfrenta e que criarão novos paradigmas de sobrevivência e huma-unidade – Parte 10

  1. Adriana disse:

    Eu de novo…rs…rs…

    Aguardo os próximos capítulos…

    inté…

    Beijinhos.

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