Os desafios que a humanidade enfrenta e que criarão novos paradigmas de sobrevivência e huma-unidade – Parte 9

“ONU culpa biocombustível e especulação por crise de alimentos”.

Vamos comentar estas notícias veiculadas recentemente pelas Agências de Notícias do mundo.

Recentemente o presidente Lula comentou em discurso que “a crise de alimentos é passageira” e não sei se ele fez estes comentários para acalmar o público ou realmente acredita nisto.

A crise de alimentos não é passageira, tenham a certeza disto.

Aliás, já era previsível já na década passada e nada tem haver com os bio-combustíveis cuja ocupação de terras agriculturáveis é ainda muito pequena e acho que em tempo algum será significativa globalmente mesmo porque a terra produz aquilo que é rentável e está sob controle do estado.

A ONU é dominada por países ricos e não pelos pobres, tanto é verdade que suas políticas sempre visaram o bem-estar dos países mais ricos e não o bem estar dos mais pobres. A realidade que ninguém comenta é que os modelos econômicos já da década passada apontam para uma crise de alimentos como nunca se viu na história, a qual se prolongará com certeza pelas próximas três décadas no mínimo, ou até que haja um novo realinhamento econômico a qual em princípio se dará somente à partir de 20 anos, ou seja, até no mínimo 2028 haverá altos e baixos na crise de alimentos mundiais.

Toda esta situação ocorre provocada pelo forte desequilíbrio econômico que perdurou por décadas após a segunda guerra mundial quando os países ricos continuamente forçaram os países pobres a produzirem alimentos baratos para exportação à custa de fortes subsídios concedidos aos seus produtores rurais internos, maquiando os preços mundiais durante os décadas e distorcendo a realidade.

Já na década passada a Bolsa de Chicago passou a ser dominada pelos contratos de commodities e assim já se sabia que forçado por grandes investidores e havendo margem de sobra em função de preços muitos baixos nos alimentos os alimentos tenderiam nesta década a ganharem um sobre-preço que nada mais faz do que aproximar os preços a um patamar de maior equilíbrio entre os bens de maior necessidade entre os povos.

Além disto, e não é coincidência, mas sim previsível, a entrada de consumidores novos no mercado como a Índia e a China, bem como o próprio crescimento populacional por si só tenderiam a elevar os preços e causar a escassez prevista.

Mas outros fatores também estão sendo desencadeados em conjunto, como uma orquestração, resta saber quem seria o maestro.

Também os modelos matemáticos sobre o aquecimento global já previam uma queda constante na produção de alimentos em função das distorções climáticas que causam secas prolongadas em várias áreas, chuvas demais em outras, diminuição das fontes de irrigação e estas quedas não se estabilizaram e não o serão nem em trinta anos que se seguirão.

Há outros fatores preponderantes ainda que vamos analisar com mais calma. Mas apenas não acreditem que os mega-investidores mundiais não sabem e não sabiam que isto tudo iria ocorrer, assim também os governos de muitos países, isto posto, entramos numa fase em que momentaneamente cada um deve buscar primeiro o seu próprio equilíbrio interno, como o Brasil, que observamos que parece mais “Maria que vai com as outras” e parece que não tem um plano de longo prazo. Dizer que pretendemos alimentar o mundo é uma sandice porquanto temos a obrigação primeira de alimentar o nosso próprio Povo que está em dificuldades com as altas provocadas por exportações excessivas de não-excedentes e esse desejo e pressão dos países ricos para que continuemos a exportar alimentos baratos em troca de tecnologias caríssimas.

É necessário mais lucidez neste momento pois o alimento para cerca de 100 milhões de brasileiros representa até 50% dos gastos familiares e não é possível conviver com a alta de preços na soja, arroz, feijão, carnes, etc.. Excetuando-se o trigo que é importado em grande parte, todos os demais produtos temos produzido o suficiente, mas a pressão para exportá-los tem tornado difícil o controle da renda de consumo dos mais pobres.

Em razão também de elevadas cargas tributárias sobre os alimentos no mercado interno e subsídios à exportação estão distorcendo internamente os preços, a ponto que retirando-se os fretes, os produtos exportados tornam-se mais baratos para os povos de outros países em detrimento do consumidor interno deste país.

A preocupação com alimento barato e em quantidade abundante é primeiro passo de uma estrutura para erradicar a miséria deste país, cuja população tem uma renda de consumo muito baixa, típica de países pobres ainda. Na história da humanidade a fome tem sido o maior flagelo de todos por isso países ricos colocam isto como prioritário em seus programas em detrimento inclusive da sobrevivência de outros povos.

O Brasil não é pobre em seus recursos, mas ainda um país de pobres e miseráveis em quantidade elevada; tem um índice de qualidade de vida muito baixo, tem 60 milhões de excluídos e a falta de alimentação adequada pode piorar este quadro de desequilíbrio. Para se ter uma idéia da importância da alimentação, dados de pesquisas médicas apontam que uma alimentação deficiente nos primeiros anos de vida de crianças praticamente condenam este ser humano a ter uma vida adulta comprometida em função do sub-desenvolvimento dos neurônios, reduzindo a sua capacidade mental para abaixo da média em idade adulta. Isto não é preocupante?

-continua-

Atama Moriya

Extrato da notícia divulgada pelos orgãos de imprensa em 28.04.2008:

“Relator pede paralisação de 5 anos na produção de biocombustíveis, que chamou de crime contra a humanidade.

Agências internacionais

GENEBRA – A transformação de alimentos em biocombustíveis e a especulação financeira são as principais causas da alta dos preços dos produtos alimentícios, afirmou nesta segunda-feira, 28, o relator da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, que qualificou a crise de “verdadeira tragédia”.

Ziegler classificou como “histórica e essencial” a reunião que as agências e organismos da ONU – com a presença do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon – realizaram nesta segunda em Berna para enfrentar a crise alimentícia.

O relator apelou aos colaboradores do Programa Mundial de Alimentos (PAM) da ONU para que aumentem suas doações, porque a agência “perdeu 40% de seu poder aquisitivo em três meses” devido à alta dos preços. Ziegler lembrou que 75 milhões de pessoas no mundo “dependem de receber as provisões do PAM para sua sobrevivência”.

O relator, que deu uma entrevista coletiva em Genebra para fazer um balanço de seu mandato, disse que os biocombustíveis são “um crime contra grande parte da humanidade, algo intolerável”, pois a transformação em massa de alimentos em combustível provocou a escalada dos preços de produtos básicos para milhões de pessoas.

Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) citados por Ziegler, no último ano, o preço dos cereais – especialmente o trigo – aumentou 130%; o do arroz, 74%; o da soja, 87%; e o do milho, 53%.

Além disso, há os custos do transporte dos alimentos, lembrou o suíço. Por isso, o relator defendeu uma moratória imediata durante pelo menos cinco anos na produção de biocombustíveis.

Subsídios

Ziegler afirmou ainda que os esforços da Organização Mundial do Comércio (OMC) para acelerar as discussões sobre liberalização do comércio trabalham contra aqueles que estão morrendo de fome.

“A linha tomada por Pascal Lamy (diretor-geral da OMC) é completamente contra os interesses das pessoas que estão morrendo de fome porque são exatamente as tarifas protecionistas que permitem que os produtores europeus cultivem lavouras para alimentação”, disse ele. A OMC e “os subsídios agrícolas de países ricos têm destruído a agricultura de países pobres, e um sistema mais aberto resultaria em menos distorção”, acrescentou.

Ele também criticou o Fundo Monetário Internacional (FMI), que “impôs aos países mais pobres” o cultivo de lavouras que não são destinadas à alimentação, reduzindo assim ainda mais a produção de alimentos.

Questionado sobre medidas protecionistas adotadas por vários países produtores de arroz, Ziegler afirmou que tal atitude gera especulação. Mas ele acrescentou que “entende a atitude desses países que consideram antes suas próprias provisões”. Seus governos “sabem que, na História, distúrbios sociais causados pela fome podem derrubar Estados inteiros.”

-fim-

Home

Anúncios
Esse post foi publicado em Desafios da Humanidade. Bookmark o link permanente.

Opte por deixar comentários claros, concisos, compreensíveis e racionais. Evite palavrões, palavras ásperas e críticas/ofensas a outras pessoas. Lembre-se que este blog é muito lido por menores de idade. Por favor, deixe bons exemplos.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s