Os desafios que a humanidade enfrenta e que criarão novos paradigmas de sobrevivência e huma-unidade – Parte 8

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki Moon, desde a Conferência de Acra, Gana, tem feito discursos vigorosos e controversos. Como só recebemos resumos das Agências de Notícias, é preciso interpretá-las com cuidado.

Mas é possível tirarmos algumas conclusões. Primeiro ele defende “uma revolução verde” para o sustento dos alimentos a nível mundial e consequentemente ataca os países produtores de bio-combustíveis, uma alternativa viável para não substituir o petróleo, mas objetiva redução do impacto atual e futuro do aquecimento global e, portanto, não um redutor da dependência petrolífera, mesmo porque o petróleo não é só combustível, mas antes de tudo é mais importante na produção industrial e agrícola, sendo assim somos cem por cento dependentes do petróleo, e as alternativas substitutas ainda não são viáveis tecnologicamente.

Neste primeiro aspecto apontado não entendemos a coerência porquanto neste momento porque os bio-combustíveis e suas plantações não ocupam nem 1% das terras agriculturáveis do planeta. Talvez ele se refira a necessidade imediata de aumento da produção agrícola de alimentos, os quais infelizmente já estão em falta.

Num segundo momento ele alega que a produção de bio-combustíveis tende a aumentar a fome e a miséria no mundo, principalmente nos países pobres da África. Uma afirmação absolutamente estranha. A África vive uma situação de fome e miséria há séculos proporcionada pelos seus países colonizadores, todos europeus, e não porque o terceiro mundo (apontado como vilão) assim o produziu historicamente e não será agora que países produtores de alimentos, como os da América do Sul e da Ásia, eminentes exportadores de alimentos baratos, serão os responsáveis pelas misérias produzidas pelo Capitalismo Colonizador.

Viver e conviver em equilíbrio e harmonia é uma lição que não foi aprendida pelo homem desde os tempos imemoriais, e já foram centenas de séculos de brigas, guerras e exploração humana. De que adianta em termos de civilização tantas tecnologias e tantos avanços científicos neste século XXI se ainda não conseguimos impor condições equitativas de vida uns aos outros, subsistindo ainda pensamentos e decisões unicamente sob o ponto de vista do “eu”, “meu povo”, “meu país”, etc.

E assim estamos assistindo ao crepúsculo deste aporte mental de milênios que ainda domina completamente o Homem dito Moderno, mas ainda agindo como há milênios atrás, igual a bandos de cavernas, atacando outros bandos para subjulgá-los e explorá-los economicamente para criar o maior bem estar possível somente para a sua caverna, esquecendo-se de a outra caverna está repleta de seres humanos também e com iguais direitos planetários de vida e bem estar.

Quando se fabrica uma “ferrarri” não é para todos, nem para muitos, mas somente para poucos privilegiados individualmente, sendo este mais um paradigma cultural que uma dia vai cair por terra porque não subsiste a uma crítica mais racional sobre o que é produzir bem estar social de forma equânime em todo o Planeta Terra.

Neste momento em que pelo menos 2 bilhões de seres humanos simplesmente se arrastam sobre a superfície da terra é absolutamente sem sentido tanto esforço econômico para a produção de bens absolutamente impopulares que visam apenas satisfazer uns poucos indivíduos que dormitam até tarde a despeito da miséria reinante em quantidades inigualáveis na história desta civilização terráquea.

Até que ponto Ban Ki Moon e seus colegas da ONU estão de fato engajados pela causa humana? Não estaria “eles” apenas se movendo pelos interesses daqueles que acreditam piamente que “poderão comer ferrarris” eternamente, em detrimento daqueles que sob sol a sol plantam e colhem o “o pão nosso de cada dia”, grama por grama, unicamente para satisfação pessoal e íntima de uns poucos milhões que comem e bebem o sangue e o suor de bilhões de famigerados planetários?

Assim como não há nenhuma verdade que possa se eternizar, nenhuma mesmo que dure milhões de anos, porque tudo é perecível sob o tempo, então podemos afirmar seguramente que nenhum paradigma de vida, mesmo que dure centenas de anos, poderá ser validado como verdade eterna, pois estes paradigmas dependem do “grau de consciência do indivíduo” e estes estão constantemente em mudanças que provocam por sua vez mudanças cíclicas de tempos em tempos.

Se voltarmos um pouco ao tempo, só um pouco, veremos que o Império Romano se inclinou ao Catolicismo simplesmente porque já estava falido, agonizante economicamente e tentar uma forma de controle sobre as massas naquele momento era imprescindível para sua sobrevivência e assim o fez.

Estas mesmas manobras já foram tentadas e usadas pelos séculos que se seguiram e embora tenham produzido algum efeito em seus objetivos, o seu tempo de duração foi cada vez menor, porquanto outros fatores voltaram a atuar de forma silenciosa. E assim acredito se dará e está se dando neste momento, onde agoniza um tipo de cultura civilizatória de auto sobrevivência em detrimento das massas.

E isto não se dará porque as massas estão conscientes, mas porque modelos econômicos falhos foram aplicados que não visam o equilíbrio econômico, social e cultural, mas que estes fatôres por si só, por serem fonte do próprio indivíduo tendem a emergir em dados momentos causando um super-desequilíbrio que obriga a todos a um novo realinhamento, mesmo que também temporário, até o ponto que um outro realinhamento se faz necessário.

Há um evidente mecanicismo em tudo na vida, e não poderia ser diferente nas civilizações e seus desenvolvimentos, como Moore já estudava há décadas passadas e Kurzweil retoma em 2001.

Há uma correlação entre a velocidade do desenvolvimento tecnológico e científico e a velocidade do tempo como fator desencadeante dos ciclos e mudanças paragmáticas, e como diversos pensadores, também penso num modelo matemático numa equação exponencial logarítmica, mas com uma constante que varia conforme a mudanças dos fatores.

Penso também que em tempo algum esta curva matemática se verticalizará, pois, admitir isto seria admitir o fim da própria civilização que vive sob paradigmas e o constante surgimento de fatores desequilibrantes que a impulsionam aos novos pontos de intersecção, o que, de fato representa a evolução na forma medida cientificamente.

O ponto mais difícil de interpretar é por que os pontos cíclicos podem permanecer numa faixa cíclica próxima sempre, embora as variantes surgem cada vez mais em quantidade maior e em exponencial, mas não chegam a influenciar o ponto de intersecção.

Talvez haja um ponto falho ao interpretarmos o tempo como “k”, pois não estamos como observadores dos eventos, mas diretamente inseridos, o que pela teoria quântica modifica o comportamento dos acontecimentos. Sendo assim o tempo se insere como mais uma variante relativa como o próprio Einstein enunciou.

Acaso venhamos a estudar estes acontecimentos destes anos e décadas deste século, mas estando no século seguinte, seremos apenas história e certamente estes fatores ou variantes passam apenas a números invariáveis, e sem a nossa intendenciosidade.

Por Atama Moriya, em 28-04-2008

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