Os desafios que a humanidade enfrenta e que criarão novos paradigmas de sobrevivência e huma-unidade – Parte 4

Historicamente todas as grandes transformações sociais, culturais e tecnológicas, sejam elas precedidas de revoluções civis, militares, populares, pacíficas ou não, aconteceram em função de profundas crises econômicas que afetaram a maioria em momentos de profundos desequilíbrios entre os indivíduos que compunham as sociedades produtivas. Esses desequilíbrios são relativamente fáceis de serem observados quando separados por classes sociais.

As sociedades consideradas mais ricas estão iniciando um processo de desequilíbrios sociais, impulsionados que estão sendo por uma falsa distribuição de riquezas proporcionadas por preços de produtos e serviços irreais. Há cada vez mais ricos exageradamente ricos e um crescente numero de pobres, cada vez mais miseravelmente pobres, principalmente quando se fala de países chamados de ricos pelo mundo.



Para países pobres acostumados à desgraça se torna até “fichinha” a situação de fortíssimos desequilíbrios entre os ricos e os pobres, mas para eles que não vivem esta situação tenderá a se tornar um caos total.

Vejam que os norte-americanos estão desesperados com uma taxa de desemprego da ordem de 5%, enquanto aqui no Brasil isto passa seguramente de 13% nos índices oficiais, mas que seguramente deve ultrapassar os vinte por cento se descartarmos os sub-empregos no país. Por exemplo, cortador de cana não é emprego, é trabalho, mas não desejaria isto nem ao pior bandido do Brasil, porque a expectativa de vida destes brasileiros é baixíssima, e a crueldade física é tamanha que difícil alguém suportar dez colheitas seguidas, morre bem antes com doenças graves, além de um desgaste físico inacreditável, mas quem liga para isto? De qualquer forma só se vai cortar cana quem não tem outra opção de sobrevivência. Então além de não ter garantias melhoras e nem as comuns, é apenas trabalho e não emprego sob o ponto de vista da economia vista sob o patamar de uma estrutura que proporcione bem estar aos trabalhadores e condições adequadas de vida também minimamente estruturada com educação, cultura, lazer, saúde, etc.

Nos países ricos, essa situação de preços irreais que permitiram grandes lucros e margens de ganhos permitem também remunerações também avantajadas aos seus trabalhadores, e força uma situação de riqueza acima do que seria possível em realidade. Isto não vem ocorrendo a um ano, nem a cinco, nem a dez, mas vem sendo construído ao longo das últimas décadas, sendo assim, é de se supor que quando toda a base começar a demonstrar estar montada em cima de pressupostos falhos, toda a pirâmide de cartas tenderá a uma queda em menos de um décimo de tempo que levou para ser construída.

Quais seriam estes pressupostos básicos?

Vamos voltar no tempo recente de após 2ª. guerra até os dias atuais.

Verifica-se neste período o grande entusiasmo e a proclamação da vitoriosa economia liberal de alta competividade. A vitória de sistema econômico “impulsionado pela grande economia norte-americana”, a vitória do chamado “american way life”.

Entretanto, analistas e estudiosos de economia sempre desconfiaram que tal sistema, embora vitorioso por criar a maior economia mundial próspera, segura e forte o suficiente para comandar as demais economias, tinha certos embasamentos que ao longo das décadas poderia começar a desmoronar, tais como os elevados preços da mão de obra interna, a imposição constante de preços baixos nos insumos e matérias-primas importados, e o crescimento em volume econômico exagerado da indústria de serviços, proporcionando altos ganhos aos acionistas e empregados, valorizando exageradamente um bem que não é exatamente um produto, embora assim chamado, mas a manipulação das necessidades das sociedades em termos tecnológicos e financeiros.

Vê-se que para toda a ação tem uma reação. Isto acontece em qualquer campo, mas principalmente no econômico onde forças invisíveis agem para encontrar outras soluções ao longo do tempo. Vide o caso da Microsoft que tem aos poucos enfrentado concorrentes não aos seus produtos, mas as suas políticas, com lançamentos constantes de softwares melhores e gratuitos. É contar nos dedos quanto tempo mais essa gigante se manterá. Hoje ela só tem a seu favor uma condição de hábitos e costumes, mas que aos poucos está mudando no mundo todo.

Sem dúvida uma equação que ainda encontra muitos (a maioria) defensores, mas que ora se mostra frágil e tendendo a ser profundamente questionada nos anos futuros.

Políticas agressivas a nível mundial praticada pelos países mais ricos industrialmente, liderados pela poderosa economia americana, empurraram os preços dos produtos e matérias-primas sempre em patamares por demais irrisórios, em contra-partida obrigavam os países em desenvolvimento a pagar preços elevadíssimos de suas máquinas e equipamentos, além de preços abusivos de serviços em geral (empréstimos em larga escala aos governos, juros, serviços financeiros como seguros, royalties, direitos, etc.).

Também por décadas houve um forte controle dos preços do petróleo sobre os países produtores, através de acordos e mais acordos, mas que ao longo do tempo, como estamos vendo, acabaram por tornarem-se ineficazes aos controles dos países ricos.

Ao longo deste período, países da OPEP tiveram a oportunidade paulatina de aplicar seus excedentes em investimentos alta escala e iniciaram a retomada de uma economia forte e com bom embasamento, com indústrias modernas, investimentos em saúde, educação e outros pressupostos que permitem a certos países, ainda considerados do terceiro mundo (esta classificação hoje é duvidosa), concederem ótimas condições econômica-sociais a maior parte de suas populações.

Não é hoje um privilégio de países ricos e do primeiro mundo ou assim chamados, proporcionarem a seu Povo condições de vida de muito equilíbrio sócio-econômico. Basta vermos nos últimos anos os vários exemplos de prosperidade no Oriente Médio.

Era óbvio que o controle nos preços do petróleo iria se desmoronar a partir do momento que os países produtores obtivessem sucessivamente por alguns anos vários superávits comerciais, tornando os países produtores menos vulneráveis às pressões dos países ricos. Também colaborou neste processo o próprio crescimento espontâneo da economia mundial, notadamente com a entrada da China e seu crescimento anual sempre avantajado, pressionando cada vez mais a oferta de petróleo, além é claro do próprio crescimento das populações nos últimos 50 anos, fator decisivo no aumento do consumo de petróleo e matérias primas.

Praticamente todas as grandes nações do terceiro mundo já estão libertos das pressões internacionais em decorrência de enormes dívidas externas que através de sucessivos superavits foram sendo liquidadas. O Brasil é talvez o último dos grandes a levantar a cabecinha por cima do muro que nos divide e separa dos ricos, mesmo com a falta de crescimento e políticas econômicas bastante equivocadas nas últimas décadas.

Mesmo com um grande superavit conquistado acumulativamente e uma reserva invejável por ser o Brasil, eu realmente creio que continuamos a cometer um grave erro na administração das reservas, que estão em dólares no EUA, aplicados em títulos americanos (um papel perigoso na crise) recebendo baixíssimos juros anuais e ao mesmo tempo pagando a investidores estrangeiros que por aqui aportam taxa de juros de 11,25% (taxa selic). Parece negócio de louco, no bom sentido. Esta política poderá trazer no futuro um grave problema em nossa economia, posto que eventuais perdas mundiais poderá nos afetar muito mais do que se imagina aqui a maioria dos analistas. Neste aspecto não creio que estamos blindados, pelo contrário, estamos nos expondo em demasia e sem necessidade.

Quem diria, os norte-americanos sempre acharam que poderiam impor eternamente preços nos produtos e matérias primas importadas de seus parceiros do terceiro mundo, mas hoje vê que sua política de priorizar a indústria de tecnologias a despeito das indústria de bens e manufaturados está se voltando contra si próprio. Posto que as crises econômicas que hoje vive provocam uma avalanche de desempregos no setor de serviços. Quanto as industrias de bens, hoje ela não é mais competitiva em termos de comércio internacional, o que não fará essa massa trabalhadora retornar para as indústrias.

O encolhimento (Querida, eu encolhi a economia) da indústria de serviços é fatal e seus altos ganhos e altos salários estão com os dias contados. Para onde irá toda essa mão de obra desempregada? Não irá, essa é a resposta. Provavelmente muitos iniciarão, como já está acontecendo, uma caminhada de imigração para outros países, como o Brasil, por exemplo, visto como uma economia que oferece enorme facilidades de vida e desenvolvimento nos próximos anos.

Em nossas terras tão desprezadas pelo primeiro mundo no passado já estamos tendo problemas com a venda de propriedades para não-residentes em vários municípios do interior, em taxas que superam o permitido por lei.

Cooperativas familiares de outros países já estão por aqui para investir em terras, produções agrícolas, e até adquirindo indústrias que exportam toda as suas produções.

Este tipo de investimento no passado poderia ser considerado de interesse, mas hoje deve ser controlado e limitado para evitar um descontrole econômico, mas será que temos um governo atento a estas questões?

-continua-

Atama Moriya

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Uma resposta para Os desafios que a humanidade enfrenta e que criarão novos paradigmas de sobrevivência e huma-unidade – Parte 4

  1. Adriana disse:

    Olá… amado Atama!!!

    “…Será que temos um governo atento a estas questões?”

    Ahhh…Faz pergunta fácil!!! rs…rs…

    aguardo os próximos capítulos…

    Beijinhos
    Adri

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