Vida após a morte – Morrer não dói, será?

Existe mesmo vida após a morte? Eis uma pergunta inquietante e que somente pode ser respondida intuitivamente, seja positiva ou negativamente, porquanto, ninguém foi pra lá conferir e voltou.

Mesmo os céticos não podem afirmar que não, posto que não tiveram esta experiência concreta, e quanto aos crentes, a afirmação se baseia na sua fé, e com base nas experiências místicas de cada um. Mas muito da crença se deve mesmo ao aprofundamento nos estudos religiosos, os quais pregam uma pós-existência e se baseiam para afirmá-lo em outras afirmações passadas por textos principalmente dos quatro evangelhos dominantes.

A ciência vai até um ponto que não consegue mais explicar, por exemplo, as experiências bem sucedidas com gravações de vozes do além ou de dimensões seguintes para onde vão os mortos. Acompanha e não pode explicar os processos mediúnicos nos quais mensagens são enviadas a familiares de entes já falecidos, além é claro de pessoas, amigos, parentes ou alguns de nós mesmos que tiveram experiências de quase-morte.

É muito comum hoje encontrarmos com pessoas próximas que vivenciaram esta experiência de quase morte e todos praticamente relatam quase a mesma coisa, em detalhes. Pessoas que já enfrentaram processo de coma e dela saíram fazem relatos como os descritos pelo espiritismo, por exemplo, algo muito comum em todas as sociedades, nas quais encontramos vários relatos parecidos, também.

Não estou aqui para fazer apologia às religiões ou convencer os crédulos da vida após a morte, posto que cada um deve extrair da sua vida as suas próprias conclusões até porque é com base nas suas conclusões pessoais que ele vai um dia enfrentar este momento.

Mas o fato da morte em si trazer muitos medos consigo a todos aqui, enquanto vivos, é que torna esta “passagem” cercada de muitos mistérios e para muitos um medo paralisante que se manifesta inconsciente.

Seguindo os relatos dos que “supostamente” para alguns e verdadeiramente para outros já estão do outro lado da vida, encontramos um ponto em comum: “morrer não dói”.

Referida afirmação mesmo que em tom tranqüilizador traz em si um grande mistério, porquanto, ninguém aqui vai fazer este experimento e conseguir retornar para contar. Isto neste momento é uma impossibilidade. Não vamos aqui fazer referências aos ressuscitados, como Cristo, posto que estes “caras” não eram humanos, mas supra humanos e suas experiências por enquanto não podem ser compreendidas pela maioria dos vivos aqui.

No livro que “mata a morte” o autor Mario Roso de Luna faz um trabalho notável para demonstrar a vida após a morte, algo realmente digno de leitura.

Todavia, não vamos examinar aqui esta questão de vida após a morte que podemos detalhar em outro post, mas vamos nos ater brevemente apenas na questão primeira de como seria esta morte física e por que temos, mesmo de forma inconsciente, um terrível medo de morrer.

No conhecimento esotérico, próprio para quem acredita em almas e espíritos que vivificam o corpo humano, é dito sempre que a morte nem sequer pode ser sentida, embora haja o corpo sinta a sua ocorrência, a alma é retirada momentos antes e jamais participa verdadeiramente deste momento. É uma afirmação que tranqüiliza, mas difícil de ser provada como já dissemos antes, e o que temos são apenas os relatos provenientes das pessoas que enfrentaram a quase-morte e aquele que verdadeiramente já passaram dimensões posteriores na vida que prossegue.

Nas ocorrências de quase-morte a alma é retirada momentaneamente do plano físico, muitas vezes para não enfrentar momentos dolorosos desnecessários ou incompreenssíveis ou principalmente para se furtar da dor física ou mental, porém, a alma continua ligada ao corpo físico, embora sem as sensações do corpo físico, mas conectada ainda pelos fios ou cordões invisíveis ou dimensionais os quais não são rompidos. Tal qual ocorre para maioria das pessoas quando dorme e alma passa a vaguear por “aí”, experiências que muitos se lembram com riquezas de detalhes, e podem ser chamadas de viagens físicas ou astrais.

Nas viagens físicas podemos simplesmente, enquanto alma apenas, sair do corpo físico e passear literalmente pela casa, pela cidade, ir para outros lugares, ir para outros países, ver pessoas em outras casas, visitar amigos, parentes, ou simplesmente brincar de voar nos céus.
Parece uma “loucura” isto? Não, procure entre os seus amigos e encontrará com certeza alguns destes relatos que permanecem meio que em segredo porque as pessoas não sabem explicar como isto ocorreu.

Nas viagens astrais, a alma, com ou sem auxílio de outros, sae do corpo físico e atravessa dimensões e chega aos demais planos, principalmente o astral, de onde encontramos muitos relatos que chamamos de sonhos “reais”, de encontros por exemplos com entes familiares que sentimos saudades ou mesmo pessoas que desconhecemos na vida real, mas que se encontram em diversas situações diferentes em planos que nos são desconhecidos, embora que parecidos com a Terra física.

Em ambos os casos, de maneira alguma a alma se separa do corpo físico, uma vez que permanece ligado por fios ao umbigo e ao coração, daí porque sempre acontece o seu retorno ao corpo de maneira instantânea, num simples pensamento.

Já com a morte física, mesmo antes do desfalecimento da fase aguda da morte, conforme ensinam os grandes esoteristas, os cordões são rompidos e a alma se desprende instantaneamente e não tem mais nenhuma possibilidade de retorno ao corpo físico, o qual mesmo sendo mantido em atividade mecânica por tempo maior, já está sem a vida ou o espírito que o vivifica. Com os cordões rompidos, mesmo que respire ainda, já é um corpo morto.

Mas o que queremos mesmo enfatizar é a afirmação de que morrer não dói, e ainda que não possa ser provada individualmente, ainda assim deve ser acreditada como um dispositivo do criador para impedir que experiências extremamente desagradáveis sejam gravadas na alma espiritual de forma que ela não seja levada com uma experiência traumática da vida.

Medo de morrer todo mundo tem, afinal enfrentar o desconhecido e o que para nós é um mistério é algo que realmente assusta. E até é bom que tenhamos medo de morrer, porque isto nos traz para a vida e a preservação física, e representa o apego à vida, o apego ao nosso egocentrismo, à nossa própria individualidade.

Alguns desafiam a morte como se fosse uma brincadeira viver, então se jogam de precipícios com cordinhas, ficam saltando de pára-quedas, nadando em rios de piranhas, etc., mas embora não possamos criticar diretamente, não nos parece que desafiar a morte seja algo inteligente, algo que nos faz crescer em consciência; não é algo nos faça melhores seres humanos e nem algo que nos aproxima de Deus mesmo que morrendo nestas circunstâncias. Mas respeito aqueles que precisam mesmo sentir tais emoções pra se sentirem vivas.

O sentido de auto-preservação está ligado ao apego a vida, e isto é muito bom, entretanto, tudo que é excesso se torna de positivo em negativo, porquanto, o apego exagerado, extremado à vida, denota um extremo egoísmo, por vezes não representado no consciente como medo de morrer, mas exatamente o contrário também, quando a vida sem o seu objeto de apego, seja a si mesmo, ou a outrem ou bens materiais parece não fazer nenhum sentido.

É comum observarmos em muitas pessoas extremamente egoístas este tremendo apego pessoal e são pessoas que o demonstram em extremos, como pânico terrível de morrer, ou um completo desapego a vida caso não se sinta contemplado em seus desejos na vida física. O segundo grupo é invariavelmente representado por pessoas que quando não atendidas em vida em seus desejos preferem literalmente morrer ou apresentam uma coragem “falsa” e enfrentam a morte numa boa. Muitos até se suicidam por não verem atendidos os seus desejos de vida, ou por reconhecerem limitações na vida que não podem aceitar por falta de compreensão da vida.

Vale lembrar também que nenhuma regra é geral, mas aplica-se individualmente e conforme determinados momentos da vida. A vida é mutante e por isso mesmo somos todos mutantes.

Mais adiante vamos escrever mais a este respeito e sobre o oposto que é a coragem.

Por Atama Moriya, em 29-06-2009.

Vejamos este trecho de livro Raymond A. Moody:

“Cidades de Luz

Um homem de idade madura, que sofreu uma parada cardíaca , relatou::

“Tive uma parada cardiaca e fiquei clinicamente morto . . . De repente , senti-me de tudo com perfeita nitidez . . . De repente , senti-me dormente . Os sons começaram a parecer um tanto distantes . . . Durante todo o tempo eu estava perfeitamente consciente de tudo que se passava . Escutei o monitor cardiaco parar de funcionar . Via enfermeira entrar no quarto , falar ao telefone e logo enfermeiras , médicos e assistentes começaram a chegar.

“Quando as coisas passaram a tornar-se indistintas , ouvi um som que não consigo descrever: era como o rufar de um tambor, um ruido muito rápido , como o de uma torrente passando por uma garganta de pedra . Ergui-me e parei no ar , olhando para meu corpo . Pessoas trabalhavam para reanima-lo . Não senti medo . Nem dor . Apenas paz . Após o tempo de apenas um dou dois segundos , tive a impressào de virar-me e subir . Estava escuro — pode-se dizer que era um tunel , ou buraco — e, na outra extremeidade , uma luz brilhante , que se tornava mais forte à medida que eu parecia atravessar o túnel em direção a ela.

“De repente , era um lugar totalmente diverso . Havia uma luz dourada por toda a parte. Linda . Não consegui localizar a fonte da luz . E havia música , também . Tive a impressão de estar num panorama com riachos , prados , árvores e montanhas . Mas quando olhei em volta — se é que se pode dizer assim — não se tratava de arvores e coisas como a conhecemos. Para mim, o mais estranho em tudo aquilo era a existencia de pessoas no local. Não sob qualquer forma ou corpo como estavamos acostumados a ver ; simplesmente estavam lá.

“Havia uma sensação de perfeita paz e contentamento . De amor. E eu parecia fazer parte daquilo.  A experiencia pode ter durado a noite inteira , ou apenas um segundo . . . não sei dizer.”

Eis como uma mulher descreveu o fenômeno :

“Havia uma espécie de vibração. Uma vibração que me cercava , envolvendo-me o corpo . Era como se o corpo vibrasse e não pude identificar a origem da vibração. Mas quando o corpo vibrava , eu me separava dele. Então , podia vê-lo de fora . . . Fiquei por dentro durante algum tempo, observando os médicos e enfermeiras trabalharem no meu corpo , e tentando imaginar qual seria o resultado . . . Fiquei à cabeceira da cama , olhando para eles e para o meu corpo . A certa altura , uma enfermeira estendeu a mão para a parede atrás da cama , a fim de pegar a máscara de oxigenio que ali estava e, ao faze-lo , passou o braço através de meu pescoço . . .

“Em seguida , flutuei , atravessando um túnel escuro . . . Penetrei no tunel negro e emergi numa luz brilhante . . . Um pouco mais tarde , eu estava com meus avós , meu pai e meu irmão , que já tinham morrido . . . A luz mais linda e brilhante nos inundava . E o lugar era lindo . Havia cores — cores vivas — não como as daqui da Terra , mas simplesmente indescritiveis . E pessoas — pessoas felizes … Pessoas por todos os lados , algumas reunidas em grupos . Algumas estavam aprendendo . . .

“À distancia . . . pude avistar uma cidade . Prédios . . . prédios , separados uns dos outros. Eram polidos , brilhantes . As pessoas eram felizes ali . Água limpida, que refletia a luz , repuxos . . . creio que o melhor meio de descrever seria dizer ‘uma cidade de luz’ . . . Esplendorosa . Tudo brilhava , uma maravilha . . . Mas se eu entrasse nela, creio que jamais teria voltado . . . Disseram-me que, se eu entrasse ali, não poderia regressar . . . que a opção era exclusivamente minha.”

Um homem idoso declarou :

“Eu estava sentado na cadeira . Comecei a levantar-me e algo me atingiu em pleno peito . . . Apoiei-me na parede . Tornei a sentar-me. Então, fui novamente atingido: algo como uma marreta golpeou-me o peito . . . Estive no hospital . . . e disseram que eu soufrera uma parada cardíaca. O médico estava ao meu lado.”

E o que se recorda a respeito de sua parada cardíaca?

“Bem, de um lugar . . . realmente lindo , mas impossivel de descrever . Não obstante , existe, seria impossivel imagina-lo. Quando se chega ao outro lado, há um rio. Exatamente como na Biblia : ‘Existe um rio . . . ‘ Tinha a superfice lisa como uma lamina de vidro . . . Sim , atravessa-se um rio . E eu o atravessei . . . “

Como sentiu que atravessou o rio?

“A pé. Simplesmente caminhei . Mas era tão bonito! lindo! Não existe modo de descreve-lo. temos belez aqui , sem dúvida , com todas as flores e coisas bonitas , mas não há comparação. Lá é tudo tão silencioso, tão tranquilo . Dá vontade de repousar . Não existe escuridão.”

Trecho extraído do livro Reflexões sobre a Vida depois da Vida de Raymond A. Moody Jr. – Ed. Nórdica – 1977

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2 Comentários Leave a comment.

  1. Às vezes pensamos que a morte é um mistério sem fim e tememos sua presença!

    Não conseguimos perceber que viver sim, é o grande mistério, onde morrer é apenas conseqüência de um ciclo de vida que se finda para iniciar se outro.

  2. Texto muito interessante!
    Morrer pode não “doer” fisicamente, mas acredito que se o carma está pesado, a dor da alma (ou espírito, conforme a terminologia aceita)pode incomodar um bocado!


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