Um tapa de pelíca nos loucos e gananciosos investidores: Congresso EUA rejeita na segunda negra, mas pode aprovar na quarta-feira de cinzas

Pressionados por milhões de trabalhadores que estão perdendo suas casas, seus carros, sua previdência social, seus cartões, os congressistas deram uma resposta a altura, mas com apenas 28 votos de diferença. O que vale dizer que deve ser aprovado em segunda votação. A pressão da mídia e dos analistas, todos funcionários ou dependentes do sistema financeiro, é bastante duvidosa, mas deve surtir efeito. Além é claro da pressão que tem sido feita pelo Presidente Bush que tende a ser conhecido como aquele que quebrou a maior economia do mundo.

O secretário do tesouro Paulson e o presidente Bush estão a fazer uma perigosa opção que poderá, com grandes chances, dar em nada. Creio que a idéia com apenas 700 bilhões de dólares, valor gigante e ao mesmo tempo pequeno diante dos números dos super-riscos assumidos pelo mercado financeiro mundial, não é suficiente por si só de resolver a questão, todos sabemos.

Então, muito provavelmente este montante servirá para nova multiplicação de ativos, e não para compra somente dos ativos já podres e sem valor comercial. Possivelmente à partir deste montante será montada uma super gigante operação de re-capitalização para tapar os buracos e escorar instituições já combalidas.

A outra opção americana, não apoiada pelos países ricos, mais preocupados com seus “umbigos” coligados a implosão financeira de papéis sem lastro, é utilizar este montante bom, em investimentos dentro de sua própria economia; investimentos estes em infra-estrutura produtiva, educação, seguridade social e re-negociações de dívidas de 30 milhões de americanos, medidas que a longo prazo poderiam colocar novamente a economia em marcha.

Em todas as situações, em menor ou maior grau, estamos à beira de um grande período de depressão mundial, e ninguém escapará ileso, em maior ou menor grau, dependendo do atrelamento ao sistema financeiro internacional.

O mundo hoje, completamente oposto ao que se deseja para o amadurecimento das sociedades e dos indivíduos está hoje a apoiar e salvar “loucos” especuladores, a própria ganância, a irracionalidade, o desequilíbrio econômico, a total falta de ética na busca de sobrevivência e uma nova ótica moral implantada no século XX, desconhecida por qualquer princípio humanista tão sonhado e almejado como sendo a evolução da civilização.

Voltar ao normal, neste caso é atender ao egocentrismo individualista em detrimento a moral que é capaz de atender os anseios da humanidade.

Este voltar ao normal não atende nenhum anseio popular como demonstram os próprios sindicalistas e trabalhadores americanos que estão atônitos vendo que a propaganda de um grande país com ética e moral acima dos demais era só uma propaganda.

Este sentimento de revolta não é boa coisa, e esta força inconsciente trará no futuro muitos resultados negativos, sem dúvida. As leis do Universo tendem sempre a buscar o equilíbrio, enquanto o homem cegamente movidos por egos, age em completo egocentrismo. Sabem qual o resultado futuro? Quem sempre vence?

Continuar a colocar os interesses populares sempre como resultados de políticas econômicas e não sua fonte e origem na busca da equanimidade é mesmo buscar a derrocada destas mesmas políticas. E isto acontecerá em algum tempo, posto que tais políticas são ilógicas, irreais, injustas e imorais, embora não firam ainda nenhuma lei, mas tenho certeza que tais leis deverão surgir em todas as economias, até para novamente frear o homem em sua “eterna ignorância”, caso contrário ele continuará a ameaçar a própria existência e criação futura de um estado mais próximo da equanimidade.

Mas vamos ver hoje, o que nos reserva o Congresso americano. Creio mesmo que um super-ajuste e novas regras econômicas, embora com muitas dores, seria preferível de imediato ao invés de tentarmos alongar mais e mais situações que são absolutamente desequilibrantes à razão e ao racionalismo que devem sempre estar sobre os pilares da ética e moral, as quais não possuem estas definições simplistas dos interesses pessoais, mas calcadas em verdades, pois que somente verdades podem ditar as regras de justiça e paz.

Todo o sistema econômico atual mostra as suas “mentiras” e expõem suas incongruências éticas e morais, e por isso mesmo, tendem a fracassar, e assim foi ao longo da história passada. Compreender mais rápido esta lição é abreviar os sofrimentos mundiais, insistir é apenas fazer perdurar o que fere a consciência da maioria dos indivíduos, e assim, não tem o seu apoio, e logo apenas fará o sofrimento durar mais ainda e mais dura acaba sendo a lição.

Separar o mecanicismo das economias da ética e moral é um grande erro, e assim será provado novamente na história, é só sentar e aguardar.

Atama Moriya, em 01-10-2008.

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